domingo, 10 de novembro de 2013

Diário de Bordo - A Maldição do Vale Negro 19 - Colégio Annes Dias

De quem é a responsabilidade?

                  Desde sempre me peguei procurando um responsável para que o teatro dê certo em Cruz Alta, ou mesmo no interior. A Arte é profundamente importante, indispensável, necessária para todos, em contra ponto ouvimos sempre diversos comentários como: A arte é importante nas escolas; A Arte deve ser difundida; Peçam apoio aos governantes. No entanto o que temos? Uma sociedade sempre tão apressada que não tem tempo para preocupar-se em realmente fazer algo, afinal quais são as ditas necessidades básicas da sociedade? Saúde e educação. Mas eu pergunto, a arte não está extremamente ligada a essas duas esferas?
                 Na noite da última sexta-feira, 8 de novembro, atores do Grupo Máschara subiram ao palco com  A Maldição do Vale Negro, do gaúcho Caio Fernando Abreu, em uma suposta parceria entre comunidade escolar e o Máschara. Não sei o que aconteceu, mas a parceria não se cumpriu. Atores fizeram sua parte, ponto. 
                  A Maldição do Vale Negro segue com a mesma proposta de quando estreou -2009. Três atores cumprindo sete personagens. Não acho possível catalogar em um ou outro gênero o espetáculo, afinal o conceito "teatro" alcança uma gama de variantes, de possibilidades que se opõe a classificações. No passado buscava-se a interpretação "correta" do texto, hoje no entanto, busca-se a personalidade a exclusividade a idéia artística do novo, que venha, ainda que com um texto conhecido, destacar-se pelo diferente. O dito ato cênico vai cumprir-se com apoio de sua iluminação, trilha, cenário e uma gama de técnicas que o universo de um espetáculo teatral. O paradoxal mundo melodramático de A Maldição do Vale Negro partiu de dezenas de exercícios onde cada ator usava sua criatividade em transformar corpo e voz compondo cada uma das personagens do texto.
                         No elenco Renato Casagrande, Ricardo Fenner e Cléber Lorenzoni, os três com perfeito domínio corporal, exímio trabalho de coluna. A composição das personagens femininas é brilhante a ponto de o público desavisado julgar atrizes em cena. Destaco nessa encenação Renato Casagrande pela potência vocal e o ritmo alcançado. O espetáculo teve curva bastante acentuada, e as gags embora não tenham arrancado riso excessivo da platéia, promoveram agradável divertimento. 
                          A técnica do espetáculo não foi perfeita como esperada. Fernanda Peres e Evaldo Goullart deviam jogar juntos, trabalhar em equipe. E principalmente lembrar  que o ator que começa compreendendo todo a base do teatro torna-se melhor ator. "Completo" eu diria.Alessandra Souza foi extremamente profissional e cumpriu com perfeição sua contra-regragem. Ricardo esteve melhor em sua cigana, mas o conde decaiu um pouco, falta provavelmente de ensaios. Cléber Lorenzoni pontuou bem as cenas, mas havia um quê de preocupação de sua parte nas cenas. 
                             Foi enfim, uma tentativa a mais de reerguer o Cena às 7. Mas infelizmente isso não depende apenas dos atores.






Alessandra Souza ***
Renato Casagrande ***
Cléber Lorenzoni **
Ricardo Fenner **
Evaldo Goulart *
Fernanda Peres **
Dulce Jorge **



                                      A Rainha





segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Yerma

 




















YERMA



FEDERICO GARCIA LORCA


































PERSONAGENS



YERMA
MARIA
VELHA PAGÃ
DOLORES
1 ª  LAVADEIRA
2 ª  LAVADEIRA
3 ª  LAVADEIRA
4 ª  LAVADEIRA
5 ª  LAVADEIRA
6 ª  LAVADEIRA
1 ª  RAPARIGA
2 ª  RAPARIGA
FÊMEA
1 ª  CUNHADA
2 ª  CUNHADA
1 ª  MULHER
2 ª  MULHER
MENINO
JOÃO
VICTOR
MACHO
1 °  HOMEM
2 °  HOMEM
3 °  HOMEM


domingo, 6 de outubro de 2013

Ed Mort na UNICRUZ em Agosto de 2013


634- O Incidente 75 -Feira de Livros de vacaria

                         Sempre que assisto a um espetáculo, tento observá-lo como obra estanque, nova, como se fosse uma estréia, ainda que eu a tenha assistido 74 outras vezes. Surpreendentemente, três atores estreavam, o que certamente tomava proporção de circo de horrores na mente dos diretores e produtores do espetáculo. Mas vamos observar lá pelo principio. Os sete mortos adentraram a cena pelo fundo do palco, entre a fumaça do gelo seco. Logo de inicio, problemas técnicos, mais luz!!!! A frente do palco estava mergulhada na penumbra, falha do espaço que não tinha varas fora do palco. Aliás, nem dentro. Cléber Lorenzoni iniciou com toda a força, espasmo, coluna intensa, desequilíbrios equilibrados, energia, enfim, tudo o que a montagem pede dentro de sua concepção. Os cadáveres Antarenses foram sendo apresentados ao público um a um. No todo, o impacto foi grande, e causaram logicamente a reação esperada na platéia. Diego Pedroso compôs uma bela figura, mas parecia inseguro, sua fronte ficou quase sempre obscurecida pelo chapéu de sapateiro. Será que o ator foi avisado?  Alessandra Souza esteve muito mais viva, se é que um trocadilho desses casa com uma peça onde a maioria "está morto". A atriz veio sensual, inteira, melhorou as pausas, apenas sua voz deixou a desejar. Cristiano Albuquerque, compõe um ótimo Pudim criado lá em 2005. Muito gostoso vê-lo verdadeiro em cena e arrancando boas risadas do público. 
                         Dulce Jorge esteve muito bem em cena, não como a Dona Quitéria de 2005, mas afinal os anos passam e os atores amadurecem, encontram novas soluções e se transformam com suas personagens. Firme e com a sutileza com  que constrói sua interpretação, certamente será uma das inesquecíveis figuras do público de Vacaria. Geltom Quadros veio de Santa Maria fazer um trabalho, e o fez, poderia ter falado mais alto. Ainda assim, o público pareceu apreciar muito a cena entre João e Rita Paz. Essa última foi um tanto histérica, por outro lado, sabe-se de conversar de ribalta que a atriz assumiu o papel três dias antes e duas horas antes de adentrar a cena fazia seu primeiro ensaio com o colega de cena. Levando isso em conta, esteve maravilhosa. Ricardo Fenner foi sutil também, criou pequenas novas intenções no velho Coronel Vacariano, e pela primeira vez em tempos, o embate entre advogado e coronel foi a parte mais interessante do espetáculo.  Apenas algumas ações do ator ficam um tanto joviais e a dica sempre é não fazer algo do qual ainda não se tenha domínio. 
                         Para encerrar a cena, a entrada de Renato Casagrande como Menandro Olinda. Um papel complexo, para um grande ator. O público é claro, consegue uma boa compreensão da trama pelo olhar do intérprete, mas muito se perdeu. É preciso ensaio, e muita maturidade. Menandro Olinda é um personagem sutil, introspectivo e jovens atores tendem a confundir exageros e ritmos acelerados com energia e força. 
                          A grande pergunta que me faço após assistir os espetáculos do Máschara é como se consegue fazer tantas substituições, e o que os atores que substituem procuram. Existem sempre dois lados quando entramos em um espetáculo, o primeiro é aquele em que eu crio algo, interpreto, dou vida a algo que eu quero dizer. O segundo é aquele em que a serviço de um trabalho consolidado, reconstruo algo pronto. Pode ser muito laureável essa ultima opção, mas a pergunta é, como se sentem os atores? Sabem qual sua função? 
                                 O teatro de certa forma é simples, por outro lado é extremamente complexo. O ator no palco não está a serviço de alguém, mas faz algo devotado para seu público e precisa saber que está sujeito a criticas e a análises. Existe aquilo que o ator exala para a platéia, sua arte, sua criação, e existe a base, a técnica teatral, que deve sempre estar presente.
                                  As pessoas passam, mas o Máschara e o teatro sempre estarão aí!


A Rainha

Cléber Lorenzoni , Renato Casagrande, Evaldo Goulart, Geltom Quadros, Cristiano Albuquerque
(**)
Dulce Jorge, Fernanda Peres, Ricardo Fenner, Alessandra Souza (***)
Diego Pedroso (*)


Ensaio de palco em Vacaria/RS