quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

984- Auto de Natal - Família de Nazaré /tomo VIII

 Noite de sentir-se criança

                E eles chegam sorrindo... acenando... e nós estamos tão carentes... -Essa foi a frase que uma senhora sentada há poucos passos de mim pronunciou. Encantada que estava com a encenação que iniciou adorável. Um verdadeiro anfiteatro grego na cidade de Ijuí, deu espaço aos contadores de historias do Auto de Natal. Teve vento, gostas leves e pesadas de chuva, relâmpagos, calor infernal e viva, muita vida. 

                Eu fico fascinada coma  possibilidade desses artistas que fazem tantas coisas, tantas ações diferentes. E todas com um brilho mágico. Ontem mesmo, vi fotos de um lindo desfile do Máschara pelas ruas de Cruz Alta e logo mais a noite, um espetáculo de beleza, detalhe e comprometimento. 

                Hoje quero falar de jovens artistas...

                Do quanto é difícil começar, do quanto é necessário dar oportunidades quando se começa uma carreira. Somos todos comunicadores que buscamos espaços, mas esses espaços pertencem a outros artistas ou políticos, ou empresários, ou agentes e depende deles que esses espaços se abram. Cléber Lorenzoni é produtor na prefeitura cultural e é um verdadeiro empresário que já colocou muitos artistas nos holofotes. 

                 Romeu Waier, Vitoria Ramos, NIcolas Miranda... São apenas alguns dos nomes que a arte Cruzaltense vem nos revelando. O público quer mais arte, mais colorido, mais artistas, no entanto eu preciso filtrar minha arte, aperfeiçoá-la, reinventá-la. Do contrário chegará um momento que aparecerão novos artistas com novos talentos e o Máschara não terá opção senão dar o espaço a eles. 

                  Vejo isso quando olho Felipe Brandão, Anita Serquevittio, Henrique Arigony, Bibi Prates, Allana Ramos. Inicia-se devagar e pouco ou nada se sabe, mas lá no fundo já se sabe e ocupa-se espaços que um dia serão de outros. A arte é uma inspiração, uma golfada de ar. E assim como vem, ela vai... Em poucos ela fica, poucos ficam. 

                    Alessandra Souza esteve lindíssima, e Renato Casagrande grandioso. Apenas o aconselharia a buscar a calma em dias de apresentações. Exercício difícil, porém necessário.

Renato enquanto velho do templo, deveria usar um longo lençol que arrastasse e não parecesse uma estola curtinha, principalmente por que o velho que interpreta parece ser o líder dos sacerdotes. 

                   Cada um tem um espaço muito linde de acordo com suas possibilidades. Raquel Arigony compõe muito bem a mãe, e Fabio Novello não devia descer da perna de pau, isso o torna mais versátil, mas aquele espaço aéreo é tão seu e tão lindo. 

                        Quase dei gritos de alegria por dentro ao ver situações como a garra de todos durante a chuva que caía, ou ainda a interprete de linguagem de sinais. Ellen Faccin vivendo junto intensamente a encenação. Espero que os anciãos do Máschara a tragam para as fileiras do elenco principal em breve. Claro, dependerá dela também ao compreender a "instituição". Não compreender a instituição é o pior erro que um jovem artista comete. 

                            Douglas Maldaner com duas tocas e a roupa de papai noel abertas ou os rolos no cabelo de Alessandra Souza me soou como aqueles desafios que Lorenzoni inventa na hora para tirar os atores de seu lugar de conforto. Atores, busquem mais, esforcem-se mais! Difícil não elogiar Ellen Faccim com seu comprometimento, sua preocupação comd detalhes.

                            Aconselharia Romeu Waier a ser mais atento em cena, ao todo. Nicolas Miranda mais parceiro, Renato Casagrande mais calmo, Antonia Serquevittio mais concentrada e Cléber Lorenzoni mais entrega na atuação, nesse momento precisa esquecer que é diretor! 

                         E para encerrar, em 2022, mais ensaios, mais, todos os dias!


                        O melhor: A energia de artistas que chegam na cidade. A generosidade e humildade;;;

                            O pior: A petulância de quem está no Grupo ou na ESMATE , há dois, três ou quatro anos e acha que suas vontades e saberes podem ou devem ser acolhidos prontamente. 


Clara Devi (**)

Raquel Arigony (***)

Anita Serquevittio (**)

Bibi Prates (**)

Laura Heger (***)

Nicolas Miranda (**)

Romeu Waier (**)

Henrique Arigony (**)

Douglas Maldaner (*)

Antonia Serquevittio (**)

Vitoria Ramos (**)

Laura Hoover (**)

Ellen Faccin (***)


A Rainha



Arte é Vida



                 


Alessandra Souza e Douglas Maldaner revivendo a sagrada família de nazaré


 

A equipe de natal do Máschara com a diretora da escola Dr. Catharino de Azambuja.


 

Vitoria Ramos e Ricardo Fenner em Auto de NAtal


 

Grupo Máschara no CRAS de Santo Augusto


 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

O colorido de Auto de Natal - Laura Hoover, Douglas MAldaner, Laura Heger, Clara Devi e Renato Casagrande


 

982-Auto de Natal / Um Milagre de Natal (Tomo V)

 Os fins justificam os meios?  

                           Fortaleza dos Valos possui uma longa e agradável parceira com o Máschara. Vários trabalhos da Cia. foram lá apresentados. Crianças e adultos já se deixaram emocionar com personagens de Erico Verissimo, Mario Quintana, ou ainda da enredante cabeça de Cléber Lorenzoni. Seja ao ar livre, ou na Casa de Cultura, houve  e há uma busca por levar teatro às crianças. Sem falar que a própria prefeita, a senhora Márcia Rossatto Frédi, é  pós graduada em Teatro-Educação.  

                             Há porém uma aura diferente em espetáculos que tem função diferente, que não se justificam como obras de arte, ou teatro-educação. Espetáculos datados, ou criados para emocionar em datas comemorativas. Eles acabam por castrar um pouco a capacidade criativa do artista, que precisa cumprir então, qual robô, essa ou aquela necessidade do espetáculo. Soma-se a isso o fato de ser dublado, o que interrompe ainda mais a capacidade criativa do momento e  reforça que o teatro é feito nos ensaios. Lá que os artistas criam com possibilidade de equivoco, onde ousam sem limitações. No ensaio que o ator que não está em cena, pode sair da coxia e apreciar o ato do colega.

                               É no ensaio que o diretor pode acolher o ator, e lhe explicar por que determinada escolha de ação não converge com o restante do espetáculo. É no ensaio que o diretor pode perceber que se equivocou e auxiliar um artista e encontrar novos caminhos. Em um ensaio, por exemplo, Cléber Lorenzoni poderia ponderar que a atuação de Stalin Ciotti-Samuel-(*) está atrapalhando os colegas no intermezzo. Ponderar que um ator deve fazer o que lhe foi pedido, caso contrário ele poderá colocar em risco o trabalho de outros profissionais. O espetáculo me parece poluído e sim isso é falta de ensaio. Temos várias linguagens caminhando juntas e embora eu não aprecie, nesse caso o que mais me interessa são as atuações realistas. 

                               Ellen Faccin (*) por exemplo cometeu um terrível erro, que não prejudica sua proeminente e elogiável capacidade como técnica, no entanto largar a trilha sem observar se os atores estão prontos para entrar em cena, quando há troca de roupas, é um erro lamentável. E os erros da noite se multiplicaram, colocando em risco um trabalho tão bonito, tão tocante. 

                                O cenário adaptado aprecia uma caixa de fósforos e  lembrou-me muito o teatro de nossos antepassados em carroças, ao lado de igrejas. O elenco principal atuou bem, Felipe Brandão(**) engoliu algumas falas, o que frisa a falta de ensaios, mas é louvável ver a forma como a ESMATE vai dando oportunidades. Laura Heger(***) atuou brilhantemente, atores que atuam há tanto tempo dublando, acabam por se acostumar a falar baixo e fazer pouco esforço, no entanto a dicção impecável da atriz, fez brilhar os olhos cansados do diretor ao seu lado. 

                                     Serquevittio(*), Miranda(*), Hoover(**),  Aléssio(**),Devi(**) e Medeiro(**) atuaram bem, mas poderiam produzir mais com mais ensaio. Casagrande abandona um personagem importante e entrega-o ao jovem iniciante Romeu Waier, a busca do jovem artista é louvável, no entanto a bagagem de Casagrande foi o que compôs o "cobrador", e é o grande antagonista do espetáculo. Me parece que Renato é do alto escalão do Máschara, fazer os três personagens seria no mínimo obrigação do ator. Romeu Waier(**) é um jovem admirável, que vem se destacando, mas a personagem que recebeu em Auto de Natal, tornou-se um tour de force. Há uma interpretação quase pastelônica em uma cena realista, o que causa mais graça do que dor...

                                         O espetáculo hoje me envolveu por outros aspectos, o Rei Sol, de Renato Casagrande, parecia muito próximo de seu duende, e por um momento me dei conta, da pequena brincadeira por trás do espetáculo. Deus fez o homem a sua imagem e semelhança, segundo o egocêntrico homem, pois precisava se ver refletido naquele ser grandioso e poderoso que ele mesmo criou. O criador é a criatura, e quando o bobinho duende diz: O mandachuva não erra, está se referindo a ele próprio, que desde o antigo testamento parece gostar de se travestir de mortal para nos pregar peças...

                                     A belíssima atuação de Allana Ramos (***) também merece elogios, e Douglas Maldaner (**) peca na aparência, perdido sob seus cabelos que mais atrapalham do que ajudam. Fabio Novello e Alessandra Souza são artistas maduros e cumprem impecavelmente suas funções. Se pecaram em algo, pode ter sido no pré-espetáculo, é lá que os anciãos devem agir com maior pulso firme. impedindo por exemplo que o espetáculo comece com o pinheiro acesso, ou que o diretor precise dirigir todo o grupo durante o espetáculo. Microfones que não surgem, águas em lugar de papéis picados, gente andando por trás de cortinas que se abrirão, som muito alto, extensões que ficam para trás. Esse é um serviço que Cléber Lorenzoni cuidou de perto durante anos e que agora divide com o corpo de anciãos. Delegar funções só é fácil quando a equipe é extremamente profissional.


                                         O Melhor: A atuação e dedicação de Laura Heger

                                     O pior: O elenco a direita do palco durante a mensagem do senhor noel, que poderia ter escolhido ensinar ao público infantil que o mais importante é a mensagem sendo dita, pois não são animadores de festa infantil e sim atores.


Arte é vida



                         A Rainha



  

                               

domingo, 5 de dezembro de 2021

977 - Auto de Natal - Família de NAZARÉ (TOMO VII)'

Novamente grandes espetáculos na rua...

                         A vida brota todos os dias e insiste em se reproduzir e pulsar. Vejam as plantas que nascem nos fios da eletricidade pelas ruas e avenidas, ou as verdadeiras árvores que se desenvolvem entre as telhas das casas. A vida luta todos os dias e  cumpre um sistema que não se sabe como surgiu, mas ele é tão perfeito, tão inequívoco e altamente justo. Observando a praça lotada por meus conterrâneos eu gritei dentro de mim: "Há Vida"!
                      No palco, tantas informações, tantos símbolos, uma verdadeira exposição de centenas de pequenos pontos de vista que se mesclam. Uma força poderosa. Por exemplo: Quando os anciãos do templo vinham em direção ao proscênio, era possível ver  as colunas ao fundo, emolduradas pelo lindo prédio a intendência. Na sacada, uma menina e seu avô (com maquiagem que pode ser repensada), contavam a historia que víamos no palco. O Cenário estava vivo. E esplendido.
                               Claro que se pensarmos em evento grandioso, teríamos que falar da iluminação do prédio da intendência, que deveria ser maior, poderoso, ostentoso até. 
                              Quanto a obra dramaturga que reflete o olhar de uma direção bastante formal, ela mantém muito do original canônico, mesmo que dê àquelas personagens dimensões não encontradas na Bíblia. Escritos entre 40 e 100 d.c, os evangelhos mencionam Maria de forma muito sutil, ou seja, sua apoteose como Mãe de Deus, (visão poética), mãe de Jesus, mãe de rei ou príncipe, foi agregada à sua figura por diretores, escritores, romancistas e historiadores. Depois de dois mil anos, não há como saber realmente como era aquela figura tão cheia de paradoxos. O que temos é a criatividade de um conhecimento coletivo que hora nos dá uma Maria que é mãe, torre de resignação e fé e em outras, coragem e empoderamento de mulher que aceitou se destacar pela eternidade. 
                            Laura Heger e Alessandra Souza interpretam esta curiosa figura, que em três réplicas tenta mostrar ao mundo quem é. Como Maria jovem que ousa ir ao templo, como Maria que recebe a visita do anjo e apregoa que é filha de Deus e que aceita o que esse decidir, ou ainda a Maria que implora compreensão de José. Alessandra Souza trouxe uma calma a personagem e cumpre belissimamente sua parte. Laura Heger está repleta de noção de palco, de ritmo e energias, é uma atriz em acelerado desenvolvimento. Talvez ambas pudessem buscar mais semelhante no desenho físico das personagens.
                                   A mitologia católico-cristã serviu-se em seu princípio, das mitologias do mundo antigo. Zeus também engravidou a mãe de Perseu sem ter um encontro carnal, Héracles ou Hércules também é filho do rei do Olimpo com uma mortal, e como não há um Herói no texto de Lorenzoni, José acaba assumindo o posto de mocinho/herói, eis a fórmula do sucesso. Cléber Lorenzoni com domínio de palco, consegue abrir as cenas e motivar muitas vezes os colegas a atuarem para o público. Destaque também para Isabel (Clara Devi) e Ana (Raquel Arigony) também da casa de Judá  e descendentes de Davi.
                                   O Coro que dança e canta, as vezes peca na dicção. 
                                   O palco era grande, liso, bonito, e pareceu bastante confortável para contar uma historia repleta de ação e interna e externa. Pena o anjo ter ficado no escuro. Problemas na parte técnica que escorriam do palco com problemas de som e luz. Uma lástima. 
                                    Há nesse novo olha sobre o espetáculo, mais crianças, mais colorido e diria que até mais compreensão do que acontece sobre o palco, talvez a presença de Romeu Waier e Nicolas Miranda em papeis de peso tenha somado um novo frescor à encenação. Ambos brilham como Reis Magos e ao lado de Douglas Maldaner triangulam muito com o Herodes de Renato Casagrande. Talvez o intérprete de Belcchior pudesse creditar mais domínio na sua criação. Mais ousadia. 
                                     Em si é um espetáculo lindo, com uma bela pegada de teatro de rua, e eu adoraria ouvi-lo sem as dublagens. Uma amiga que me acompanhava comentou: -Que lindo, parece uma cosia para crianças, mas a gente se apega e depois gosta mais que eles... (os pequenos) E não há como não sentir-se criança, seja na cena dos pequenos comandados pela encantadora Vitoria Ramos, ou naquela abertura lindíssima ao som de Aline Barros. Quem assiste um espetáculo dessa envergadura, não sabe a luta que é para chegar até ele, até vê-lo pronto para pôr-se no palco. O Casal Josafá pode e deve trabalhar muito, sua cena é um presente do diretor, pode ser muito mais explorada.
                                        O final com Noite Feliz entoado por todos a beira do palco, me lembrou a infância, quando em noite de ternos, saiamos às casas cantando juntos e levando o espirito do natal. 

                                 O Melhor: a operadora de som , Ellen Faccin, atuando junto na mesa de som.
                                 O pior: Ver o nervosismo dos atores no começo do espetáculo, quando claramente algo parecia ter dado errado.


Auto de Natal- Família de Nazaré

Direção: Cléber Lorenzoni
Elenco: Alessandra Souza, Renato Casagrande, Fábio Novello, Raquel Arigony(***), Laura Hoover(***), Douglas Maldaner(**), Vitoria Ramos(**), Ricardo Fenner, Antonia Serquevittio(**).
Atores em substituição: Nicolas Miranda(**), Romeu Waier(***), Clara Devi(**), Laura Heger(***), Anita Serquevittio(**), Henrique Arigony(***), Gabriel Prates(**), 
Contra-Regragem- Ellen Faccin(***)


A Rainha


Arte é Vida