quarta-feira, 18 de maio de 2011

Feriadão em Bento Gonçalves, por Cléber Lorenzoni

As vezes você não sabe por que faz teatro... As vezes você não sabe ao certo o que sente ou o que sentir quando está em cena. Sabe que sente algo bom, sabe que o aplauso é maravilhoso, que o olhar do colega de cena criando algo com você chega a ser erótico. A energia, o toque, a respiração, a química. O público é voyer, e você se mostra, frente e verso, carne e alma. Alma quando se entraga, lógicamente. As vezes você gostaria de ter talento suficiente para carregar tudo sozinho, para salvar a cena, as vezes você gostaria de desaparecer em meio à uma troca de roupa errada, ou ao gaguejar algo que parecia tão fácil. As vezes você tem vontade de ensaiar muito, mas teus colegas não gostam de ensair muito... As vezes você entraem cena querendo que acabe lógo, mas no decorrer é tão bom, tão brilhante que você arrasta para que dure momentos eternos. As vezes você entra em cena querendo que dure horas, mas está tão cheio de rítmo que passa voando.
O teatro é tão complexo, tão maluco que as vezes nos escapa por entre os dedos. Mas existem vários tipos de artistas, os que amam o drama e desprezam a comédia, os que amam a comédia e fazem pouco do drama, os que amam tudo, os que não amam e fazem apenas por que não sabem fazer outra coisa.  Existe a atriz neurótica, nervosa, frágil, que precisa de ajuda e ama o que faz, mas se sente extremamente sozinha, existe o ator exibido, estrela, que pisa em todos por que no fundo é inseguro, que tem medo que percebam sua frágilidade. Existe o arrogante que nunca aparece, apenas em dias de aprersentações, ele acredita profundamente que é o melhor, mas sua capacidade é liumitadíssima. As pessoas são capazes de acreditar em ótimas mentiras quando bem ditas. Existem as atrizes geniosas, que se negam a fazer tudo, que dão trabalho e que são talentosíssimas. Existem os atores passivos, omissos que nunca opinam, que estão alí por que na vida real se sentem vazios, e querem preencher no teatro esses sulcos que a vida abriu. Existem os atores cretinos. Senhores de sí, que não percebem o quanto são infames. Mas ninguém tem coragem de lhes abrir os olhos. Existem os pequenininhos, humildes que viram Deuses no palco. Existem milhares mas todos são necessários.
Alguém já percebeu o virtuosismo do máschara...? Os atores que fazem parte da trupe são ávidos por ação, em cinco dias cinco espetáculos diferentes... Duas estréias, entre elas a reformulação de Feriadão. E lá estava apenas um dos intérpretes da primeira montagem, por isso mesmo fazendo muito bem sua parte.
Angélica Ertel, Alessandra Souza, Gabriel Wink e Renato Casagrande foram maravilhosos como as quatro crianças atuais. Em Feriadão o Máschara demonstra o dominio que tem da cena, a capacidade em mudar um espetáculo tantas vezes e manter o âmago. Torná-lo palatável ao expectador ainda que com milhares de mudanças. Alguém lembra da Dona Cirandinha? Do Felipão, colega do Felipeto? Alguém percebeu que de cinco crianças viraram quatro e que de quatro tornaram-se novamente cinco? Não era meta-teatro, era ludicismo, era fantasia, era a magia acontecendo. Pena que um espetáculo dure apenas 40 minutos e por isso mesmo é tão triste. Saber que daqui a pouco tudo voltará ao normal... Poderia continuar ainda que com princesas ou super-heróis... Ainda que meio desafinado as vezes, mas percorrido com gana. Parabéns Grupo Máschara por mais uma página que se inicia...

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