segunda-feira, 20 de julho de 2015

Alessandra Souza com seu público em Matinê


11ª Matinê - Os Saltimbancos tomo 25

Alguém ainda não conhece o Máschara?

                             Não é o tempo que faz o Máschara ser tão conhecido, mas sim o trabalho, não são os vinte  e três anos de historia, mas as mais de seiscentas apresentações. O grupo Máschara não luta pelo reconhecimento ao nome, mas pelo apreço a arte. O público que na década de noventa assistiu a O Bulunga o Rei Azul, hoje leva os filhos para assistir Os Saltimbancos. E leva mesmo. o público da Matinê do Máschara vem crescendo muito, o hábito está se solidificando. É difícil fazer? É difícil colocar um espetáculo no palco? Sim. Mas deve sempre ser apresentado. O teatro deve sempre acontecer. Deveria estar exposto de segunda à domingo, nas ruas, nos clubes, nos palcos. 
                          O Máschara sempre teve uma preocupação em oferecer ao público o seu melhor, preocupado sempre com o conforto, modificou o palco e apresentou Os saltimbancos em arena. Um arrojo tanto para a equipe quanto para o público. Crianças e adultos riram muito, e certamente serão motivadores do fazer teatral amanhã.
                              O teatro em arena surte na platéia um clima de intimidade, tanto entre eles como que para com os atores. Na arena tanto fechada como aberta (público em três lados) o ator faz as vezes de um gladiador romano. Por isso mesmo não precisa preocupar-se tanto em voltar-se para um ou outro lado como se existisse uma frente do palco. O intérprete em arena, pode, e por isso é tão agradável, esquecer os meio-perfis, ele pode embarcar na historia tridimensionalmente. Nesse quesito Cléber Lorenzoni se sai muito bem e é seguido por Renato Casagrande, ator bastante instintivo. Alessandra Souza e Ricardo Fenner se saem bem, mas podem e devem estudar muito quanto a interpretação em arena. O público embarcou na historia, tão incoerente as vezes, e riu muito, se sensibilizou com os quatro animaizinhos e até torceu por eles. 
                                 O mais interessante do projeto Matinê, é podermos ver o crescimento de cada ator, isso logicamente se tivermos paciência em assistir quatro vezes o mesmo espetáculo. Ricardo Fenner esteve muito melhor em cena, pena ele e Alessandra Souza não cantarem em cena. Por que então a escolha de um  musical? O trabalho corporal dos quatro é muito intenso, mas galinha, cachorro e gata parecem ir mais fundo na construção partiturada. O personagem Jumento parece mais preso em uma fórmula. Renato Casagrande as vezes se deixa levar muito pela platéia, e disso surgem improvisos que as vezes podem colocar o andamento do espetáculo em risco.
                                 A estética do espetáculo fica restrita em um espaço tão pequeno e sem urdimento. E pergunto, o que afinal é um espetáculo teatral? São bons atores contando uma historia? Ou a soma de um figurino bem cuidado, uma luz bem pensada e uma trilha coerente? Ambos, dependendo da proposta, do objetivo. Por exemplo, há alguns dias a Cia. apresentou O castelo Encantado na área social de uma escolinha, luz ambiente, ausência de cenário, etc... mas essa era a proposta. a proposta da matinê me parece, é outra.
                                       Cléber Lorenzoni, apesar de desafinar as vezes, canta muito em cena e uma dica aos outros é que encontrem o momento da respiração correta para não parecerem tão cansados após cada coreografia.
                                    Teatro é trabalho de equipe e é muito gratificante ver Maldaner, Malheiros,  Giacomini,  Goullart, e Novello se dedicando tanto para que o espetáculo fique de pé. Para quem não viu, há ainda duas opções, dois domingos para que os atores amadureçam ainda mais em seus papéis, e a contra-regragem exerça melhor ainda sua função.


Dulce Jorge (**)
Cléber Lorenzoni ( *** )
Ricardo Fenner ( **)
Alessandra Souza (**)
Evaldo Goulart ( **)
Bruna Malheiros   (**)
Douglas Maldaner (**)  
Fábio Novello (**)
Renato Casagrande (**)
                       


Obrigado Gabriel Araújo, Lucas Chalita e Bárbara Santos pelo esforço em prol dos colegas e da arte...



Teatro é vida




                     A Rainha

crianças viajando com as personagens do teatro


O grupo Máschara formando plateias


quinta-feira, 16 de julho de 2015

O Castelo Encantado Escolinha Arco Íris

            Nunca me ative a falar profundamente sobre a questão hierárquica e sobre o Status dos atores do Máschara, mas acredito que nesse vigésimo quarto ano de Cia. é importante desvendar o manto de dúvidas que envolvem toda essa organização.
                     Há muitos anos ouvi de uma atriz restrita do Grupo, que o teatro não é trabalho, que não adiantava exigir dos atores, que eles não eram funcionários. Não, não são. Porém, do vernáculo, trabalho significa conjunto de atividades, produtivas ou criativas, que o homem exerce para atingir determinado fim. Sendo assim, levando-se em conta que o fim é a performance perfeita. Os atores estão sim exercendo um trabalho. Muitas vezes o mesmo não será remunerado, o que não interfere na dedicação, partindo do pressuposto que o grupo nasceu como Grupo de Teatro Amador.
                    O Grupo Máschara vem crescendo a cada ano, tanto no que tange a excelência de seu trabalho quanto ao respeito e admiração que vem conquistando junto ao público. Já em seus primeiros anos, ousou, pesquisou, buscou, errou logicamente tentando acertar e nos brindou com grandes performances como Cordélia Brasil e Bulunga o Rei Azul. A partir do ano 2000, avançou para os textos clássicos. E cinco anos depois enveredou-se pelas obras literárias. Seu elenco, veio de vários pontos de nossa cidade, alguns poucos vieram de fora, de outras cidades. A maioria, até o momento que foi aceito na companhia, não havia tido nenhum tipo de contato com o teatro, mas rapidamente os diretores buscaram apresenta-los com a base necessária do conhecimento exigido à um razoável intérprete.
                    Os integrantes da Cia são organizados de acordo com sua dedicação, de acordo com a entrega ao teatro. O Máschara não está preparando apenas atores, mas defensores do teatro, amantes das artes-cênicas. Fazer teatro no interior, as vezes pode ser comparado há uma batalha. Os atores estão como entrincheirados, um passo à frente, cinco atrás. Portanto não basta ensinar a fazer teatro ou ainda encontrar neles seu talento e apreço ao interpretar, mas é preciso desenvolver neles a certeza de que lutar pela arte vale à pena, dignifica o homem e os torna especiais. Conforme sua dedicação pelo grupo e pelo teatro vai aumentando, ao ponto de abrir mão de coisas por ele, os integrantes são condecorados com um titulo que vai do cinco ao um. Os Atores que estão na Cia a mais de dez anos ininterruptos, recebem simbolicamente a honraria de classe A e podem opinar, e ajudar a tomar decisões.
                   Respeito e admiro muito essa hierarquia. Dela surgiram grandes atores, como Angélica Ertel, Miriam Kempfer, Gabriel Wink e mais recentemente Alessandra Souza e Renato Casagrande. No entanto o mais prejudicial da hierarquia, é a forma como ela pode corromper o caráter. O Teatro precisa de humildade, o teatro precisa de generosidade. Pois lida com o humano, com seu psicológico. No Máschara o mais importante não são talento e vocação, essas duas forças impalpáveis, mas a vontade de lutar pela Cia. A lealdade e a dedicação por uma historia de mais de 23 anos que quer sempre dar a chance de cada um falar, de cada um se pronunciar frente ao público.
                   Afora isso, há ainda a fogueira das vaidades onde muitos se queimam, há a ambição e infelizmente a dificuldade em viver com o pouco que se ganha. O maior bem, é a certeza de que em cada apresentação se toca o público, e em cada sorriso de criança, o idealismo de que no futuro, o teatro será visto com melhores olhos.
                  Hoje, por exemplo foi um dia de agir em prol das crianças, um dia de batalhas, um dia de embate, e há sempre um olhar crítico a espreita, um olhar desconfiado. Em cena Alessandra Souza, Renato Casagrande, Evaldo Goulart e Cléber Lorenzoni. Quatro atores vívidos. Ávidos pelo aplauso, pelo sorriso dos pequenos. O espetáculo foi delicado, comunicativo, e lúdico. Um dos mais lúdicos do Máschara. Senti falta apenas de mais apuro em cada um dos cinco quadros apresentados. O início foi interessante, gostaria de ver em novas ocasiões. Hoje pareceu-me sim que a pequena Rosa Maria encontrou os “contadores de historia”.
                  
**O Máschara agradece ao ator Ricardo Fenner por organizar essa apresentação.


Renato Casagrande (***) Pelas ideias em melhorar o espetáculo.
Alessandra Souza (***) Pela humildade aceitando as ideias em melhorar o espetáculo.
Cléber Lorenzoni(**)
Evaldo Goulart (**)
Bruna Malheiros(**)


Arte é Vida



A Rainha



O castelo Encantado conta Erico Verissimo na escolinha Arco Íris