quarta-feira, 29 de setembro de 2021
terça-feira, 28 de setembro de 2021
948- Os Saltimbancos - tomo 34
Quatro
animais dublando juntos… Acho que vai ser a maior sensação
Uma gata o que é que tem? Carisma... Um jumento o que é que
tem? Domínio de cena... Um Cachorro o que é que tem? Energia... E a Galinha o
que é que tem? Detalhe...
Junte tudo e vamos
ter... Um espetáculo funcional.
Que maravilhoso reunir novamente um elenco para um
espetáculo presencial, não é nem de longe o melhor espetáculo infantil do
Máschara, até por que trata-se de uma remontagem para sanar necessidades de uma
Cia. de mais de vinte e cinco anos.
O espetáculo aconteceu na
rua, sobre o palco do RECRIARTE (SESC), reunindo crianças e famílias da
cidade de Horizontina. As crianças foram à loucura, já que todos estávamos
ansiosos pelo ato comunitário de assistir teatro. Bom teatro.
O musical Os Saltimbancos vive em nosso consciente
imaginário, graças a Lucinha Lins que ao lado dos trapalhões imortalizou a personagem da gata. Por isso
tenho certeza que alguns pais e mães apreciaram ainda mais o espetáculo do que
as crianças. Saltimbancos fala de diferenças, que cada um é do seu jeito, mas
aí está o sucesso das iniciativas. Cada um de nós tem algo para emprestar ao
todo, e essa premissa é importantíssima de ser trabalhada desde a tenra idade.
Há lugar para todos, espaço para todos e ninguém precisa tentar roubar o espaço
de outro.
Renato Casagrande é um ótimo artista e nos enche de orgulho
quando gentilmente passa seu personagem para outro artista e assume o Jumento
para que o espetáculo tenha continuidade.
Talvez Renato Casagrande já tenha dito tudo o que pretende
com esse personagem e portanto seja hora de dar oportunidade a outro artista.
Renato Casagrande coloca muita energia em seu Jumento, talvez pudesse tentar
atuar aqui com mais calma, menos movimento, já que cada animalzinho representa
um tempo dentro da mobilidade física do espetáculo. Gostaria de ver Casagrande
mais diretor ao fim do espetáculo, conversando com a plateia. Isso também faz
parte do show!
Stalin Ciotti é uma boa revelação, é um ator intenso, muito
capaz, que parece gostar de desafios. Alguns resvalos na dublagem, mas no todo,
trabalho muito bem feito. Torçamos agora, que Stalin amadureça mais no papel e
esteja sempre disposto, compreendendo que o teatro é dominador e ciumento!
Alessandra Souza e Cléber Lorenzoni não ofereceram grandes revelações, ele com
um magnetismo sempre incrível, a ponto das crianças quererem-no ainda durante
as cenas e Alessandra Souza com detalhes muito pontuais na dublagem e nas
ações.
Teatro é algo tão grande que não seria capaz de ponderar
como um todo nessa análise, mas algumas dicas podem ser refletidas. Existem
dois tipos de atores, os que fazem o que lhes é pedido e os que vão muito mais
longe... Dos que vão ainda mais longe, há dois tipos, os que compreendem os limites
do espetáculo e improvisam dentro do objetivo intrínseco, e os que improvisam
com uma falta de apropriação do universo.
Teatro dá certo quando todos os marinheiros acompanham os
ideias do capitão do navio. Se eu não concordo eu explico por que, e então ou
me adapto, ou pulo fora. Caso contrário o navio certamente afundará.
Os Saltimbancos é um espetáculo histórico, datado, que serve
para refletirmos coisas que não devem se estabelecer, mas ele também nos ensina
sobre outras tantas sabedorias que fica difícil nominar todas. Eu assisti todas
as versões do Máschara, e lembro-me que ainda na estreia o tema mais abordado,
era a violência contra os animais... Mas nós sabemos que não é disso que se
trata. Mas teatro é assim, ele nasce na cabeça do dramaturgo para virar um
montão de outras coisas...
Parabéns ao elenco!
O
melhor é sem duvidas, a capacidade do Máschara se reinventar, se adaptar e sempre
cumprir sua função.
O
pior, a trilha sonora que teve falhas, e que deveria ser ao vivo.
Espetáculo: Os Saltimbancos
Estreia: Maio de 2012
Elenco Inicial: Gabriel Wink, Cléber Lorenzoni, Alessandra Souza e Renato Casagrande
Interpretes em Substituição: Ricardo Fenner, Evaldo Goulart e Stalin Ciotti(***)
Equipe de montagem: Roberta Correa e Angélica Ertel
Direção: Cléber Lorenzoni
Contraregragem - Clara Devi(*), Laura Heger(**) e Nicolas Miranda(**)
sábado, 25 de setembro de 2021
934- Complexo de Elektra - tomo 18
Um retorno intenso
Afastada um
tempo por problemas pessoais, somente há alguns dias retornei as minhas funções
de crítica teatral, algo que me agrada imensamente. Pensar o teatro, a arte, em
todas as suas matizes é algo que me emociona, e é tão importante falarmos em arte nesses tempo
obscuros. Tempos de silêncios críticos, de críticas supérfluas, de apontamentos,
muitas vezes, medonhos, que mais separam
do que unem.
O teatro nos
une sempre, e por mais que pareça adormecer, ele sempre retorna. Ele se
reinventa e qual Fênix, ele volta ainda mais poderoso para tomar conta do
mundo e nos fazer refletir nossas ações, muitas
vezes brutas e desumanas. Eu tenho muito orgulho dos artistas, seres que
enfrentam todo tipo de dificuldade para
manter o oficio, o sacerdócio que exercem em respeito aos deuses.
E foram
certamente os deuses que nos possibilitaram revisitar o mundo decrépito e criminoso da família
de Ereda, heroína da obra de Ivo Bender, que em uma casa estabelecida dentro do
palacinho do Máschara , nos recebe para: ora agredindo, ora refletindo,
questionar os atos daquela que julga a culpada por seus infortúnios.
Os sentimentos
da famigerada Ulrica beiram a sordidez e
a corrupção, ainda que a personagem tente de todas as formas se mostrar frágil
e debilitada emocionalmente. Aí o mérito é todo de seu intérprete Cléber
Lorenzoni, que consegue de forma cinematográfica mudar a personagem em um
suspiro de réplica. O público ao redor do ator, nessa “quase arena” mal consegue acompanhar o ritmo
com que a adúltera senhora da casa exprime
seus sentimentos. Lorenzoni está mais
maduro em cena, mas inteiro, as vezes explode e quase deixa alguns colegas para
trás... Há no espetáculo, silêncios preciosos emitidos principalmente por
Renato Casagrande, que comumente é bastante verborrágico, mas aqui surpreende e
ainda guia brilhantemente o colega Stalin Ciotti em cena.
Substituições
não costumam ser tarefas fáceis, principalmente em um espetáculo tão
tridimensional, que escorre do palco pegajosamente e se ergue entre paredes de
uma casa antiga. Aqui há certamente uma cobrança por parte dos atores mais
antigos da Cia. que precisam que o substituto seja grande, a altura do restante
do elenco. Não há espaço para arestas, para ruídos interpretativos. Stalin cumpre
muito bem a função de seminarista, e se não teve o mérito de criar a
personagem, foi humilde e inteligente o suficiente para reproduzir com muito
detalhe a composição de Gabriel Giacomini. Claro que cada corpo é um corpo e
produz um ruído diferente, um tempo que é seu. O produto advindo daí, que nós
chamamos de “personagem” , é único. Sendo assim, o seminarista de Stalin Ciotti
parece um tanto mais misterioso, um tanto menos frágil, mas muito interessante.
As
interpretações de Raquel Arigony, Fabio Novello e Douglas Maldaner não tiveram
grandes mudanças desde a ultima vez que assisti ao espetáculo, mas mantém a
energia intensa até o final do espetáculo. Tio Bertold e Ereda não criam muito
na cena de embate, mas ambos rendem ao lado do diretor. Douglas Maldaner pode estar
mais furioso, mais agressivo, mais animalesco, afinal ele pode muito bem ser um
pré Tio Bertold. A velha interpretada por Arigony me soou cômica em alguns
momentos, pode ser uma escolha da direção, era?
Alessandra Souza
segue firme com sua Ereda atrás de algo que não fica muito claro, o texto nos
diz que é vingança, mas eu penso que haja outro motivo. A força que coloca na
personagem é intensa e contínua.
Parafraseando
Vera Karan, eu diria que há sob a garoa fria, um fogo, um incêndio que não
cessa. Um incêndio buscado por todo elenco, mas que fica mais visível em duas
ou três interpretações. Eu sou uma amante da obra, mas ela perde muito enquanto filmada. Teatro bien faite como o
Máschara busca, não funciona nessa outra linguagem, que tem regras e que elas
não se aplicam ao palco.
Sigamos no
tablado sagrado, aprendendo, ensinando e emocionando.
Arte é Vida
Cléber
Lorenzoni
Alessandra
Souza
Renato
Casagrande
Fabio Novello
Douglas Maldaner
Alessandra
Souza
Clara Devi



























