segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Destroços de Candura - Curta Cruzaltense

                  HÁ QUE ENDURECER-SE, MAS SEM JAMAIS PERDER A TERNURA. Che Guevara


                    Assistir cinema, a sétima arte, é algo prazeroso, engrandecedor e inspirador. O cinema, bem como as outras manifestações: teatro, circo, dança, etc... não podem ser mensurados em detrimento de um ou outro ser considerado de maior ou menor importância. Todos juntos são de extrema necessidade, antes como lazer, diversão e em seguida como formadores de opinião. A arte parte do homem para o homem e incita dentro dele sua necessidade em refletir o mundo lá fora. 
                     Os jovens artistas e até alguns velhos artistas, não gostam muito de ouvir críticas, mas de que nos serve a arte sem críticas? Ninguém certamente poderá dizer o que é o certo ou o errado, até por que eles não existem, são subjetivos. Mas quem, ou o que nos lembra o que está funcionando? O que está valendo à pena. A crítica existe para nos levantar pontos de vista, o crítico assiste muita coisa e tenta nos dar um parâmetro do que se vê, do que se viu e do que o caminhar da carruagem parece anunciar para o futuro.
                      Destroços de Candura mal chegou as telas do Cult Cinemas e já levantou um sem número de olhares. Ora, um filme feito em Cruz Alta, um filme que nasce pequeno e vai crescendo, vai aumentando e se tornando uma força motivadora. Cruz Alta possui uma rica historia de cinema. Grandes atores foram aplaudidos em pé no antigo Cine Rio. O Ideal e o Rex tinham seções malditas à meia noite com filmes de terror e certamente muitos pais encontraram seus filhos escondidos nas filas dos cinemas das calçadas da Pinheiro Machado. O cinema faz parte da historia contemporânea da humanidade. Amizades, casais, se formaram  nas fileiras de grandes salas. E me parece que nesse mundo de redes sociais, o cinema une as pessoas, derruba muros, faz sorrir, faz pensar. 
                            Pensar por outro lado tem sido o medo da sociedade atual e aqui poderia falar de questões politicas e econômicas, mas falemos dos destroços, a sociedade destroçada, em seus valores, em suas relações. Nos fechamos em nossas casas e temos medo, mas ficamos com tanto medo que vamos perdendo o humanismo, a "candura".  Há que amadurecer, mas sem perder a leveza. A personagem de Lorenzo endurece na revolução, mas não perde a ternura. Quem perde a ternura, paga um preço alto. essa mensagem é enorme. Essa mensagem foi o que me arrancou lágrimas.
                           Como senhora que já passei metade de minha vida certamente, ao olhar os jovens desse mundo, que vistos de longe parecem ciborgues sem cérebro, de repente me pego vendo um grupo, encabeçado pelo jovem Bruno Barassuol, de crianças e no bom sentido, com a vida pela frente, com amores pela frente, com carreiras pela frente, provando que pensam, que refletem, que são criativos e que devoram o mundo ao seu redor para nos dar seu ponto de vista através da arte. 
                                O olhar futurista, com direito à luzes e adereços inimagináveis, são todos muito comuns para essa geração, adubada por fenômenos  como   MARVEL, Game of Thrones ou Harry Potter, mas o que chega mesmo é o detalhe, as idéias, o olhar sensível, as cores, os sons. A trilha aliás é incrível, e embora não tenha gostado muito do limão limoeiro, sou madura o suficiente para perceber que ele funciona e muito no filme.
                           Uma fotografia lindíssima, um visual coerente, embora um automóvel escuro em um fundo de cena me pareça estar sobrando, um roteiro vívido, acido: "É preciso escolher um lado!"
                                 No Brasil atual é preciso posicionar-me, infelizmente, é preciso ser inimigo de "patrícios", é preciso gritar quem você defende. Isso é a guerra civil, e para mim ela se reflete na tela. O violento soldado, disposto a tudo com uma arma na mão, indo contra quem não tem arma alguma, nos lembra da ditadura, do holocausto, das separações pelas quais tantas nações viram seus povos tombarem. 
                     Um elenco sem histrionismos, uma equipe que pareceu trabalhar para valer, de coração aberto. Não sei o nome de todos os jovens, mas quanta garra. Nós adultos, as vezes nos acomodamos com medo do fracasso, com insegurança. Os jovens nos lembram que da para fazer sim, da para seguir sonhos. 
                            O elenco é cruzaltense:
                        Cléber Lorenzoni não me surpreendeu, nos deu uma composição à altura do que ele sempre nos dá no teatro. Claro fiquei com vontade de ver mais. Mas estava dentro das medidas, sem o exagero caricatural tão presente em filmes de guerra. Lorenzo Pires é muito bonito na tela, a câmera parece gostar, casar com ele.  Cinema tem disso, a câmera meio que decide quem serve à ela. É um ator novo, um garoto com uma longa carreira pela frente. Talvez pudesse nos dar um pouquinho mais de emoção. Isabely Paranhos é uma pequena princesa, a gente particularmente sempre ama crianças no palco ou na tela. Elas sempre acabam vencendo. Mas ela tem um olhar, uma delicadeza que parece carregar muita arte dentro de si. Torçamos para vê-la logo outra vez nas telonas.
                            Ao fim do filme, lágrimas, por vários motivos. Um deles a emoção em ver ideologias politicas deixadas de lado para dar espaço a arte. Oito minutos que são como um pontapé para mais cinema, um golaço para os patrocinadores, um golaço para o Cult Cinemas que ajudou a produzir e sem duvida  um belíssimo inicio de carreira para  Bruno/Yan/Jean. 
                                Espero que toda a comunidade corra ao cinema e ajude a engrandecer essa arrojada iniciativa. Todos ganhamos com ela.


                                   Arte é Vida

                                                     A Rainha
                                   
                           
                   
                          
                            

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