segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Auto de natal- Um milagre de natal (tomo II)

                             A noite de entrega de condecorações para o voluntariado cruzaltense teve nesse ano a presença dos artistas do Máschara que nesse ano foram a única atração artística da noite. Um elogio por parte da organização que também aproveitou o talento oratório do diretor Cléber Lorenzoni no protocolo do evento.
                           A obra escolhida para a noite foi O Auto de natal (não alto), "um milagre de natal" e que belíssima escolha. Tudo a ver com uma noite em que se fala de esperança, fé, ajudar ao próximo, etc... Eu cheguei levemente atrasada, minha família chegou para as festas de fim de ano e a correria com netos é quase invencível. Quando adentrei a casa de cultura já estava lotada e a audiência estava petrificada tal era o efeito do prólogo poderoso do espetáculo. Marta Medeiro muito intensa assim como Fabio Novello, os quatro elementos traziam força e encanto ao palco como em  um espetáculo de Shakespeare, tão repleto de alegorias.
                            O Deus poderoso de Renato Casagrande, cansado de suas criações resolve brincar com seu universo e nos dá o maior e mais complexo presente, o homem. A criatura humana adentra ao palco nos braços de uma mulher, lembrando sempre que a figura do homem, embora dentro de um significado machista ou de uma cultura patriarcal dominante, represente todos os gêneros, precisa curvar-se ao fato de que o feminino veio primeiro. O processo todo da sexogênese afirma que de uma existência feminina generalizada, nos oceanos, lagos e rios gerava vidas. Vida! É disso que fala o espetáculo. E por isso o prólogo nos revela tudo. O Deus do prólogo, que cria, se faz carne no senhor Noel, e passa a criar brinquedos. Vemos isso através da repetição do gesto feito pela querubina (Vitoria Ramos). É o deus criador que está ali, ela o reconhece e segue novamente suas ordens. O homem repete o ciclo incansavelmente como diz Sartre, seja consciente ou inconsciente como diria Jung. Jonas, interpretado de forma mais fraca nessa apresentação do que em 2018 (no que diz respeito a dublagem) é a réplica do primeiro homem. Distante do pai, tentando organizar a própria família e dando as costas para seu Deus ex Machina. Mas ele volta, certamente pelos instintos que nos conectam e que são tão fortes. Dona Ana de Alessandra Souza estava maravilhosa, intensa, bem maquiada. Um brilhantismo de Souza, prejudicado apenas pela falta de percepção espacial da atriz, um déficit que a mesma precisa vencer. 
                            O imbróglio se desenvolve de forma rápida, a mise en cene não  é muito complexa, eis o sucesso do espetáculo junto ao público mais popular. Renato Casagrande interpretou sem óculos na cena do cobrador que eu já havia visto. Gostei muito mais. É necessário ver os olhos de nossos atores. Mas carece dublar melhor. Problema que vi também em Fabio Novello. Se queremos, nos dispomos a fazer um espetáculo dublado, ele deve ser profissionalmente atuado. 
                             O intermezzo lindissimo foi bastante prejudicado. Não sei se por falta de ensaios ou algum outro problema dos bastidores que a gente não vê da platéia. Mas Laura Hoover e Kauane Silva atrasaram suas entradas e acabaram prejudicando muito os  colegas. Stalin Ciotti em um momento quase foi ao chão, a coreografia  estava visivelmente atrasada, por outro lado, o  visual do elenco, as soluções cênicas continuam lindas. 
                              De parabéns o figurinista Renato Casagrande. 
                              A revelação final preenche bem as estruturas de um roteiro que passeia pelos mistérios e milagres presentes em auto natalino medieval. Incluindo é claro o momento profano. 
                             O grupo Máschara parece se sair bem em quaisquer caminhos que escolha e isso é mérito de elenco e equipe diretora. 

                            O Melhor: O roteiro e a capacidade de nos emocionar.
                             
                             O pior: A falta de noção espacial e as dublagens não profissionais.




Clara Devi (**)
Stalin Ciotti (**)
Martha Medeiro (**)
Laura Hoover (*)
Kauane Silva (*)
Eliani Aléssio (**)
Evaldo Goulart (**)
Gabriel Giacomini (***)
Douglas Maldaner (**)
Gabriela Fischer (**)
Vitoria Ramos (***)
                                           Não vou mais a partir de hoje colocar as distinções aos anciãos. São grandes atores que certamente tem seus talentos e suas dificuldades. Mas são nossos lideres, nossos exemplos, têm a obrigação de servir de exemplo. 
                                           Vou apenas elencar o melhor e o pior.
                                        
                               O Melhor: O jogo de Fábio Novello como o fogo e a  interpretação de Alessandra Souza.
                               

                                          Arte é Vida

                                                                          A Rainha
                               



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