terça-feira, 12 de julho de 2016

Resenha de Renato Casagrande à partir do texto O Olho do Ator de Roberto Mallet

Um pensamento

Quando li pela primeira vez o texto “O olho do ator” confesso que absorvi pouquíssimo, talvez fosse por ter no máximo um ano de carreira teatral, depois peguei nas mãos novamente alguns anos atrás quando participava do módulo III do curso de teatro da ESMATE, mas não lembro muito bem das impressões que tive na época. Mas ler o texto na minha circunstancia atual, um ator com oito anos de carreira, me fez ter um novo olhar para o fazer teatral, não sei ao certo se é melhor ou inferior ao que tinha antes, mas definitivamente é algo diferente e isso me anima.
O texto fala no olhar que devemos ter para com o mundo e suas situações, que não devemos querer as respostas e sim os questionamentos, que não devemos chegar diretamente a conclusão dos atos, mas sim os seus percursos.
Fala também sobre o olhar que queremos passar com nosso trabalho individual (de ator) e também o de grupo (espetáculo). Achei curiosíssimo pensar que nos dias de hoje com tantos assuntos polêmicos ao nosso redor, (...) com tantas polêmicas ainda existem atores com o intuito de mostrar algo que são capazes de fazer, seus “talentos” ou suas “capacidades”, isso é naturalmente normal, e em alguns momentos até apreciável. Mas o que não comporta, é a necessidade de mostrar suas habilidades em espetáculos que poderiam fluir muito bem sem o “momento show de talentos”, e isso é constantemente presente no teatro que vejo hoje e que via há algum tempo.
Alguns dias atrás tive o prazer de assistir a alguns espetáculos em um festival da região, e lá havia um espetáculo no qual a atriz principal cantava razoavelmente bem, e era quase que óbvio que o diretor optou por introduzir cenas musicais no espetáculo para poder aproveitar este dom da vivente. Só que ao mesmo tempo em que ela tinha uma voz relativamente bonita, seus companheiros de cena eram totalmente desafinados e isso de certa forma enfraquecia o espetáculo, somando com a narrativa fraquíssima o espetáculo foi pouco aproveitado e consequentemente arrecadou pouquíssimas indicações e quase nenhuma premiação.
Isso me faz ver que muitas vezes estamos preocupados em mostrar algo diferente e performático (malabarístico) para o público e esquecemos de exercer nossa função como atores/comunicadores.
Para encerrar, o texto fala da generosidade que devemos impor para nosso trabalho, isso é pouco visto. Nos dias de hoje encontramos pelo caminho muitos atores “Egoístas” preocupados com o seu e pouco se importando com o outro. Gostaria de ver mais generosidade em mim e principalmente em meus colegas, talvez o teatro seria mais colorido.




Renato Casagrande
Um ator com tanto a dizer...

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