sábado, 10 de novembro de 2012

Grupo Máschara em Garibaldi com porca, gata, jumento, galinha e cachorro... 08 de novembro de 2012

Teatro Regional

                           O que mais me atrai na arte, no teatro, é o fato de você assistir um texto que foi escrito há muito tempo atrás, e perceber nele o povo, a situação social de uma determinada época, o jeito de ser de uma região... Os espetáculos do Máschara são além de criativos e muito bem concebidos, um reflexo da platéia  cruzaltense. E isso de forma alguma é um problema, pelo contrário, torna seus espetáculos uma obra mais sincera, honesta, retrato de época e povo. Quando digo isso refiro-me a forma como a equipe conseguiu aprender o tipo de riso dos Cruzaltenses, os estilos de comédia e de drama. Ontem o Santo e a Porca e Os Saltimbancos foram apresentados na feira de livros de Garibaldi e fizeram grandioso sucesso. Mas há algo acontecendo... Algo na forma como o Máschara vem trabalhando, algo com alguns de seus atores. Uma falta de conscientização do que se está fazendo no palco. Um total desrespeito ao seu eu mesmo e ao talento que Dionisio lhes deu.
                         O Santo e a Porca é um texto sobre fé... e essa fé pode estar direcionada há qualquer coisa, aconselho os atores do Máschara a terem mais fé na direção de seus espetáculos. Naquilo que lhes guiou no inicio quando ainda eram aspirantes atores. O texto de Suassuna prendeu os alunos, mas a farsa mais uma vez perdeu espaço para os maneirismos, os exibicionismos e os exageros em busca do aplauso. O maior mérito do Máschara sempre foi buscar a excelência, agora parece que os atores buscam o riso fácil, o brilho.                                        
                        Quem são os coadjuvantes desse texto? Na obra escrita eu sei, mas no palco não ouso dizer. Todos parecem querer brilhar e todos esquecem pequenas coisas que o diretor do espetáculo lhes pediu. Tia Benona sem o chapéu na primeira cena, Ricardo Fenner praticamente entregando toda a confusão de mão beijada ao protagonista na cena em que pede a entrevista com Margarida. Luis Fernando Lara destacou-se, e principalmente por que todos pareciam tensos, preocupados, ele continuava em um ritmo clamo mas inteiro no espetáculo, isso sem falar que aos poucos está descobrindo pequenos detalhes em Pinhão. Renato Casagrande tem um papel ótimo que tem sempre tudo para emplacar, nesse dia perdeu a afiação de Dodó. Fez tudo direitinho, mas em outra vibração. 
Ricardo Fenner
                             É muito estimulante perceber o público, perceber o espaço, adaptar-se a ele, como fez Cléber Lorenzoni ao escolher outras entradas para o elenco na primeira cena, ou ainda quando chegou do hotel de Seu Dadá, do meio do público. Mas e a sonoplasta? Estava atenta? Há de se ser prefeito! E quando digo perceber, refiro-me também ao prazer de perceber quais piadas cada sociedade aceita, quais frases pipocam melhor em determinado ao público. O ator humano é aquele que sempre percebe o outro, o outro em seu elenco e o outro na sua platéia. E quem é humano, terá sempre o aplauso de sua platéia. 
                           O figurino de Dulce Jorge tombando na cena final é detalhe que não pode repetir-se sempre e que a camareira tem que se ater. O espetáculo tem complexidades enormes, não pode ser picado ou reduzido aos tombos para adaptar-se ao tempo que a feira de livros oferece. Mas isso é bom, pois tenho medo desses espetáculos que suportam cortes enormes. Talvez fossem barrigas. O Santo e a Porca é um espetáculo maravilhoso, que pode render muito mas para isso senhores atores, voltemos as velhas e boas formalidades do teatro do Grupo Máschara!
                                      Já em Os Saltimbancos, os animaizinhos voltaram a brilhar. Alessandra Souza exerce muito bem sua função, mas pode sim surpreender, claro, se busca ser uma grande atriz! Gabriel Wink estava muito mais corpóreo do que em outras apresentações, mas precisa de ensaios mais seguidamente para parar de sempre esquecer alguma cena do começo do espetáculo. A "Ida para a cidade", nunca acontece as quatro vezes como foi marcada. Por que? Renato Casagrande mais uma vez não estava intenso como sempre é. A vida pessoal do artista deve sim interferir em seu trabalho, mas para dar-lhe mais força, mais garra... Cléber Lorenzoni esteve ótimo, mas precisa encontrar um tom de voz que possamos ouvir ainda que seu microfone falhe. E por fim Gabriela Oliveira está se tornando uma ótima camareira/contra-regra, precisa é revirar la dentro e trazer mais de seu amor pela arte para suas funções. 



Dulce Jorge (**)(**)  -Embora sem ensaios esteve ótima em Caroba, quase digna de ***
Cléber Lorenzoni (***)(**) Não ganhou *** em Saltim. por que quando seu microfone falhou não tentou falar mais alto.
Gabriel Wink (**)(**) Poderia ter ganho *, em "O santo" esqueceu o chapéu e não estava com a energia de sempre, e em Saltim. Engoliu a 2ª Ida a cidade, além de se embolar no final, mas fez tudo direitinho, e jogou muito bem o que lhe confere duas **.
Renato Casagrande(*)(**) Em Dodó não fez com o brilho que lhe deu Status II, deixou a personagem escorrer pelos dedos. Sua melhor cena foi a que Eudoro visita a casa e conversa com margarida.
Alessandra Souza (**)(**) Fez tudo básico. o básico é ótimo, é digno, mas espero vê-la "mordendo".
Luis Fernando Lara(***)(**) Perfeito em seu Pinhão nessa apresentação. 
Gabriela Oliveira(**)(**)Básica, ainda pode ser perfeita.
Fernanda Peres(**)(**)Seu trabalho de contra-regra quase merece ***
Ricardo Fenner(*)(**)O ator conhece demais seu texto para por em risco como pôs. O público pode ter ficado se perguntando, afinal ele pediu a mão de Margarida ao Pai???
Tatiana Quadros(***)(**) Profissional, mesmo sem estar nos espetáculos desse dia, dedicou-se ajudou sem obrigação alguma. Sem reclamar, quase mais do que os que estão em todos os espetáculos e enchem a boca pra chamar de seu trabalho.

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