segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sobre O Incidente

Por Gabriel Wink   


                      A interpretação em O Incidente, peça do Grupo Teatral Máschara, inspirada na obra O Incidente em Antares, do escritor Erico Verissimo, é um exemplo do quão tenaz a construção corporal e visual auxilia e tem expressão indispensável para a eficácia do trabalho teatral.  Partindo da premissa de que os sete personagens centrais da narrativa estão mortos, o elenco desenvolve as ações usando algo próximo a descrição do autor. (...)vinham quais bonecos de engonço(...) Não há uma exata idéia de como deveria ser a postura de tais personagens, mas partindo de um imaginário sem fim, de criaturas cinematográficas, zumbis, mortos vivos, e outra infinidade de entidades pós-mortem, os atores compuseram figuras que preenchem o palco, causando na platéia a ilusão estética de que aqueles sete atores/personagens, estão realmente mortos.
                         Poderia dizer que os atores se contorcem e exprimem toda uma gama de escatologias, o resto quem faz é a mente do público.  Não poderia excluir do objeto artístico a porcentagem participativa da platéia.
                      Os mortos de Antares morreram de causas diferentes: derrame cerebral, infarto de miocárdio, tuberculose, envenenamento, seccionamento das veias dos pulsos, falência múltipla recorrente de tortura e rompimento de aneurisma. Ora, já é desmistificada a idéia errônea de que atores trabalhariam apenas mente e voz. O teatro moderno e contemporâneo, faz uso cada vez mais da linguagem corporal para dar vida a idéias artísticas das companhias. Cada ator trabalhou por tanto, sua construção corporal de acordo com a historia de sua personagem, incluindo aí status social, drama humano, experiências de vida, idade, etc...  Pesaram para os atores, o que era de se esperar, idéias tais como a postura prepotente e arrogante do advogado, a altivez da beata, a coluna ereta e elegante do maestro, a ginga da prostituta, o peso e a severidade do sapateiro anarco-sindicalista, a humildade e o desleixo do bêbado e ainda a revolta do jovem idealista. Tudo isso acresceu expressividade tanto facial quanto física. Leveza, peso, lentidão e agilidade foram pesadas para dar credibilidade a personagens que as vezes deveriam aparentar algumas décadas a mais de existência do que seus intérpretes.


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