sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Crítica de Esconderijos do Tempo no 44º Cena às 7

     
            O teatro cruzaltense é de tal forma versátil que atende aos mais variados assuntos que a população cultural possa imaginar. Seu repertório passeia entre comédias e dramas. Da farsa aos costumes, do melodrama a tragédia. Claro que ainda falta o Máschara embrenhar-se por muitos outros gêneros, mas enquanto isso não acontece vamos nos deleitando com os espetáculos que a Cia. nos apresenta aos domingos de Cena às 7. Esconderijos do Tempo subiu ao palco pela oitava vez no programa de teatro aos domingos e tinha no elenco Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge, Angélica Ertel, Gabriel Wink, Alessandra Souza, Renato Casagrande e Tatiana Quadros. O espetáculo gira em torno da obra de Mario Quintana, mas principalmente das peculiaridades de seu olhar para com a solidão...          
                                                 O mais interessante é que Esconderijos do Tempo, fala o tempo inteiro do tempo, do seu peso, da sua continuidade cíclica. Do peso das horas. O espetáculo tem uma linha tênue, uma melancolia extrema que assusta um pouco e que as vezes pesa demais. Há poesia e muito bem pronunciada por sinal... E o senso poético está no cenário, nos ruídos, nos costumes e claro, nos silêncios. O espetáculo da uma aula de Mario Quintana, são detalhes ditos lentamente e que só os muito atentos percebem. Por exemplo o fato de que Mario nasceu no dia em que o cometa Halley passou pela terra; O fato de morar sozinho em um hotel na rua da praia; De falar em francês - aliás, traduziu Miss Dalloway  de Virginia Woolf. Enfim, um espetáculo que tem todos os motivos para ser assistido. Pois é uma aula de interpretação. O elenco é coeso, uniforme, e trabalha com técnicas diversas. Por exemplo: Como o espetáculo lida com o tempo, as três crianças que podem muito bem ser Mario e os irmãos Marieta e Miltom, na infância do Alegrete, como também podem ser Mario, Glorinha e Gouvarinho, (que aliás existiram mesmo, lá no Alegrete) vão envelhecendo no decorrer do espetáculo. Mas cada um de uma forma diferente. Cléber Lorenzoni que certamente mereceu três estrelas nessa apresentação, pois estava impecável (seu melhor trabalho) vai envelhecendo aos poucos, sem maquiagem, apenas alguns acessórios e muita interpretação. Angelica Ertel começa interpretando Glorinha jovem e depois é substituída por uma Dona Glorinha idosa concebida pela não menos dramática Dulce Jorge que merece o máximo de estrelas nessa apresentação. Enquanto que O Senhor Gouvarinho é apresentado por Gabriel Wink e envelhece com a ajuda da maquiagem e da interpretação obviamente. 
 As personagens espectrais, anjo e morte saíram da obra do poeta e compõe muito bem o espetáculo. As poesias que vão sendo ditas pelas personagens se correspondem e foram muito bem organizadas pela dupla Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni que roteirizaram o espetáculo. Alessandra Souza é Lili Inventa o Mundo e depois de muita dedicação dessa atriz, fiquei muito fascinado pelo seu trabalho nessa apresentação. Leveza, agilidade, versatilidade e  hibridismo com a personagem mais famosa de Mario Quintana. Merece claro, três estrelas. Esconderijos do tempo é um desses espetáculos que deve ser visto por todos e deve ser mantido pelo máximo de tempo possível. Pelo teatro e por Mario Quintana.


                           A Rainha

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