quarta-feira, 2 de setembro de 2020
Renato Casagrande serve de corpo para o oráculo dos Deuses
terça-feira, 1 de setembro de 2020
905- Análise do quarto episódio dos contos do vovô Erico - Os três porquinhos pobres.
A obra infantil de Erico Verissimo passeia visivelmente por outros clássicos da literatura e do cinema de sua época, por isso mesmo não poderia ser diferente com o texto de Os três porquinhos pobres. O intrigante para mim enquanto assistência, foi ver a forma como a direção mesclou o código cinematográfico no trabalho, usando ainda a ludicidade.
Uma vez ouvi de alguém que a obra infantil de Verissimo é difícil, inferior à sua produção adulta. Triste análise, sua obra é exatamente a variante, a metamorfose e olhar único sobre cada personagem.
Nesse livro especificamente, há para mim uma armadilha no curso dos acontecimentos. Os três porquinhos saíram do "chiqueirinho" e apesar de serem curiosos e aventureiros, pararam no mesmo lugar; ora quando Erico lança essa obra, Jean-Paul Sartre já perambulava entre nós com seus ensaios filosóficos, já nos questionávamos de onde vinhamos dentro dos vieses do existencialismo. Os três porquinhos são senhores de suas escolhas e radicalmente após perambular pelo mundo obscuro que nos espreita lá fora, decidem ficar em outro "chiqueirinho". O mundo é vasto e Lorenzoni tenta mostrar isso usando uma gama de personagens bem maior que nos outros episódios da franquia.
O jumento, a galinha e Missis Gata são o primeiro trunfo da narrativa. Os três juntos tentam esclarecer as ideias confusas do porquinho Linguicinha, porém as mesquinhezas e inseguranças dos três animais ficam claras quando eles se mostram incapazes de aconselhar. O porquinho acaba precisando sanar sozinho sua duvida.
Juntos os três "heróis" da historia, heróis por que sofrem todas as influencias e intempéries da narrativa, e por que devem cumprir a "jornada", aquela a que todo herói esta fadado. Nessa jornada os porquinhos divertem-se, sentem medo, entrem em contato com o desconhecido. Não há vilões, o vilão (lobo) está no filme, na "disney" a vida real é repleta de uma fauna absolutamente atraente e amedrontadora, mas não passa de vida real.
Lorenzoni, Casagrande e Nardes estão muito conectados o que dá ritmo e veracidade a historia. Um jogo a três difícil de ser encontrado. Assistindo da para perceber com facilidade o quanto Vagner compreende bem os códigos de Cléber e vice-versa; do mesmo jeito, Renato consegue criar e pavonear-se sobre as criações dos dois colegas. Uma pena a historia ser tão curta, pois é extremamente prazeroso ver a equipe atuando.
Clara Devi, Alessandra Souza e Martha Medeiro são coadjuvantes de alto nível. Devi com sua maturidade para com a câmera. Souza com uma cena que foi um delicioso presente de candura e delicadeza. Medeiro rouba a cena e nos deixa um gostinho de quero mais. Talvez um cuidado maior com a dicção abrilhantaria ainda mais a sua cena.
Roteiristicamente há alguns entraves que para o palco não chegam a ser problemas, mas que frente ao vídeo deixam a desejar. A solução da menina, o ovo que surge do nada, a informação de que eles voltaram ao mesmo lugar, são alguns dos detalhes que poderiam ser melhor alinhavados.
É preciso ainda voltar o olhar para a iluminação, que melhora a cada episódio, Há sim, sombras, densidades equivocadas de brilho em cenas alternadas. Mas há cuidado com continuidade, ritmo de câmera, troca de focos com precisão. As cenas do filmezinho dentro da historia, onde os três porquinhos se vêem refletidos, é um escopo memorável, principalmente quando faz alusão ao cinema mudo. O máschara se reinventa e isso nos orgulha. A cada geração, a cada novo ciclo, a cada nova equipe de interpretes que surgem.
O teatro não pode parar nesse momento, mas felizmente os ESMATIANOS conseguem sempre nos surpreender. Hoje eu assisti o vídeo por que Cléber Lorenzoni me enviou um link, mas acredito que a divulgação deveria ser mais eficaz, mais abrangente. Há muita gente em casa recebendo uma enxurrada de opções, para atrair o público é necessário concorrer, empreender.
Outro pensamento reflexivo que passou pela cabeça dessa senhora, foi quanto à continuação: Outra vez os três porquinhos pobres. Será que a direção do projeto pretende confeccionar um produto que beneficie, que abranja a continuação das peripécias de nossos "heróis"?
O melhor: A criatividade que envolve tantas figuras inusitadas no quarto episódio e a versatilidade do elenco.
O pior: A fragilidade do roteiro de Cléber Lorenzoni.
Clara Devi (**)
Martha Medeiro (***)
Vagner Nardes (***)
Hêmon de Sófocles pelo olhar de Ellen Faccin
domingo, 30 de agosto de 2020
Quarto episódio de Contos do Vovô Erico - Os três porquinhos pobres
sábado, 29 de agosto de 2020
Fragmento de Sófocles pelo aluno Rick Artemi
sexta-feira, 28 de agosto de 2020
Fragmentos de teatro grego -pelo aluno Vagner Nardes
quarta-feira, 26 de agosto de 2020
ESSA LIGAÇÃO É PARA VOCÊ - CURTA METRAGEM DE ROMEU WAIER
Existem três tipos de obras, as que perdemos tempo assistindo, as que são para se assistir mas não merecem ser debatidas pois vieram prontas demais, e finalmente as que servem para serem discutidas, pensadas entre um chop e a fumaça de um cigarro...
Como apreciadora da arte, meu olhar sempre acaba se voltando aos alunos da ESMATE e suas criações. Por que? Talvez por que para mim o novo tem grande valor dentro daquilo que chamamos de vanguarda.
A arte do jovem artista panambiense é muito clara e refere-se visivelmente ao olhar artístico de um jovem que anceia por dizer ao mundo que exala pontos de vista. O curta de Waier mostra-se extremamente atual, mesmo que sua trama pareça brincar com o atemporal. A curva bastante acentuada é que nos segura atentos até o ultimo suspiro, aliás a curva dramática é o recurso mais importante que temos e indispensável para mantermos uma plateia atenta quando ainda nos falta outros recursos, aqui ela aparece na escolha da trilha, no apelo visual, na ação das personagens, enfim, no todo...
Rick Artemi brilha no curta como "um de nós" perdido, confuso, no hoje e no ontem. Sua curva dramática aparece também de forma física e ele brinca maravilhosamente com a câmera sob a direção de Waier. Gosto de vislumbrar jovens diretores, nesse confuso começo de carreira, ouso dizer que é seu melhor momento, afinal é quando artistas podem criar sem medo de errar, sem um "nome" sem um "estilo" reconhecido que os obrigue a escolher certos caminhos.
Lembro de Waier da Paixão de Cristo do Máschara e de A Hora da Estrela, trabalhos bastante diferentes, mas nos quais ele sempre se destacou por um "q" a mais, um diferencial até mesmo entre os colegas de cena. Jorginho como o pessoal do teatro carinhosamente o chama é daqueles artistas que tem uma plena noção do que acontece ao seu redor. Talvez por que tenha nascido para ser diretor, talvez por que tenha uma vocação para o cientifico da arte... Torçamos que cresça com humildade e devoção.
Seu curta reflete sua arte, mistura o atual com o extremamente atual de Brecht. À mim quem sofre não é o paciente de Covid, ou o sujeito que espera a liberação do auxilio, quem sofre é o artista de cidade pequena que tem ideias mas falta-lhe oportunidades, o jovem empreendedor cheio de vida artística.
Seu "alternativo" é bastante perspicaz, e as cartas na manga resumem a resenha de forma chocante. O fim nesse sistema confuso, nessa pandemia estapafúrdia, só pode ser a morte. A morte de quem não encontra liberdade, de quem não encontra soluções entre as velhas formulas , entre as velhas regras.
Minha admiração ao jovem diretor e ao jovem ator.
Arte é vida.
A Rainha




