terça-feira, 17 de abril de 2018
segunda-feira, 16 de abril de 2018
800-Paixão de Cristo (tomo 2) - A luta pelo teatro
Palcos para todo o lado, som potente com direito a trio elétrico, figurinos impecáveis e um dia lindo de sol, nem isso foi o suficiente para levar um público maior que em 2017 para as ruas nesse feriado. O roteiro assinado por Cléber Lorenzoni deu mais espaço a figura feminina, tão abafada pelos viris heróis da bíblia. Cléber Lorenzoni abriu a cena no marco zero, com a passagem da Mulher Adultera, que realmente não é a Madalena, sim muita gente confunde as duas. Ainda entre as mulheres empoderadas, eis que surge Heródia, composição de Clara Devi (**), há quem diga que a atriz era muito nova para o papel, no entanto quem diz isso esquece o quanto o palco é democrático e muito mais tolerante com a idade dos atores do que por exemplo a televisão.
Eis aí também a perspicácia da direção, primeiro que Lorenzoni coloca um Herodes também jovem sobre o palco, segundo que em nenhum momento é dito ao público o que a personagem de vestido azul é do rei, sendo assim o público não chega a ter um ponto de vista. Ela poderia ser Heródia, Salomé ou outra dama da corte.
Embora Cléber Lorenzoni tenha dado espaço as mulheres, parece ter resumido muito o espaço de Maria, (mãe de Jesus) que aliás é minha figura preferida no auto. Dulce Jorge (**) não esteve maravilhosa como em 2017, assim como o interprete de Jesus Cléber Lorenzoni, ( **) certamente como diretores da Cia. e preocupados com tantas augurais, acabaram não se entregando o suficiente em suas construções. Maria poderia ter aparecido antes na cena, já que se tratava de um roteiro que ousava dedicar-se mais ao feminino.
Ainda no núcleo feminino grandes destaques, Alessandra Souza (***) abriu o espetáculo com muita energia, agregando a platéia e prometendo uma grande encenação. Izadora de Azevedo voltou nesse ano como Madalena (**) Gostei mais de sua Salomé, mas orgulhei-me de ver a ousadia de uma não atriz, contracenando sobre o primeiro palco ao lado de Cléber Lorenzoni. Virei fã dessa jovem.
Laura Hoover(**) teve muita "pegada", discernimento e a tal fé cênica na personagem Marta. A jovem recebeu um papel sem muito status mas foi dando vida e profundidade a tal ponto de algumas pessoas quase debruçarem-se sobre o evangelho para procurá-la. Ainda no grupo feminino, Raquel Arigony e Sandra Lazzari cumpriram momentos muito relevantes. Arigony (**) me parece, nem reside mais em Cruz Alta, lá estava no entanto, presente, inteira e repleta de braços que se estendiam em várias funções. À Verônica de Sandra Lazzari (**) caberia um vigor maior, uns detalhes mais apurados. Mas ainda assim a atriz não deixa a desejar.
A figuração foi 100% feminina, e muitas foram as jovens discípulas que merecem aplausos. Cada uma a seu momento fez muito pela cena. Não sei o nome de todas, mas dedico minha admiração pela coragem e determinação de todas. Duas delas aliás já haviam passando em anos anteriores pelas fileiras do Máschara. Su Estevam e Carolina Monteiro.
Cléber Lorenzoni com assessoria de Renato Casagrande optou por um figurino mais limpo, quase uniforme. Saiu um pouco da veracidade hebreia mas encantou a plateia com detalhes belos e pontuais. Palmas para a Senturia Romana.
No elenco masculino, também foram vários atores dando aulas de interpretação. Renato Casagrande(***), Gabriel Giacomini(***) e Stalin Ciotti(***) foram as pérolas do Máschara. Os três com dedicação, criatividade, diria até brilhantismo, o primeiro totalmente irreconhecível, levou o ódio do líder politico/religioso a estremos; o segundo ainda que jovem, entendeu perfeitamente o espirito de sua personagem e jogou, jogou muito em cena. Stalin, apesar de ser o mais novo da equipe em bagagem teatral, brincou pelo palco mostrando o quanto é importante o ator em cena divertir-se com sua personagem, água na platéia, chutes no Cristo, chapéu no chão. Tudo o que o ator fez segurava ainda mais nosso fôlego. Ricardo Fenner (**) não fica aquém não. Conseguiu compor algo bem diferente de seu estilo de interpretação em um ótimo desafio, destacando a critica que o espetáculo faz da manipulação das massas pelos detentores do poder. Paulo Guaraci (***) que em 2017 fora um apóstolo, agora irrompe o palco como José de Arimatéia, um dos sacerdotes do templo. Guarací não tem muitas falas, mas esteve vivo e coerente em todos os momentos da ação.É maravilhoso como o teatro revela talentos e abre espaço para todos que se deixam tocar por ele. Outro destaque foi para Alcídes Cossetim que ainda como apóstolo conseguiu destacar-se também no papel de homem que tentava fazer a justiça de Moisés sobre a mulher adultera. Alcídes foi se destacando nos ensaios mas no dia entrou no palco com força e mordida.
No núcleo de soldados a direção dividiu os atores em soldados romanos e soldados judeus. Palmas à Douglas Maldaner (**) que foi extremante verdadeiro e violento como o soldado romano que mais flagelava o Cristo. Como Judas Douglas foi bem, mas poderia ter dado mais ação interna e detalhismo à personagem. Entre as fileiras apostolares, trabalho forte entre os figurantes mais maduros. O elenco mais jovem
poderia destacar-me com mais impeto. Vagner Nardes (*)como O discípulo amado precisa de mais pesquisa, o que vai alcançar rápido, já que é interessado e dedicado. Evaldo Goulart se sai bem como apóstolo e na operação da trilha, porém na cruz tanto ele quanto Ciotti deixam a desejar. Ora, tipos pontuais como os crucificados que tem os ohlares de todos em sua direção, precisam acertar plenamente a dublagem. Destaque para Felipe Padilha como Porta Estandarte e as crianças que encontram Jesus ainda no começo. Não ha como não elogiar a pequena notável Vitoria Ramos (***) que nasceu para o palco.
O texto adaptado por Cléber Lorenzoni guarda elegância sonora e em vários momentos carrega poeticidade, um trunfo da montagem desda milenar historia que veio para ficar.Muitos foram os dramas, os percalços que o Máschara enfrentou para por A Paixão de Cristo nas ruas. Quem esteve no ensaio geral deve ter percebido mutia cosia que acaba sendo mantida em segredo e que poucos tomam conhecimento, mas não dá para não admirar um grupo que precisa se expor ao que o Máschara se expõe para fazer teatro.
Teatro é vida!
A Rainha
quarta-feira, 11 de abril de 2018
domingo, 8 de abril de 2018
Manifesto em prol da continuidade da encenação de A Paixão de Cristo
Manifesto de um simples ator de teatro do interior...
Ator, isso é que sou, essa é minha profissão, há mais de vinte anos, é do teatro, do palco, que sai meu dinheiro e é com esse dinheiro que pago minhas contas, que compro meu alimento, com ele compro minhas roupas. O teatro me acompanha dia e noite, é através dele que dou minha contribuição como cidadão para a minha cidade, meu estado, meu país.
Com o teatro aprendi muitas coisas, aprendi que a na vida dependemos uns dos outros mais do que imaginamos, aprendi que somos muito pequenos mas que juntos podemos fazer muitas coisas.
Mas tem uma coisa que demoro para aprender, e que as vezes até me recuso a aprender, que o dinheiro e os egos governam o mundo, fica-se subentendido que ego e dinheiro juntos significam poder.
Enquanto ator não sou melhor do que ninguém, não posso também classificar minhas ações como as melhores, no entanto acredito piamente que tudo o que a arte move em prol de gerar reflexão, beleza, e ação, deve ser incentivado, ou até mesmo aplaudido.
Acredito que o direito de um vai até onde não atrapalha o direito do outro, por tanto uma apresentação na rua, no meio da tarde, em um feriado, não pode atrapalhar muitas pessoas. Atrapalha sim os egos, egos de quem deseja aplausos para si, ego de quem é contra as decisões de determinados políticos, egos de mentes tacanhas que cumprem funções impulsionados apenas pelo dinheiro.
Cruz Alta emana egos entumecidos.
A encenação da Paixão de Cristo habita um lugar comum na sociedade ocidental. O feriado onde todos sorvem o prazer de ficar em casa sem trabalhar provém de um momento religioso, e talvez por isso seja difícil desassociá-lo da cristandade e por consequência, da igreja católica. Ora, a criatura "Jesus" passeia por todas as religiões, suas palavras estendem-se a todos os seres, e seus ensinamentos e parábolas são atemporais.
Quando o Máschara, minha associação, minha segunda organização familiar, empresa da qual faço parte, templo onde encontro forças e respaldo na fé que tenho na vida, quando essa engrenagem que conhecemos como teatro, decidiu encenar a Paixão e Morte de Jesus Cristo nas ruas de Cruz Alta, coube a mim remangar as nangas e por-me a trabalho. Não pensava em egos, nem em partidos políticos, nem em dinheiro ou poder. O Máschara é uma instituição com vinte e seis anos, não serve a ninguém a não ser ao público, não pertence a partido politico algum, não tem credo ou inclina-se perante poderes financeiros, o Máschara não se vende, existe como reflexo de um ponto de vista filosófico intrínseco nos pontos de vista das pessoas que o constituem.
Assim sendo, a encenação da Paixão de Cristo passaria a ser algo do máschara para a sociedade ao seu redor, e repetiria-se em favor de quantos fossem os interessados em sua permanência.
É aí que novamente os egos apareceram, as decisões politicas, os conchavos de uma cidade repleta de pequenez humana, cheia de brios, interesses escusos e absurdos revoltantes.
A segunda edição da encenação da Paixão de cristo encontrou dezenas de barreiras e quase não atravessou as ruas de cruz alta, até mesmo membros da apostólica igreja católica foram contra. E o preconceito desceu do altar em direção ao secular ato pagão.
O que me manteve firme ao lado de meus colegas atores, foi a força que emana de nosso pavilhão, foi a certeza de que a encenação seria algo bom para nossa comunidade.
Figurantes esmeraram-se, voluntários, atores, público. Uma corrente de energia estabeleceu-se e mesmo as previsões temporais deram trégua para que mais de mil cruzaltenses caminhassem até o santuário de Fátima. Para orar, para celebrar, para repensar a fé, para avivar a esperança, para recordar, para falar de Jesus.
No fim de um longo dia, eu vi meus colegas exaustos e felizes, vi figurantes com os olhinhos brilhando, vi senhores e senhoras emocionados, vi o teatro servir como caminho para se pensar no bem.
As coisas acontecem quando as pessoas se unem, Mas aconteceriam tão mais coisas se os poderosos ao menos não atrapalhassem os planos dos cidadãos que querem o bem de sua comunidade.
No fim a arte venceu, a fé venceu, a coragem venceu, a união venceu.
A instituição que represento permanece firme, pois foi para isso que os Deuses nos deram o teatro, para lutarmos pelo melhor, pelo justo e pelo certo. Não sei o que acontecerá no futuro, não sei quem será o poder... Não sei quais seus planos, mas sei que o Máschara continuará, com o apoio de gente guerreira e talentosa. O teatro vence, pois teatro é vida e nós somos a vida!
Cena às 7 70 edições
70) Ed Mort - 13/12/2017
69) Bruxamentos e Encantarias - 19/11/2017
68)A Roupa Nova do Rei - (estréia) 15/10/2017
67) O Santo e a Porca - 24/09/2017
66) Olhai os Lírios do Campo -20/08/2017
65) O Santo e a Porca-16/12/2015
64) O Santo e a Porca -27/07/2014
63)Feriadão - 19 de Janeiro de 2014
62) A Maldição do Vale Negro - 08 /11/ 2013
61) A Serpente - 13, 14 de Julho de 2013
60) A Serpente - 23 de Junho de 2013
59) Ed Mort -26 de Maio de 2013
58) Deu a Louca no ator - 16 e 17 de março de 2012
57) Lili Inventa o Mundo - 16 e 17 de Fevereiro de 2012
56) As Balzaquianas - 12 e 13 de Janeiro de 2013
55) O Santo e a Porca - 15 e 16 de dezembro de 2012
54) Tartufo - 10 e 11 de Novembro de 2012
53) Os Saltimbancos - 13 e 14 de Outubro de 2012
52) O santo e a Porca - 08 e 09 de Setembro de 2012
51) O Santo e a Porca - 18 e 19 de Agosto de 2012
50) Esconderijos do Tempo- 21 e 22 de Julho de 2012
49)-Tartufo - 23 e 24 de Junho de 2012
48)Os Saltimbancos- 26 e 27 de Maio de 2012
47)A Maldição do Vale Negro - 21 e 22 de Abril de 2012
46)Deu a Louca no Ator - 18 de Março de 2012
45)As Balzaquianas - 15 de Dezembro de 2012
44)Esconderijos do Tempo - 04 de Dezembro de 2011
43) O Incidente - 06 de Novembro de 2011
69) Bruxamentos e Encantarias - 19/11/2017
68)A Roupa Nova do Rei - (estréia) 15/10/2017
67) O Santo e a Porca - 24/09/2017
66) Olhai os Lírios do Campo -20/08/2017
65) O Santo e a Porca-16/12/2015
64) O Santo e a Porca -27/07/2014
63)Feriadão - 19 de Janeiro de 2014
62) A Maldição do Vale Negro - 08 /11/ 2013
61) A Serpente - 13, 14 de Julho de 2013
60) A Serpente - 23 de Junho de 2013
59) Ed Mort -26 de Maio de 2013
58) Deu a Louca no ator - 16 e 17 de março de 2012
57) Lili Inventa o Mundo - 16 e 17 de Fevereiro de 2012
56) As Balzaquianas - 12 e 13 de Janeiro de 2013
55) O Santo e a Porca - 15 e 16 de dezembro de 2012
54) Tartufo - 10 e 11 de Novembro de 2012
53) Os Saltimbancos - 13 e 14 de Outubro de 2012
52) O santo e a Porca - 08 e 09 de Setembro de 2012
51) O Santo e a Porca - 18 e 19 de Agosto de 2012
50) Esconderijos do Tempo- 21 e 22 de Julho de 2012
49)-Tartufo - 23 e 24 de Junho de 2012
48)Os Saltimbancos- 26 e 27 de Maio de 2012
47)A Maldição do Vale Negro - 21 e 22 de Abril de 2012
46)Deu a Louca no Ator - 18 de Março de 2012
45)As Balzaquianas - 15 de Dezembro de 2012
44)Esconderijos do Tempo - 04 de Dezembro de 2011
43) O Incidente - 06 de Novembro de 2011
42) Feriadão - 09 de outubro de 2011
41) Ed Mort - 18 de Setembro de 2011
40) Deu a louca no ator -21 de Agosto de 2011
39) A Maldição do Vale Negro 17 de julho de 2011
38) As Balzaquianas 19 de junho de 2011
37) As Balzaquianas -ESTRÉIA- 15 de maio de 2011
36)Lili Inventa o Mundo- 10 de outubro de 2010
35)Esconderijos do Tempo - 29 de agosto de 2010
34)Ed Mort - 18 de julho de 2010
33)A Maldição do Vale Negro - 13 de junho de 2010
32)Ed Mort - 13 de setembro de 2009
32)Ed Mort - 13 de setembro de 2009
31) Esconderijos do Tempo - 12 de julho de 2009
30)A Maldição do Vale Negro - 14 de junho de 2009
29)A Maldição do Vale Negro - 3 de maio de 2009
28)Ed Mort - 14 de novembro de 2008
27)Bodas de Sangue-outubro 2008
26)Tartufo - 14 de setembro de 2008
25)Ed Mort -10 de agosto de 2008
24)Ed Mort - Estréia - 6 de julho de 2008
23)Esconderijos do Tempo - 8 de junho de 2008
22)O Incidente - 11 de maio de 2008
21)Esconderijos do Tempo - ? de dezembro de 2007
20)Lili e Tartufo - 11 de novembro de 2007
19)Um Inimigo - 14 de outubro de 2007
18)Um Inimigo do povo - ESTRÉIA-9 de setembro de 2007
17)O Incidente - 16 de agosto de 2007
16) Feriadão -15 de Julho de 2007
15) Tartufo - 10 de junho de 2007
14) Esconderijos do Tempo - 20 de maio de 2007
13) Bodas de Sangue - 21 de abril de 2007
12) Romeu e Julieta - 3 de dezembro de 2006
11) Esconderijos do Tempo
10) Esconderijos do Tempo - Maio de 2006
9) Amanajé
8) Feriadão - Fevereiro de 2006
7) Casa de Samba
6) O Castelo Encantado - 8 de Janeiro de 2006
5) Macbeth
4) Impressões
3) Bodas de Sangue
2) Amanajé
1)Tartufo - 17 de outubro de 2005
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