segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Elenco do Máschara celebrando o sucesso de O Castelo Encantado na 14ª matinê do Máschara.
sábado, 19 de setembro de 2015
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
A Atriz Angélica Ertel no Espetáculo Maria Peregrina
Se você tiver oportunidade, não deixe de assistir a atriz Angélica Ertel no espetáculo Maria Peregrina, de Luis Alberto de Abreu, em cartaz no Teatro Comune. Será em todos os domingos do mês de Outubro/2015, sempre ás 16 horas.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Esconderijos do Tempo na Ielb Cruz
Sobre o altar, "o homem"
Durante centenas de anos, o teatro é tido como celebração pagã, as vezes ofensa a igreja, pretensão contra os políticos ou ainda reflexo da dita vida desregrada da parte mais baixa da sociedade. É claro que centenas também são, os tipos de atores, os estilos de interpretação, as linhas de espetáculos. No entanto a visão muitas vezes preconceituosas, ainda é a de que teatro e religião não se conversem. Há, por incrível que pareça, o teatro religioso, que educa, catequiza, informa ou homenageia. Mas esse vive em um lugar distante da verdadeira intensão do teatro. Do objetivo primordial, questionar o homem em sua existencia, balança-lo em sua área de conforto.
Sobre o altar o Máschara expôs a vida de Mario Quintana, mas muito mais que isso, suas próprias feridas, dificuldades, problemas internos de grupo, insatisfações, complexos de quem luta há anos. O Mario Quintana de Esconderijos do tempo carrega nos ombros um peso de criatura que luta para sobreviver. Muito diferente do verdadeiro Mario Quintana, o Quintana do espetáculo é amargurado pelas rasteiras que o teatro vem levando há anos. Quem tem um pouco mais de sensibilidade percebe a alma da Cia. por trás do espetáculo.
Durante o dia inteiro os atores foram somando-se, preparando o palco. Já não há mais aquela gana de alguns anos atrás, há ainda a preocupação em oferecer o melhor, mas há um cansaço. Vinte e três anos, sem dinheiro, com pessoas entrando e saindo e ainda com a obrigação velada de ser sempre o melhor, o teatro sofre.
A encenação durou pouco mais de cinquenta minutos. Não foi das melhores apresentações do espetáculo, que tive o prazer de assistir, ao contrário. Estava um pouco sem ritmo, provavelmente devido ao palco adaptado que devido ao degraus, impossibilitava muitas ações. Iluminação? Não havia, existe uma diferença nada sutil entre iluminação e dois ou três pontos de luz acesos. Iluminação é algo pensado, com um apelo artístico. A trilha? pessimamente executada, com resvalões terríveis. Esconderijos precisa de delicadeza. O SONOPLASTA PRECISA EXECUTAR DELICADAMENTE A TRILHA COM ZELO E POESIA. O cenário foi posicionado tentando cumprir as necessidades do espetáculo, mas acabou por prejudicar a disposição dos atores.
Quem ler essa analise, irá me julgar como pessimista, afinal pareço estar pondo defeito em tudo. No entanto a culpa, se há alguma, não é da Cia. É da situação. Da opção em colocar o espetáculo em um ambiente que não tem nada de parecido com um teatro italiano. Observando por essa premissa, então apresentação é repleta de méritos. Sim a equipe conseguiu executar Esconderijos do Tempo em uma igreja, ponto!
Fábio Novello esteve bastante marcante na encenação, é mensionável o fato de o ator estar a cada apresentação tornando Gouvarinho em um personagem italiano. O Soneto para o menino doente, também está muito melhor pronunciado. Bruna Malheiros também trabalhou com afinco ao lado de Renato Casagrande para que o espetáculo estivesse brilhante na cena. Logicamente um dos aspectos problemáticos quando se apresenta em locais adaptados é o cansaço a que a equipe se expõe em prol da montagem do cenário.
Ao final do dia o dever cumprido. Algumas cenas bem executadas tocaram o público. O teatro se cumpriu.
Alessandra Siuza (*)
Dulce Jorge (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (**)
Fabio Novello (***)
Evaldo Goulart (*)
Fernanda Peres (**)
Bruna Malheiros (***)
Ricardo Fenner (**)
Douglas Maldaner (**)
Douglas Maldaner (**)
A Rainha
Entrevista sobre Casa de Cultura
Entrevista Cléber Lorenzoni a pedido do univeristario Rudimar Cardias
Pauta: “Descaso com a Casa de Cultura Justino
Martins de Cruz Alta”
1.
Qual a importância da Casa de
Cultura Justino Martins para a comunidade de Cruz Alta? ´
Como cidadão eu digo que um prédio histórico, uma lugar para a Cultura,
um ambiente que deve estar lá e sua visita ser incentivada por professores,
afinal tínhamos lá espaço para aulas de dança e teatro, sala de xadrez,
biblioteca, palco para eventos, espetáculos, tínhamos inclusive dois grandes
pianos, para aulas de musica, etc... Sem falar no memorial a grandes artistas
que também está lá. Um prédio que conta uma parte da historia do município.
Algumas pessoas não frequentavam a Casa de Cultura porque a consideravam um
espaço de elite. Nós do Grupo Máschara queríamos trazer a comunidade para
dentro daquele espaço e estávamos conseguindo bons frutos. Tenho que mencionar
também, que nós só continuamos por que fomos muito persistentes, um grupo mais
fraco, menos preparado e organizado teria entregado as pontas. Cruz Alta, uma
cidade com sua importância histórica, não poderia simplesmente dar as costas
para sua própria cultura. Em Cruz Alta resta a coxilha e o carnaval. Mas há
toda uma gama de ações que estavam engatinhando e podiam frutificar muito. A
função de um bom secretário de cultura é criar politicas públicas que oportunizem
os artistas da cidade, as ações culturais. Se pararmos para dividir cultura e
arte, aí a cultura continua acontecendo, logicamente, os corais, as ações religiosas,
a capoeira, as escolas de dança, os grafiteiros, tudo isso é cultura e continua.
Mas a arte é mais especifica e mais frágil. O Artista precisa quase sepre de um
local próprio. Onde penduro um quadro de um grande artista cruz-altense? Na
sala de minha casa?
2. A
Casa de Cultura era utilizada como forma de promover a cultura aqui no
município. Desde que a mesma foi interditada, como você considera a perca que
foi para os cruz-altenses? Uma vez que a cultura- teatro- aqui não tem tanta
visibilidade.
Acredito piamente que as
coisas começam a acontecer quando as pessoas empreendem, eu sempre fui
empreendedor por que do contrário o teatro já teria acabado. Criamos então em
2005 o Cena às 7, e aos poucos as pessoas foram se acostumando, chegando, em
2012 fazíamos teatro todo mês na Casa de Cultura, e o público sempre se fazia
presente. Quando perdemos a Casa de Cultura, esse hábito gostoso de ir ao
teatro que estava sendo criado foi caindo por terra e soma-se aí a aproximação
das pessoas à nossa Casa de Cultura. Nada tem muita visibilidade até que se comesse
a fazer, até que se bata na mesma tecla, mas agora com tudo parado, realmente
fica difícil.
3. Você
considera que é um descaso da parte do poder publico referente a esse assunto?
Não posso acusar ninguém de nada, mas é
vergonhoso que a reforma esteja parada em seu terceiro ano. O Ginásio da cidade
foi reformado às pressas, por que? Por que o esporte é mais importante que a
cultura? Por que o secretario de esportes é mais capaz que o de cultura? São
perguntas que ficam. Há tanta historia mal contada que já estamos nos
acostumando com o fim da casa de cultura.
4. Você
como diretor do grupo teatral, e também como cidadão cruz-altense, procurou
informar-se ou pedir explicações do poder publico sobre a Casa de Cultura? Se
sim, o que o mesmo argumenta para você?
Procuramos
muitas vezes, os meios de comunicação não insistiram muito talvez por receio,
em cidade pequena todos tem medo de se queimar com políticos. Mas o fato é que
as historias que nos chegam são sempre confusas, mal contadas. O que nos foi
dito é que uma empresa saltou fora e agora seria necessário fazer nova
licitação, contratar outra empresa, no entanto uma parte foi paga para a
primeira, então não há verba para terminar... Algo assim.
5. Prestes
há completar mil dias sem Casa de Cultura, é possível somar por cima quantos
espetáculos de teatro o grupo deixou de fazer?
Bom o Cena às 7 era mensal, sempre no segundo sábado e domingo do mês. Deixamos
de fazer 31 edições do Cena às 7 na Casa de Cultura, ou seja muito teatro.
Pessoas nos ofereceram outros espaços, o trabalho continuou, mas aquele clima
legal de teatro na nossa Casa de Cultura, parou, e isso sem falar em toda uma
gama de ações na área de cultura que nosso município foi perdendo, inclusive o
Dança Cruz Alta.
6.
Você acredita que ainda vai demorar
para o poder publico tomar alguma atitude sobre esse assunto?
Não sei dizer, mas sei que isso não é o
mais importante para eles. E o pior é reconhecer que nosso povo está carente de
tanta coisa, que fica difícil levantar uma bandeira declarando a importância da
cultura, afinal a saúde está carente, a educação...
7.
.Na sua opinião quando a Casa de
Cultura voltar a ter seu funcionamento normal, o que a comunidade de Cruz Alta
ganha com isso? O que a cultura ganha?
Ganha
dignidade, respeito para com uma cidade que está sempre perdendo tantas coisas.
A oportunidade de grandes Cias. virem se
apresentar em Cruz Alta. Um lugar próprio para ações culturais, dança, musica,
aulas de musica, capoeira, balé, até cinema já assisti na Casa de Cultura. As
vezes tenho a sensação de que estamos virando uma cidade fantasma, daquelas de
faroeste, onde não se pode falar, e as praças e reformas soltam tanto pó e
areia e terra, que ajuda nesse clima de faroeste. Todo mundo indo embora em
busca de emprego, em busca de vida melhor... O que será de nossa Cruz Alta?
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