sábado, 11 de outubro de 2025

Viagem a aurora do Teatro- Texto de Kleberson Ben para o Festeatro

 

(Dagoberto entra, olha ao redor, encontra algo coberto pelo pano e se surpreende, ele faz umas micagens atrás do palquinho e sai pelo lado, junto com ele ou atrás dele sai um palhaço que começa a imitar ele, dago se dá conta do ser e acaba se assustando)

Dago- Ah!!!

Palhaço- (se assusta junto)

 Dago e Palhaço- ei você quer me matar do coração?

 Dago e Palhaço- Para com isso! Para de me imitar agora!!

 Palhaço e dago- Eu não tô te imitando

 Palhaço - (pisa no pé de dago) Chega disso seu garoto!

 Dago- Aiaiai! Pra que fazer isso seu palhaço?

 Palhaço- Por que eu posso, ou você não sabe que no teatro tudo é possivel?

 Dago- No teatro tudo é possivel?

 Palhaço- Sim! a gente pode dançar pular cantarolar, pode ser velho ou bebê, herói, vilão rei, soldado, uma bruxa ou até uma fadinha


 Dago- E você afinal de contas o que é você na verdade?

 Palhaço- Eu? Eu sou sua fada madrinha! (cai na gargalhada enquanto Dagoberto olha confuso para ele)

 Brincadeira eu sou o palhaço bolinha

 Dago- então.... pode me contar mais sobre o teatro?

 Palhaço- Contar? Senhor… (fica esperando a resposta

 Dago- Dagoberto mas pode me chamar só de Dagô

 Palhaço - Senhor Adalberto! eu não vou te contar mais sobre o teatro, eu vou te mostrar essa maravilha chamada teatro! Vem! Vamos viajar no tempo até a grecia

 (eles vão para trás do palquinho) 

(eles entram para trás do palquinho e ele assiste a cena, coro grego entra com máscaras no rosto e sem muita movimentação corporal)

 Somos sombras que dançam ao som dos deuses.

Nascemos do pó, mas desejamos tocar o céu.

E no palco, cada espetáculo um pedaço de eternidade.

 (coro forma imagens com o corpo e dagoberto corre indo até lá e fazendo uma pose junto deles)

 dagoberto - eis que sou deus

 sou eu quem toca a música,

sopra o pó e se esparrama pelo céu eu vejo toda a eternidade dos palcos.

 (surge o fantoche do  teatrinho de fantoches)

 Fantoche- Você não é um deus coisíssima nenhuma, de Grecia nenhuma! O palco não é lugar de mentiras senhor Dagoberto! Ainda mais no teatro grego que é justamente para adorar aos deuses!

 Dagoberto- Nossa, como ele é sabido!

 Bolinha - Sim, deixe eu te apresentar o Konstantin e ele sabe muito sobre essa coisa do teatro

 Dagoberto - Mas nós estamos na Grécia mesmo? Onde estão os coliseus de batalhas que eu li no livro de história?

 Konstantin- Não, isso é na roma, que é onde o teatro vai ir depois, e os coliseus nada mais eram que os grandes palcos do povo romano mas é um pouco diferente do teatro grego!

 Bolinha- Vai logo Konstantin conta logo sobre o teatro grego para ele… ele esta ansioso para saber tudo!

 Dagoberto- Sim, por favor senhor fantoche!

 Konstantin- Se vocês insistem… No teatro grego se usava as máscaras para se apresentar para um grande público e poder ser visto e ouvido, o teatro se dividia em dois gêneros as tragédias e as comédias

 Dagoberto - conta mais conta mais!

 Konstantin- Nunca ninguém se machucava no palco e tudo era resolvido por uma força maior! Afinal o teatro grego era uma forma  de adorar os deuses! Principalmente o deus do teatro… Você sabe quem é o deus do teatro dagoberto?

 Dagoberto - (fica pensativo) Não sei não, você sabe bolinha?

 Bolinha- Claro! O Deus grego do teatro é o Dionísio.

 Konstantin- Isso mesmo, meus parabéns bolinha!

 (dagoberto olha ao redor e percebe que os personagens da tragédia sumiram)

 Dagoberto- Peraí para onde os gregos foram?

Bolinha- Eles estão ali…

 (dagoberto olha para coxia)

 Dagoberto- Ei, larguem isso! É do meu vô ( Barulho de coisa quebrando) Ai não meu vô vai me matar!

 Konstantin- Mas então para onde vamos agora?

 Bolinha - Agora nos leve até a época medieval do teatro (vão mexer na máquina).

 (de trás da geringonça os sai a madame)

 

Madame – Atenção atenção! A Caneva da alegria apresenta a história das três mulheres!

 

(os empregados sorrateiramente espia pelo lado do palquinho e então entra o pantaleão no palco inquieto e anda em círculos)

 

Arlequim- Acalme-se meu senhor ou você vai acabar abrindo um buraco no chão!

Polichinelo- Sim se acalme senhor

 

Pantaleão- Calma? Logo o pretendente da minha filha chega e eu estou aqui sozinho em casa! Saiam já daqui e vão buscar aquelas duas, e deixem que mesmo vou buscar minha filha!

 (os três saem de cena e entra a viúva sendo empurrada pelo arlequim)

 Arlequim- Fique aqui e não vá para igreja de novo!

 Viúva- Mas eu só queria rezar! Por que vocês fazem isso comigo?

 (Entra doutore e olhando para a viuva faz seu movimento)

 Doutore- Então é você que é minha prometida?

 Viuva - Sua prometida? Como ousas! Eu sou prometida de Deus! Ai que horror! !Quanta baixaria! Socorro! socorro! (sai desvairada)

 Doutore- Ainda bem! Mas então aonde ela esta? 

(entra polichinelo puxando madame)

 Polichinelo- Ele deve estar logo chegando! (diz enquanto entra)

 (madame vê o doutore e vai correndo até ele estendendo a mão que ele segura e beija))

 Doutore- Ah então você deve ser minha prometida! Muito prazer

 Madame- Antes de eu dizer que é um prazer me diga uma coisa… Você tem dinheiro?

 Doutore- Eu tenho alguns tro…

 Madame- Um pobretão! Nem mais uma palavra… Eu sou muito bem casada! (dá um tapa na cara do Doutore e vai para o canto do palco)

 

(Entra Pantaleão puxando a Jacobina pela orelha porém vê o doutore e solta ela limpando a sua mão e cumprimenta o personagem)

 

Pantaleão- Que bom chegou!

 

Doutore - Você com certeza não é minha prometida

 

Pantaleão - Ah com certeza não, é minha filha, que estava ansiosa para te conhecer

 

(Jacobina com uma fita na boca faz sinal de não com a cabeça e é puxada pelo pai que fica entre eles)

 

Pantaleão- Veja como ela é recatada e timida! Será uma ótima esposa não? Assim como minha queridinha, que me ama tanto,e  por mais que eu seja muito rico ela me ama de verdade e com certeza não se casou comigo pelo dinheiro!

 

(se junta a madame, no canto)

 

Pantaleão - Agora vamos logo com isso! Mamãaae!

 

(viuva entra no palco novamente)

 

Viuva- Sim meu filhinho

 

Pantaleão - Case os dois! (vira para a madame) Antes que esse tambem desista

 

(Ela então faz os votos e então)

 

Viuva - Se tem alguém contra fale agora ou cale-se para sempre!

 

Dagoberto - EU TENHO! Parem esse casamento agora!

 

(todos se chocam olhando para dagoberto viuva desmaia)

 

Dagoberto- Não estão vendo que ela não quer se casar com ele, e nem ele com ela!

 

Madame- Seu garotinho atrevido! Não se meta! Façam algo! (diz ela apontando para os empregados que pegam a corda amarrando o pantaleão e a madame e jogando eles para fora de cena enquanto resmungam e o bolinha arrasta a viuva para fora de cena)

 

Dagoberto - Agora rapido fujam daqui!

(os dois noivos fogem e então comemoram dagoberto e os zanni volta a enamorada e beija a abraça dagoberto)

 

Jacobina - Você é meu herói!

 

(os zanni riem e então entra os outros personagens com cara de bravos para eles e eles agradecem)

 

(Eles largam no chao um chapéu e então)

 

Madame- Agora vamos partir que a próxima cidade nos espera!

 

(saem de cena e dagoberto fica abanando para eles)

 

Dagoberto- Só não quebrem nada dessa vez!

 

(após olhar para eles saindo para coxia dagoberto e bolinha volta sua atenção a geringonça)

 

Dagoberto- Nossa esse teatrinho foi bem divertido!

 

Konstantin- Haha sim, muito divertidíssimo e os moradores do feudo também adoravam! Afinal de contas quem não iria gostar dessas histórias saltitadas, com máscaras fantabulosas e um humor cheio de deboche sobre elas mesmas?

 

Bolinha - É verdade! quem não adora uma boa e velha piada!

 

Dagô - Eu adoro uma boa piada! e você adora konstantin?

 

Konstantin- ah sim! Amo muitíssimo! Mas adoro muito mais o lugar para onde vamos agora, Bolinha faça as honras de nos levar até o teatro elisabetano!

 

Dago - Elisabetano? Da rainha Elisabeth? aquela que morreu ano passado?

 

Bolinha- Não, essa veio muito antes!

 

(bolinha aperta os botões e então a máquina funciona trazendo então os personagens da tragédia do Romeu e julieta)

 

(entra primeiro o anunciante após três batidas)

 

Atenção atenção, a rainha está no camarote real

 

(Outras três batidas e os atores se colocam nos lugares, e assim as outras três batidas dando início a cena)

 

Julieta- Oh Romeu,  oh Romeu, por que sua família tem que ser inimiga da minha?  Porque Montéquio tem que ser meu inimigo, e esse ser seu nome?

 

Romeu- Julieta, Julieta, por nosso amor agora serei rebatizado, e não serei mais um Montéquio, a partir de agora não pergunte mais meu nome, serei apenas seu amado!

 

(ama cochicha no ouvido de Julieta)

 

Julieta - Para podermos ficarmos juntos, vamos forjar nossa própria morte, e amanhã seremos livres! Sem Montequio e sem Capuleto.

 

Romeu- E assim fugiremos juntos, que bela ideia minha amada!

 

(Julieta desce da escada, pega da bandeja o sonífero e toma, ama sai, entra romeu vê ela caída e morre com a faca, Julieta acorda e morre com a faca também)

 

Bolinha - Que história mais triste! Sempre choro com essa!

 

(Dagoberto corre até os dois caidos no meio do palco e grita)

 

Dago- EEEEEI VOCÊS ESTÃO BEM?

 

(dagoberto e bolinha fazem cócegas nos dois)

 

Dagô- Ufa que susto!... (fica encarando os personagens que olham ao redor) ja sei, ja sei, vocês estão loucos para brincar aqui! mas brinquem rápido porque já já vocês vão ir embora daqui!

 

(os personagens saem de cena e vão para fora de cena dando mais um som de coisa quebrando)

 

Bolinha - Você devia ter avisado eles também!

 

Dago- Como eu sou esquecido!

 

Konstantin- Cof cof, bem estava ansiosíssimo para contar a você senhor Dagoberto sobre o da rainha! Onde surgiram os primeiros teatros abertos ao público,  já que antes as casas de teatro eram apenas para a corte real!

 

Dagô- E o que mais? o que mais?

 

Konstantin- Foi aí também que surgiu o incrível, talentoso e incrível!

 

Bolinha - Sheakespeare!

 

Konstantin - é isso mesmo bolinha! e geralmente quem fazia todos os papéis do teatro eram os homens, e as mulheres não atuavam… mas depois de alguns anos isso se resolveu. e por último mas não menos importante,  o jeito de fazer teatro estava muito mais nos atores do que os grandes cenários, se preocupando muiito mais com o texto e com o corpo!

 

Dagoberto- Uau, quanta coisa pra se aprender sobre o teatro!

 

Bolinha - Sim! e ainda tem muito mais!

 

Dagoberto - Mais!!! (desmaia no chão mas logo se levanta se recompondo) Mas e esses personagens todos vão continuar aqui no porão do vovô? E o teatro na época deles, como fica?

 

(som de alerta, e konstantin se remexe dentro do palquinho)

 

Bolinha- Isso não é um bom sinal! Acho que eles precisam voltar o quanto antes!

 

Dagô- Pessoal, venham cá agora mesmo vocês precisam voltar para casa agora, se não o teatro vai deixar de existir!

 

Bolinha - Os deuses vão ficar sem teatro, as praças vão ficar sem teatro,  os reis vão ficar sem teatro e nós também

 

todos: Mas nós não sabemos voltar!

 

Dagô: Espera ai… O teatro vai deixar deixar de existir?

 

(todos correm desesperados saindo do palco)

 

Dagô- Bolinha manda eles de volta pra casa! O mundo não pode ficar sem teatro!

 

(bolinha mexe na máquina mas não funciona então ele volta até dagoberto)

 

Bolinha- Não funcionou dagoberto,  o teatro vai ser arruinado e a culpa é sua! (sai correndo desesperado também)

 

Dagô- Pensa Dagoberto! Pensa!

 

(vai até a máquina e apertar o botão vermelho, fazendo a máquina desligar rapidamente e ligar de novo começando a fazer um barulho estranho e sugando as épocas do teatro para dentro)

 

Dagoberto  - Ufa, essa foi por pouco! Não foi Bolinha?… (olha ao redor e não tem ninguém) Konstantin? (e o Konstantin não se mexe)

 

Dagoberto- Bom, pelo menos, o teatro está a salvo!...O teatro do ontem, do hoje e do sempre, das crianças e dos grandões, o nosso eterno teatro que para sempre permanece! Viva o teatro

 

(dagoberto sai de cena, a máquina liga novamente e começa uma música e os personagens voltam ao palco e dançam em seus núcleo e no fim dagoberto agradecendo)

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