sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Zah Zuuu -tomo 6 (749) O Castelo Encantado tomo 105 (750)

Espetáculos Infantis em Cruz Alta

              Antes de tudo aconselho a leitura de outro texto meu: em critica de Zah Zuuu.
           Os trabalhos do Máschara são sempre sensíveis e delicados, concebidos pensando em tocar a plateia. Os espetáculos são concebidos para palco italiano, adaptam-se à várias situações e ambientes mas sua base é a caixa preta.  Há na estética do espetáculo, a preocupação com a trilha sonora, com as cores das personagens, com a trilha sonora e com os adereços, pois todos esses itens juntos é que irão causar as sensações que a equipe que concebeu o espetáculo tinha em mente. Ora, se tirarmos o telhado de uma casa e chamarmos uma pessoa para conhece-la, essa pessoa não apreciará a casa sem o telhado, e assim também será com um corpo que perde a cabeça, ou os membros, será um corpo incompleto, que terá que se adaptar. Foi o que aconteceu com Zah Zuuu e O Castelo Encantado.
       Zah Zuuu foi apresentado em uma escolinha infantil e O Castelo Encantado em uma festa familiar para mais de trezentas pessoas. Na primeira, as crianças tiveram um ótimo aproveitamento, mas o espaço abafado, sem coxias, onde os atores mal conseguiam buscar os adereços.  Quando os atores saiam de cena, não ficavam escondidos, eram percebidos atrás de espaços mal encobertos.
        Em O Castelo Encantado, o público que conversava, brincava e comia pipocas e cachorro quente não conseguia aproveitar a ação proposta. O espaço repleto de eco não permitia acústica alguma. Mesmo há um metro do público, os atores pareciam afônicos. Um grupo que já apresentou-se na rua e que era ouvido pelo público ao redor.
        No entanto o erro é da equipe, da produção e da direção que aceitou apresentar-se nesses espaços. A plateia queria teatro, o público, os fomentadores, promovedores dessas ações, não tem noção das necessidades básicas para um espetáculo teatral. Cabe a gente do teatro se impor, exigir dignidade para um trabalho tão frágil.
           O teatro feito de qualquer jeito em espaços adaptados pode causar o distanciamento frustrado da plateia. Quem tem uma experiência infeliz ao assistir um espetáculo, provavelmente pensará duas vezes antes de ir ao teatro novamente.
             No espetáculo Zah Zuuu, pouco ensaio, uma equipe técnica despreparada, e em determinado momento o despreparo de um dos atores para lidar com a intervenção da plateia. Um espetáculo de clowns precisa de muito ensaio, necessita de precisão. A preparação dos atores na frente das crianças, tirou parte da fantasia do espetáculo, ajudando a transforma-lo em outra coisa. O Castelo Encantado foi vilipendiado, todo encanto da obra perdeu-se, a ponto de o público mal compreender o que acontecia...Alessandra Souza falava extremamente baixo e Douglas Maldaner apesar de criar muito em sua cena, esqueceu de jogar para o público e atuou apenas para dentro da caixa. Foi triste assistir e a única sensação que me causou foi a pena em ver um grupo tão cheio de potencial, prostituir assim seu trabalho.
           Foram enfim duas apresentações onde o teatro não venceu. Eu vejo o teatro de forma muito aberta, acredito que há espaço para o entretenimento, espaço para o pensar, espaço para o virtuosismo e para o erudito. No entanto, o palhacinho engraçado que diverte a criança como uma babá que inventa brincadeiras para passar o tempo não é teatro.



Arte é Vida

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