segunda-feira, 19 de outubro de 2015

18ª Matinê do Máschara

                   Neste domingo, uma tarde com mais teatro... O que é teatro? é o conflito? É a historia? É a ação? Acredito cada vez mais que o teatro é a vida humana. E ela é incrivelmente atraente, por isso nunca entendo muito bem quando alguém me diz que não suporta mais viver, ou quando descubro que alguém tem caráter suicida. Ora, o teatro é praticamente uma homenagem a existência. É o homem imitando o homem. 
                    Na apresentação, a atriz Alessandra Souza (**) interpreta uma menina curiosa e ativa. E neste domingo com um visual arrebatador de franja. Alessandra recebe o público de forma meio ensossa, provavelmente por falta de direção nesse ato. Algumas atrizes carecem de direção para tudo. Já dentro do teatro, a jovem nos envolve, nos revela uma personalidade forte, Rosa Maria fala o que quer, enfrenta os personagens mais ácidos e aconselha a todos. Rosa Maria parece não gostar de injustiça. A pergunta que fica no ar é: O que realmente muda no mundinho da menina? Gosto muito dos "achos", pois parece que a menina vai descobrindo as coisas no decorrer da trama. 
                    Alessandra Souza é uma atriz que lutou muito em sua carreira teatral. Entrou no grupo fazendo pequenas participações, e em 2012 estreou em O Santo e a Porca, mas foi em A Serpente, que a atriz realmente conquistou sua posição de grande interprete. Agora Souza encarna a pequena heroína de Erico Verissimo e deixa sua marca como protagonista infantil. 
                       Evaldo Goulart (***) atua ora como um dos "vilões" da historia, ora como um dos heróis. E consegue criar muito em cena. Mas o que mais me prende o olhar a esse jovem, jovem, jovem ator, é a maneira dedicada como têm abraçado a matinê do Máschara. Ser ator não é apenas atuar bem, mas entregar-se, dedicar-se, conhecer os colegas, dar ideias, ajudar a solucionar e etc... Evaldo faz parte do futuro da Cia.. Se aprender o oficio, mostrar-se um defensor do teatro, certamente o Máschara perdurará. Renato Casagrande (**) é um ótimo ator, um dos melhores que o Máschara já teve, mas esteve agitado, e junto com a protagonista, demorou para acertar a medida. Mas Renato adentra o palco para fazer valer. Tem noção de espaço, jogo. e domínio de voz. 
                          Cléber Lorenzoni (**) esteve bem distante da interpretação forte de sempre, mas basta um olhar seu no proscênio e o público parece se entregar. Gabriel Giacomini(*) ainda é um aluno, mas já consegue produzir bons resultados em suas cenas. Precisa no entanto observar os atores veteranos, e ir somando macetes e estilos de interpretação. 
                              Douglas Maldaner(*), Fabio Novello(***) e Dulce Jorge(***), assumiram posições novas na organização dessa edição da Matinê, devido a ausência de alguns colegas. Douglas iniciou cantando e depois não apareceu mais, a não ser no final. Não entendi então por que o colocaram ali. As alegorias cantadas, não deram muito certo, os atores confundiram-se nas marcas e apesar de ter um ator a mais caracterizado, percebeu-se a dificuldade em Evaldo Goulart abrir a cortina na hora do Elefante Basílio.
                                    Foram-se cinco domingos com O Castelo Encantado, e o público ainda não é muito numeroso, no entanto a Cia. segue plantando a semente de um futuro com mais público no teatro, embora me pergunte, como o público saberá que o teatro é a resposta para algumas perguntas?A importancia do Máschara e sua capacidade são indiscutíveis, basta ver a lista de cidades percorridas, o público, a importancia desse grupo com mais de vinte anos. Mas antes que qualquer pessoa reconheça o valor desse grupo, é importante que seus atores percebam esse valor.

Arte é vida


A Rainha

                       
                        

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