terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Falando de teatro com Alessandra Souza, Cléber Lorenzoni, Fernanda Peres, Renato Casagrande, Roberta Queiroz e Evaldo Goulart

E então, quais os planos para 2013?

R.Q: Espero que neste ano que retomei minha vida teatral, eu possa quebrar preconceitos e evoluir a ponto de me tornar uma atriz na qual o grupo possa contar. 
A.S: Eu já não gosto de esperar muita coisa, mas quero muito que seja melhor que 2012.
E.G: Eu quero me dedicar cada vez mais até conseguir evoluir...
G.O: ...Atingir meu objetivo.
F.P: Espero que meu grupo progrida também.
C.L: Creio que de certa forma todos esperam a solidificação de seus trabalhos como atores. Já que grupo na verdade é a união de bons atores...
R.Q: A sim, as pessoas tinham uma visão de "Os Atores" do Máschara.
C.L: E renovação tem haver com crescimento, maturidade, busca pelo conhecimento...
R.C: Novas pessoas ´podem tornar o grupo com mais garra.
A.S: Com respeito um pelo outro.

Quando vocês falam em respeito, isso tem haver com a necessidade em jogar junto, em compreensão cênica também, não é mesmo? Como vocês vêem a situação em que o colega não está devolvendo a altura na cena?

R.C: Quando o espetáculo exige que ambos estejam no mesmo patamar é frustrante, mas tento sempre fazer a minha parte e auxiliar o máximo possível.
C.L: Esse jogo precisa ser saudável, e precisa de duas vontades, vontades de ambos os lados, uma atriz Eva Vilma, costumava dizer que jogava a bola, se o colega não pegasse ela segui a o jogo sozinha, meio que fazendo embaixadinha.
E.G: Eu tento dar o máximo que posso, para assim tentar devolver a altura que o colega está esperando! Mas as vezes posso não conseguir e aí parto para a improvisação. Ai fico pensando "é vou ter que melhorar". Eu me sinto priveligiado em contracenar com grandes atores do Máschara.

Mas qual é a maior dificuldade para vocês em cena?

F.P: Corpo! Me acho descoordenada demais, e isso deixa meu corpo muito mole, sem parâmetro, parece que estou sempre pisando em ovos.
G.O: A minha é deixar-me levar pela coisa, ser orgânica, me soltar, sair de mim...
R.C: Afinar a voz e sentir melhor o texto são minhas maiores dificuldades atuais.
A.S: Tive uma epifania e cheguei a conclusão de que minha maior dificuldade sou eu mesma, as vezes eu me achar impotente me torna assim.
C.L: É que o teatro está extremamente conectado ao que somos como pessoas, como nos sentimos dentro e fora do palco, certo?
E.G: Sim e percebo que me falta mais concentração, em foco, voz, postura no palco etc...
C.L Mas você ainda está começando... Tem uma longa caminhada pela frente.

E vocês, ao olharem para trás percebem a evolução?

A.S: Conquistei muito mais presença. Por exemplo se fossemos montar Os Saltimbancos em 2009 eu jamais faria a minha galinha.
F.P: Eu me sinto mais firme, com mais tônus, sinto mais presença...
R.C: Eu percebo que o teatro está entrando na minha vida como nunca entrou.
C.L: O teatro é muito efêmero, difícil apontar certas percepções, da para notar sim a evolução de cada um, mas tem muito a ver com maturidade, auto conhecimento, presença, personalidade dos atores.

E essa evolução se comprova por exemplo no fato de que agora vocês estão montando Nelson Rodrigues né?

C.L: Pois então, montar Nelson é algo que exige uma compreensão teatral maior. e vem exigindo e ao mesmo tempo realçando a noção de que esses atores não são mais os mesmos.
R.Q: Com a Guida por exemplo eu sei que se conseguir alcançar a personagem, estarei melhorando no palco e adquirindo experiência que me ajuda a alcançar meu objetivo.
A.S: Na Serpente eu tenho esse imenso desafio que é a Ligia, um personagem tão forte, uma protagonista, cujo drama me comove e de certa forma se parece em muito comigo.
C.L: Acho que muito desafiador é fazer o público ver Nelson com o olhar humano, desmistificando essa idéia de que Nelson fala de "sexo", ele fala do ser humano em seus instintos!

E montar Nelson em uma época que o público parece correr ao teatro em busca do riso e da comédia também é um desafio? Instigá-los a assistir algo tão denso, correr o risco de ter um belíssimo espetáculo mas com o teatro vazio é em sí grande desafio, não?

C.L: Totalmente, Colle Porter dizia "Para se dar bem, seja um palhaço, faça-os rir" e percebo cada dia mais que no fundo o público quer sim rir no teatro, mas eu também não sou obrigado a dar o que eles querem, enquanto artista eu preciso usar o lívre arbítrio de forma artística, vou montar o que me faz bem, e vou oferecer carinhosamente ao público e ele vai decidir se me da sua atenção, se está disposto a buscar algo naquele texto que montei.
A.S: Como hoje em dia o Grupo passa a ser também comercial, precisamos agradar o público...
F.P: Acho que depende muito do momento, (...)talvez fizesse mais por mim e não muito pela vontade do público.

Em suma, a vontade do público interfere sim, já que tudo é feito para eles, vocês são mais que atores, são comunicadores... Me parece que sempre estão procurando formas de surpreender, de atrair de trazer algo inovador e atraente, certo... Nos espetáculos de vocês há sempre quebra de quarta parede, comunicação direta...

R.C. Parece que quando a quarta parede é quebrada a platéia entra mais na historia, e essa sensação é maravilhosa, pois parece que o público está no palco atuando junto. Claro que se o ator não tiver dominio ele pode acabar se prejudicando cenicamente. 
F.P: Quebrar a quarta parede é uma sensação maravilhosa, não há nada mais gratificante, sinto pena de quem nunca sentiu isso, as vezes que senti foi extasiante, parece aí que as pessoas entram na sua. 
C.L: Eu sempre entro em cena para atuar com a platéia, eles me dão 25% do que tenho que fazer, claro tem dias que a coisa não se estabelece, que não acontece...
R.Q: Lembro de uma apresentação infantil, na qual o público não estava concentrado na apresentação e isto causa uma certa insegurança, e exige que os atores tenham domínio pleno do que estão fazendo para conseguir prender o público sem colocar o espetáculo em risco.
A.S: Tem que recorrer a técnica, à memória emotiva de outras vezes que fiz a cena e a cena passa a ser de fora pra dentro e não de dentro pra fora... Tem que forjar a fé cênica...

É a fé Cênica tem que perpassar por todo o espetáculo, é o que dá credibilidade ao público de que o ator É a personagem. Em A Serpente existem algumas cenas de distanciamento, isso torna mais dificil? 

R.C: Não chega a ser o distanciamento de Brecht, em que a personagem sai da narrativa e olha para si proprio em relação a historia. 
C.L: Acho que é mais uma quebra de quarta parede em um espetáculo formal, e isso surpreende...
R.Q: Ele precisa fazer isso de uma forma que não quebre certos principios que foram criados até então...

E no teatro que vocês fazem vocês acabam sendo um pouco produtores certo?

G.O: É tanto isso ou aquilo que o teu trabalho como ator vai ficando de lado, mesmo vc não querendo, pois você já vai para o ensaio cansado, estressado, cheio de coisas para resolver e muitas vezes não consegue se dedicar ao máximo no seu personagem como deveria, mas sabe que ao mesmo tempo precisa estar bem em cena.

Enfim, da para dizer que teatro é inspiração, sensações, correto?

C.L: O Teatro é tudo o que falamos aqui e muito mais, o teatro é um mundo paralelo formado pela mente de todas as pessoas maravilhosas que o fazem...









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