terça-feira, 18 de outubro de 2022

1066-Esconderijos do Tempo (tomo 92)

 Sempre um clássico...


                                                              Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por                                                                   ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos,                                                                           inesperados, inéditos. Naturalmente isso ocorre quando um clássico                                                           “funciona” como tal, isto é, estabelece uma relação pessoal com quem                                                            o lê. Se a centelha não se dá, nada feito: os clássicos não são lidos por                                                              dever ou por respeito mas só por amor. (Calvino, 2002: 13). 


O texto de Esconderijos do Tempo, não foi escrito por Mario Quintana, mas por Cléber Lorenzoni. Abusando é claro das capacidades poéticas de Quintana, o dramaturgo criou uma narrativa, uma sequencia lógica de sentido muito claro. O espetáculo quase poderia ser chamado de: as mulheres de quintana, tamanho é o brilhantismo das quatro atrizes que o cercam. A estreante Laura Hoover, encantadora como Lili, a jovem Clara Devi, descobrindo aos poucos sua Glorinha,e ainda  as formais, Dulce Jorge e Alessandra Souza.                                                                              

Quando observo a carreira de uma atriz, costumo dividí-la em quatro momentos: O ovo, que corre ambiciosa por ganhar papéis, qual traça devoradora. Nessa época ela pouco aprende do teatro ou dos grandes textos, ela quer quantidade. Não ouve muito os diretores, ou colegas, quer apenas olhar para dentro de si... Logo depois chegamos a larva, um momento interessante em que a atriz começa a perceber que há algo mais, a dar triangulação às suas personagens. Na fase crisálida, a atriz começa a se preocupar com qualidade, com o que está fazendo sobre o palco. O que ela diz passa a ser o mais importante. Finalmente Borboleta, quando ela sobrevoa, transcende e se tornou uma atriz. Generosa, honesta com sua profissão, ciente de suas capacidades... Qual sua fase?

Sobre o palco também dois atores conhecidos. Renato Casagrande e Fabio Novello. Bons volumes, boas gags. O som do teatro no entanto desiquilibrado... Nessas situações é preciso que o elenco pese prós e contras. Talvez Renato Casagrande ou Fabio Novello devessem ter se preocupado mais com a técnica e ficado de fora do espetáculo, afinal quase que tudo foi perdido. Um espetáculo tão lindo, deveria ter seu aparato técnico mais respeitado pelo todo.

Esconderijos do Tempo é uma aula de teatro, uma pintura, uma poesia, uma musica aos ouvidos. MAs é um espetáculo delicado, que com qualquer exagero ou preguiça, pode desabar. O mais curioso é que com tantos artistas palpiteiros, cheios de verdades, afinal é um grupo com trinta anos de historia, alguns não tenham dominio sobre suas cenas ao menos. 

A escolha de Dulce Jorge e Laura Hoover em fazer seus bifes em frente ao banco cobrindo Mario Quintana, não foi a escolha mais correta. Alessandra Souza esteve muito bem, mas aconselharia a atriz a voltar a trabalhar o corpo, é onde está deixando a desejar. Nós todos estamos envelhecendo, e a cada passo da caminhada, perdemos coisas, essas "coisas" farão falta em nossas cenas. 

A escolha da equipe foi por uma geral branca, que praticamente impediu mais equivocos, mas em um espetáculo tão delicado a iluminação pontual fez falta. Necessário ensaiar com a luz!

Para encerrar, toda a minha consideração com esse diretor que se esforça em fazer um grande trabalho, mas que parece lutar contra uma enchurrada de pequenos ques.


O melhor: A genialidade de um espetáculo imortal-Um clássico.

O pior: A triste resiliencia preguiçosa de alguns artistas que se contentam em fazer o que parece ser um grande esforço, mas que na verdade, pode ser a receita do frascasso.

Cléber Lorenzoni (**)

Renato Casagrande (**)

Fabio Novello (***)

Dulce Jorge (como atriz fundadora e professora de todos nós, suas avalição não será revelada)

Alessandra Souza (**)

Clara Devi (**)

Laura Hoover (**)

Antonia Serquevittio (*)

Vitoria Ramos (**)

Ellen Faccin (todo o nosso agradecimento pelo apoio)




segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Camilo de Lélis ao lado de grupo de Timbó/SC


 

Melhor Ator Infantil - Paulo Carneiro - Curitiba

 


Ao lado do ator Jairo Klein - Festeatro


 

Arte nas ruas


 

Carol Guma, atriz do Máschara ao lado de um de nossos artistas visitantes


 

Artistas e público


 

Palacinho do Máschara recebendo o teatro do sul do Brasil


 

Festeatro nas escolas de Cruz Alta- Organização Grupo Máschara


 

O momento mais importante de um festival: Os bate papos entre os grupos falando de suas trajetorias e batalhas


 

A prefeita de Cruz Alta abrindo o FESTEATRO - Primeira Edição


 

Comissão julgadora Festival de Teatro de Cruz Alta FESTEATRO

Airton de Oliveira, Camilo de Lélis e Douglas Barbosa 
julgadores do FESTEATRO



 

1065- O Grande Circo Mágico (tomo 12)

                     Quando o artista chega em uma cidade pequena, ou mesmo grande, em que o espaço para o espetáculo, para seu trabalho ser executado, ele pode, dependendo o seu tipo de comprometimento, sentir-se frustrado. E essa frustração é digna, e deve ser respeitada. Sobretudo por diretores e produtores.

                  Que tal o camarim não ter espelhos? Os banheiros estarem desprovidos de papel toalha, ou papel higiênico? Ou ainda, que tal não ter água em lugar algum? Opa, não há camarim! Ou cadeiras, ou mesas para maquiagens... O palco tem tres por quatro, as atrizes, os números terão que ser adaptados para o chão. O aparato de iluminação foi montado atrás do palco... Ou seja, deverá iluminar as costas dos artistas... Eu sei, parece uma piada... 

                           O artista entregue, aquele que tem um mínimo de respeito por seu público, que quer e precisa fazer o seu melhor, ajoelha-se no palco sagrado e chora... Não por si apenas, mas por toda a familia teatral, por todo o desprezo com seu trabalho. Sente aquilo que possivelmente os médicos do sem fronteiras devem sentir quando chegam em algum país subdesenvolvido e la para exercerem seu trabalho, não encontram os minimos ensumos, necessários para salvar a vida humana.

                              No entanto, precisamos pensar no seguinte: nós sempre imaginamos que os outros tem a obrigação de conhecer nossa profissão, de concordar com nossos pontos de vistas, a obrigação de respeitar nossos agir e pensar. Ora, o teatro é assunto razoavelmente novo no estado, praticamente desconhecido às cidades pequenas. A maioria dos 497 municipios do estado, nunca receberam uma verdadeira companhia de teatro. Então como compreender suas necessidades? Se muitas vezes, nem ao menos, os proprios artistas compreendem as necessidades da arte da interpretação. O fato é que realmente como diz Jean Paul Sartre: O inferno são os outros.

                                Outra situação a ser pensada, é a postura de alguns artistas. Jerzy Grotowski, costumava falar em suas entrevistas, que durante muitos anos, tentou ser uma cópia de seu mentor Stanislavski, pelo fato de reconhecer nesse, peça fundamentel para o teatro. O  "mestre"sabia tudo sobre o palco, e assim também queria o jovem Jerzy, conhecer tudo sobre a arte do teatro. Com o tempo percebeu que essa busca era ingloria, que estava fadado ao fracasso se trilhasse os caminhos de outro e não os seus próprios.    

                                        A ausencia de alguns colegas, que certamente não puderam, por algum bom  motivo,  estar presentes, obrigou outros colegas a se esforçar um pouco mais para que o mise en scene ocorresse.   Mas já que eu conheço o espetáculo como ele foi concebido, e o público de Boa Vista das Missões teve acesso a outra versão, vamos observá-lo de outra forma. 

                                             A cena ápice dos palhaços por exemplo, ficou sendo a cena    da barbearia, mas senti falta de haver uma entrada de apresentação, ao clown interpretado por Fabio Novello. Clara Devi, segue muito bem, mas parece desconcentrada. O Número das "passarinhas"parece mal feito, talvez com pouco ensaio. Atores que já brilharam no Corpo em Ação, poderiam se dedicar mais, alongar mais. Um número de vedetes, da elegancia para o circo.     

                                               A acrobacia de Antonia Serquevitio, precisa de mais ensaios, parecia atrapalhada, sem "elegancia". A gata apertada em um canto do palco, em uma luz que lhe cortava o corpo ao meio, diminuia o brilho da cena, enbora claro, o lindo vestido dourado, tenha ficado uma formosura na gatinha. 

          Romeu Waier, pela primeira vez, transpareceu certa preocupação e em algumas vezes acelerou demais as coisas, cortando aquilo que poderia render mais. 

                   Eliani Aléssio, se continuar na barbada/barbuda, precisa enriquecer, apurar melhor seu número.  Elen Faccin é ótima na trilha sonora dos espetáculos, talvez possa tentar sentir mais o clima de alguns momentos, menos práticidade e mais sensações...

                      De alguma forma, o Grande Circo Mágico, precisa de ensaios e comprometimento, um belo trabalho que deve ser respeitado, ensaiado e dignificado. 



                                          O melhor: A capacidade do Máschara em reerguer-se, reinventar-se e solucionar-se após as quedas.

                                            O pior: A falta de compreensão e respeito para com a arte, por parte de tantas pessoas...


Renato Casagrande: (**)

Alessandra Souza  (**)

Fabio Novello (**)

Eliani Aléssio (*)

Cléber Lorenzoni (**)

Nicolas Miranda (**)

Antonia Serquevittio (*)

Clara Devi (*)

Ellen Faccin (*)

Raquel Arigony (**)

Romeu Waier (*)


 A Rainha