quinta-feira, 6 de agosto de 2015
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
13ª Matinê do Máschara - 27 apresentação
O teatro que você faz/ o teatro que você vê. O teatro técnico/ o teatro instintivo.
A frase mais dita para os atores iniciantes, sempre foi: O ensaio é mais importante do que a apresentação. Logicamente, afinal, o teatro é arte artesanal, é ali que se descobre, que se experimenta, que se busca. O espetáculo apresentado para o público, é o resultado de algo. Claro que no momento da apresentação muita coisa é criada, muitos improvisos surgem, mas também, muita coisa se perde. Um ator que leva seu texto para casa, e o estuda, trás para o ensaio novas ações, impressões, e precisa testa-las antes de "ousar" usando-as em cena. O colega de cena, artesão, também está executando sua função, previamente ensaiada e não tem necessariamente a obrigação de aceitar o que está acontecendo e adaptar-se rapidamente a improvisos muito complexos, ou ainda a sensibilidade em perceber que outro interprete resolveu mudar uma cena.
A platéia vê o resultado, que é um terceiro, não é o que o ator pensou/criou no ensaio e nem mesmo o que ele imaginou ser percebido na encenação. O público recebe um terceiro ponto de vista. E desse ainda se dividem leques e leques de percepções. O que eu levo para casa, é por vezes, exatamente a ideia contrária do que a pessoa sentada ao meu lado está levando. O grupo Máschara sempre primou pela não "passividade intelectual" termo criado por Gordon Craig (1872-1966). Craig criticava os espetáculos naturalistas, pois julgava que perante eles o espectador seria mero observador, não levaria nada para casa, por assim dizer, como acontece em muitos espetáculos baixo-cômicos-vazios, apresentados por aí. Lutando por um teor mais intelectual no espetáculo, o Grupo Máschara sempre destrincha o texto interpretado, procura cada palavra, qual a frase intrínseca está obscura em meio as frases? O que será dito em silêncio à assistência? Exemplo disso é quando por exemplo a "Gata", personagem de Cléber Lorenzoni, questiona sobre os "seres racionais" que vivem na cidade e atropelam animais. Ora, o teatro pelo teatro, seria tempo precioso jogado fora.
Em Os Saltimbancos, a quarta parede, criada por André Antoine (1859-1943) e que influenciou o teatro mundial, na prática de ignorar a platéia e dar veracidade a questão filosófica proposta de que o teatro precisa ser contundente e real nos mínimos detalhes, cai por terra. Embora busque-se a interpretação perfeita dos quatro animais, Casagrande, Fenner, Souza e Lorenzoni chegam muito próximos ao público, dando a esses o direito em praticamente entrar para o palco, situação vista em no mínimo três das quatro apresentações de Os Saltimbancos. O perigo é a castração do público, direito dado é direito consolidado! As vezes Casagrande e Fenner perdem o domínio sobre o público, o que não acontece tanto à Souza por que a atriz também geralmente não libera de tamanha forma a presença da platéia.
O processo estético do espetáculo fica muito prejudicado na pequena sala onde é apresentado, mas isso por que como fã cativa que sou, já havia assistido Os Saltimbancos em toda a sua grandeza cênica na estréia, no espaçoso palco da Casa de Cultura Justino Martins. para o público que vai a primeira vez, a estética é outra, é ousada, mas é simplória. O que impera é a força magnética que os atores exercem ou não. Há balburdia? Há conversas paralelas? Em quais cenas? Segundo Constantin Stanislávsky (1863-1938) a presença do público produz em primeiro momento, efeitos negativos sobre o ator, o hipnotiza, inibe sua criatividade, ou faz com ele se exiba, narcisismo este que interfere em sua atividade de interprete e a desvia. Claro que os quatro atores em cena não sofrerão o primeiro efeito, pois são já "atores", mas tanto Casagrande quanto Lorenzoni as vezes esbarram no segundo caso. Por outro lado esse narcisismo bem canalizado é o que produz tanta atração por parte da platéia para com Gata/Cachorro. Ou seja, as personalidades de Lorenzoni e Casagrande chegam ao público e contam para sua fácil empatia. Souza embora esteja muito bem em sua galinha, desliga a atriz usando apenas dos recursos da personagem. Quanto a Fenner, ainda pode ir muito mais fundo na percepção da vida que há na platéia.
Jacques Copeau (1879-1949) Criou uma escola de arte para trabalhar os atores franceses. Criou a "máscara neutra" tentando desenvolver muito mais no atores as outras capacidades além das faciais. Para isso Copeau buscou inspiração na Comédia dell'arte, na dança, na música, na esgrima. Para o ator, doar-se é tudo, mas para doar-se é preciso antes, possuir-se. Essa regra é muito buscada na Cia. cruzaltense. Compreender-se, internamente e externamente. A ousadia, a expressividade provém daí. E quando falamos em partitura, em interpretação quase perfeita dos animais, é impossível não estar falando em Copeau. Mas cabe ao ator, e principalmente a ele, ter a noção, a compreensão de seu corpo, se está pondo em ação aquilo que buscou em exercícios, em ensaios. O equilíbrio, o desiquilíbrio proposital, a leveza, a enraização, etc... É visível essa biomecânica em alguns dos atores em cena e não preciso mencioná-los, pois eles devem saber a quem me refiro. Meyerhold (1874-1940) foi quem empregou esse termo ao teatro. Para o teórico o corpo do ator é uma ferramenta. E para mim uma ferramente estética sempre a serviço do ponto artístico. Mas o trabalho corporal não pode nunca estagnar.
Em cena, em alguns momentos Ricardo perdeu-se no textos, (três momentos), essa esfera de perda não prejudicou o espetáculo, mas confundiu os próprios atores em cena. Perder-se em cena não chega a ser um problema se o ator soluciona a questão, mas jamais pode-se por em risco a criatividade ou o impulso do outro. Mas o teatro é jogo, e o jogo deve estar aberto sempre, sem cair no perigo do efeito geleia. Esse alongamento que tira o espetáculo do prumo e o desequilibra força alguns atores a darem mais e obriga outros a darem menos. Se olharmos pelo foco que o ator é artesão que aprende uma função e deve repeti-la, talvez estejamos assim boicotando o colega de cena. O que imperceptivelmente ocorreu junto ao interprete da Gata.
Ouve no entanto um mérito especial em cada um dos quatro atores, depois dessa pequena temporada: a ousadia, os volumes, a capacidade sonora, o trabalho corporal, o jogo, a consciência, a triangulação. Na equipe cênica também ouve uma retomada laboratorial, em que cada um cresceu em seu trabalho em grupo. Foram vencidas algumas metas e o público de teatro aumentou. A Matiné do Máschara é mais um empreendimento que dá certo graças a cada um dos membros da Cia.
Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge, Ricardo Fenner, Renato Casagrande, Alessandra Souza, Fábio Novello, Evaldo Goullart, Bruna Malheiros, Douglas Maldaner, Gabriel Araújo, Bárbara Santos, Lucas Chalita. Empreendedores que merecem todo o respeito por lutarem em troca de tão pouco para que a arte da interpretação continue pulsante e viva.
Dedico uma menção honrosa à Fabio Novelo, Dulce Jorge, Lucas Chalita e Cléber Lorenzoni
"Sucesso é quando você faz o que sempre fez e alguém percebe. "
A Rainha
Teatro é vida.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Amigos do Máschara
Os 12 Pares de França
2-Rogério Furian (Fúria)
3-Professora Elisabeth Zavaglia (bebeta)
4-Helcy Martins
5-Anelise Nicolodi
6-Luciane Dal-Soto...
7-Professora Elizabeth Dorneles
8-Alexandre Giacomini
9-Patricia Laura Kuhn
10-Professora Patrícia Dall Agnol Bianchi
11-Jeison Ertel Costa e Aline Cezar Costa
P.S: Os doze pares de França faziam a guarda do Rei Carlos Magno. Em Olhai os Lirios do Campo, Dr. Eugênio refere-se carinhosamente ao "velho Florismal" como sendo um dos doze pares de França. Aqui intitulamos assim, carinhosamente, pessoas que fizeram algo em pról do Grupo Máschara sem pedir nada em troca, apenas pelo bem, pelo apreço talvez à arte, à Cruz Alta ou ao ser humano.
Vive les douze paires de France...
terça-feira, 28 de julho de 2015
12ª Matinê - Os Saltimbancos
A louca tentativa em tentar compreender a mente da platéia.
MUITO BEM, QUAL É SUA IDADE E O QUE A TROUXE AO TEATRO?
Tenho trinta e dois anos, e o que me trouxe ao teatro foram dois motivos, sou amiga de alguns atores do teatro no face e achei legal ter um programa diferente para fazer em um domingo a tarde com meus dois filhos.
INTERESSANTE, QUAL A IDADE DELES E COMO TOMASTE CONHECIMENTO DO ESPETÁCULO?
Tenho uma menina de nove e um menino de cinco. Meu filho recebeu uma propaganda na escolinha dele, e a minha guria viu a propaganda na tv, depois também tomei conhecimento pela rede social (facebook).
TU JÁ TINHAS VINDO EM OUTRA OCASIÃO, À MATINÊ DO MÁSCHARA?
Sim, sim, já tinha vindo no teatro da Lili, e já fui em vários teatros na Casa de Cultura. A gente sabe da luta do pessoal do teatro...
E O QUE TU ACHAS DO LOCAL ONDE A MATINÊ SE DÁ?
Ah! eu gosto, é perto da minha casa, a gente fica bem pertinho dos personagens e eles (crianças) adoram. Parece meio apertado, mas pelo que a gente vê, entrou bastante gente...
E O ESPETÁCULO? O QUE TU ACHOU DE OS SALTIMBANCOS?
Muito bom, muito bom mesmo, Eles(os atores) são maravilhosos, eu gostei muito do cachorrinho e da galinhazinha, o Eduardo e a Prí (filhos) gostaram da gatinha, mas todos estão de parabéns, o burrinho também... É o Ricardo né... As maquiagens são muito bem feitas, perfeitas, parecem os bichinhos de verdade...
TU CONSEGUES COMPREENDER BEM A HISTORIA E OS MENINOS TAMBÉM?
Sim, claro, eles vão se encontrando, até que encontram a gatinha exibida, aí vira uma confusão né... Eles querem morar naquela casinha, mas primeiro não dá, depois da certo, né... E no final a gatinha vira uma... uma estrela né...
E ELES DANÇAM E CANTAM...
Pois é, a gente vê depois que só a gatinha que cantava né, por que ela queria ser a cantora... Mas eles dançam bastante, nossa, eu ri tanto quando o cachorrinho tentava pegar o osso, quando a galinha pôs os ovos... (risos)
TU ACHAS QUE FICOU MEIO LONGO, OU O TEMPO TE AGRADOU?
Nem vimos o tempo passar, teve umas partes lá no meio que ficou meio enrolado, mas acho que não, acho que foi bem bom o tempo. A gente vai se divertindo e quando vê já está no final. Só que eu sentei do lado deles, daí não vi direito umas coisas...
O LANCHE COMERCIALIZADO NA PORTA ATRAPALHA OU TU ACHAS QUE É LEGAL?
Não, é bem bom, por que daí eles comem enquanto vêem o teatro, o ruim é que o Eduardo ficou querendo pipoca na hora da peça por que viu as crianças do lado comendo, aí tive que sair com ele um pouco para buscar.
ENTÃO FOI UM BOM DOMINGO COM TEATRO
Foi, nossa, foi mesmo, e a Prí agora só me dizia: - Mãe, nós não podemos comer frango lá no vô. - Por que o vô dela faz galinha assada todo os domingos, (risos) Aí eu disse para ela: Não, isso é só teatro, é só faz de conta. Mas... mas eles adoraram, eu ri mais que eles até. E eles já me perguntaram, se dá para vir de novo.
MUITO OBRIGADA E VENHA SEMPRE AO TEATRO, TEATRO É VIDA!
* * * *
MUITO BEM, QUAL É SUA IDADE E O QUE A TROUXE AO TEATRO?
Tenho trinta e dois anos, e o que me trouxe ao teatro foram dois motivos, sou amiga de alguns atores do teatro no face e achei legal ter um programa diferente para fazer em um domingo a tarde com meus dois filhos.
INTERESSANTE, QUAL A IDADE DELES E COMO TOMASTE CONHECIMENTO DO ESPETÁCULO?
Tenho uma menina de nove e um menino de cinco. Meu filho recebeu uma propaganda na escolinha dele, e a minha guria viu a propaganda na tv, depois também tomei conhecimento pela rede social (facebook).
TU JÁ TINHAS VINDO EM OUTRA OCASIÃO, À MATINÊ DO MÁSCHARA?
Sim, sim, já tinha vindo no teatro da Lili, e já fui em vários teatros na Casa de Cultura. A gente sabe da luta do pessoal do teatro...
E O QUE TU ACHAS DO LOCAL ONDE A MATINÊ SE DÁ?
Ah! eu gosto, é perto da minha casa, a gente fica bem pertinho dos personagens e eles (crianças) adoram. Parece meio apertado, mas pelo que a gente vê, entrou bastante gente...
E O ESPETÁCULO? O QUE TU ACHOU DE OS SALTIMBANCOS?
Muito bom, muito bom mesmo, Eles(os atores) são maravilhosos, eu gostei muito do cachorrinho e da galinhazinha, o Eduardo e a Prí (filhos) gostaram da gatinha, mas todos estão de parabéns, o burrinho também... É o Ricardo né... As maquiagens são muito bem feitas, perfeitas, parecem os bichinhos de verdade...
TU CONSEGUES COMPREENDER BEM A HISTORIA E OS MENINOS TAMBÉM?
Sim, claro, eles vão se encontrando, até que encontram a gatinha exibida, aí vira uma confusão né... Eles querem morar naquela casinha, mas primeiro não dá, depois da certo, né... E no final a gatinha vira uma... uma estrela né...
E ELES DANÇAM E CANTAM...
Pois é, a gente vê depois que só a gatinha que cantava né, por que ela queria ser a cantora... Mas eles dançam bastante, nossa, eu ri tanto quando o cachorrinho tentava pegar o osso, quando a galinha pôs os ovos... (risos)
TU ACHAS QUE FICOU MEIO LONGO, OU O TEMPO TE AGRADOU?
Nem vimos o tempo passar, teve umas partes lá no meio que ficou meio enrolado, mas acho que não, acho que foi bem bom o tempo. A gente vai se divertindo e quando vê já está no final. Só que eu sentei do lado deles, daí não vi direito umas coisas...
O LANCHE COMERCIALIZADO NA PORTA ATRAPALHA OU TU ACHAS QUE É LEGAL?
Não, é bem bom, por que daí eles comem enquanto vêem o teatro, o ruim é que o Eduardo ficou querendo pipoca na hora da peça por que viu as crianças do lado comendo, aí tive que sair com ele um pouco para buscar.
ENTÃO FOI UM BOM DOMINGO COM TEATRO
Foi, nossa, foi mesmo, e a Prí agora só me dizia: - Mãe, nós não podemos comer frango lá no vô. - Por que o vô dela faz galinha assada todo os domingos, (risos) Aí eu disse para ela: Não, isso é só teatro, é só faz de conta. Mas... mas eles adoraram, eu ri mais que eles até. E eles já me perguntaram, se dá para vir de novo.
MUITO OBRIGADA E VENHA SEMPRE AO TEATRO, TEATRO É VIDA!
* * * *
A percepção do público é muito diferente do que a que os atores esperam, o que chega, não é o mesmo que é proposto. É como um telefone sem fio, uma mensagem visual é enviada, mas quando chega no seu objetivo, está transformada. O elenco parecia meio nervoso, afobado. A proposta em fazer o espetáculo em arena, acaba por agitar as crianças e a preocupação em contê-las acaba por atrapalhando a interpretação. Ricardo Fenner não repetiu o feito da apresentação anterior e por diversos momentos perdeu a platéia. Souza e Casagrande exageravam nos volumes as vezes, a ponto de virar uma balburdia confusa. O público posicionado em "U" acabava fazendo um efeito prejudicial ao elenco. O som que as crianças da lateral emanava, acabava por bagunçar o som, e o público do fundo da sala recebia som do público misturado com voz dos atores. Uma dica: quando a platéia começa a falar, elenco não deve medir forças gritando mais alto e sim, conter seu próprio som. O que se dará, será o público buscando em meio ao silêncio, o som do espetáculo.
Saltimbancos não tem a ludicidade de Lili inventa o mundo, por exemplo, mas a partitura dos quatro animais nos convida a mergulhar em um mundo de faz de conta. Todos nós, adultos conhecemos os sons propostos por Chico Buarque e Sergio Bardotti, na verdade, muitos dos pais estavam mais mergulhados do que as crianças. E riram muito com as gags propostas pela Gata que antagonizavam o Cão. O trabalho físico de Souza e Fenner está muito mais interessante, e sinto falta de Lorenzoni ficar mais tempo no plano rasteiro.
Acho que seria muito interessante se em um dos lados da carroça, o pano tivesse a imagem de uma casa, que fosse mostrada somente na cena em que a gata encontra a pousada, as vezes o cenário fica muito estanque, apesar de auxiliar ele não faz parte da historia.
Ao final do espetáculo me deu até uma certa melancolia em sair da sala, levei para casa mais do que as sete notas musicais, levei as tantas versatilidades do Grupo Máschara.
Alessandra Souza (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Ricardo Fenner (*)
Renato Casagrande (**)
Bruna Malheiros (**)
Evaldo Goulart (**)
Fabio Novello (**)
Douglas Maldaner (**)
Bárbara Santos (**)
Dulce Jorge (**)
OBS: Parabéns a Cléber Lorenzoni pela maquiagem muito bem feita nessa apresentação. E a Evaldo Goulart pela disposição em tentar cumprir tudo o que lhe é atribuído.
A Rainha
segunda-feira, 27 de julho de 2015
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