sexta-feira, 7 de novembro de 2025
quinta-feira, 6 de novembro de 2025
1296-Rei Lixo (tomo 03).
Sempre que podem, nos últimos quatrocentos anos, estudiosos, ensaístas, literatos, ou mesmo artistas, tentam reinventar Shakespeare. Encontrar nessa cascata inesgotável de vida, de pensamento, de filosofia humana, um "algo" ainda não percebido. Stendhal, Samuel Johnson e até, por que não dizer, Gordon Craig. Todos eles, e muitos outros, viram facetas, detalhes, nuances novas. Ontem, após assistir Rei Lear mais uma vez, eu tive uma epifania. O Máschara, ou o Kléber, ou o Grupo, enfim, encontraram uma nova visão bastante simples e óbvia, mas que muitos ainda não enxergaram: Shakespeare é tão humano, que é simples. Mas não é o humano de forma supérflua, ao contrário, ele é profundo, corajoso. Shakespeare está lá, onde poucos ousam penetrar. No pensar!!!
Sobre o palco, sete criaturas, sete dons, sete vidas. Um número importante e significativo, regido por um Lear pantocrator. Ao seu redor: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. Esses são os sete corpos celestes, vistos a olho nu pelo homem. Os sete corpos que Lear rege, enxerga de seu trono. Respectivamente esses signos celestes representam a essência de Edgar, os instintos de Cordélia, a energia objetiva de Edmundo, a comunicação do Bobo, a expansão ambiciosa de Regana, a paixão de Goneril, e a responsabilidade de Gloster. Lear tem a percepção do Bem e do Mal, mas se equivoca com a postura dos que o servem. Por isso decide sair desse mundo, decide ficar na tempestade, percebe que o mundo não é mais um bom lugar para viver.
Douglas Maldaner vem mostrando um belo crescimento e desenvolvimento em seu trabalho de ator, mas pode falar mais alto, não baixar seus volumes ao final de cenas. Qual será a postura, ou a energia de um cavalo quando se sente ecoado, como Edgar? Eu enquanto admiradora do Máschara a muitos anos, torço que esse jovem um dia se torne um dos Anciãos, ensinando o que aprendeu, às próximas gerações.
Dos bufos, com seus corpos deformados ou "excêntricos", expondo as deformidades da alma humana, destacam-se Carol Guma e Ana Costa. Essa ultima com uma criação sofisticada e delicada, quando perfiladas, as três filhas de Lear nos dão o colorido exato, da colcha de retalhos que a direção do espetáculo pintou.
O bobo e Tom, interagiram de forma quase poética com Lear, formando belíssimas figuras plásticas pelo palco. Uma pena o cajado do ancião ter rolado pelo precipício em frente ao palco, muito embora, cair do palco dê à cena o clima exato de finitude de poder. A iluminação de Ana Clara Kraemer coroou o palco, enquanto a maldade de Edmundo foi muito bem interpretada por Renato Casagrande.
Rei Lixo vem crescendo, e seu elenco aprece descobrir a cada nova inserção do espetáculo, novos olhares sobre o teatro do bardo. Acredito que Douglas Maldaner ainda possa descobrir novas formas de apresentar a cena de encontro entre pai e filho, lembrando sempre que se trata do protagonista do espetáculo.
Uma das principais características do Máschara e percebo isso ano a ano, é a forma como ele constrói artistas, e isso se dá de uma forma muito simples e até prática. A direção do Grupo, formada por uma equipe de diretores-anciãos, presentes ou distantes, coloca jovens iniciantes (membros externos) entre elencos de peso, com preparação intensa ou anos de carreira, e de uma forma quase orgânica, esses atores vão absorvendo meio que sem perceber, as capacidades do todo. Assim, Ana Costa e Junior Lemes, por exemplo, não deixam nada a desejar para uma narrativa que reflete unidade e equilíbrio de atuações. Claro que o tempo de teatro pesa, claro que possivelmente as capacidades já estejam intrínsecas, e o Máschara apenas as desperta. Assim sendo, o Duque primata e a Princesa Galinácea, preenchem o palco como atores de alto escalão. Merecendo a meu ver destaques no festival.
A cena final do espetáculo toca pela pompa e circunstancia, tão típicas do jeito de fazer teatro do Máschara. Um obra única, que deve ser revisitada sempre, como uma aula de pronuncia de Shakespeare.
Rei Lixo- Festival Rosário em Cena
Direção e texto- Kléber Lorenzoni
Elenco:
Kléber Lorenzoni,
Renato Casagrande
Douglas Maldaner (*)
Antonia Serquevitio (**)
Junior Lemes (***)
Ana Costa (***)
Kleberson Ben (*)
Carol Guma (**)
Contra Regragem
Ana Kraemer (**)
Roberta Teixeira (**)
DidY Flores (**)
Arte é Vida
terça-feira, 4 de novembro de 2025
Premiações de Melhor Atriz Coadjuvante
2025
Raquel Arigony - Maria de Bethania - Melhores do Ano - 4º Troféu
Leonir Batista - (Tia em A Hora da Estrela) - Festival De Teatro Estudantil de Paim Filho - Iª Indicação
Eliani Aléssio - (Glória em A Hora da Estrela) - Festival de Teatro Estudantil de Paim Filho - Iº Troféu
2018
Clara Devi -Carolina em Lendas - Melhores do Ano - 1ª Indicação
Alessandra Souza - Serafina em Lendas- melhores do Ano - IIº Troféu
Raquel Arigony - Isabel em Auto de Natal - Melhores do Ano - 3ª Indicação
2017
Raquel Arigony - Maluc em A roupa Nova do Rei- Melhores do Ano - 2º Troféu
2016
Raquel Arigony - Velha Cega em Complexo - Melhores do Ano 1º Troféu
Dulce Jorge por Eunice Cintra em Olhai -2º Cena Viva - 8º Troféu
Fernanda Peres por Irmã Isolda em Olhai - 2º Cena Viva -1ª Indicação
2012
-1rgarida em O Santo e a Porca -Art in vento - 2ª Indicação
2009
Dulce Jorge por D. Quitéria em O Incidente 11º DOMPA 10º Indicação
Alessandra Souza por Rita em O Incidente 11º DOMPA 1º Troféu
2008
Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos 1º FETTEN 7º Troféu
Tatiana Quadros por Fada Mascarada em Lili XVº ERECHIN 1º Troféu
Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos XVº ERECHIN 6º Troféu
Tatiana Quadros por Fada Mascarada em Lili 10º DOMPA 1ª Indicação
Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos 10º DOMPA 5º Troféu
2007
Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos 11º FERTAI 4º Troféu
Angélica Ertel por Glorinha em Esconderijos 11º FERTAI 1ª Indicação
2006
Kellem Padilha por Lili em Esconderijos do Tempo 5ºFESTSALTO 1ª Indicação
2003
Lauanda Varone por Criada em Bodas de Sangue Xº FERTAI 1ª Indicação
Dulce Jorge por Mãe em Bodas de Sangue Xº FERTAI 3º Troféu
2002
Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth XIIIº FETARGS Final 9ºTroféu
Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth XIIIº FETARGS 13º Indicação
Simone De Dordi por Lady Macduff em Macbeth 16º CANELA 8º Troféu
Simone De Dordi por Dorina em tartufo 2º FESTSALTO 7º Troféu
Marcele Franco por Mariana em Tartufo 2º FESTSALTO 7ª Indicação
Dulce Jorge por Elmira em tartufo 2º FESTSALTO 4º Indicação
Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth -9º FESTVALE 10ª Indicação
Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth -9º FERTAI 6º Troféu
2001
Marcele Franco por Mariana em Tartufo – XIIº FETARGS –final Caxias 2º Troféu
Dulce Jorge por Elmira em Tartufo – VIº Santiago em cena- 2º Troféu
Marcele Franco por Mariana em Tartufo – VIº Santiago em cena – 5ª Indicação
Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – XIIº FETARGS – semifinal -5º Troféu
Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – 8º FESTVALE – 4º Troféu
Marcele Franco por Mariana em Tartufo – 3º Uruguaiana – 4ª Indicação
Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – 3º Uruguaiana – 3º Troféu
Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – VIIIº FERTAI – 5ª Indicação
Marcele Franco por Mariana em Tartufo – VIIIº FERTAI – 1º Troféu
2000
Simone De Dordi por Tirésias em Antígona – XIº FETARGS- final – 4º Indicação
Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – XIª FETARGS- final – 3º Troféu
Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – 1º FESTSALTO - 2º Troféu
Marcele Franco por Ismênia em Antígona – IVº Santiago em Cena- 2º Indicação
Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – 2º Uruguaiana – 3ª Indicação
Simone De Dordi por Tirésias em Antígona – 2º Uruguaiana – 2º Troféu
Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – 2º Rosário em cena- 2º Indicação
Simone De Dordi por Tirésias em Antígona – VIIºFERTAI – 1º Troféu
1999
Marcele Franco por Palhacinha em Carrocinha-1º Uruguaiana – 1ª Indicação
Ariane Pedrotti por Espanhola em Carrocinha – 1º Uruguaiana – 1ª Troféu
Simone De Dordi por Palhacinha em carrocinha – 3º Santiago em cena – 1º Indicação
1997
Dulce Jorge por Magnólia em Bulunga o rei azul- IVº FERTAI – 1º Troféu
1994
Dulce Jorge por Bárbara em Um Dia a casa cai – Iº FERTAI – 1º Indicação
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
1291- O Incidente (tomo 96)
Quem está ao nosso lado, na pior hora? Na hora do diabo...
Incidente em Antares é produto de uma época muito especifica, e foi adaptada para uma outra época. Extremamente atual, por tratar-se de um clássico, carrega consigo a efervescência de um povo que não muda, falando de coisas que não mudam. Nessa semana, no Rio de Janeiro, mais de cem pessoas morreram em confrontos entre polícia e grupos armados. Um ator indiano chamado Sachin Chandwade, de 25 anos, cometeu suicídio e morreu em 27 de outubro de 2025. A causa da morte foi enforcamento. Chandwade era conhecido por um papel coadjuvante na série de TV Jamtara 2. Não sabemos o que o levou ao enforcamento, qualquer semelhança a situação de Menandro Olinda, é pura especulação. A tuberculose segue presente entre nós, e continua sendo um grave problema de saúde pública em todo o mundo e no Brasil. É uma doença infecciosa e curável, mas ainda causa milhares de mortes anualmente. A TB está fortemente associada a fatores sociais como pobreza e vulnerabilidade, afetando desproporcionalmente populações como pessoas em situação de rua, privados de liberdade, indígenas e pessoas que vivem com HIV. Em 2024, o Brasil atingiu o maior número de feminicídios desde o início da tipificação do crime, em 2015. É o que aponta o novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ainda existem muito "Pudins", batendo em Natalinas. Ou seja, faltam dois dias para o Halloween, e o mal, segue presente, em várias esferas. Quando os sete mortos invadiram o Centro Cultural de Boa Vista do Incra, foi algo tipo Guerra Mundial Z que os alunos enxergaram, demorará muito para as fichas caírem, para as catarses acontecerem, mas elas estão ali, plantadas.









