segunda-feira, 6 de julho de 2026

Artigo III- Para atores e gente do ofício

ONDE ESTA A GANGRENA?

                     Ao conversar com alunos, enquanto promovo debates sobre teatro, me pego observando suas visões sobre o nosso ofício sagrado. Essa conversa é muito pulverizada as vezes, a partir do momento que endossamos a ideia equivoca de que no teatro tudo vale, ou ainda, de que o teatro não tem um objetivo especifico com a cena, ou seja, que você pode colocar o que quiser sobre o palco e o público que pense o que bem entender. Talvez, também, porque nos últimos tempos, as pessoas tenham passado a acreditar que palco é lugar para conforto. Para afago. Para finais felizes. Como se o único dever do artista fosse fazer o público sair sorrindo.

                     Eu discordo profundamente disso!

                     Nelson Rodrigues dizia que: As boas ações cabem a um jardim de infância. O teatro, é o lugar da GANGRENA.

                       Sempre achei essa imagem extraordinária.

                    Gangrena é aquilo que apodrece escondido sob a pele. É a ferida que ninguém quer mostrar. É o cheiro que denuncia que existe algo profundamente errado. E talvez seja exatamente essa a função do teatro: retirar as bandagens da sociedade e obrigá-la a olhar para aquilo que insiste em esconder. Não me entendam mal, eu não tenho definitivamente nada contra o teatro musical. Muito menos contra os filmes da Disney. Eles cumprem uma função importante: alimentar sonhos, encantar crianças, emocionar famílias. Há muita beleza nisso. Sem falar que essa beleza que encanta, desperta o fascínio pelo faz de conta e pela arte de interpretar.

                      Mas isso, sozinho, não basta ao teatro, porquê, quando o palco existe apenas para confirmar que o mundo é bonito, ele deixa de ser palco e passa a ser vitrine.

                       O verdadeiro teatro precisa incomodar. Fazer perguntas para as quais alguns não se sentem prontos para responder. Ele coloca o assassino diante da mãe da vítima. Coloca o corrupto diante do espelho. Coloca o santo ao lado do canalha e, às vezes, nos obriga a descobrir que ambos habitam a mesma pessoa.

                       O teatro não foi inventado para massagear consciências. Foi inventado para desarrumá-las. Não nasceu para preencher nossa necessidade de aplausos.

                      Existe, claro, espaço para espetáculos delicados, doces, poéticos, mas ainda assim, eles estão a serviço de: através da poesia, questionar algo! Eu mesmo acredito profundamente no teatro feito com crianças. Acredito no teatro realizado com idosos. Nos dois casos, muitas vezes, a delicadeza é necessária, sem falar que acolhimento também é arte. Descobrir a própria voz, e todos temos uma, já é por si só, revolucionário, vanguardista muitas vezes.

                       Mas, quando falamos da essência do teatro, precisamos ir além do bonito. Porque o bonito passa e a pergunta permanece.

                       Se o público sair do espetáculo, exatamente igual ao que entrou, talvez tenha assistido a um bom entretenimento, mas dificilmente viveu teatro.

                       O teatro é o lugar onde as certezas adoecem. Onde os preconceitos são interrogados. Onde a moral perde a maquiagem. Onde a sociedade é obrigada a contemplar suas próprias gangrenas.

                       E, meus senhores e senhoras, é exatamente por isso que o teatro nunca será unanimidade. E nesse caso, ainda bem! Se todos amassem o teatro, e tudo fosse flores e aplausos, talvez nossos objetivos fossem outros e nossos desafios nos desmotivassem.

                         Pensemos bem: enquanto houver alguém disposto a subir ao palco para dizer aquilo que ninguém deseja ouvir, haverá teatro. O resto pode sim ser belo, mas não esqueçamos que sozinha, a beleza jamais foi suficiente para transformar o mundo.


Paulo Amaral e Maico Giovani Mazoy Carricio


 

Oficina teatro COARTE - Claudia Arnould


 

Alunos interagindo em oficina (Margarida Pardelhas)


 

Confraternização com alunos no Palacinho do Máschara


 

Alunos da escola Margarida Pardelhas visitam o Palacinho do Máschara


 

terça-feira, 30 de junho de 2026

ARTIGO II - Para atores e gente do Ofício

 

MANIFESTO DO SISTEMA MÁSCHARA


                         Durante uma reunião dos professores do Dia D, enquanto analisava o olhar que cada um tem sobre o teatro do Máschara, me dei conta de que precisava trazer para o papel algo que há muito tempo habita meus pensamentos. Precisava escrever sobre o sistema. O sistema Máschara de teatro.

                         Não um método fechado. Não uma fórmula pronta. Não uma receita capaz de transformar qualquer pessoa em ator. Pelo contrário. Talvez a primeira característica do nosso sistema seja justamente compreender que cada ser humano é único. No Máschara, cada um é um. Todo ator não fará todos os papéis. Existe um  papel que se conecta contigo!  Esse olhar pode parecer simples, mas ela sustenta boa parte do que fazemos. Há um respeito profundo pela individualidade criativa de cada aluno, de cada ator, de cada pessoa que cruza o caminho do grupo. Não buscamos fabricar artistas em série. Não queremos que todos pensem igual, interpretem igual ou criem igual. Queremos que descubram sua própria voz.

                          Afinal, o teatro não nasce da repetição. O teatro nasce do encontro entre diferentes formas de enxergar o mundo. Talvez por isso nosso trabalho vá muito além dos espetáculos. Quem entra no Máschara precisa compreender que faz mais do que teatro. Faz um trabalho social. Quando um ator visita uma escola, quando participa de uma atividade em um bairro, quando sobe ao palco de uma comunidade distante, quando conversa com uma criança que nunca havia assistido a uma peça ou com um idoso que carrega décadas de histórias para contar, ele não está apenas representando. Está construindo pontes. Está ajudando a transformar vidas. E, inevitavelmente, também está transformando a própria.

                             O sistema Máschara acredita na arte como ferramenta de crescimento humano. Por isso buscamos constantemente a técnica e o conhecimento. Estudamos. Pesquisamos. Experimentamos. Erramos. Recomeçamos. Aprendemos com os livros, com os mestres, com os colegas e, principalmente, com o palco.

                           Não vamos esquecer, queridos palacianos, que talento sem estudo, se acomoda. Não importa quantos livros tenhamos lido, a partir do momento que paramos de estudar, enferrujamos. E além disso, cabe a premissa de que técnica sem humanidade perde o sentido.

                           Mas há, ainda, um outro valor que sustenta o nosso sistema: o respeito. Respeito por aqueles que vieram antes de nós. Nenhum ator sobe sozinho ao palco. Atrás de cada espetáculo existem gerações de artistas que abriram caminhos, enfrentaram preconceitos, carregaram cenários, escreveram textos, construíram grupos e defenderam a cultura quando isso parecia impossível. Somos herdeiros dessas pessoas, Helquer Paez, Dulce Jorge, Cesar Dors, GIane Ries, Seu Jorge... Mais tarde, aprendemos e vimos artistas como Alexandre Dill, Simone De Dordi, Angelica Ertel ou Gabriel Wink, criando, produzindo... Temos a responsabilidade de honrar esse legado, que não ficará em museus, que não estará em livros, ele se perderá... Ou ficará vivo, em nós.  Visualizar tudo isso, refletir sobre, nos torna seres pensantes.

                             Mas o teatro não nos dá respostas prontas, ele nos ensina a fazer perguntas. A observar. A refletir. A compreender que o mundo é maior do que nossas certezas. O teatro nos ensina a olhar para o outro. E é justamente esse olhar que conecta tudo aquilo que fazemos. As aulas com idosos. As aulas com crianças. Os espetáculos. Os festivais. As oficinas. As turmas que acompanho em Alegrete. Os ensaios no Palacinho. À primeira vista, tudo isso pode parecer atividades diferentes. Mas não são. Tudo faz parte de um grande projeto de vida. Um grande projeto de cultura. Um grande projeto de gente.  

                             Porque o sistema Máschara não foi construído apenas para formar atores. Foi construído para formar cidadãos sensíveis, criativos, conscientes e comprometidos com a comunidade onde vivem. No fim das contas, é isso que nos move. Estamos a serviço das gentes. Porque o teatro só faz sentido quando encontra alguém. E talvez o verdadeiro sistema Máschara seja exatamente isso: colocar a arte a serviço da vida.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Equipe de comunicação Prefeitura de Cruz Alta - em cena Cléber Lorenzoni como Seu João


 

Artigo I - Para atores e gente do oficio

 

Texto para ser lido sob bambolinas

                         Enquanto caminho em direção ao Palacinho para mais um ensaio, vou tentando construir uma boa cena dentro da cabeça. Às vezes ela já nasce quase pronta. Outras vezes vem aos pedaços, como quem não quer se revelar de uma vez. Nesse trajeto, porém, me divirto me colocando no lugar dos atores. Eu sou ator antes de ser diretor, essa é minha natureza e um ator carrega dentro de si dezenas de vidas, centenas de emoções e uma capacidade extraordinária de emprestar o próprio corpo para que, alguém que não existe possa existir diante do público. Mas também sei que, muitas vezes, eles não sabem por onde começar.  O teatro, as vezes parece grande demais para caber numa definição simples.

                       Volta e meia me pergunto o que é, afinal de contas, o teatro. E quanto mais penso, menos consigo reduzi-lo a uma técnica, a uma arte ou a um espetáculo. Para mim, teatro é comunicação. É o encontro mais antigo e mais sincero entre alguém que tem algo a dizer e alguém disposto a ouvir, por isso acredito que o teatro precisa ser atraente. Não no sentido superficial de apenas divertir, mas no sentido de capturar a atenção das pessoas para então provocar reflexão, despertar sentimentos, informar, transformar ou até mesmo incomodar. Um espetáculo pode arrancar gargalhadas e ainda assim fazer pensar. Pode emocionar e, ao mesmo tempo, ensinar. Pode entreter e transformar uma comunidade inteira.

                     O público não se senta diante de um palco para assistir a um exercício de vaidade. Ele vai em busca de uma experiência. E cabe a nós oferecer algo que dialogue com a sua realidade, com seus sonhos, seus medos e suas perguntas. É PRECISO SE COLOCAR NO LUGAR DAS PLATEIA “O QUE VOCÊ TEM A DIZER É MUITO IMPORTANTE PARA ELA”.  Talvez por isso o primeiro trabalho que costumo indicar aos meus atores não seja decorar o texto. Claro que decorar é importante. O texto é a estrada. Mas não é a viagem. O primeiro exercício é ouvir. Ouvir de verdade.

                      Escutar o parceiro de cena. Escutar as pausas. Escutar os silêncios. Escutar até aquilo que não foi dito. Porque quando um ator está realmente ouvindo, ele deixa de apenas repetir palavras decoradas e passa a reagir ao que acontece naquele instante. A cena fica viva.

                       E a resposta surge quase como um mecanismo de defesa. Alguém lança algo no palco e o personagem responde. Não porque chegou a sua vez de falar, mas porque algo o atingiu. E quando isso acontece, o público percebe. Talvez não saiba explicar, mas percebe. Existe uma enorme diferença entre dizer uma fala e responder uma fala.  Dizer é reproduzir. Responder é viver.

                      É por isso que sempre insisto que as personagens não são construídas apenas pelos seus discursos. Elas nascem da troca. Das réplicas. Das reações. Do que recebem e do que devolvem. Um personagem é aquilo que fala, mas principalmente aquilo que escuta. Quando dois atores realmente se ouvem, o texto ganha respiração. As palavras deixam de ser um monumento imóvel e passam a ser uma conversa. E o teatro, que às vezes corre o risco de virar mera repetição, volta a ser aquilo que nasceu para ser: UMA CERIMÔNIA!

                   Talvez seja por isso que sigo pensando em teatro enquanto caminho para os ensaios. Porque cada cena ainda é uma pergunta sem resposta definitiva. E porque acredito que o palco continua sendo um dos poucos lugares onde seres humanos podem se reunir para ouvir e serem ouvidos.

                   No fim das contas, talvez o teatro seja exatamente isso: uma conversa que nunca termina. Agora eu, diretor, te pergunto, você ouve o outro em cena?

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Texto Paixão de Cristo, por Kléber Lorenzoni-2018

 

Paixão de Cristo – ANO –II

 

Cena 1

 José de Arimatéia, Anaz, Matheus, Mulher Adultera, Madalena, Kaifaz, figurantes

José de Arimateia- Voz ouvistes falar de um homem que anda pelas ruas como salvador do mundo, que prega contra a injustiça!

Anaz- Jesus de Nazaré, Um homem que se levanta contra as leis, grandes multidões o ceguem, um farsante...

Kaifaz-Ele invadiu o templo, expulsou quem lá dentro comercializava honestamente, derrubando bancas e agredindo gente do bem! É um agitador.

José de Arimateia- Mas a  verdade é que expulsou os vendilhões! Curou o cego, beijou o leproso, não é verdade Kaifaz?

Anaz-Ele é inimigo do templo! Insufla o povo contra nós!

Projeto de Teatro - NUMAC


 

Corpo volátil -


 

O Teatro não tem idade


 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Sinopse Laços Imortais


 

Clara Devi em momento cênico para visitantes do Palacinho


 

Texto técnico- O terceiro teatro

 AULA VIII – O Terceiro Teatro

 

                 Ao mergulharmos na caminhada do teatro, precisamos compreender de onde viemos e para onde vamos em nossa caminhada. Nossa história é a história de milhares de outros homens e mulheres pelo mundo todo. O Teatro de grupo é a base do teatro em cidades pequenas, em vilarejos, em escolas e em tantos outros espaços onde nasce a necessidade de transformar.

 

               O encenador italiano Eugenio Barba classifica o teatro ocidental em três vertentes com base em suas estruturas, produções e propósitos: o Primeiro Teatro (institucional e comercial), o Segundo Teatro (vanguarda e experimental) e o Terceiro Teatro (grupos independentes que operam à margem do sistema).

 

· Primeiro Teatro (Teatro Oficial/Institucional): É o teatro tradicional, subvencionado pelo Estado, altamente comercial ou focado na indústria do entretenimento. Depende de grandes orçamentos, diretores famosos e segue normas rígidas focadas no texto.

·  Segundo Teatro (Teatro de Vanguarda): Focado na experimentação radical e na quebra de paradigmas. Busca a inovação constante e a superação da tradição, mas costuma depender de apoio acadêmico, elitista ou de espaços subsidiados para sobreviver.

·  Terceiro Teatro (Teatro de Grupo/Independente): O conceito cunhado por Barba em 1976. São grupos independentes à margem tanto do sistema comercial quanto das vanguardas. Sobrevivem graças à ética, à disciplina (treinamento) e à relação direta com a comunidade, sendo o próprio Odin Teatret o maior exemplo dessa prática.

                  A história do teatro contemporâneo é repleta de laboratórios e de comunidades teatrais (como lhes chamava Cruciani), espécies de mosteiros modernos e laicos que ganham sentido e força exatamente por desenvolverem regras próprias.  A comunidade dos Copiaus, na França,  a do Reduta, fundada nos mesmos anos por Julius Osterwa e Mieczyslaw Limanowski e que percorreu todo o país, até os seus cantos mais remotos, entre 1924 e 1939, chegando até onde o teatro nunca tinha chegado antes ou tinha desaparecido há séculos. Os Estúdios criados por Stanislávski (principalmente o Primeiro Estúdio, iniciado em 1912 e marcado pela personalidade extraordinária de Sulerjítski e por suas profundas exigências éticas). O Teatro Laboratorium de Grotowski a viajante comunidade anárquica do Living Theatre; o Théâtre du Soleil de Ariane Mnouchkine  e o CICT de Peter Brook. O Bread Puppet de Robert Schumann, que se auto-exilou em Vermont depois das batalhas nova-iorquinas. O Teatro Campesino de Luís Valdez, nascido dentro das lutas sindicais dos trabalhadores temporários mexicanos da West Coast; a San Francisco Mime Troupe de Ronnie Davis, com o seu“ teatro de guerrilha”. E também, e principalmente, o Odin Teatret fundado por Eugenio Barba em 1964 na Noruega. Ou seja, grandes grupos e companhias espalhados pelo mundo, produzindo linguagens, pesquisa e impulsionando sempre o homem a não desistir das artes cênicas

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Diretoras e equipe Dia D no Palacinho do Máschara


 

A "bonecra" do circo


 

Alunos da escola Dr. Catharino de Azambuja visitam o palacinho do Máschara


 

Ensaio Geral Paixão de Cristo-Alegrete


 

Grupo Máschara chegando no Baita Chão


 

Atores do Máschara em cena na COARTE


 

Renato Casagrande e Junior Lemes, os clowns do Grande Circo Mágico


 

A atriz Giovana Lopes em O Grande Circo Mágico


 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

A política do Status

 DISSECANDO O STATUS


                Keith Johnstone criou os princípios hierárquicos baseado em energias de cena, em meados do século passado. Para ele o conceito de status não é estático. É um jogo físico e verbal de dominação ou submissão momentânea que os atores usam para definir a relação entre os personagens. 

  • Status Alto: Personagens que ocupam mais espaço, falam de forma lenta e firme, mantêm contato visual constante e não pedem desculpas ao se mover. 
  • Status Baixo: Postura contraída, olhar fugidio, gestos rápidos e tendência a ocupar menos espaço no ambiente.
  • A Técnica: A mudança de status em cena (um personagem de "status baixo" que assume o controle e eleva seu status) gera tensão dramática e engaja o público.                                                                                                                                                                                                                      O trabalho de grupo, principalmente em cidades do interior, começa quase sempre, por uma oficina, ou a partir de um convite, que quase sempre é direcionado a alguém que nunca fez teatro. Os jovens artistas, em processo ainda embrionário, também não costumam ter, salvas algumas exceções, preparo técnico ou teórico para se dizerem artistas. Não digo "prontos", mas ainda assim, artistas com respaldo pelo menos para fazer parte da base. Foi dentro do propósito de preparar ou mesmo listar as potencialidades de cada artista, lançado luz sobre sua caminhada, até, para que os artistas possam pensar em sua própria produtividade.                         Quando um jovem iniciante chega ao Máschara, ele tem acesso ao conhecimento, através das aulas da ESMATE ou ao projeto NUMAMC. Caso não faça aula, deverá demostrar de outras formas sua disponibilidade para o palco. Como não há qualquer formar de fazer esse catálogo sem ser através de muita observação, criou-se o sistema Lorenzoni. O Sistema abrange um conjunto de observações, dinâmicas e teses, que surgiram no decorrer de mais de vinte anos de historia. Esse sistema organiza uma verdadeira caminhada dentro do Máschara. Onde cada Status equivale a um semestre de um curso superior, ou ainda, um curso dividido em etapas.                                                                                          A primeira etapa da caminhada, o primeiro Status, chamado de "Status V", é o espaço designado aos iniciantes, que tem interesse em fazer uma caminhada nos palcos. Atores nesse Status devem ser atentos e curiosos. Perguntar sobre tudo o tempo todo, no intuito de aprender e crescer. Sorver conhecimento junto aos atores que já trilharam determinadas caminhadas. O artista nesse status deve ser estimulado ao máximo, com funções relacionadas ao ofício, assim o quanto antes compreenderão as batalhas que serão enfrentadas, caso opte por uma vida profissional na área.  O Status V relaciona-se com a base do todo. A base da pirâmide! Nela se baseia o começo do trabalho corporal, os princípios vocais, a compreensão das emoções e finalmente o trabalho de equipe. Sem essas bases bem estabelecidas, ou o ator não chega a um bom produto lá adiante na caminhada, ou ele compreende erroneamente sua história no teatro.                                                                                     Quando os artistas mais maduros da Cia. julgam que o jovem ou a jovem estão prontos para subir de status, o mesmo é convidado a subir um degrau. Nessa nova etapa, os objetivos são diretamente ligados a assumir maiores responsabilidades, aprendendo sobre questões técnicas da "mise em scene". O ator em status quatro já pode receber alguns papéis coadjuvantes de maior exigência. Já aprendera sobre responsabilidades, e entende o que é ser um palaciano. Palacianos são indivíduos que fazem parte do circulo de apoio ao Máschara. Um espaço que é de todos e que precisa ser mantido pela equipe como sede a ser protegida e mantida. Agora é um Ponto de Cultura, um espaço na cidade, reconhecido pelo governo, como espaço para desenvolver e proteger a cultura. O Status IV é o melhor momento para o individuo buscar conhecer todos os projetos do Grupo, e como desenvolver capacidades para estar a altura de auxiliar em cada um deles. O maior erra do membro em Status IV é achar que deve saber tudo, Não se trata disso, mas estar aberto apra onde for chamado.                                                                                                                               Quando você é convidado a ingressar ao Status III, é porque certamente você já está se tornando um jovem líder. Você já recebe responsabilidades em que o Grupo todo se inspira. Você passa a ser coordenador de departamentos dentro do Grupo. O ator, ou a atriz em Status III, não pode esmorecer, se sentir despreparado. Ao contrário, tem que ter coragem em trilhar sua caminhada. Já não é mais um amante do teatro apenas, é um profissional em meio a uma carreira, com seus prós e contras. Respeitar quem tem uma carreira  tão difícil como a de artista, merece toda a consideração, e você já aprendeu isso. O Status III é exatamente a meio da caminhada. O artista já passou da fase de iniciação. Já domina seu corpo, (se não domina deve correr atrás), já tem compreensão das potências de sua corda vocal, já conhece a grandiosa historia do teatro. Em sua cabeça devem pairar Shakespeare, Stanislvski, Artaud, Molière, os pais Gregos, e outros tantos nomes que fizeram essa história. O Status III é momento de compreender o sistema Palaciano. Batalhar para tornar-se melhor a cada dia. Transcender com personagens. Som, luz, figurino, cenário, texto, tudo agora é parte de um todo, inseparável, imutável e estético.                                                                           No Status II, você está se formando, está praticamente fazendo um estágio, sobre ser um grande ator ou atriz. O Palco agora é espaço de discussão, mas ele se derrama por todos os espaços. O Teatro agora já é forma de ver o mundo. Você já aprendeu que através dele, pode sim mudar as entruncadas  linhas da vida. Atores e atrizes em Status II precisam sentir esse chamado no coração, essa doação. Amar o Palacinho, cuidar dos mais jovens. Ser professor já não é opção, é regra, pois você quer passar adiante o conhecimento adquirido. Muitos passam a frequentar o teatro por que buscam conhecimento, descobertas, auto aceitação, ou por que gostam de contar historias, mas quando se chega ao status II, é por que você decidiu que parte da sua vida será o teatro. Artistas em Status II, dominam todos os temas e assuntos. Conhecem praticamente todas as linguagens e estão aptos a falar delas com clareza. Corpo e mente em perfeita conexão, sempre buscando, somando. Ser um grande artista está diretamente conectado a ideia de ser tolerante, zeloso e ter compaixão pelo outro, pois lidamos com a sensibilidade.                                                                                          O Status I não é o fim de uma caminhada, a conclusão de uma grande etapa de aprendizagem. Sobre si mesmo e sobre os outros. O Ator ou a atriz que chegam nessa etapa, venceram todos os obstáculos para se dizerem atores. Aqui você é parte do todo, pode representar, dirigir aulas de teatro, dirigir espetáculos e sobre tudo, guiar toda a equipe. Sem egoísmo, sem rompantes de orgulho, pois você conquistou a percepção que o teatro é agregador. O ator Status I não cansa, ele está sempre disposto. Não é o dinheiro que o move, mas os alicerces da instituição. Ser Status I não é sobre saber tudo, é sobre estar aberto a tudo. Desse lugar brotam as regras, caminhos, ensinamentos que mantem um grande patrimônio vivo!
  • terça-feira, 26 de maio de 2026

    Felipe Brandão - Prometheu do Máschara


     

    Preparação corporal COARTE


     

    Conselho COARTE


     

    Leitura dramática e debates - tema García Lorca


     

    Atrizes da Coarte - Andriele e Fabiana


     

    Reunião Dia D


     

    Visitantes de Uma Noite no Museu


     

    Artistas da COARTE


     

    Partituras e compreensão orgânica


     

    Tarde de construção cênica com a COARTE