terça-feira, 3 de novembro de 2026

Cortem-lhe a cabeça- Giovana Lopes em O Pequeno Príncipe


 

Ana Clara Kraemer, a raposa de O Pequeno Príncipe


 

O Pequeno Príncipe- Prólogo


 

Texto o Pequeno Príncipe, criado em sala de aula pelos alunos da ESMATE

 

PEQUENO PRÍNCIPE – ESMATE

(PRÓLOGO)

Ana Clara- Pessoal da produção, acendam a luz de serviço , por favor. NÃO A DO PÚBLICO, A DE SERVIÇO, SEU IMBECIL!

Ana Costa- Ai amiga, eu adoro chegar cedo para passar o meu texto

Valentina- É mesmo. Você tem pancake?

Ana Costa- Vamos no meu camarim ver

Valentina- Vamos! Me dá licença!

Alex- Que gente mal educada, eu hein. (Susto) MEU DEUS, O QUE É ISSO?! NINGUÉM ME RESPEITA

Michely-  Me dá o pino, por favor!

(Coreografia Sucesso, Aqui Vou Eu)

Klebér- O QUE É QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI!?

Lembranças do Festival Rosário em Cena


 

Texto teatral para Educação Fiscal

 

EMILIA EM: EDUCAÇÃO FISCAL

 

Tia Nastácia: Bom dia, que bom que vocês chegaram, com vocês aí eu já não fico tão sozinha. Eu já estava a começar a preparar o desjejum dos moradores do sítio. Dona Benta adora comer cuscuz, Pedrinho gosta mesmo é de sanduíche de pão de forma e a Narizinho se perde no bolo de aipim, aliás, daqui a pouco eles aparecem por aqui. Nossa, esqueci que tenho que correr na vendinha para comprar os insumos para produzir tudo isso!!! A despensa está vazia!

Visconde de Sabugosa: Preciso me apressar, preciso concluir esses pensamentos, essas ideias...

Tia Nastácia: Senhor Visconde, o senhor fica aí no mundo desses estudos e pesquisas e esquece de cumprimentar as pessoas!!! Não seja deseducado!

Visconde de Sabugosa: Ora, ora, quantas amigas e amigos na sua cozinha hoje, tia Nastácia. Estou tão apressado que quase não os vi, desculpe, mergulhado nos livros, que amo, acabo por não prestar atenção em mais nada... aliás, preciso me apressar para ir à tabacaria, comprar alguns livros, o periódico é claro, além da carga de minha caneta tinteiro...

Tia Nastácia: Ora, deixe que aproveito que tenho a lista de compras da cozinha para buscar e trago também os itens que vosmecê precisa. 

Emília: Não, não, não, quem vai para a rua passear serei eu!

Tia Nastácia: Pit, ninguém aqui vai passear, sua boneca travessa! Eu vou no armazém e depois na tabacaria. 

Emília: Eu é quem irei, já vou indo, já estou lá, fui!!! 

Visconde de Sabugosa: Pit, está esquecendo nada, Dona Emília?

Emília: E o que seria seu sabugo sabido?

Tia Nastácia: Pit, modos, boneca travessa, você está esquecendo da lista de compras...

Emília: Ah...

Tia Nastácia: Com a lista você compra o necessário e não se deixa levar por pacotes bonitos ou vidros coloridos que são uma verdadeira tentação!!!!

Visconde de Sabugosa: E não esqueça de pedir o cupom fiscal!

Emília: Ara, você tá me ofendendo, seu cara de urubu de cabelo laranja!

Tia Nastácia: Pit, Pit, boneca, para que tratar um catedrático dessa forma?

Emília: Por que ele me ofendeu...

Visconde de Sabugosa: Ora, sua ingênua cabecinha de feltro, cupom fiscal é um comprovante de que você comprou algo, um documento muito importante!

Tia Nastácia: E quem não dá esse cupom está, na verdade, sonegando, o que é considerado crime...

Emília: Que feio!!!

Visconde de Sabugosa: Exigir o cupom fiscal é um direito de nós consumidores.

Emília: E para que é tão importante esse tal de cupom?

Tia Nastácia: Vosmecê não gosta de brincar no parquinho?

Visconde de Sabugosa: E a escola aqui do sítio? E a estrada que nos leva até a cidade, que é lisinha e chamamos de asfalto!!!

Emília: O que tem?

Visconde de Sabugosa: Tudo é pago com os impostos, que são uma parte do dinheiro das nossas compras. Quer dizer, quando não recebemos o cupom...

Emília: A notinha...

Visconde de Sabugosa: A notinha, o sonegador.

Tia Nastácia: Cruz credo, nem gosto de ouvir essa palavra!

Visconde: Não recolhe os impostos ao Estado e à Federação, assim esses impostos não podem se transformar em escola, creche, postinho de saúde...

Emília: Mas então, se eu pago a compra e uma parte do meu dinheiro vai para o governo, quer dizer que eu sou dona da escola, da creche e do asfalto?

Tia Nastácia: Pit, menininha, a dona é a Dona Benta, pois ela que deu o dinheiro para as compras.

(Emília emburra-se.)

Visconde de Sabugosa: Mas sim, menina, nós somos os donos de tudo e, se somos donos, temos que preservar o que é nosso!

Emília: Nem estragar, nem destruir o patrimônio de todos nós.

Tia Nastácia: E sempre pedir o cupom fiscal! Preferencialmente com o número do CPF.

Visconde de Sabugosa: Calma lá, minha velha amiga, essa já é outra história, mais complicada para a nossa boneca...

Tia Nastácia: Pit, pit.

Emília e Visconde: Mas o que é PIT afinal?

Tia Nastácia: Essa é fácil, é o Programa de Integração Tributária.

Visconde de Sabugosa: É isso mesmo, e a gente espera que todos esses amigos e amigas da Tia Nastácia divulguem em suas escolas a Educação Fiscal, pois quanto mais a gente trabalhar em equipe e ensinar todas as nossas bonequinhas e bonequinhos, a sua importância, maior vai ser a pontuação do nosso município e assim mais retorno financeiro em escolas, postinhos e asfaltos...

Todos: Da nossa Cruz Alta!!!!

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

1399-1400. Quintanares- O Menino Pássaro (tomos 10 e 11)

                     A primeira vez que assisti a uma peça de teatro eu tinha menos de quatorze anos. Foi em Cruz Alta, minha terra natal. A trama era sobre duas irmãs gêmeas separadas na infância, numa adaptação de Alexandre Dumas, escritor francês. A apresentação acontecia dentro de um circo, sob uma lona. E naquela espécie de mundo improvisado, cercado por gente e expectativa, alguma coisa aconteceu comigo. Eu me emocionei. Fiquei fascinada. Os atores, para aquela menina, não eram simplesmente pessoas representando personagens. Eram quase super-heróis. Gente capaz de fazer surgir outros mundos, de provocar sentimentos e de transformar uma lona num universo inteiro. O teatro, descobri sem saber que estava descobrindo, tinha esse poder de nos sequestrar da realidade sem precisar pedir autorização. 
                Anos depois, assistindo a Quintanares — O Menino Pássaro, da COARTE, de Alegrete, reencontrei um pouco daquela sensação. Não exatamente pela mesma razão, tampouco com os mesmos olhos — afinal, o tempo se encarrega de retirar de nós algumas ingenuidades e, em compensação, nos entrega o inconveniente privilégio de perceber o que antes passava despercebido. Mas havia ali um elenco colorido, figurinos assinados por Renato Casagrande e Tina Santos, energia espalhada pelo palco e atores que pareciam empenhados em resolver, a cada instante, os problemas do mundo. Ou, pelo menos, os problemas daquela cena. E isso tem seu valor. 
                    O espetáculo apresenta artistas dispostos, corpos em movimento, uma comunicação que vem crescendo e uma vontade legítima de fazer o teatro acontecer. Às vezes, porém, a energia parecia correr mais depressa que a própria encenação. Os atores atravessavam o palco, entravam e saíam, procuravam soluções, encontravam outras, perdiam algumas pelo caminho. Em determinados momentos, as cenas pareciam ligeiramente desconectadas, como se o pensamento de um personagem tivesse chegado antes do pensamento do outro. Provavelmente, mais ensaios poderiam ajudar a organizar esse trânsito de intenções. Porque energia sem direção é apenas movimento; no teatro, precisamos que esse movimento encontre sentido. Mariana Barreto ainda muito jovem, esmerou-se em cena. Há nela presença, coragem e uma disposição que merece atenção. Precisa de mais ensaios, de maior segurança e de tempo para amadurecer suas escolhas. Mas já aponta possibilidades interessantes. Se permanecer firme no ofício, estudando, experimentando e aceitando o trabalho que a formação exige, poderá se tornar uma grande intérprete. O palco não costuma premiar quem apenas deseja muito. Ele cobra de quem deseja a disposição de trabalhar ainda mais. Porque, convém lembrar, teatro é menos talento do que trabalho. Ou melhor: o talento pode abrir uma porta, mas não conhece sozinho o caminho que existe depois dela. Lorenzoni esteve em cena como Poesino. Na primeira inserção, pareceu-me perdido, um tanto confuso, como quem ainda procurava a chave da própria personagem. Na segunda, entretanto, encontrou o caminho e dominou a cena. E então fez do elenco gato e sapato com seus categóricos “Congela!”. Um comando, um gesto, uma interrupção, e lá estavam os demais obrigados a suspender o movimento, reorganizar a ação e esperar a próxima ordem. Há uma comicidade interessante nessa possibilidade de brincar com o tempo e com o comportamento dos outros personagens. Quando encontra precisão, esse recurso funciona; quando se repete sem a medida necessária, corre o risco de se transformar em mecanismo. A diferença, como quase tudo no teatro, está na execução. 
                          Antonia Serquevitio e Rosiane Moraes se esmeraram em pontuar o espetáculo com delicadeza e precisão. Antonia destacou-se pelo corpo, pela expressividade física, pela capacidade de construir presença para além da palavra. Entretanto, precisa conquistar maior domínio do microfone, para que a qualidade de sua atuação não seja prejudicada por uma questão técnica. Rosiane, por sua vez, criou novas possibilidades para a personagem, experimentando caminhos que demonstram iniciativa e desejo de composição. Sua cena de maior intensidade, contudo, merece uma revisão. Um momento de força não precisa ser necessariamente um momento de excesso. Às vezes, retirar um gesto, conter uma intenção ou deixar a pausa respirar produz muito mais do que insistir em demonstrar ao público tudo aquilo que a personagem está sentindo. Maico Carricio precisa cuidar da respiração durante a cena, especialmente para que a voz não pareça abafada ou presa. A respiração não é um detalhe burocrático do ator: é matéria de trabalho, sustentação da palavra, organização do pensamento e condição para que a voz alcance o outro com clareza. Lully Nicoli por sua vez, pode se permitir maior soltura. Há momentos em que a formalidade parece colocar uma pequena distância entre a intérprete e a personagem. É preciso experimentar, arriscar, deixar que a ação respire sem perder o rigor. Soltura não é desleixo; é liberdade construída com consciência. Renato Casagrande esteve no palco, com apetrechos sonorizadores, mas muito econômico! O microfone não faz milagres e tampouco perdoa tudo. Há uma questão técnica que merece atenção especial: o uso do microfone exige expertise. Não basta segurá-lo ou tê-lo preso ao corpo para que a palavra chegue ao público com qualidade. É preciso conhecer sua captação, controlar a distância, cuidar da projeção vocal, articular com clareza e, sobretudo, compreender que o equipamento também faz parte da composição cênica. Quando o ator movimenta a cabeça, muda de posição, vira o rosto ou altera a intensidade da voz sem considerar a captação, pode comprometer a compreensão do texto. E o problema se agrava quando o elenco fala cacos o tempo todo, inclusive quando não é sua vez de falar. O microfone capta o que deveria permanecer em segundo plano, mistura intenções, sobrepõe palavras e pode transformar uma cena organizada numa pequena assembleia sem pauta. O silêncio do ator que não está falando também é atuação. Ouvir, reagir e esperar o momento certo são exercícios tão importantes quanto dizer o texto. Microfone não substitui técnica vocal, assim como amplificação não substitui ensaio. 
                     A maquiagem merece um olhar particular. Transformada, diferente, limpa, de desenho clean, ela encontra uma linguagem que não precisa gritar para ser percebida. E essa economia é bem-vinda. A maquiagem teatral não precisa necessariamente cobrir o rosto de informações para produzir transformação. Às vezes, um traço bem colocado vale mais do que uma composição carregada. É uma solução visual que dialoga com o colorido do espetáculo e contribui para a construção de um universo próprio, sem disputar com o ator aquilo que deveria ajudá-lo a revelar. Os adereços (principalmente malas)também estão presentes, compondo esse universo de objetos e possibilidades. O desafio, daqui para a frente, é administrá-los com cada vez mais consciência: saber quando entram, por que entram e o que realmente acrescentam à cena. Um objeto em palco precisa justificar sua existência, principalmente em um espetáculo onde não há cenários. Vamos praticar bilboquê? Todo o elenco? Que tal? A pergunta pode parecer provocação, e talvez seja mesmo. Mas há uma razão para ela. O bilboquê, com sua simplicidade quase infantil, exige justamente aquilo que o palco não costuma negociar: presença, paciência, repetição e domínio do gesto. A bolinha não entra no lugar certo porque o jogador está entusiasmado. Ela entra quando o movimento encontra a medida. E, se não entra, tenta-se novamente. Sem culpar a iluminação, o figurino ou o colega que estava falando fora de hora. O mesmo vale para o trabalho de ator. A energia de um elenco jovem é uma riqueza, mas precisa encontrar organização. A espontaneidade é desejável, desde que não seja confundida com improvisação permanente. O corpo precisa saber o que faz; a voz precisa saber aonde vai; o personagem precisa ter razões para estar ali. E tudo isso se conquista com repetição, observação, escuta e trabalho coletivo. O que mais me interessa em Quintanares — O Menino Pássaro é perceber uma COARTE que busca caminhos, experimenta, arrisca e demonstra uma capacidade crescente de se comunicar com o público. Há um desejo de contar, de envolver, de construir uma relação com quem está do outro lado da cena. Isso não é pouco. Aliás, é justamente daí que o trabalho pode avançar: da vontade de comunicar para a consciência de como comunicar. Eu continuo acreditando no teatro, mas não podemos esquecer que ele vai muito mais longo do que o teatro no palco. É preciso merecer o palco! A COARTE tem matéria para trabalhar, artistas com possibilidades e uma disposição que merece continuidade. O próximo passo não é necessariamente fazer mais, correr mais ou falar mais alto. É aprofundar. Ensaiar até que o movimento deixe de parecer uma tentativa de resolver a cena e passe a ser a própria cena. Até que a palavra encontre o corpo, o corpo encontre o pensamento e o elenco aprenda que estar junto no palco é muito mais do que estar ao mesmo tempo no palco.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Turma NUMAC manhã - Formação


 

1397/1398- Quintanares - O menino pássaro (tomos 8 e 9)

 Mas que diacho de crítica é essa?

                    A crítica teatral costuma criar um clima desconfortável para muitas pessoas, mas ela tem uma função fundamental na construção, no amadurecimento e na preservação da arte. Não nasceu para agradar artistas, distribuir elogios ou alimentar vaidades de artistas que precisam receber sempre um elogio que certamente lhes fez falta na infância, mas para observar, analisar, interpretar e provocar reflexões sobre aquilo que acontece em cena. O crítico não é dono da verdade, assim como o artista não é dono absoluto da obra depois que ela encontra o público. O teatro é uma experiência viva, sujeita a diferentes leituras, sensibilidades e interpretações. A crítica participa desse diálogo, amplia a compreensão do espetáculo, aponta caminhos, identifica fragilidades, reconhece qualidades e contribui para que o fazer teatral não se acomode na repetição de fórmulas confortáveis.

              Alguns artistas, quando recebem elogios, reconhecem a legitimidade de quem escreve; quando são questionados, colocam em dúvida a competência, a intenção e até a honestidade de quem ousou analisar seu trabalho. É uma relação conveniente com a opinião alheia: a crítica é excelente quando confirma nossas certezas e se torna injusta quando expõe nossas fragilidades. Eu que sempre assisto aos trabalhos do Máschara e os analiso com muito carinho, fico muito triste quando percebo a arrogância revelando sua face mais evidente: na incapacidade de admitir que aquilo que fazemos com tanta dedicação, suor e entrega também pode apresentar falhas, escolhas equivocadas ou resultados que não alcançam o efeito pretendido.

                Em Bento Gonçalves, os artistas da COARTE apresentaram duas sessões de Quintanares, em um exemplo de união e construção mútua, unindo no palco, atores provenientes de dois grupos. Clara Devi, Junior Lemes, Renato Casagrande e Antonia Serquevitio, brilharam juntamente com Paulo Amaral, Lully Nicoli e  Andriele Dall Agnol. Casagrande tem uma facilidade de comunicação muito delicada com a plateia, o que acresce muito ao seu personagem. Nicoli e Amaral estiveram na primeira sessão, muito conectados e engraçados. Serquevitio propôs uma reflexão muito interessante que me fez pensar muito no local onde vive o espetáculo: Quintanares é uma peça infanto-juvenil, ou seja, os temas perpassam a infância, mas precisam se conectar com o olhar que o adolescente têm sobre a vida. Ir embora de casa é um assunto recorrente entre adolescentes, que estão em época de faculdade, de mudança de escolas ou partida do lar. Muitos adolescentes têm mães "Virginias", que não querem que os filhos saiam debaixo de seus cuidados, por isso mesmo a peça encontra muito eco entre os jovens. Até aconselharia Dona Virginia a questionar a plateia, indagando: -Vocês não acham que os filhos têm que ficar sempre com as mães? - Não para criar alvoroço, mas para fazer o adolescente pensar. Pois bem, Dona Criatividade, diz ter feito um verso de amor para Sonetina, e na segunda apresentação, para Virgulina, tudo muito sutil e muito dentro do atual universo dos adolescentes. Palmas para a equipe pela leveza com que coloca o tema. Um espetáculo teatral é recheado por diversos temas transversais, quanto mais temas transversais, mais de acordo com o mundo contemporâneo em que vivemos. 

                     A primeira inserção do espetáculo foi muito funcional, na segunda talvez o cansaço tenha aparecido um pouco, o que reforça a importância sempre do aquecimento vocal e físico antes de uma apresentação. Dall Agnol cresceu muito no espetáculo, e a dobradinha com Casagrande realçou ainda mais as relações entre cada dupla: Virginia/Mimi Coutinho, Poesino/Virgulina, Sonetina/Pontualdo. É necessário ensaiar mais a frase final. Ainda senti falta de mais ruídos sonoros e Clara Devi precisa de aplausos por adentrar a cena sem nenhum ensaio. Não apenas isso, mas conseguir manter ritmo, energia e élan, algo que sempre precisa de equalização com outros colegas, sem um encontro de "teste", é um grande prodígio. Devi conseguiu desvendar a piada embutida na cena da "dobradura". Outra coisa que devo elogiar é a possibilidade de crescimento e troca que a união de artistas de culturas diferentes propõe. 

                     Ainda no começo da tarde, uma professora anunciou não saber qual a cidade de origem de Quintana, só isso já sublinha a necessidade existencial do espetáculo. Quintana ao lado de Carlos Nejar e Heitor Saldanha, ocupam o panteão dos poetas Gaúchos, e devem estar agora ao lado das musas do Lirismo, Euterpe, Érato e Terpsícore. Foram estes poetas do sul, um do Alegrete, um de Cruz Alta e um de Porto Alegre, que definiram a sensibilidade poética gaúcha nessa era. Impossível vislumbrar uma feira de livros sem eles. 


O Melhor: O Som do violão que agora se tornou audível e deixou o espetáculo tão bonito quanto na estreia. 


O Pior: O uso de microfones que acaba prejudicando a sonoridade do espetáculo, por falta de prática do elenco e por falta de um sonorizador preparado.