terça-feira, 9 de junho de 2026

Sinopse Laços Imortais


 

Clara Devi em momento cênico para visitantes do Palacinho


 

Texto técnico- O terceiro teatro

 AULA VIII – O Terceiro Teatro

 

                 Ao mergulharmos na caminhada do teatro, precisamos compreender de onde viemos e para onde vamos em nossa caminhada. Nossa história é a história de milhares de outros homens e mulheres pelo mundo todo. O Teatro de grupo é a base do teatro em cidades pequenas, em vilarejos, em escolas e em tantos outros espaços onde nasce a necessidade de transformar.

 

               O encenador italiano Eugenio Barba classifica o teatro ocidental em três vertentes com base em suas estruturas, produções e propósitos: o Primeiro Teatro (institucional e comercial), o Segundo Teatro (vanguarda e experimental) e o Terceiro Teatro (grupos independentes que operam à margem do sistema).

 

· Primeiro Teatro (Teatro Oficial/Institucional): É o teatro tradicional, subvencionado pelo Estado, altamente comercial ou focado na indústria do entretenimento. Depende de grandes orçamentos, diretores famosos e segue normas rígidas focadas no texto.

·  Segundo Teatro (Teatro de Vanguarda): Focado na experimentação radical e na quebra de paradigmas. Busca a inovação constante e a superação da tradição, mas costuma depender de apoio acadêmico, elitista ou de espaços subsidiados para sobreviver.

·  Terceiro Teatro (Teatro de Grupo/Independente): O conceito cunhado por Barba em 1976. São grupos independentes à margem tanto do sistema comercial quanto das vanguardas. Sobrevivem graças à ética, à disciplina (treinamento) e à relação direta com a comunidade, sendo o próprio Odin Teatret o maior exemplo dessa prática.

                  A história do teatro contemporâneo é repleta de laboratórios e de comunidades teatrais (como lhes chamava Cruciani), espécies de mosteiros modernos e laicos que ganham sentido e força exatamente por desenvolverem regras próprias.  A comunidade dos Copiaus, na França,  a do Reduta, fundada nos mesmos anos por Julius Osterwa e Mieczyslaw Limanowski e que percorreu todo o país, até os seus cantos mais remotos, entre 1924 e 1939, chegando até onde o teatro nunca tinha chegado antes ou tinha desaparecido há séculos. Os Estúdios criados por Stanislávski (principalmente o Primeiro Estúdio, iniciado em 1912 e marcado pela personalidade extraordinária de Sulerjítski e por suas profundas exigências éticas). O Teatro Laboratorium de Grotowski a viajante comunidade anárquica do Living Theatre; o Théâtre du Soleil de Ariane Mnouchkine  e o CICT de Peter Brook. O Bread Puppet de Robert Schumann, que se auto-exilou em Vermont depois das batalhas nova-iorquinas. O Teatro Campesino de Luís Valdez, nascido dentro das lutas sindicais dos trabalhadores temporários mexicanos da West Coast; a San Francisco Mime Troupe de Ronnie Davis, com o seu“ teatro de guerrilha”. E também, e principalmente, o Odin Teatret fundado por Eugenio Barba em 1964 na Noruega. Ou seja, grandes grupos e companhias espalhados pelo mundo, produzindo linguagens, pesquisa e impulsionando sempre o homem a não desistir das artes cênicas

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Diretoras e equipe Dia D no Palacinho do Máschara


 

A "bonecra" do circo


 

Alunos da escola Dr. Catharino de Azambuja visitam o palacinho do Máschara


 

Ensaio Geral Paixão de Cristo-Alegrete


 

Grupo Máschara chegando no Baita Chão


 

Atores do Máschara em cena na COARTE


 

Renato Casagrande e Junior Lemes, os clowns do Grande Circo Mágico


 

A atriz Giovana Lopes em O Grande Circo Mágico


 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

A política do Status

 DISSECANDO O STATUS


                Keith Johnstone criou os princípios hierárquicos baseado em energias de cena, em meados do século passado. Para ele o conceito de status não é estático. É um jogo físico e verbal de dominação ou submissão momentânea que os atores usam para definir a relação entre os personagens. 

  • Status Alto: Personagens que ocupam mais espaço, falam de forma lenta e firme, mantêm contato visual constante e não pedem desculpas ao se mover. 
  • Status Baixo: Postura contraída, olhar fugidio, gestos rápidos e tendência a ocupar menos espaço no ambiente.
  • A Técnica: A mudança de status em cena (um personagem de "status baixo" que assume o controle e eleva seu status) gera tensão dramática e engaja o público.                                                                                                                                                                                                                      O trabalho de grupo, principalmente em cidades do interior, começa quase sempre, por uma oficina, ou a partir de um convite, que quase sempre é direcionado a alguém que nunca fez teatro. Os jovens artistas, em processo ainda embrionário, também não costumam ter, salvas algumas exceções, preparo técnico ou teórico para se dizerem artistas. Não digo "prontos", mas ainda assim, artistas com respaldo pelo menos para fazer parte da base. Foi dentro do propósito de preparar ou mesmo listar as potencialidades de cada artista, lançado luz sobre sua caminhada, até, para que os artistas possam pensar em sua própria produtividade.                         Quando um jovem iniciante chega ao Máschara, ele tem acesso ao conhecimento, através das aulas da ESMATE ou ao projeto NUMAMC. Caso não faça aula, deverá demostrar de outras formas sua disponibilidade para o palco. Como não há qualquer formar de fazer esse catálogo sem ser através de muita observação, criou-se o sistema Lorenzoni. O Sistema abrange um conjunto de observações, dinâmicas e teses, que surgiram no decorrer de mais de vinte anos de historia. Esse sistema organiza uma verdadeira caminhada dentro do Máschara. Onde cada Status equivale a um semestre de um curso superior, ou ainda, um curso dividido em etapas.                                                                                          A primeira etapa da caminhada, o primeiro Status, chamado de "Status V", é o espaço designado aos iniciantes, que tem interesse em fazer uma caminhada nos palcos. Atores nesse Status devem ser atentos e curiosos. Perguntar sobre tudo o tempo todo, no intuito de aprender e crescer. Sorver conhecimento junto aos atores que já trilharam determinadas caminhadas. O artista nesse status deve ser estimulado ao máximo, com funções relacionadas ao ofício, assim o quanto antes compreenderão as batalhas que serão enfrentadas, caso opte por uma vida profissional na área.  O Status V relaciona-se com a base do todo. A base da pirâmide! Nela se baseia o começo do trabalho corporal, os princípios vocais, a compreensão das emoções e finalmente o trabalho de equipe. Sem essas bases bem estabelecidas, ou o ator não chega a um bom produto lá adiante na caminhada, ou ele compreende erroneamente sua história no teatro.                                                                                     Quando os artistas mais maduros da Cia. julgam que o jovem ou a jovem estão prontos para subir de status, o mesmo é convidado a subir um degrau. Nessa nova etapa, os objetivos são diretamente ligados a assumir maiores responsabilidades, aprendendo sobre questões técnicas da "mise em scene". O ator em status quatro já pode receber alguns papéis coadjuvantes de maior exigência. Já aprendera sobre responsabilidades, e entende o que é ser um palaciano. Palacianos são indivíduos que fazem parte do circulo de apoio ao Máschara. Um espaço que é de todos e que precisa ser mantido pela equipe como sede a ser protegida e mantida. Agora é um Ponto de Cultura, um espaço na cidade, reconhecido pelo governo, como espaço para desenvolver e proteger a cultura. O Status IV é o melhor momento para o individuo buscar conhecer todos os projetos do Grupo, e como desenvolver capacidades para estar a altura de auxiliar em cada um deles. O maior erra do membro em Status IV é achar que deve saber tudo, Não se trata disso, mas estar aberto apra onde for chamado.                                                                                                                               Quando você é convidado a ingressar ao Status III, é porque certamente você já está se tornando um jovem líder. Você já recebe responsabilidades em que o Grupo todo se inspira. Você passa a ser coordenador de departamentos dentro do Grupo. O ator, ou a atriz em Status III, não pode esmorecer, se sentir despreparado. Ao contrário, tem que ter coragem em trilhar sua caminhada. Já não é mais um amante do teatro apenas, é um profissional em meio a uma carreira, com seus prós e contras. Respeitar quem tem uma carreira  tão difícil como a de artista, merece toda a consideração, e você já aprendeu isso. O Status III é exatamente a meio da caminhada. O artista já passou da fase de iniciação. Já domina seu corpo, (se não domina deve correr atrás), já tem compreensão das potências de sua corda vocal, já conhece a grandiosa historia do teatro. Em sua cabeça devem pairar Shakespeare, Stanislvski, Artaud, Molière, os pais Gregos, e outros tantos nomes que fizeram essa história. O Status III é momento de compreender o sistema Palaciano. Batalhar para tornar-se melhor a cada dia. Transcender com personagens. Som, luz, figurino, cenário, texto, tudo agora é parte de um todo, inseparável, imutável e estético.                                                                           No Status II, você está se formando, está praticamente fazendo um estágio, sobre ser um grande ator ou atriz. O Palco agora é espaço de discussão, mas ele se derrama por todos os espaços. O Teatro agora já é forma de ver o mundo. Você já aprendeu que através dele, pode sim mudar as entruncadas  linhas da vida. Atores e atrizes em Status II precisam sentir esse chamado no coração, essa doação. Amar o Palacinho, cuidar dos mais jovens. Ser professor já não é opção, é regra, pois você quer passar adiante o conhecimento adquirido. Muitos passam a frequentar o teatro por que buscam conhecimento, descobertas, auto aceitação, ou por que gostam de contar historias, mas quando se chega ao status II, é por que você decidiu que parte da sua vida será o teatro. Artistas em Status II, dominam todos os temas e assuntos. Conhecem praticamente todas as linguagens e estão aptos a falar delas com clareza. Corpo e mente em perfeita conexão, sempre buscando, somando. Ser um grande artista está diretamente conectado a ideia de ser tolerante, zeloso e ter compaixão pelo outro, pois lidamos com a sensibilidade.                                                                                          O Status I não é o fim de uma caminhada, a conclusão de uma grande etapa de aprendizagem. Sobre si mesmo e sobre os outros. O Ator ou a atriz que chegam nessa etapa, venceram todos os obstáculos para se dizerem atores. Aqui você é parte do todo, pode representar, dirigir aulas de teatro, dirigir espetáculos e sobre tudo, guiar toda a equipe. Sem egoísmo, sem rompantes de orgulho, pois você conquistou a percepção que o teatro é agregador. O ator Status I não cansa, ele está sempre disposto. Não é o dinheiro que o move, mas os alicerces da instituição. Ser Status I não é sobre saber tudo, é sobre estar aberto a tudo. Desse lugar brotam as regras, caminhos, ensinamentos que mantem um grande patrimônio vivo!