terça-feira, 4 de agosto de 2026

Andrielle Dallagnol - Sonetina em Quintanares


 

Laços Imortais - Programa


 

COARTE O3 - Quintanares (tomo 01) -

                Uma historia simples, mas bem contada, essa é a busca que admiro em grandes atores. Estreou na última quinta feira, um espetáculo simples, porém complexo, preparado em poucas semanas, o que seria de se surpreender se não fosse o fato de sua direção vir do já reconhecido diretor do Grupo Máschara. O mesmo que em 2002, dirigiu MacBeth e Shakespeare, em uma semana. O elenco no entanto, agora, é de terras longínquas. Me refiro ao doce espetáculo Quintanares, um espetáculo não de poesias, mas a partir de poesias. Um espetáculo não sobre Quintana, mas a partir dele. Há quem implique, eu sei, por que enxerga como única possibilidade, a energia de um sarau. Saraus, partem de páginas em branco, onde o ouvinte cria a narrativa para o poema. Em Quintanares, os atores trazem narrativas atreladas aos poemas. O que os torna mais claros e interessantes. 

                   O elenco é formado por seis atores, durante toda a peça, os vemos trocando de roupas, ou fazendo uso de adereços que saem de malas espalhadas pelo fundo do palco. Embora saibamos muitas vezes o que está por vir, o espaço é tão bem delimitado, que preferimos curtir o que está acontecendo ali, quase no proscênio. A equipe muito coesa, apresenta uma sonoridade perfeita ao texto, e cria tipos e personalidades interessantes a todas as faixas etárias. Lorenzoni poderia ter feito um desfile de técnicas, visando nos surpreender, no entanto elas estão mascaradas e são usadas como escada, não como simples exibicionismo. 

                      A historia dentro da historia, contada por uma trupe de viajantes, acaba fazendo uma homenagem a herança mambembe que tanto toca quanto instiga. Quem são, de onde vem? São perguntas que perambulam na mente da plateia durante os quase cinquenta minutos do espetáculo. Lírico e cômico caminham juntos, lado a lado. Prova disso são os risos e lágrimas advindos do público. Méritos de um trabalho delicado de preparação, que discutiu poesia e perpassou lá pelos tempos da Commedia Dell Art. Não há um só detalhe que não esteja bem acabado, que esteja fora do lugar, ou que não expresse formalmente o profundo cuidado e respeito que a jovem Cia. tem para com seu público. A maquiagem assinada por Clara Devi e o figurino de Renato Casagrande parecem se conectar perfeitamente com os adereços que levam principalmente os nomes de Tina Santos e Rosiane Morais. 

                        Os atores da COARTE, antes ancorados por artistas do Máschara nos projetos Paixão de Cristo e Auto de Natal, começam a dar os primeiros passos independentes e produzem atuações muito criativas e funcionais. Destaque para a construção animalesca para o segundo ato do espetáculo e a forma como se pronunciaram as poesias. Algo difícil para a cena em atores ainda jovens no palco. Veja bem, eu sou eterna admiradora do trabalho do Máschara, mas fico orgulhosa de ver o espaço que o novo grupo do Alegrete vem criando. "Co-irmãos, ou afilhados", como diz Lorenzoni.

                              Penso que Quintanares, elevou o teatro feito no Alegrete, convidando o público a exigir mais de sua reflexão sobre o que é teatro, e até onde ele pode ir. Não há destaques já que o elenco esteve coeso, harmonioso. Palmas para as escolhas para cada papel. Aquilo que se viu em cena, foi reflexo de vários desafios vencidos. Foi a prova de que se pode fazer grandes coisas quando as pessoas se unem em um mesmo propósito. 

                            Como mensagem aos atores e atrizes de Alegrete, quero pedir que nunca esqueçam da semiótica, que tenho certeza que lhes é instigada a todo tempo pelo diretor: na teoria de Pierce, "tudo o que há no mundo real é mundo!" e não há nada que não seja interpretante. No momento em que compro um livro e olho para ele na bolsa indo comigo para casa, ele já não é mais o mesmo livro que vi na estante da livraria. Meu olhar já o transformou, o recodificou com todos os símbolos que há em minha mente. Por isso, os atores já não são os mesmos... Os outrora papelões não são mais papelões... As malas que se tornaram malas decoradas até a quarta que antecedia o espetáculo, agora já não são mais malas, já se tornaram artefatos de uma estranha civilização que se veste com roupas codificadas por trechos de poesias e pronuncia sonetos. 

                            Nessa mesma regra da semiótica, é preciso rever a presença cênica de Didi Araujo, embora muito talentoso, sua presença precisa conversar com o restante do espetáculo. Lully e Andrielle ainda podem aparecer mais, ousar mais. O jogo entre Pontualdo e Sonetina também pode render ainda mais. 

                            Quintanares é um recém nascido, mas já nasceu muito grande, precisa voar e levar o propósito maior que carrega em si à todos os palcos. 


Quintanares o Menino Pássaro

Direção e Dramaturgia - Kléber Lorenzoni

Texto - Renato Casagrande

Elenco: Maico Carricio (Pontualdo), Rosiane Morais (Dona Prefácia) Paulo Amaral (Poesino) Andrielle Dallagnol (Sonetina),  Fabiane Torrens (Criatividade),  Luli Nicoli (Virgulina)

 Trilha Sonora: Renato Csagrande, Kléber Lorenzoni, Didi Araujo e Lully Nicoli

 Figurinos: Renato Casagrande e Tina Santos

 Maquiagens: Clara Devi

 Adereços: Rosiane Morais e Tina Santos

 Técnica: Cristian e Júnior Lemes

 Contrarregragem: artistas da COARTE e Antonia Serquevitio

 Recepção: Adanice Tronco e Jucelaine Lencina e artistas da COARTE




                           

                       

Família COARTE reunida em dia de estreia


 

A atriz Rosiane Teixeira em cena como dona Virginia


 

Medo da nuvem... Interpretação de Maico Carricio como Menino Pássaro


 

terça-feira, 28 de julho de 2026

TEXTO PARA SER LIDO SOB O URDIMENTO VI

 QUINTANARES


Existe uma lenda muito antiga, de um pássaro, de plumagem azulada, que durante a vida, não canta, não solta som algum. Um dia, percebendo que está se aproximando o fim de sua vida, ele procura um galho seco, algo que se assemelhe a uma lança. Ao encontrar o galho, ele se joga de asas abertas cravando a ponta em seu pequeno peitinho, e ali, debatendo-se em um derradeiro adeus, ele canta com toda a sua força, soltando o som mais lindo que já se ouviu. Esse som, ecoa e chega até os ouvidos do criador. Logo depois, exausto, ele se deixa morrer.

 

Quintanares, nasce de um amor, absoluto e intenso que aprendi a ter pelas letras de Quintana. Ao vislumbrar meus corajosos artistas da COARTE e antropofagiar suas historias sobre o poeta do Alegrete, comecei a descobrir uma fábula. A fábula de um bebê pássaro, que nasceu pronto para voar. Um menino solitário, que também poderia ser um peixe, pois cresceu dentro de um aquário. Solitário, fechado, tímido e sonhador. Manuel Bandeira declarou em 1966, em seu poema Quintanares, que Mario não cantava, Mario Quintanava... Ou seja, o lirismo sempre esteve pairando em torno desse menino.  O grupo COARTE, é um grupo de artistas seletos, todos com histórias e realidades que perpassam a dança, o tradicionalismo, as artes plásticas, as artes cênicas, a literatura e muito mais. Assim, despertar ali uma dramaturgia e uma cenicidade, não foram tarefas difíceis. Difícil é compactar tantas impressões, tantos olhares de Quintana em pouco mais de quarenta minutos. “Não queremos que as pessoas saiam do espetáculo satisfeitas, queremos que elas saiam dali, com vontade de adquirir um livro, com vontade de ler, de compreender a poesia”. A poesia diz muito sobre nós, ela pode dizer muito sobre nossos silêncios, sobre nossas complexidades internas. Quintana é para mim, um mago, e possui uma frase para cada situação. Basta devorá-lo!

Dia 30, o menino pássaro irá nascer, mas ele precisa ganhar o mundo. Suas malinhas estão prontas para viajar, para excursionar por palcos. Juntamente com histórias, vai o esforço de uma equipe dedicada que quer encontrar um sentido dentro de sua vontade de teatrar. Não me sinto diretor, me sinto um revelador de talentos, um “garimpeiro” que procura pedras preciosas. No elenco feminino, quatro forças cheias de vida: Rosi, Fabi, Andri e Lully. Cada uma com um tempo de teatro diferente, cada uma com uma busca especial, intensa. No núcleo masculino, nosso querido Paulo Amaral. Impossível não pensar nas voltas que a vida dá para levar as pessoas ao palco, para unir histórias em prol da arte. E ainda Maico, uma grande revelação. Todos eles dispostos, humildes, curiosos, ousados e dispostos... Somam-se a eles, colegas de todas as idades, colando, criando, recortando, pensando, treinando, opinando e vislumbrando, uma família inteira chamada COARTE. O que mais é preciso?

Lembrar que tudo isso é proposto, pelas linhas tortuosas que as três Parkas, filhas da Deusa Têmis, tramam meticulosamente. O teatro é forte, intenso, ciumento, possessivo e viciante. Ele é necessário, pois une pessoas, em cima e na frente do palco. Ele quebra barreiras, vence preconceitos e salva vidas. Ele provoca tremores nos alicerces das sociedades e isso é transformação, evolução e amadurecimento. Dia 30, seremos todos nós meninos, seremos crianças novamente. Seremos uma grande passarada buscando o verão que aquece as asas das andorinhas. Seremos partículas do tecido da arte cênica, contribuindo da nossa forma, por um mundo melhor através daquilo que nos disponibilizamos a fazer: ARTE.


Cléber Lorenzoni


Matéria sobre COARTE


 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Artigo para artistas de teatro V

 

                A régua do teatro

                           Volta e meia me pego diante do espelho. Não para conferir o figurino ou repetir um texto, mas para encarar uma pergunta que todo ator deveria fazer a si mesmo: Será que sou tudo aquilo que imagino ser?

                          O espelho é um sujeito curioso. Ele costuma concordar conosco. Se acreditamos que somos grandes atores, ele nos devolve um grande ator. Se pensamos que merecemos sucesso, ele também parece confirmar. O problema é que existe um espelho muito mais honesto do que aquele pendurado na parede.

                           Esse espelho se chama teatro.

                           E esse não mente!

                           O teatro devolve exatamente aquilo que recebe. Nem mais. Nem menos.

Às vezes temos a impressão de que estamos nos sacrificando. Que fazemos grandes esforços. Que ensaiamos bastante. Que abrimos mão de muitas coisas. Que somos dedicados. Mas será mesmo?

                           Quem responde essa pergunta não somos nós. Quem dita a régua é o próprio teatro.  Façamos o seguinte: Olhemos para o lado...

                           Quase sempre existe alguém chegando antes do ensaio. Alguém estudando mais um texto. Alguém pesquisando uma referência. Alguém treinando o corpo enquanto os outros descansam. Alguém disposto a fazer um pouco mais. Há alguém que corre ler um livro, quando o diretor dá um tema. Pessoas que não ficam se revoltando, ao contrário, baixam a cabeça e trabalham. Não pelo dinheiro, não pelo sucesso, mas pelo teatro. Quando percebemos isso, entendemos que talvez o nosso máximo ainda não seja o máximo. 

                           O teatro tem uma personalidade complexa. Eu costumo dizer que ele é ciumento. E também possessivo. Ele não aceita ser apenas mais um compromisso na agenda. Não gosta de ficar atrás da preguiça, do ego, da vaidade ou das desculpas.   

                           O teatro exige prioridade! Presença, disciplina e entrega.

                            Para merecer o aplauso não basta decorar falas. Não basta vestir um figurino bonito. Não basta acreditar que se tem talento. É preciso colocar o palco em primeiro lugar, colocar o ofício acima do orgulho.

                           Compreender que amar o teatro não é dizer que o ama. É demonstrar isso todos os dias.

                           Claro que não é fácil escolher o teatro, já que ele cobra tempo. Cobra renúncias. Cobra estudo. Cobra cansaço. Cobra finais de semana. Cobra a coragem de continuar quando ninguém está olhando. E é por isso que eu digo que o teatro é tão justo. Já vi atrizes esperando por troféus, se esforçando, mas depois reclamando desse esforço já que não ganharam nada. O teatro conhece nossos sonhos e desejos. Sabe quando mentimos. Sabe quando fazemos por obrigação e não por amor ao público, ou ao chão sagrado do palco.

                          Então, no fim das contas, o espelho pode até nos convencer de que somos grandes atores, mas é o teatro quem decide se estamos prontos para sê-lo. Não, não é o diretor, é o teatro dentro de cada um de nós! E prestem atenção, essa decisão nunca será tomada diante do reflexo, diante de uma expectativa baseada em likes.  

                           Ela será tomada diante da entrega. Porque, no teatro, o aplauso não pertence a quem sonha com ele, mas pertence a quem fez por merecê-lo.

 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Breve gênese do Máschara

 

 

Breve História de um Grupo Teatral

 

 

 

Gênese (1992-1999)

01

1992 -Um dia a Casa Cai- Texto de Ivo Bender –(comédia)

02

03

1993 – A bruxinha que era boa –Maria Clara Machado –(comédia infantil)
1993-Doce Quente da dor de barriga na gente-Dulce Jorge (comédia infantil)

04

1994 – O dia em que Júpiter encontrou Saturno – (esquete)

05

1995 –Cordelia Brasil – Texto Antonio Bivar –(tragicomédia)

06

1996 –Bulunga o Rei Azul- Texto Dulce Jorge –(fábula infantil)

07

1997 –Um dia a Casa cai- Remontagem (comédia)

08

1998 – Dorotéia -Texto de Nelson Rodrigues – (farsa trágica)

09

1999 -O conto da carrocinha – roteiro de Cléber Lorenzoni – (clown)

 

Fase Clássica (2000-2004)

10

2000- Antígona -Texto de Sófocles – (tragédia grega)

11

2001-Tartufo- Texto de Molière (comédia clássica)

12

2002- Macbeth-Texto de Shakespeare (tragédia-elisabetana)

13

2002-Feriadão – Texto de Hércules Grecco (educativo-infantil)

14

15

2003- Bodas de Sangue- Texto de Lorca (tragédia rural)
2005-Romeu e Julieta-Shakespeare
Teatro com dança

 

Fase Literária (2005-2008)

16

2005-O Incidente- da obra de Erico Verissimo-(Realismo Fantástico)

17

2005-O castelo Encantado – da obra de Verissimo (comédia infantil)

18

2006-Esconderijos do Tempo-da obra de Mario Quintana(Drama)

19

2006-Lili Inventa o Mundo - da obra de Quintana ( infantil)

20

2007- Um Inimigo do Povo -da obra de Ibsen (Drama)

21

2008 -Ed Mort -da obra de Luís Fernando Verissimo (comédia)

 

Construção de uma personalidade (2009-2015)

22

2009-A Maldição do Vale Negro- Caio Fernando Abreu(melodrama-besteirol)

23

2011-As Balzaquianas-Inspirado em A rainha do rádio-(tragicomédia)

24

2011-Deu a Louca no Ator-Texto de Antonio Fagundes (Comédia)

25

2012  - Os Saltimbancos -Texto de Chico Buarque (musical infantil)

26

2012- O santo e a porca -texto de Ariano Suassuna(comédia)

27

2013-A Serpente -texto Nelson Rodrigues-(Tragédia carioca)

28

29

2015-Olhai os Lírios do Campo-Erico Verissimo (melodrama)
2015-Empresa do Futuro-Texto Ricardo Fenner (esquete empresarial)

30

2015-Zah Zuuu -Roteiro de Cléber Lorenzoni (clown infantil)

 

ESMATE  (2013-atual)

01B

2016-Confusões e Trapalhadas na Villa Pantalônica

02B

2017-Bruxamentos e Encantarias -Texto Lorenzoni-(comédia infantil)

03B
04B
05B
06B
07B

08B

09B

 2018-Lendas da Mui Leal Cidade-Texto Lorenzoni e Casagrande(Drama histórico)
2019-O Hipocondríaco -texto de Cléber Lorenzoni (comédia farsesca) 
2019-A Hora da Estrela (drama literário)
2019-A Noviça Rebelde (melodrama realista)
2023-O Cavalinho Azul (Drama Infantil)

2024- Os contos do Vovô Erico

2025-As mulheres de Erico Verissimo (performance)

 

Grandes Espetáculos a céu aberto (2017-atual)

31

2017-A maior História de todos os tempos -Texto de Lorenzoni (Paixão 1)

32

2017-A história da família de Nazaré-Texto de Lorenzoni e Casagrande(Auto 1)

33

2018-As Mulheres ao redor de Cristo-Texto de Lorenzoni (Paixão 2)

34

2018-Um milagre de natal (Auto 2)

35

2019-Cristo-Texto de Lorenzoni (Paixão 3)

36

2022-O Menino entre o bem e o mal (Paixão 4)

37

38

39

40

41

42

2022-La Sacra Alegria (auto 3)
2023-A Mãe do Redentor(Paixão 5)
2024-O Julgamento do Messias (Paixão 6)
2025-Entre eles estava Jesus (Paixão 7)

2025-A Fé se renova (Alegrete)

2026-Me dê sua mão (Paixão 8)

 

TEATRO NO ALEGRETE (COARTE)

43

44

 

45

 

2025-A Fé se Renova (paixão de Cristo)

2025-Para todos os povos, para todas as raças(auto)

2026-Me dÊ sua mão (Paixão de Cristo)

2026- Quintanares – O menino Pássaro

 

Maturidade (2016-atual)

46

47

48

49

50

51

52

53

2016-Complexo de Elecktra-Adaptação de Ivo Bender (Tragédia)

2017-A roupa Nova do Rei- Da obra de Andersem (Conto Infantil)

2019-Tem Chorume no Quintal (Comédia educativa)

 2018-Infância Roubada

2020-O Menino do Pastoreio

2021-O  Grande Circo Mágico

2022-A boneca gente  (performance)

2023-Dona Flica e seus dois maridos (autoral)

2025-Rei Lixo (Shakespeare)



 

Audio-Visual (2020)

01C

2020- Contos do Vovô Erico - cinco episódios

06C

2020- Lendas da Mui Leal Cidade- (episódio 1)