quinta-feira, 14 de maio de 2026

Elenco de O Grande Circo Mágico


 

1347-O Grande Circo Mágico (tomo 18)

                      Quando pequena eu era muito frequentadora dos circos. Por Cruz Alta, passaram o circo Stankowich (mais de cem anos de historia), O grande circo Davo, o Circo itinerante de Moscou e outros tantos. Ficavam instalados no "Morro dos ventos Uivantes", ou ainda, onde hoje está instalado o Stock Center. O que mais me interessava no mundo do circo, não era o que eu via, era na verdade o que estava escondido, o que estava por trás das cortinas, por trás do picadeiro. Essa também sempre fora a premissa do meu amor ao teatro. O mistério, a correria na coxia, a turbulência de emoções nos camarins. A forma como o diretor, ou o coreógrafo, ou seja lá quem coordene, organiza sua equipe. É dali, de trás do palco, que brota a gana pela vida artística. Quando se divide o lanche, se empresta a maquiagem, se sofre junto, observando quem está no palco. É ali que tudo acontece... Ali se faz acordos, ali se criam amizades que durarão as vezes, por anos inteiros. Ali surgem amores, inimizades infelizmente. Em meio a tantos acordos humanos, convivências, problemas pessoais de cada integrante e contas para pagar, surgem as carroças, as caminhonetes, ou os trailers, carregando famílias, amontoadas, de cidade em cidade. Os circos foram passando por grandes transformações e hoje temos grandes expoentes como: CIRQUE DU SOLEIL, MIRAGE CIRCUS, CIRCO SPACIAL, etc... No momento em que o Grupo Máschara decidiu montar O Grande Circo Mágico em 2021, foi através de uma ideia que surgiu no do gabinete da Prefeita do Município, foi também a tentativa de empregar sabedorias de seus integrantes, capacidades técnicas apreendidas em oficinas, e desenvolvidas por artistas como Fabio Novello e Antonia Serquevitio. 

                             O que surgiu, foi um espetáculo delicado, repleto de possibilidades, às vezes não muito ensaiado, às vezes um tanto atrapalhado. Há uma afobação, e entendo o motivo, são atores de teatro, tentando dar conta de outras técnicas. Ou seja, se fosse um grupo contando uma historia teatral sobre o circo, seria muito mais prático, mas trata-se de uma equipe de teatro, tentando vivenciar o circo. 

                            Não há nenhuma grande interpretação, Renato Casagrande e Junior Lemes se viram para dar conta dos trechos pastelônicos da montagem, mas não há uma curva dramática aristotélica. Didiy Flores e Douglas Maldaner precisam de mais compreensão de suas personas. O que é um apresentador de circo, quem é Carlitos? Todos chamam Douglas e Clara Devi de Chaplin quando Chaplin é o sobrenome de Charles, nada mais. Carlitos por outro lado, é um andarilho, pobre com maneiras refinadas de um cavalheiro. Interpretar figuras cômicas, gera muito trabalho ao artista de teatro, pois há muito pouco material encontrado sobre o trabalho de clown. O artista teatral muitas vezes confunde o trabalho do cômico, com piada e bobagens, no entanto o gracejo ao qual o espetáculo se propõe é outro. Uma vivência, uma percepção humana, um instinto que nasce do verdadeiro teatro.       

                              O principal objetivo da Cia. Máschara é criar desafios para que os artistas se tornem melhores. Ousar propor assuntos, temas, abordagens diferentes. Isso torna alguns atores e atrizes melhores, mas esse efeito só acontece se o oficiante da profissão, quer crescer, quer estar a serviço de algo melhor. Se ele confunde no entanto teatro (oficio-vocação) com a sua vontade de aparecer, ganhar umas curtidas, exibir-se como um falastrão, aí certamente não crescerá, não há que se faça, ou o que se ensine, alguns humanos simplesmente nasceram para a mediocridade. A partir daí surge uma certa revolta, pois quando saímos de casa, queremos ver o que há de melhor, queremos que valha à pena. 

                             Há méritos aplaudíveis, pelo trabalho de picadeiro, Giovana Lopes, interpretando a "criatura", e ainda Junior Lemes como o palhaço  "Augusto". Giovana vem fazendo uma caminhada  muito bonita, e Junior Lemes, como Prometheu está se tornando referência para o grupo Máschara. 

                              Há necessidade de muitos ensaios, de dedicação física. Circo é sobre vencer qualidades humanas, de ultrapassar metas. Seja nos tecidos, nos  malabares ou mesmo em números de dança. O visual do circo consegue ser arrebatador, mas em alguns momentos peca pela falta de acabamento. Roupas descosturadas, as vezes não muito limpas... Tudo isso deve ser levado em conta. Responsabilidades de Casagrande, Devi e Kraemer.

                               Roberta Teixeira esforçou-se muito como Izis e Lorenzoni, mais uma vez usou seu virtuosismo para mudar a cena da Mulher Barbada. É preciso tomar muito cuidado com o português, com as palavras! Artistas sobre o palco, são modelo para quem os assiste, então palavras devem ser bem pronunciadas. O Máschara oferta sempre um qualitativo trabalho em equipe, essa regra tem a ver com abrir mão de si, em prol do outro. " O outro vem em primeiro lugar"! Escuto Cléber sempre repetir essa frase. O Outro!!!! Prever problemas, solucionar-se antes de uma dificuldade. Esse é o maior mérito do grupo. Algo que as vezes não é levado a serio pelos integrantes. 

                          A trilha sonora teve arranhões, mas foi pontual e a cena de Beatriz merece mais entrega, pois é o ponto alto do espetáculo. Uma cena que passou um pouco desapercebida, possivelmente pela falta de concentração do todo, em uma apresentação deslocada.   Foi um dia ousado para o trabalho, um dia de equipe, onde alguns se destacaram mais e outros menos. Um dia de ser mambembe. 


O melhor: A dedicação de Antonia Serquevitio, Ana Clara Kraemer e Junior Lemes.

O pior: Momentos de desorganização, falta de trabalho em equipe e desrespeito ao diretor do espetáculo. 


O Grande Circo Mágico (2021)

Direção Kléber Lorenzoni

Direção circense Fábio Novello

Elenco: Didy Flores   (**)

             Douglas Maldaner (**)

             Clara Devi (**)

             Renato Casagrande

             Junior Lemes  (***)

             Antonia Serquevitio  (***)

             Dulce Jorge

             Kleber Lorenzoni

             Ana Clara  (**)

             Kleberson Ben  (**)

             Giovana Lopes  (***)

             Roberta Teixeira (***)

             Carol Guma  (**)

             Felipe Brandão  (**)

             Valentina Lemes  (**)

    

             


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Elenco reunido - COARTE


 

Gazeta de Alegrete


 

Materia Paixão de Cristo - Gazeta de Alegrete


 

Texto - A Paixão de Cristo Me dê sua mão 2026

 

A PAIXÃO DE CRISTO 2026 – Me Dê a Sua Mão (Alegrete)

 

PRÓLOGO

Mulher 1:  Há dois mil anos, um povo caminhava. Caminhava sob o peso do Império, da fome, do medo e da injustiça.

Homem 1 e 2:  Havia feridas abertas nas ruas poeirentas da Galileia,

assim como hoje há feridas abertas nas ruas de nossas cidades.

Homem 3, Mulher 2 e 3: Há dois mil anos, também se esperava um Salvador. Um libertador que viesse romper correntes, curar corpos, restaurar a dignidade, reacender a esperança em corações cansados.

Mulher 4 e 5: E hoje…dois mil anos depois, ainda caminhamos. Ainda esperamos.

Homem 4, 5 e 6: : O mundo de Jesus conhecia a exclusão, conhecia o abandono dos pobres, conhecia o choro das mães, conhecia a violência, a opressão, a indiferença.  

Outros: E o nosso mundo conhece tudo isso também.

Todos: Conhece a fome que humilha, a desigualdade que mata,

a solidão que adoece, a pressa que nos faz esquecer do outro.

Mulher 6: Mas se ainda caminhamos… é porque a fé não morreu.

Outros:  Ela pulsa. Pulsa nos que acreditam, mesmo em meio às lágrimas.  Nos que partilham o pão. Pulsa nos que estendem a mão.  Pulsa nos que não se acostumaram com a injustiça.

Homem 7 e mulher 7: A fé pulsa porque, há dois mil anos, Deus escolheu caminhar conosco. Não veio como rei poderoso, mas como homem entre homens. Não escolheu palácios, mas as estradas poeirentas da vida real.

Homem 8, mulher 8 e 9: Nesta noite, não viemos apenas assistir a uma história antiga.  Viemos reconhecer a nossa própria história.

Todos: Mantemos a fé pulsante. O amor vivo. E a esperança acesa.

João Batista: Ouçam, o mesmo Cristo que caminhou há dois mil anos, continua caminhando hoje.

E caminhará conosco até que toda dor seja transformada em vida.

Há dois mil anos nasceu uma criança chamada Jesus, logo todos perceberam que se tratava de uma criança muito especial e por isso foi tentada pelas forças do mal.

1340 -A Paixão de Cristo - COARTE (TOMO 01) Me dê sua mão - GRUPO MÁSCHARA (TOMO 05)

UM TEATRO EM EXPANSÃO 

                 Na noite do último domingo, o espetáculo Me dê sua mão, subiu ao palco do Centro Cultural Adão Ortiz em Alegrete/RS, não pude estar presente, como diz a Matriarca de Bodas de Sangue de García Lorca: "Estou velha demais para andar em festas", brincadeiras à parte, gostaria muito de ter estado presente, de apoiar esse jovem grupo, que corre para alcançar seu lugar ao sol. Felizmente ou não, o espetáculo foi todo filmado, transmitido pelas redes sociais, a "coqueluche" do momento. Por ter assistido através de via remota, dividirei esse espaço com o diretor do espetáculo, Cléber Lorenzoni, que além de escrever e dirigir, ainda atuou em algumas cenas de A paixão de Cristo.

                                       Dirigir a COARTE, tem sido um processo de mergulho nas tantas possibilidades de compreensão resiliente do artista. A COARTE não é meu grupo, eu no entanto sou seu diretor. Isso me coloca em um lugar muito interessante de receptor, ou seja, o que a COARTE tem para me dar como ser criativo, minha função não é impor, mas sim coletar, lapidar e levar ao público. Principalmente por que o grupo tem artistas de vários lugares da arte, diferentes entre si, vários olhares, várias escolas e caminhadas muito distintas. Há também o fator, faixa etária, que interfere de forma positiva, pois promove troca de vivências entre as gerações.

Kléber Lorenzoni 


                 O espetáculo atrasou em demasia e de alguma forma, eu pressenti que algo estava a colocar a apresentação em risco. Uma cena tangencial abriu a cena, e logo depois um elenco cheio de "fogo e fome". A sensação para quem assistia, era a de que um vendaval balançava cenários, roupas e árvores. Algo estava intensamente conectado às energias naturais, Paulo Amaral desceu as escadas do praticável, como um Moisés com as tábuas das leis. Renato Casagrande ascendeu ao palco com uma plenitude muito bonita, parecendo inclusive mais alto que todo o restante do elenco. Conhecendo o teatro de Lorenzoni, percebi alguns percalços que me deixaram tensa, situações pequenas que o público presente nem deve ter percebido, a não ser os mais observadores. 

O teatro não deve jamais ser filmado, transmitido ou aprisionado, pois quando se filma uma peça, se capta apenas um fragmento empobrecido dele. A câmera escolhe um olhar único, enquanto o teatro oferece infinitos. Filmar é reduzir o que é essencialmente vivo, à algo estático. Há também uma questão de respeito à criação artística. O teatro é pensado para o espaço, para a luz específica, para o tempo real. A filmagem, por melhor que seja, altera enquadramentos, corta nuances e pode distorcer intenções do diretor e dos atores. É como tentar guardar um pôr do sol dentro de uma caixa: o que se leva é apenas uma lembrança pálida daquilo que realmente foi. É importante os atores da COARTE aprenderem a desapegar-se de sua imagem, ela se torna pública e não precisa mais de sua validação. Ao terminar um espetáculo, não queira tanto, fotos e vídeos, queira já pensar no próximo processo, com a consciência de que deu seu melhor.

Kléber Lorenzoni 

                  O largo do Adão Ortiz, mais parece a encosta de uma montanha, semelhante ao Teatro de Epidauro, local onde doentes peregrinavam em busca da cura. O teatro da COARTE é cura, me parece, cura para uma sociedade inteira. É luz dos Deuses, é o soltar-se dos grilhões e enxergar novas perspectivas, novos caminhos a se seguir, vendo o mundo mais colorido, mais diverso, mais democrático. O Palco é púlpito de perguntas e respostas, é plataforma de desenvolvimento pessoal, é troca entre gerações, é aceitação do novo e purgação do que está ultrapassado. Dentre grandes surpresas, o olhar feminino da direção do espetáculo gritou em alto e "bom som": -Jamais erga a mão para uma mulher. -Também colocou sobre o palco mulheres na santa ceia. Foi uma atriz (Lisiele Tronco) quem teve a prerrogativa de carregar o papel de Anáz, o inimigo número 1 de Jesus. Fabiana Torrens saltou aos olhos, com uma força que imagino ser semelhante a da primeira discípula de Jesus. Vários artistas se destacaram, romperam barreiras, adentraram o palco como artistas maduros. Suas narrativas foram funcionais. Lorenzoni separou a dedo as personagens, baseado em dedicação, espontaneidade, perfil humano e capacidades técnicas. Uma verdadeira dança humana, com um corpo de atores em construção, em um palco de mais de trinta metros de largura. A união entre talentos tão distintos, produziu uma massa amorfa, com momentos de formação escultural cristalina. Palmas para o cortejo e a ousada entrega da atriz interprete da rainha Herodiaze. 

 Enquanto diretor, meu objetivo é ajudar a COARTE a desenvolver personalidade cênica própria, as vezes  essa construção leva tempo, ela depende de um grupo caminhar junto, trocar, se observar, se ouvir, compreender sua cidade, sua cultura, seu jeito. É preciso entender sua cultura, o que uma cidade precisa, busca. Entender sobre o que e de que forma se quer usar o púlpito. O teatro é a mãe de todas as artes, por que une, sem barreiras todos e todas, une dança, musica, literatura e artes plásticas para compor uma frase, uma ideia, um olhar. Qual o olhar da COARTE?

Kléber Lorenzoni 

          Com quase duas horas de espetáculo, Me dê sua mão, tocou, toca, porque promove o movimento, eu sempre digo que sirvo muito mais para assistir teatro e analisá-lo do que para pisar no palco, mas senti uma vontade de entrar na tv e participar daquela energia que pendia do aparelho. O Jesus de Renato Casagrande por sobre o palco, apoiado em algum estrado, ou altar, não sei, mas o texto final realmente emocionou quem saiu de casa, não para um evento de páscoa, mas para uma noite de teatro, ao ar livre, gratuito. Um arrojo de cores, de ideias. Talvez as cenas à esquerda do palco tenham ficado escuras. Talvez alguns atores tenham atropelado sua própria dublagem, talvez algumas cenas tenham ficado enroladas ao fazer sua transposição para um palco bem maior que o espaço ensaiado. O cortejo de Jesus merecia mais ensaios! É preciso fazer para valer, levar a serio, ou sair da frente. Deixar o caminho para quem veio para valer, para quem veio de verdade. Há espaço, deve haver espaço para todos, mas aqueles que vem pelo teatro, merecem estar um passo à frente. Teatro pode ser brincadeira, pode ser hobby, pode ser uma forma de fazer amigos, pode ser um pouco de tudo, mas acredito que a COARTE quer mais. Quer fogo e luz, quer gana e ferida aberta.   

             A curva dramática aconteceu. Iniciou-se na cena dos demônios, muito bem desenhada, e se seguiu até o final, visível, firme. Parabéns ao jogo de cena dos três "corvos" do templo. Parabéns a energia do Herodes de Didy Flores. E parabéns ao conjunto de artistas e não artistas que ao pisar no palco, ergue a bandeira da arte cênica e defende sua importância para pessoas. Defende nossa ancestralidade. Ainda preciso parabenizar a força das dublagens e a contemporaneidade do texto, brilhante.

                Parabéns ainda à força do intérprete de Pilatos, Maico Carricio, que tem a força de mordida em cena, tão necessária para quem quer crescer no teatro, e à Andriele Dall Agnol, que mesmo sem dizer uma única palavra em cena, disse muito com sua desfiguração cênica. 

                       Unir minhas duas famílias, tem sido o maior presente que tive como diretor e agradeço profundamente aos diretores da COARTE: Sissy, Paulo, Andriele, Ju e Didi. Além da disponibilidade de Tina, Lully e Rose, fazendo de tudo sempre para me auxiliar em todo o processo.  Vida longa à COARTE.

Kléber Lorenzoni 

O Melhor: A grandiosidade de um espetáculo criado em menos de dois meses, e preparado com um amor que chega até nós.

O Pior: O atraso, colocando em risco o interesse do público. A deficiência do processo de sonorização e iluminação do espetáculo. 


                    A Rainha