Grupo Teatral Máschara
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terça-feira, 25 de agosto de 2026
As Troianas - Eurípides
Época
da ação: idade heróica da Grécia.
Local: Tróia.
Primeira
representação: 415 a.C.
PERSONAGENS
POSEIDON, deus do
mar
ATENA, deusa também conhecida como Palas
HÉCUBA, viúva de Príamo, rei de Tróia
CORO, composto
de virgens troianas (primeiro semicoro) e de viúvas de guerreiros troianos
(segundo semicoro)
TALTÍBIO, arauto dos
gregos
CASSANDRA, filha de
Hécuba e de Príamo, profetisa e sacerdotisa de Apolo
ANDRÔMACA, viúva de
Heitor, o maior dos guerreiros troianos, nora de Hécuba e mãe de Astiânax
MENELAU, irmão de Agamêmnon, o comandante
dos gregos em Tróia
HELENA, mulher de Menelau
ASTIÂNAX, filho de
Heitor e Andrômaca, ainda criança
Os gregos são também chamados
argivos e helenos. A Grécia também é mencionada como Hélade.
Os troianos são também chamados de
frígios.
Tróia também é chamada de Ílion; sua
cidadela chamava-se Pérgamo. Frígia era a região em que ficava Tróia.
Cenário
O
acampamento dos gregos diante de Tróia. Ao longe a cidade, de onde se eleva a
fumaça de incêndios; no fundo da cena algumas tendas onde estão confinadas as
cativas troianas. Diante da porta de uma das tendas HÉCUBA chora caída
no chão. É manhã cedo. Entra POSEIDON, invisível para HÉCUBA
POSEIDON
Do salso mar
Egeu profundo, eu, Poseidon1, estou saindo lá de onde as Nereidas bailam2 em sinuosas
danças com graciosos passos. Desde que aqui em volta da antiga Tróia
|
Apolo
e eu erguemos as muralhas sólidas3 de enormes pedras em perfeito
alinhamento, jamais meu coração deixou de ser benévolo com os habitantes
desta terra e seu país. Agora restam dela apenas fumo e cinzas; a lança grega
saqueou-a, destruiu-a. Um grego, Epeio, usando um
artifício insólito inspirado por Palas, construiu enorme, fatal cavalo,
encheu-lhe os flancos de armamento4 e
introduziu esse funesto simulacro em Tróia, que lhe abriu as portas; o futuro
relembrará o monstro feito de madeira repleto de pugnazes lanças em seu bojo.
Os bosques consagrados hoje estão desertos e dos sacrários corre apenas
sangue humano. Ao pé do altar do grande Zeus Familiar tombou ferido
mortalmente o velho Príamo. Levam-se aos montes muito ouro e os despojos de
Tróia para as numerosas naus dos gregos. Esperam eles ventos fortes
favoráveis soprando certos pelas popas, pois aspiram |
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
1349- Laços Imortais -Os filhos de Augusta (tomo 01)
Frequentei muito o centro espirita na ocasião do nascimento dos meus filhos, ainda na década de sessenta. O centro espirita era ali ao ladinho do antigo Cine Rio. O momento mais esperado era a caridosa imposição das mãos, o que me concedia energia vital e espiritual. Laços Imortais, provou a força canalizadora energética do teatro. Foi como se todos os presentes recebessem um passe, tamanha foi a comoção pelo reencontro das almas que se perderam e se perdoaram na narrativa cheia por sinal, de frases da doutrina kardecista.
O diretor declarou há alguns dias em uma entrevista pública, que pretendia encontrar uma forma de catalogar o Teatro Espirita como Gênero Teatral, o que não concordo. Um Gênero teatral tem características muito próprias e específicas, o que não é o caso aqui. Laços Imortais na verdade, assim como quaisquer montagens de cunho espirita, alimenta-se de vários gêneros e linguagens. Por outro lado, concordo quando Lorenzoni diz que muitos artistas, diretores e produtores torcem o nariz por que consideram o teatro espirita, algo menor. Talvez por ser uma arte direcionada, assim como Paixão de Cristo, Auto de Natal, etc...
O tema da reencarnação foi muito bem desenvolvido, e sempre acaba interessando muito. Hinduísmo, Jainismo e Budismo, são algumas das tantas religiões que pregam esse olhar de vida cíclica. O espiritismo no entanto baseia-se no aspecto tríplice de filosofia, religião e ciência, andando juntas. Ali não há dogmas ou rituais. Por isso mesmo é uma doutrina na qual membros de qualquer religião podem aportar.
Senti falta de no roteiro, muito bem escrito, dos princípios caritativos do Espiritismo. Para o apostolo Paulo de Tarso, a ausência de caridade, é como um sino, que faz barulho, mas está vazio por dentro... Talvez a personagem de Carol Guma, pudesse falar disso na cena, ou mesmo Irmã Joana.
A escolha de elenco foi funcional. Destacando-se Ana Clara Kraemer como a doce irmã de Bentinho. Ravi Dantas, Kleberson Ben e Kléber Lorenzoni, interpretam Bentinho Moraes, um jovem cuja vida é cercada de tristeza e sofrimento, pela forma como seu pai lhe trata. Ravi Dantas, ainda que bastante jovem, tem uma desenvoltura precisa e consegue triangular com o elenco como um ator profissional. O Máschara tem o costume de trabalhar atores para uma postura profissional. Por isso, todos na cena, parecem fazer teatro já há um bom tempo. Renato Casagrande e Kléber Lorenzoni, (Thomáz e Bento) se perdem e voltam a se encontrar na ultima cena. Ou seja, o principio cênico do trágico muito bem colocado: Primeiramente o mundo vivendo em equilíbrio com regras bem organizadas e então acontece o Húbris (desiquilibrio), um personagem comete um ator de orgulho excessivo ou rebeldia. Ele ultrapassa os limites permitidos pelos Deuses ou pelas leis da natureza. O Nêmesis (consequência), acontece o universo precisa punir essa falha. E então acontece a Catarse (reequilíbrio), a ordem do mundo é restaurada.
O Máschara deu vida à soror Joanna de Ângelis, Mártir histórica da Independência do Brasil. Ela foi perfurada por uma baioneta enquanto tentava proteger noviças e perseguidos que estavam ali. Priscila Chiesa interpreta com leveza, e ao mesmo tempo com uma docilidade que merece aplausos. Emocionantes também os encontros entre Augusta e Beatriz e mais tarde entre Bentinho e seu pai, já livre dos obsessores.
Clara Devi e Junior Lemes precisam de uma revisão em suas caracterizações. Iluminação mais pontual e cuidado para não revelar que deve ficar obscurecido. Palmas para as cenas do Umbral, deram um toque muito especial.
Enquanto assistia ao espetáculo, tentava fazer um paralelo, entre a doutrina espirita e o teatro, já que no ultimo há também um mistério: tudo aquilo que acontece em cena desaparece no instante em que termina. A cortina se fecha, as luzes se apagam, o público vai embora e aquela história, exatamente daquela maneira, nunca mais existirá. Pode haver uma segunda apresentação, mas ela já será outra. Outros silêncios, outras respirações, outros erros, outros acertos, outras emoções. Mesmo que o texto seja o mesmo, o teatro jamais se repete. Porque aquilo que transforma um ator em personagem também é passageiro. Durante alguns minutos, alguém deixa de ser quem é para emprestar o corpo, a voz, o olhar e a alma a alguém que só existe naquele espaço. Depois, o personagem desaparece. Recolhe-se para algum lugar invisível, como fazem os sonhos quando acordamos. Talvez seja justamente por isso que me incomode tanto quando vejo uma cena tratada sem respeito. Um ator que não sabe para onde caminhar. Um figurino que denuncia ser apenas uma roupa. Uma música escolhida por acaso, como se qualquer trilha pudesse traduzir uma emoção. Um grito colocado no lugar da verdade. Uma luz medíocre. Pequenos descuidos que, juntos, roubam do teatro aquilo que ele tem de mais precioso: a capacidade de fazer acreditar. Porque o teatro é feito de coisas que não podem ser explicadas inteiramente.
Direção Kléber Lorenzoni
Vencedores Melhores do Ano 2025
Troféu Mascharito - Ana Clara Kraemer
Melhor Ator -Cléber Lorenzoni
Melhor Atriz - Carol Guma
Melhor Ator Coadjuvante - Renato Casagrande
Melhor Atriz Coadjuvante - Julia Das Almas










