quinta-feira, 6 de novembro de 2025

1296-Rei Lixo (tomo 03).

             Sempre que podem, nos últimos quatrocentos anos, estudiosos, ensaístas, literatos, ou mesmo artistas, tentam reinventar Shakespeare. Encontrar nessa cascata inesgotável de vida, de pensamento, de filosofia humana, um "algo" ainda não percebido. Stendhal, Samuel Johnson e até, por que não dizer, Gordon Craig. Todos eles, e muitos outros, viram facetas, detalhes, nuances novas. Ontem, após assistir Rei Lear mais uma vez, eu tive  uma epifania. O Máschara, ou o Kléber, ou o Grupo, enfim, encontraram uma nova visão bastante simples e óbvia, mas que muitos ainda não enxergaram: Shakespeare é tão humano, que é simples. Mas não é o humano de forma supérflua, ao contrário, ele é profundo, corajoso. Shakespeare está lá, onde poucos ousam penetrar. No pensar!!!

             Sobre o palco, sete criaturas, sete dons, sete vidas. Um número importante e significativo, regido por um Lear pantocrator. Ao seu redor: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. Esses são os sete corpos celestes, vistos a olho nu pelo homem. Os sete corpos que Lear rege, enxerga de seu trono. Respectivamente esses signos celestes representam a essência de Edgar, os instintos de Cordélia, a energia objetiva de Edmundo, a comunicação do Bobo, a expansão ambiciosa de Regana, a paixão de Goneril, e a responsabilidade de Gloster. Lear tem a percepção do Bem e do Mal, mas se equivoca com a postura dos que o servem. Por isso decide sair desse mundo, decide ficar na tempestade, percebe que o mundo não é mais um bom lugar para viver.

           Douglas Maldaner vem mostrando um belo crescimento e desenvolvimento em seu trabalho de ator, mas pode falar mais alto, não baixar seus volumes ao final de cenas. Qual será a postura, ou a energia de um cavalo quando se sente ecoado, como Edgar? Eu enquanto admiradora do Máschara  a muitos anos, torço que esse jovem um dia se torne um dos Anciãos, ensinando o que aprendeu, às próximas gerações. 

                Dos bufos, com seus corpos deformados ou "excêntricos", expondo as deformidades da alma humana, destacam-se Carol Guma e Ana Costa. Essa ultima com uma criação sofisticada e delicada, quando perfiladas, as três filhas de Lear nos dão o colorido exato, da colcha de retalhos que a direção do espetáculo pintou.  

                  O bobo e Tom, interagiram de forma quase poética com Lear, formando belíssimas figuras plásticas pelo palco. Uma pena o cajado do ancião ter rolado pelo precipício em frente ao palco, muito embora, cair do palco dê à cena o clima exato de finitude de poder. A iluminação de Ana Clara Kraemer coroou o palco, enquanto a maldade de Edmundo foi muito bem interpretada por Renato Casagrande. 

                     Rei Lixo vem crescendo, e seu elenco aprece descobrir a cada nova inserção do espetáculo, novos olhares sobre o teatro do bardo. Acredito que Douglas Maldaner ainda possa descobrir novas formas de apresentar a cena de encontro entre pai e filho, lembrando sempre que se trata do protagonista do espetáculo.

                     Uma das principais características do Máschara e percebo isso ano a ano, é a forma como ele constrói artistas, e isso se dá de uma forma muito simples e até prática. A direção do Grupo, formada por uma equipe de diretores-anciãos, presentes ou distantes, coloca jovens iniciantes (membros externos) entre elencos de peso, com preparação intensa ou anos de carreira, e de uma forma quase orgânica, esses atores vão absorvendo meio que sem perceber, as capacidades do todo. Assim, Ana Costa e Junior Lemes, por exemplo, não deixam nada a desejar para uma narrativa que reflete unidade e equilíbrio de atuações. Claro que o tempo de teatro pesa, claro que possivelmente as capacidades já estejam intrínsecas, e o Máschara apenas as desperta. Assim sendo, o Duque primata e a Princesa Galinácea, preenchem o palco como atores de alto escalão. Merecendo a meu ver destaques no festival. 

                   A cena final do espetáculo toca pela pompa e circunstancia, tão típicas do jeito de fazer teatro do Máschara. Um obra única, que deve ser revisitada sempre, como uma aula de pronuncia de Shakespeare.



Rei Lixo- Festival Rosário em Cena

Direção e  texto- Kléber Lorenzoni


Elenco:

Kléber Lorenzoni,

Renato Casagrande

Douglas Maldaner (*)

Antonia Serquevitio (**)

Junior Lemes (***)

Ana Costa (***)

Kleberson Ben (*)

Carol Guma (**)


Contra Regragem 

Ana Kraemer (**)

Roberta Teixeira (**)

DidY Flores (**)



Arte é Vida

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Alunos da ESMATE na Feira do Livro de Cruz Alta


 

Ascensão de Carol Guma - Status IV


Animadores em festas temáticas


 Clara Devi, Douglas Maldaner e Roberta Teixeira

divulgação Rei Lixo


 

Garota Propaganda do Mercadão dos Óculos


 

Premiações de Melhor Atriz Coadjuvante

 2025

Carol Guma - Goneril - 2º Troféu - Rosário em Cena

Carol Guma - Goneril - 1º Troféu - FIT
Ana Costa - Regana -1º Troféu - FIT


2024 
Dulce Jorge- Beatriz  -9º Troféu - Melhores do Ano
Dulce Jorge -Beatriz -11 ª Indicação -FIT


2023
Ellen Faccin - Salomé -1º Troféu - Melhores do Ano


2022
Raquel Arigony - Maria de Bethania - Melhores do Ano - 4º Troféu

Eliani Aléssio - 2º Troféu/ Laura Hoover 1º Troféu/Clara Devi 2º Troféu/ Raquel Arigony 4º Troféu/ Carol Guma 1º Troféu/ Antonia Serquevitio 1º Troféu - Rosário em Cena

Clara Devi- Maria da Glória -1º Troféu -FIT
Eliani Aléssio -Glória 2ª Indicação -FIT

2019

Leonir Batista - (Tia em A Hora da Estrela) -  Festival De Teatro Estudantil de Paim Filho - Iª Indicação

Eliani Aléssio - (Glória em A Hora da Estrela) - Festival de Teatro Estudantil de Paim Filho - Iº Troféu

2018

Clara Devi -Carolina em Lendas - Melhores do Ano - 1ª Indicação
Alessandra Souza - Serafina em Lendas- melhores do Ano - IIº Troféu
Raquel Arigony - Isabel em Auto de Natal - Melhores do Ano - 3ª Indicação

2017

Raquel Arigony - Maluc em A roupa Nova do Rei- Melhores do Ano - 2º Troféu

2016

Raquel Arigony - Velha Cega em Complexo - Melhores do Ano 1º Troféu
Dulce Jorge por Eunice Cintra em Olhai -2º Cena Viva - 8º Troféu

Fernanda Peres por Irmã Isolda em Olhai - 2º Cena Viva -1ª Indicação

2012
-1rgarida  em O Santo e a Porca -Art in vento - 2ª Indicação

2009

Dulce Jorge por D. Quitéria em O Incidente 11º DOMPA 10º Indicação

Alessandra Souza por Rita em O Incidente 11º DOMPA 1º Troféu

2008

Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos 1º FETTEN 7º Troféu


Tatiana Quadros por Fada Mascarada em Lili XVº ERECHIN 1º Troféu


Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos XVº ERECHIN 6º Troféu


Tatiana Quadros por Fada Mascarada em Lili 10º DOMPA 1ª Indicação

Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos 10º DOMPA 5º Troféu

2007

Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos 11º FERTAI 4º Troféu

Angélica Ertel por Glorinha em Esconderijos 11º FERTAI 1ª Indicação

2006

Kellem Padilha por Lili em Esconderijos do Tempo 5ºFESTSALTO 1ª Indicação

2003

Lauanda Varone por Criada em Bodas de Sangue Xº FERTAI 1ª Indicação


Dulce Jorge por Mãe em Bodas de Sangue Xº FERTAI 3º Troféu


2002

Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth XIIIº FETARGS Final 9ºTroféu

Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth XIIIº FETARGS 13º Indicação

Simone De Dordi por Lady Macduff em Macbeth 16º CANELA 8º Troféu

Simone De Dordi por Dorina em tartufo 2º FESTSALTO 7º Troféu


Marcele Franco por Mariana em Tartufo 2º FESTSALTO 7ª Indicação

Dulce Jorge por Elmira em tartufo 2º FESTSALTO 4º Indicação


Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth -9º FESTVALE 10ª Indicação


Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth -9º FERTAI 6º Troféu

2001

Marcele Franco por Mariana em Tartufo – XIIº FETARGS –final Caxias 2º Troféu

Dulce Jorge por Elmira em Tartufo – VIº Santiago em cena- 2º Troféu


Marcele Franco por Mariana em Tartufo – VIº Santiago em cena – 5ª Indicação


Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – XIIº FETARGS – semifinal -5º Troféu

Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – 8º FESTVALE – 4º Troféu


Marcele Franco por Mariana em Tartufo – 3º Uruguaiana – 4ª Indicação

Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – 3º Uruguaiana – 3º Troféu

Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – VIIIº FERTAI – 5ª Indicação

Marcele Franco por Mariana em Tartufo – VIIIº FERTAI – 1º Troféu

2000

Simone De Dordi por Tirésias em Antígona – XIº FETARGS- final – 4º Indicação

Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – XIª FETARGS- final – 3º Troféu

Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – 1º FESTSALTO - 2º Troféu


Marcele Franco por Ismênia em Antígona – IVº Santiago em Cena- 2º Indicação

Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – 2º Uruguaiana – 3ª Indicação

Simone De Dordi por Tirésias em Antígona – 2º Uruguaiana – 2º Troféu

Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – 2º Rosário em cena- 2º Indicação

Simone De Dordi por Tirésias em Antígona – VIIºFERTAI – 1º Troféu


1999

Marcele Franco por Palhacinha em Carrocinha-1º Uruguaiana – 1ª Indicação

Ariane Pedrotti por Espanhola em Carrocinha – 1º Uruguaiana – 1ª Troféu


Simone De Dordi por Palhacinha em carrocinha – 3º Santiago em cena – 1º Indicação

1997

Dulce Jorge por Magnólia em Bulunga o rei azul- IVº FERTAI – 1º Troféu

1994

Dulce Jorge por Bárbara em Um Dia a casa cai – Iº FERTAI – 1º Indicação

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

1291- O Incidente (tomo 96)

 Quem está ao nosso lado, na pior hora? Na hora do diabo...

O teatro é dividido em setores, cada setor precisa cumprir sua função com exímia perfeição para que o produto final, ou seja o espetáculo teatral alcance o sucesso almejado. De todas as artes, o teatro é talvez, a mais estreitamente condicionada pelo momento cultural que a produz. E quanto mais válida, mais condicionada e mais expressiva dos fatores condicionantes. Todo dramatista que procurou alcançar ideais literários arbitrários e escrever fora de seu tempo foi irressarcivelmente condenado ao esquecimento: todos os grandes nomes do teatro universal são, acima de tudo, produtos exatos do momento em que viveram. As grandes obras que sobrevivem através dos séculos adquiriram contemporaneidade diacrônica por meio de uma riqueza nascida do profundo conhecimento que o autor teve dos homens de sua época.
Incidente em Antares é produto de uma época muito especifica, e foi adaptada para uma outra época. Extremamente atual, por tratar-se de um clássico, carrega consigo a efervescência de um povo que não muda, falando  de coisas que não mudam. Nessa semana, no Rio de Janeiro, mais de cem pessoas morreram em confrontos entre polícia e grupos armados. Um ator indiano chamado Sachin Chandwade, de 25 anos, cometeu suicídio e morreu em 27 de outubro de 2025. A causa da morte foi enforcamento. Chandwade era conhecido por um papel coadjuvante na série de TV Jamtara 2. Não sabemos o que o levou ao enforcamento, qualquer semelhança a situação de Menandro Olinda, é pura especulação. A tuberculose  segue presente entre nós, e continua sendo um grave problema de saúde pública em todo o mundo e no Brasil. É uma doença infecciosa e curável, mas ainda causa milhares de mortes anualmente. A TB está fortemente associada a fatores sociais como pobreza e vulnerabilidade, afetando desproporcionalmente populações como pessoas em situação de rua, privados de liberdade, indígenas e pessoas que vivem com HIV. Em 2024, o Brasil atingiu o maior número de feminicídios desde o início da tipificação do crime, em 2015. É o que aponta o novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ainda existem muito "Pudins", batendo em Natalinas. Ou seja, faltam dois dias para o Halloween, e o mal, segue presente, em várias esferas. Quando os sete mortos invadiram o Centro Cultural de Boa Vista do Incra, foi algo tipo Guerra Mundial Z que os alunos enxergaram, demorará muito para as fichas caírem, para as catarses acontecerem, mas elas estão ali, plantadas. 
Na cena, velhos artistas conhecidos, dividem o palco com iniciantes. De um lado Ricardo Fenner, que embora tenha errado algumas marcas, tem uma ótima presença de palco, o que lhe conferiu uma boa relação com o público. Do outro lado Kleberson Ben, aprendendo esse tipo de interpretação. Didy Flores também faz uma busca, mergulha com intenção. Há de se cuidar com o texto, primeiro ele diz, espero que "não prendam", na segunda fala, "não condene", cuidar sempre o texto é muito importante. 
Lorenzoni esteve muito desconcentrado, parecia com pressa e Clara Devi continua falando seus textos de forma muito rápida. Guma deve tomar cuidado ao "arrancar" as joias, para que não desconcentrem a plateia. Serquevitio está bem, apenas na hora em que fica de braços abertos no canto direito do palco, usa uma expressão que nos confunde, como se estivesse feliz. Lorenzoni precisa cuidar ao usar horizontal ao invés de vertical. O teatro de Verissimo, é sim teatro de texto. É preciso ouvi-lo. 
Foi um dia de bom e útil teatro, a ver pela forma como o público infantil interagiu ao final. Vida longa a todo teatro que transforma e questiona. 

Arte é Vida


O Incidente

Anciãos: Kleber Lorenzoni
               Renato Casagrande
               Ricardo Fenner
Clara Devi (**)
Kleberson Ben (*)
Antonia Serquevitio (**)
Ana Clara (***)
Roberta Teixeira (*)
Didy Flores (**)
Carol Guma (**)

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

momento de criação, ESMATE adulto


 

Crianças se divertem no Halloween do Máschara


 

1287- O Incidente (tomo 95)

           "Aquilo que pode salvar uma comunidade, acaba sucumbindo pelos interesses políticos de uma minoria corrupta."


                     Vamos tentar analisar o espetáculo O Incidente através do público, foi o que tentei fazer durante os cinquenta minutos de espetáculo. Os coretos, infelizmente saíram de moda, restaram claro, palanques oficiais, mas que ocasião melhor para reunir voluntários e  patronesses, do que uma feira de livros? Campo Bom apresentou uma grande estrutura para sua feira, e ainda recebeu os artistas com uma retreta, que entoava canções dos anos 80. Havia sim um representante da prefeitura envolvido na organização, mas certamente nenhum político na plateia. Eles são de exatas suponho, dificilmente de humanas. Na primeira fila, uma bufa, com um bebê nos braços, assistia muito interessada ao espetáculo, certamente era quem mais poderia compreender as camadas sobrepostas pela sagacidade de Erico Verissimo. Não por ser estudada ou culta, mas certamente pela vivência tão próxima das dores inflamadas nas personagens de Pudim e Erotildes. Aquela mulher empurrando um carrinho de supermercado com um menino doente dentro, era a verdadeira metáfora da vida humana capitalista. Quando Menandro tombou após seu bife, ela levou rapidamente a mão ao peito. 

                          O espaço da rua coberta, no inicio com menos de quinze pessoas, foi aos poucos sendo preenchido, possivelmente por que gritos e contorcimentos  do grupo de "zumbis" era a coisa mais intensa naquela tarde abafada. Era a verdadeira praça de Antares. Assim como na cidade fictícia, boa parte da turba, havia se reunido sem entender nada do que acontecia, ali também ocorriam todo o tipo de situações para disputar a atenção do público. Vendedores de livros, escritores esfaimados por vender suas obras, uma mãe que tentava ninar o filho que não parava de chorar, um casal conduzindo um cãozinho que lhes escapou exatamente na cena de Erotildes, um grupo de adolescentes preocupado em organizar uma mesa de certificados, e claro, uma fotógrafa que parecia não perceber o espetáculo acontecendo, apenas a tal mesa de certificados. 

                             Ao fundo, com olhar inexpressivo, o organizador daquela parte do evento, observava, um pouco o palco, um pouco a feira. Talvez no fundo, torcesse que o público se interessasse, afinal, havia apostado suas fichas no espetáculo. Em meio ao cenário dantesco, e ao clima sufocante, de um calor de quase trinta e três graus, aconteceu um sagrado momento teatral. Oito pessoas, abrindo mão de seu existir por cinquenta minutos, para que criaturas, advindas da mente de um autor e de um diretor, tomassem espaço na narrativa existencial daquela tarde. Suas dores, suas culpas, suas vidas, foram sendo expostas, enquanto a vida seguia se curso, meio desorganizada, e com a estética transloucada do dia a dia. Os escritores de Campo Bom, reuniram-se lá no fundo, de costas para o palco e felizes, fizeram um retrato, aquéns do que acontecia no palco, devem ter levado a imagem dos mortos de Antares, ao fundo de sua foto, mesmo sem querer. 

                            Lorenzoni levantou a voz, Casagrande se esforçou, Lemes engoliu uma fala ou outra, Erotildes acelerou um pouco o ritmo, Devi embolou um pouco as palavras, La Jorge engoliu algumas marcas e Ben e Flores lutaram para manter a energia. Entre uma tentativa e outro de curva, um murmurinho aqui e acolá. O som titubeando entre alto e baixo meio desritmado e finalmente uma fala do diretor, para contextualizar.

                                Oscar Wilde, sempre disse que há dois elencos, dois elencos que saem de casa para promover o fenômeno teatral. O elenco treinado, sobe ao palco ensaiado, o elenco de público, veio em busca da catarse, mas não ensaia. Improvisa. E nesse dia faltou jogo, faltou decoro, faltou comprometimento. 

                   -É triste, perceber   que a arte é   tão pouca coisa, tão desnecessária Dona Quitéria.

                        -E o que o Senhor sugere Dr. Cícero?

                     - Que pensemos duas vezes, sobre quem merece ver nosso trabalho, ou então, que nos debrucemos com mais ímpeto sobre o fazer teatral. Algo há de sair disso...

                        Parabéns aos artistas que ainda lutam, que acreditam, que fazem, são eco, que outros seguem, são alicerces para a arte continuar firme, transformando o mundo.

  O melhor : O esforço do ator Renato Casagrande em seguir o espetáculo, mesmo não estando se sentindo bem.

   O pior: A falta de ensaios, que causou uma apresentação repleta de pequenos erros.




   O Incidente - roteiro adaptado da obra e direção de Cléber Lorenzoni

Elenco original- Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni

Elenco em substituição - Renato Casagrande 5º Menandro Olinda, Clara Devi 6ª Shirley, Antonia Serquevitio 4ª Erotildes, Junior Lemes 5º Barcelona, Cleberson Ben 7º João Paz, Didy Flores 6º Pudim.

Equipe técnica - Roberta Teixeira e Ana Clara Kraemer



                               Nós passamos, o teatro fica!!!

                          

Tomando conta das ruas


 

Caracterizações do Halloween