domingo, 10 de março de 2013

Feriadão 99- apresentação 617 do Máschara

                As gerações passam, a sociedade evolui, nossas inter-relações mudam, e o mundo torna-se tecnológico, no entanto um grupo de crianças brincando dentro de um sótão será igual durante milhões de anos. Assim começa Feriadão (2002) espetáculo escolhido para abrir a 1ª Matinê do Máschara. Casa lotada, ambiente agradável, assentos confortáveis. E principalmente, crianças sendo postas em contato com a arte, com o teatro. O Teatro pode sim mudar o mundo, mudar a sociedade, ajudar o homem a questionar-se, a mudar coletivamente a sociedade ao seu redor. O teatro auxilia na construção de um ponto de vista, desenvolve a personalidade. Crianças que frequentam o teatro não se tornam adultos medíocres. 
                       O texto de Hércules Grecco, escrito em 2001, passou por várias mudanças e adaptações, claro um espetáculo com dez anos de estrada acaba sofrendo várias influências, mudam atores, mudam conceitos. O que fica é o interesse em falar dos direitos de cada um, da mobilidade das pessoas e finalmente  dos perigos do trânsito. 
                          O espetáculo é animado, não muito longo, divertido e arranca boas risadas também dos adultos que visualizam seus pequenos nos atores em cena. Frédi, Serenita, Faísca, Luisinho e Filipinho brigam, brincam, se aborrecem, se desentendem, fazem as pazes, tudo com aquela rapidez típica das crianças. Não há rancores, nem tristeza que perdure. Tudo tem o tempo breve de uma brincadeira. 
                        Não é exatamente um musical, mas as canções com letra de Hércules Grecco e musica de Leonardo Diaz, envolvem a platéia delicadamente. Ocorreram alguns pequenos desajustes nas marcas, atores meio imprensados entre cenários e colegas espaçosos em cena, tudo claro causado pelo espaço pequeno, nada que coloque em risco o aproveitamento. A ideia das oferecer as crianças colchonetes para que possam sentar-se no chão torna o momento aconchegante, caloroso e atrai ainda mais para o palco. Enfim o Máschara sabe certamente fazer teatro e torná-lo atraente ao público. 
                             Cléber Lorenzoni (**) continua com sua facilidade em transformar-se rapidamente, pensando sempre em triangular tanto com as crianças quanto com os adultos sem prejudicar a compreensão do espetáculo. Alessandra Souza (***) pontua muito bem as cenas, corre atras do jogo e nesta apresentação esteve muito bem, nos dando uma Faísca coesa e divertida. Fernanda Perez (**) é atraente demais em cena e consegue adaptar-se facilmente a tudo a sua volta. Renato Casagrande (**) é um ator responsável, dedicado e está se tornando bastante ousado, Precisa apenas melhorar a afinação nas musicas já que tem ótimo volume e sua voz se destaca. Evaldo Gullart   (**) é o mais jovem talento do Máschara, jovem em idade e carreira. Já mostrou que tem facilidade em adaptar-se à partituras de terceiros. Em Lili destacou-se mais é verdade, no entanto o pouco tempo que a equipe teve para ensaiar Feriadão, nos revela a capacidade do ator. 
                             Uma pena o espaço não nos oferecer capacidade para uma boa luz. A trilha em verdade são os atores cantando e o fazem razoavelmente bem, embora 80% do elenco deva investir em compreensão musical. Agora ficamos ansiosos esperando pela segunda edição da Matinê em abril.

Roberta Corrêa (**)
Luis Fernando Lara (**)
Gabriela Oliveira (***)



A Rainha.

O iniciante ator Evaldo Gullart em sua terceira investida no palco dentro do Grupo Teatral Máschara



Sesc Cruz Alta, preparado para receber teatro



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Cena às 7 57º Lili Inventa o Mundo (B)


              Cena às 7, é algo que já se solidificou, teatro todo mês na Casa de Cultura de Cruz Alta, sempre com espetáculos do Máschara. No espetáculo de hoje, adultos deliciaram-se com a poética de Mario Quintana e crianças riram e viajaram por um mundo de fantasia. No palco seis atores, com talentos diversos, energia, domínio do fazer teatral  e voracidade. Cléber Lorenzoni a frente do elenco arrancou gargalhadas com seu parceiro Evaldo Goullart. O teatro é a arte do dia, é efêmero, é para quem está naquele momento, nunca será igual. Pois depende da inspiração do ator naquele dia. E a equipe do Máschara estava muito inspirada. 
                 Foi a apresentação de número 94, e o espetáculo tinha cara de espetáculo novo. Lili Inventa o Mundo lendo seu livro de poesias conhece o senhor poeta (Mario) e seu ajudante (o pequeno Malaquias- aquele que por um pequeno erro divino tinhas asinhas no bumbum e não conseguia voar direito). Lili é apresentada ao pé de pilão (o menino Matias que é transformado em patinho pela fada mascarada que mora na floresta encantada e que é feia feia feia como ninguém faz ideia). Enfim poesias e versos sem parar. 
                   Fernanda Peres esteve muito bem, no entanto precisa ter mais cuidado com sua presença em cena. Lili com um brinco na orelha não fica muito legal. A troca do vocábulo Comeu por Engoliu, seria muito  mais perspicaz. E a prosa final da peça deveria ter sido dita com maior sapiência. 
                    Renato Casagrande descobriu muito mais coisas em cena, gosto de atores que sempre retomam suas personagens, descobrindo coisas novas, ousando. O pé de pilão foi o xodó do público infantil. Roberta Queiróz esteve muito bem, a atriz pode forçar um pouco mais sua pronuncia, mas sua interpretação nada deixa a desejar. Alessandra Souza parece ter captado muito bem a alma do espetáculo nessa apresentação, mas tanto ela quanto a colega pularam algo durante o "Pirulim, pirulim, pirulim..." Há de se ficar mais atento. Evaldo Goullart criou muito, é um ator que traz de casa. não é a toa que mudou de Status logo após a interpretação. É um dos novos talentos do Máschara.
                         Na parte técnica, o Máschara precisa ser mais capacitado, não basta ter bons atores se a técnica do espetáculo não acompanha. 
                            Teatro infantil não é mais fácil de fazer, não é mais simples, criança é muito mais exigente que adulto, é verdadeira. Lili Inventa o Mundo é e sempre será o melhor espetáculo infantil da Cia.

Alessandra Souza (**)
Renato Casagrande (***)
Cléber Lorenzoni (***)
Roberta Queiroz (**)
Evaldo Goullart (***)
Fernanda Peres (*)
Gabriela Oliveira (*)
Luis fernando Lara (*)


A Rainha

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Presépio vivo no natal


Matinê do Máschara


O Renascimento

            Eu já havia dito que o espetáculo Lili Inventa o Mundo(2006) do Grupo Teatral Máschara deveria não mais ser apresentado, por motivos que agora não vem ao caso repetir. No entanto ontem a peça se reinventou, e provou que sempre é um bom momento para se recomeçar a buscar algo em cena. Atores sempre podem descobrir algo novo, toda a apresentação é momento para um ator encontrar novas inflexões, novas emoções. O público do Cena às 7 do sábado é sempre um público menor, parece que o teatro em Cruz Alta foi realmente aprovado no domingo. Mas um público pequeno tem seu ponto positivo.                             
Os atores conseguem envolver melhor, tocar cada um dos presentes de forma mais calorosa. E o clima se estabeleceu, claro o espetáculo foi mais cômico, mas quem disse que a poesia não pode ser engraçada? Felizmente a poesia pode ser tudo!
            Quando um espetáculo é bem concebido, e alcança um certo grau de perfeição, mesmo que haja substituições, os atores que entram rapidamente se vêem em meio a esse mundo proposto. Mérito aí de Dulce Jorge(St. A) e Cléber Lorenzoni(St.I ), que mantém seu trabalho com pulso firme. O Teatro é de certa forma uma ciência exata, o teatro pode ser matemático, é emoção, uau, o teatro é tudo!
             A atriz Fernanda Peres (St.III) preenche muito bem a lacuna deixada pela protagonista anterior. Peres tem um talento magico, uma facilidade para ambientar-se, uma lucidez cênica e um profundo respeito pela platéia. Talvez por isso mesmo consegue sempre em questão de poucos dias abraçar a personagem que lhe é delegada. Pois bem, precisa de mais técnica, mas essa técnica precisa ser buscada calmamente, sem turbilhões, sem pressões para não massacrar seu talento. Diria que para agora é mister trabalhar a voz, e o corpo no espaço cênico.
                O Ator Evaldo Gullart (St.V) merece louros dourados. Estreou com pé direito e orgulhou certamente todo o elenco. Evaldo trás consigo um approach que se adapta rapidamente, cheio de criatividade e improvisação. Chegar de repente e assumir o papel de um ator que era muito admirado não é tarefa fácil. O elenco a sua volta, e o público exige algo a altura. Falta à Evaldo também muita técnica, no entanto há nele já uma técnica empírica, e essa experiencia tem haver com seus outros trabalhos ainda em sua cidade natal. 
                        Alessandra Souza (St.III ) e Renato Casagrande (St.II ) são os mesmos, ele com mais recursos que em 2012, mais cartas na manga. É um ator de energia, presença, e foi sem dúvida muito generoso com a colega de cena, pode ainda rever a cena da transformação, ousar, criar, sentir algo novo. Alessandra é uma atriz mais sutil e por isso mesmo precisa de mais força em cena para chegar onde quer. A Rainha das Rainhas estava belíssima, mas fugia um pouco da proposta do espetáculo. Mas foi bom ver a naturalidade com que a atriz atuou, sem a tensão nervosa que atores estreantes tem e que pode pôr em risco a encenação. 
                       Roberta Queiróz (St.IV) já foi prata da casa, e agora está de volta, precisa acreditar mais em si mesma, ousar, aprofundar o talento que tem dentro de si. Mesmo no papel de Fada Mascarada, já foi muito longe... E acredito que com pouco mais de repetições chega lá. 
                           Cléber Lorenzoni (St.I) segurou o espetáculo e pontuou as cenas. A cada entrada do Senhor Poeta e de Malaquias o público sorria envolvido novamente. E o interessante é ver um ator já de tempos, desafiado pelo novato. Cléber conhece, e não poderia ser diferente, as cartas na manga de todo os seus atores. Mas Evaldo era surpresa constante em cena. E isso fez o ator/diretor se remotivar em cena.
                            A iluminação de Luis Fernando Lara foi pobre de climas, falta de alma, e de possibilidades téncicas. Espetáculo infantil precisa possuir mais luminosidade, mais cor. A trilha de Gabriela Oliveira foi pontual, mas as vezes um tanto pesada
                                     Lili Inventa o Mundo encantou quem assistiu e parece realmente pronta para nova turnê. Parabéns aos atores do Máschara que sempre vencem os desafios que os nossos perspicazes Deuses do teatro impõe.

Cléber Lorenzoni (***)
Alessandra Souza (**)
Evaldo Gullart (**)
Fernanda Peres (***)
Roberta Queiroz (**)
Renato Casagrande (***)
Gabriela Oliveira (**)
Luis Fernando  Lara (**)
Ricardo Fenner (**)

Dulce Jorge (**)


O Ator Cléber Lorenzoni