segunda-feira, 14 de maio de 2012

Entrevista com Cléber Lorenzoni, feita por esta crítica de teatro...




Então vocês acabam de estrear Os Saltimbancos de Chico Buarque. Como foi o processo? Como se sentiram, e quais as expectativas para o futuro?

As expectativas são as melhores... Apresentar muito... Fechar o ciclo! As musicas são lindas, são de Chico Buarque e Sergio Bardotti e nos emociona muito fazê-lo, afinal há muitos anos tínhamos essa talante. Fomos estrear agora em Bento Gonçalves, para um público muito legal, em plena 27ª Feira de Livros. O processo foi maravilhoso e exaustivo, bem ao estilo Máschara de fazer teatro. Muitos ensaios, pesquisa corporal, construção há várias mãos. Aliás, esse espetáculo que estreou aqui em Bento Gonçalves, começou a ser construído, concebido, em 2003, com outra formação de elenco. E todos eles colaboraram de alguma forma, afinal como tu sabes, essas criações ficam todas codificadas em nossas mentes, memorizadas por muito tempo. Na época Lauanda Varone faria a Gata, que agora é interpretada por mim, Rafael Aranha faria a galinha, e Alexandre Dill faria o cão e eu o Jumento. Mais tarde em 2009, Roberta Correa e Angélica Ertel também abraçaram a idéia, mas não vingou. Sei lá, são os deuses do teatro que decidem essas coisas... Talvez não fosse o momento, mas claro, ficou-nos muita coisa dessas tentativas e que agora aparecem na cena.

E quem são os envolvidos agora? Como tu escolheste o elenco?
Para grupos do interior não há muito o que escolher, afinal tu vais trabalhando com quem está ali afim. No elenco somos eu, Gabriel Wink que é um ator muito criativo, muito intuitivo e que faz o Jumento. Alessandra Souza, uma atriz que está aos poucos se revelando um grande intérprete e que faz a Galinha. Há também Renato Casagrande que é um jovem muito dedicado e desafiador no papel do cão. Na direção somos eu Dulce Jorge. Na contra-regragem e responsável pela execução da sonoplastia tenho Gabriela Varone, que é natural de Julio de Castilhos e que vem se adaptando muito bem ao grupo e é claro contamos com o apoio de vários outros colegas que nos ajudam a por tudo em cena. Mas queríamos um elenco pequeno, fácil de reunir, de trabalhar. Por isso apenas quatro atores. Renato Casagrande tinha que ser o cachorrinho, seu crescimento é visível, vai ser com certeza um grande ator. Gabriel Wink era nossa melhor opção para o Jumento, afinal tem quase seis anos de palco, um bom trabalho corporal. Alessandra Souza também tem sido uma companheira de lutas e provou estar a altura do papel.

Tu sempre dirigiste os espetáculos do Máschara, e também fostes o primeiro papel, agora divides a direção com Dulce Jorge e entregas o papel principal a Gabriel Wink, por que, estás começando a cansar?

Na verdade em As Balzaquianas(2011) eu e Angélica Ertel dirigimos juntos, e em A Maldição do Vale Negro(2009) Dulce Jorge dirigiu ao meu lado. É uma questão de idéia, de inspiração, da situação atual. Acho que também há o interesse em dividir algo. Algo que se quer muito. E a Dulce Jorge é minha irmã de alma, de gostos teatrais. São anos cirando, compondo, idealizando juntos. Então na verdade tudo o que dirijo tem a assinatura dela também. Quanto ao papel principal, durante anos tive que ser a cara dos espetáculos, mas também por uma questão de disponibilidade. Eu vivo inteiramente para o teatro, para o Máschara. Posso dedicar 24 horas por dia para a cena. Então isso me da uma confiança em mim mesmo.Mas claro que depois de tempos trabalhando com Gabriel Wink, e já que eu queria fazer o papel da gata, decidimos que ele deveria assumir o primeiro papel. Mas não vou mentir que não tive milhões de receios. Sou libriano, indeciso sempre.
E como é dirigir um grupo de jovens artistas?
Não é fácil e não é de todo difícil. Diretor tem que ser meio psicólogo, meio conselheiro. Tem que ser muito político. Gabriel Wink é um ator de muita personalidade. Ele sabe o que quer fazer no palco. Renato Casagrande é o tipo de ator que te desperta a vontade de desafiá-lo. Alessandra Souza tem algumas dificuldades, e aos poucos vem revelando muita independência. Por tanto tu não podes chegar mandando, tu precisas absorver muito dos atores. Afinal eles tem muito a dar.
Tu me surpreendes, até pouco tempo atrás pensava que tu preferias trabalhar com atores que omitissem seu ponto de vista e apenas cumprissem sua vontade cênica, como Charles Chaplin...
Sim, sim, mas acho que isso tem haver com amadurecimento. Agora é mais vivaz, mais prazeroso saber o que os atores tem para ofertar à cena. Por exemplo, com Renato Casagrande fazendo o cachorro e eu a gata, é uma festa, criamos muito juntos. Enfim dirigir é muito complexo.

E por que Saltimbancos?
Saltimbancos é um clássico do teatro. Foi escrito em plena ditadura e seu texto está repleto de críticas a política e ao regime da época. Mas não é texto morto, embora pareça muito datado. Quase todo mundo já montou ou vai montar e meu preconceito para com esse texto era enorme e paradoxal. Mas ele me toca em dois aspectos. Ele fala de união e de diversidade. Não gosto de falar em mensagem do espetáculo, penso que isso é mastigar o texto, a idéia, no entanto é indiscutível a força com que Chico representou a premissa de que a união faz a força. Em O Conto da Carrocinha (1999) havíamos discutido a fábula de O patinho feio, não me convencia a idéia de que O “patinho-cisne” precisasse viver com seus iguais para viver feliz. E por isso ele não quis ficar nem com os Cisnes nem com os “Patos”. Quis viver com alguém que simplesmente era outro ser. A diversidade está aí, presente nos chocando, nos questionando e é hora sim de falar disso. Tenho a pretensão de mudar o mundo, não no quesito para melhor ou para pior, quero virá-lo de ponta cabeça ao menos. Em uma cena maravilhosa de A Dama de Ferro com Meryl Streep, a atriz, intepretando Margareth Teacher, comenta que as pessoas sentem demais e pensam de menos. Talvez por isso haja cada vez mais depressivos e burros no mundo.
E desse ano eleitoral, o que espera para o teatro para as artes?
Que se os políticos não forem ajudar que ao menos não atrapalhem. Eles passam a arte fica!

                                          Bento Gonçalves 14 de Maio de 2012

                                                 A Rainha e Cléber Lorenzoni

quarta-feira, 25 de abril de 2012


Próximos Espetáculos




?-Os Saltimbancos - 10/11/2012 Salto do Jacuí 
 
?-O Santo e a Porca - 08/11/2012 Feira de Livros de Garibaldi 

?-Ed Mort - 08/11/2012 Feira de Livros de Garibaldi 

?-O Castelo Encantado 08/11/2012 Feira de Livros de Garibaldi 

?- Os Saltimbancos   07/11/2012 Feira de livros de Garibaldi

549/550- TArtufo (tomo 28/29) 49º Cena às 7

547/548- Os Saltimbancos (tomo 06/07) 06/06/2012 14 e 16 horas E.E. Venâncio Aires

545/546- Os Saltimbancos (tomo 04/05)  05/06/2012 14 e 16 horas E.E Margarida Pardelhas

543/544- Os Saltimbancos (tomo 02/03) 48 º Cena às 7 dias 26 e 27 de maio


541/542- O Castelo Encantado (tomo83/84) 15/05/2012 Feira de Livros de Bento Gonçalves

540- A Maldição do Vale Negro (tomo 17) 14/05/2012 Feira de Livros de Bento Gonçalves

539 - Os Saltimbancos (tomo 01) 14/05/2012 Feira de Livros de Bento Gonçalves

537/538 -A Maldição (tomo 15/16) 21 e 22/04/2012 47ºCena às 7

536-O Incidente Frag. (tomo 74) 18/04/2012 Bento Gonçalves

535-Ed Mort (tomo 09) 04/04/2012 Capão da Canoa

534-Esconderijos do Tempo (tomo 66) 27/03/2012 Osório

533 - Deu a louca no ator (tomo 02) 18/03/2012  46º Cena às 7

530/531/532- As Balzaquianas (tomo 05-06-07) 03,04,05/02/2012 Sala Carlos Carvalho 
Porto Verão Alegre

529- As Balzaquianas (tomo 04) 15/01/2012   45º Cena às 7

528-Esconderijos do Tempo-(tomo 65)04/12/2011 44ºCena às 7

526/527- Lili Inventa o Mundo (tomos 91/92) 26/11/2011- feira de livros de Viamão

525- O Feriadão (tomo 96) -10/11/2011) Tarde Garibaldi

524-A Maldição do Vale Negro (tomo  14) - 10/11/2011 manhã - Garibaldi

523- O Incidente (tomo 73) 09/11/2011 -manhã - Garibaldi

522- Feriadão (tomo 95) 08/11/2011-tarde- Garibaldi

521-O Incidente (tomo 72) 06/11/2011 -Cruz Alta - 43°Cena às 7

520-Lili Inventa o Mundo (tomo 90) Cruz Alta - 28/10/2011

519- Feriadão (tomo 94) 21/10/2011 Cruz Alta Annes Dias

518 - O Castelo Encantado  (tomo 82) 17/10/2011 Antonio Prado

517- O Castelo Encantado  (tomo 81) 17/10/2011 Antonio Prado

516- O Incidente (tomo 71) 16/10/2011 Antonio prado

515-Feriadão (tomo93) 09/10/2011 42º Cena às 7

514 - Ed Mort -41º Cena às 7 (tomo 08) 18/09/2011

513- Deu a louca no ator (tomo 01) 21/08/2011 40º Cena às 7

512- As Balzaquianas (tomo 03) 17/11/2011 - Itaqui

511 - Lili Inventa o Mundo (tomo 89) 12/11/2011 Feira de Livros

510 - A Maldição do Vale Negro (tomo 13) 17/07/2011 39º Cena às 7

509 - As Balzaquianas (tomo 02) 19/05/2011 38º Cena às 7

508 - O Feriadão  (tomo 92) 18/05/2011 Bento Gonçalves

507 - A Maldição do Vale Negro - 19/05/2011 (tomo 12) Bento Gonçalves 

506- Lili Inventa o Mundo - 18/05/2011 (tomo 88) Bento Gonçalves 

505 - O Incidente - 18/05/2011 (tomo 70) Bento Gonçalves

504 - Feridão - 17/05/2011 - (tomo 91) Bento Gonçalves

503 - O Incidente -17/05/2011- (tomo 69) Bento Gonçalves

502 - Lili Inventa o Mundo 16/05/2011-(tomo 87) Bento Gonçalves

501 - 37º Cena às 7 - As Balzaquianas -15/05/2011  (tomo 01)

500- Esconderijos do Tempo - 20/03/2011 (tomo 64) Teatro Carlos CArvalho

499-Esconderijos do Tempo - 19/03/2011 (tomo 63) Teatro Carlos Carvalho


498 - Esconderijos do Tempo - 18/03/2011 (tomo 62) Teatro Carlos Carvalho

497- Lili Inventa o Muno - 02/11/2010 (tomo 86) Tupanciretã

  496 -Esconderijos do Tempo - 24/11/2010 (tomo 61) Três Coroas


495- O Incidente - 05/11/2010 (tomo  68 ) Nova Prata

494- O Incidente - 05/11/2010 (tomo 67 ) Nova Prata

493 - O Castelo Encantado - 04/11/2010 (tomo 80 )  Nova Prata

492- O Castelo Encantado - 04/11/2010 (tomo 79 ) Nova Prata

491 - O Incidente -03/11/2010 (tomo 66 ) Nova Prata

490 - O Incidente -03/11/2010 (tomo  65  ) Nova Prata

489-A Maldição do Vale Negro - 23/10/2010 - (tomo 11 ) Osório 

488- Lili Inventa o Mundo - 1617/10/2010 (tomo 85) Antonio Prado

487-Feriadão -16/10/2010- (tomo 90) Antonio Prado

486 - Lili Inventa o Mundo- 10/10/2010- (tomo 84) 36º Cena às 7  -infantil-

485- Lili Inventa o Mundo - 09/10/2010 (tomo 83) Garibaldi

484 - Feriadão - 09/10/2010 - (tomo 89 )  Garibaldi

483 - Lili Inventa o Mundo - 07/10/2010 - (tomo 82 )  Garibaldi

482 - Lili Inventa o Mundo - 07/10/2010 - (tomo  81 )  Garibaldi

481 - Lili Inventa o Mundo - 06/10/2010  (tomo 80) Veranópolis

480 - Lili Inventa o Mundo - 06/10/2010 - (tomo 79 )  Veranópolis

479- O Incidente- 06/10/2010 -(tomo 63) Veranópolis

478- O Incidente - 06/10/2010 - (tomo  62 )  Veranópolis

TEATRO INDEPENDENTE - Delírios de Amores e Cigarros- (02/09/2010)
Festival de Esquetes Teatrais de Gravataí

477- Esconderijos do Tempo 29/08/2010 - (tomo 60 ) 35º Cena às 7

476- Lili Inventa o Mundo 27/08/2010 - (tomo   78  ) Progresso

475- Lili Inventa o Mundo 27/08/2010 - (tomo  77  ) Progresso 

474- A Maldição do Vale Negro (tomo-09) Soledade 22/08/2010

473- Lili Inventa o Mundo  1/08/2010  (  tomo - 76  ) Tupacireta

472- Ed Mort -18/07/2010  (tomo-07)     34º Cena às 7

Oficina de Interpretação com Sandra Loureiro Projeto Semear e Colher 
2 à 18/07/2010

Teatro Independente Delírios de Amores e Cigarros, 10/07/2010 - teatro 13 de Maio Santa maria
Teatro Independente  Delírios de Amores e Cigarros, 2/07/2010 - teatro Tui Santa maria

471-A MAldição do Vale Negro  - 13/06/2010 (tomo-08)  33º Cena às 7

470- Lili Inventa o Mundo-11/06/2010 (tomo-75) Emancipar Julho  de Castilhos

   Oficina de teatro em Veranópolis, ministrada por Cléber Lorenzoni
junho/2010

469- Lili Inventa o Mundo-29/06/2010 (tomo 74 ) Emancipar Panambí

468 -Lili Inventa o Mundo-28/06/2010  (tomo 73 ) Feira de Livro Lagoa Vermelha

467 - A Maldição do Vale Negro -28/04/2010 (tomo 07 ) Horizontina

466 - Esconderijos do Tempo -24/04/2010 (tomo 59 ) Ijuí

465  -Lili Inventa o Mundo -23/04/2010 (tomo 72 ) 3 de Maio Emancipar

464-A Maldição do Vale Negro 10/04/2010 (tomo  06 ) Festival de Teatro de Itaqui

463- O Castelo Encantado 01/04/2010 (tomo 78 )  Feira de Livros de Capão da Canoa

462- O Incidente- 31/03-2010 (tomo 61 )  Feira de Livros de Capão da Canoa

461- O Castelo Encantado-31/03/2010 (tomo  77 ) Feira de Livros Capão da Canoa
460-  Lili Inventa o Mundo 24/03/2010 (tomo 71 ) Emancipar Tapera

459- Lili Inventa o Mundo  24/03/2010 (tomo 70 ) Emancipar Tapera 

458- Esconderijos do Tempo 11/03/2010 (tomo 58 ) Emancipar Sano Angelo

457- Lili Inventa o Mundo 23/11/2009 (tomo 69 ) Feira de Livros Nova Ramada

456- Esconderijos do Tempo 23/11/2009 (tomo 57  ) Feria de Livros Nova Ramada

455- Lili Inventa o Mundo 13/10/2009 (tomo 68 ) Annes Dias

454 -Lili Inventa o Mundo 09/10/2009 (tomo  67 ) Veranópolis

453 - Lili Inventa o Mundo 09/10/2009 (tomo 66 ) Veranópolis

452 - Esconderijos do Tempo 09/10/2009 (tomo 56 ) Veranópolis

451 - Feriadão 08/10/2009 (tomo 88 )Veranópolis

450 - Lili Inventa o Mundo 07/09/2009 (tomo 65 )Emancipar São Luís Gonzaga

449- Ed Mort - 13/09/2009 (tomo 04 ) 32º Cena às 7

448- O Incidente - 25/08/2010 (tomo-60) Festival de Dom Pedrito

Cena às 7 A Maldição do Vale Negro em 22 de abril de 2012


Se eu perguntasse a um ator o que é teatro, para que serve, o que responderia-me? Sem enrolação sem titubear, sem devaneios e circunlóquios, para que serve afinal o teatro? Para divertir, entreter, fazer rir, emocionar, indagar, criticar... Não sei qual resposta dariam. Hoje enquanto assistia o espetáculo A Maldição do Vale Negro, ficava observando as pessoas rindo a minha volta e a conclusão que chegava: Fazer rir, certamente. Mas então por que diria que esse espetáculo é tão bem feito, tão profissional, se outros tantos que vi nesse mesmo mês em Cruz Alta também faziam rir? Eis a resposta: A Maldição do Vale negro é um texto de três atos, escrito pelo queridíssimo Caio Fernando Abreu, na década de oitenta. Um texto extenso com sete personagens e de dificílima construção, auxiliado por Luis Artur Nunes, Caio escreveu um melodrama, no entanto o fez em forma de sátira. Ora se melodrama já é algo difícil para atores interpretarem, imagine então uma sátira em cima do próprio. Assisti nesses anos todos de teatro muitas versões, inclusive a mais recente com a atriz Camila Pitanga, e digo que não apreciei realmente nenhuma, pois sempre esbarrava na duvida quanto a qual era o verdadeiro objetivo do diretor.
                 Em A Maldição do Vale Negro de Cléber Lorenzonipercebe-se totalmente os objetivos. Uma comédia besteirol. Mas besteirol com a técnica necessária para admirar-se esse estilo de teatro surgido no seio dos anos 90. Em cena três atores esparramam-se em sete personagens, cada um com personalidade extremamente estanque dos outros. Ricardo Fenner, Cléber Lorenzoni e Gabriel Wink suam no palco correndo de um lado para o outro, trocando de roupas, mudando trejeitos, subindo e descendo, com ótima técnica vocal e trabalho corporal impecáveis. Os figurinos fazem uma alusão a época sem caírem nas obrigações bregas da forma e o cenário embora simples consegue nos  guiar por uma época já perdida no tempo. Embora ainda pudesse esmerar-se mais nas cenas da cripta e da floresta.
                 No palco atores com 16, 10 e 6 anos de carreira. Mesclando talento e técnica. Partituração e Improviso.  A Maldição do Vale negro perambula pelo Máschara desde 2002 e várias foram as tentativas de montá-la. No entanto não saiu do papel em nenhuma das outras tentativas, talvez por que os elencos não tivessem a maturidade precisa que o texto pede. E isso nos leva a outro raciocínio: No teatro não basta você querer algo, é necessário que o universo, os Deuses do teatro colaborem para que algo acontecesse. As vezes você tem um elenco maravilhoso, o número certo de atores e atrizes para determinada obra, dinheiro(pasmem) e até a criatividade necessárias. No entanto algo atrapalha tudo e tal espetáculo não acontece, em outro momento, mesmo sem todo o elenco, com a sensação de que nada dará certo, nasce um espetáculo. Esse é o caso de vários trabalhos do Máschara e de tantos outros grupos conhecidos.           
                Não há muito o que se falar dessa segunda incursão ao A Maldição..., apenas que foi um Cena às 7 de sucesso, que o sábado serviu de ensaio geral para o domingo e que torço para que continuem na empreitada árdua de fazer duas vezes por mês o projeto de teatro. Mas algo que ainda quero mencionar é que nesses últimos dias faleceu o querido ator gaúcho Paulo Rezendes. Conhecido por mim e pelo Grupo Máschara nos idos de 1997. Paulo lutou pelo teatro e fez espetáculos maravilhoso que ficarão por muito na lembrança de colegas e do público em geral, dentre eles: Jó, fiel toda a vida e ainda o recente Dois perdidos numa noite suja, onde contracena com Jadson....Fica aqui minha homenagem a esse ator e o desejo de que jovens atores não esqueçam o quanto é difícil construir uma carreira, o quanto queremos, nós atores, sermos inesquecíveis e o quanto há de se trilhar em prol da arte. Principalmente quem faz teatro no interior. Por isso menciono aqui alguns outros jovens artistas que passaram pelo Máschara e que deixaram saudades. Dentre eles: A querida Altiva Soares (DIVA) que em Bulunga O Rei Azul interpretava uma das gatinhas cantoras. Hoje em dia Altiva já não se encontra mais entre nós, mas certamente deixou saudades. Ariane Pedrotti, que hoje mora em Erechim e não mais faz teatro, fez o inesquecível Corifeu em Antígona(2000) ganhando o troféu de melhor atriz pela FETARGS em Caxias do Sul no mesmo ano. Com Diulio Odacir Penna também se fez uma parte da historia do Máschara em Bulunga o Rei Azul. Da época de Cordélia Brasil, temos Jeferson Dill e Eduardo Gonçalves que participaram da fundação desse grupo. Vera Porto que hoje mora em Ibirubá e não é mais atriz infelizmente. Lembramos com carinho também de Daiane Albuquerque e do professor Jorge Pittan, outros dois que durante algum tempo se deixaram tocar pela vida nos palcos. Não sei por quais questões esses artistas se afastaram do palco, mas desejo que os atores atuais lutem sempre pelo que amam, seja o teatro ou não. Que não percam a coragem pois a melhor razão para se viver ainda é fazer aquilo que se ama e não há melhor compensação que emocionar as pessoas com seu talento e técnica.
Teatro é a vida...


Cléber Lorenzon e Gabriel Wink ***
Ricardo Fenner, Alessandra Souza, Gabriela Varone,Luis Fernando Lara e Renato Casagrande **


                                                                                                          A Rainha

domingo, 22 de abril de 2012

Tournê A Maldição do Vale Negro no Cena às 7


São nove horas da manhã, e estou ansiosa, hoje tem teatro... Amo teatro e a mim agradaria que houvesse espetáculos todos os dias, mas compreendo que aqui no interior isso é algo utópico. No entanto não posso negar que as coisas vão muito bem, afinal esse mês Cruz Alta foi presenteada com muitas inserções cênicas: Homens de Perto, Hospício Pop Rock, Maldição do Vale Negro e ainda Teatro Biriba. À parte pontos de vistas, méritos e talentos, quem ganha é a cidade, o público! Quem disser que Cruz Alta não oferece divertimentos e opções de lazer é deveras impertinente.
De todas essas opções vou me ater àquela que me cabe nesse espaço. O Cena às 7. Primeiro por que conheço profundamente o trabalho desse grupo, segundo por que de todos os citados são os únicos naturalmente “crias” da cidade. O Cena às 7 agora passa a ser em dois dias por mês, mais uma opção para o público de teatro de nossa cidade, público esse que vem crescendo a cada dia. A historia do Cena às 7 é a historia de um sonho, por isso não se sabe bem quando começou. Cléber Lorenzoni e Thiago Amorim (Abambaé) viveram esse sonho, idealizaram-no em 2005. Desse momento em diante o sonho passou a ser de várias pessoas que amam o público, amam as artes, amam o que fazem sem saber por que, sem demagogias pode-se dizer que apenas por um ideal. Se na verdade não são sete como diante de Tebas, nem por isso deixam de ter uma historia. É um pouco da historia desse ideal que é contada nesse texto. Historia essa que possui os ingredientes de esperança e os atos de coragem sem os quais qualquer ideal fica comprometido.
Embora Cléber Lorenzoni algumas vezes tenha se embrenhado pelo mundo da dança e Thiago Amorim tenha se enveredado pelo mundo do teatro, ambos nasceram provavelmente o primeiro para o teatro e o segundo para a dança, suas versatilidades no campo um do outro, provêm obviamente de suas sensibilidades extremas e capazes. Foi em uma conversa de cafezinho, essas que os artistas e os boêmios costumam ter que para leigos parece não levar a lugar nenhum, mas nas quais certamente os atristas criam loucamente, que tiveram a ideia de fazer algo no palco da casa de cultura, algo para a plateia da cidade, algo que viesse para ficar. Na conversa estavam presentes a baliranina Jaciara Jorge e o ator Rafael Aranha, e se não me engano o também bailarino Igor Pretto. No final da conversa estava rascunhado o Cena às 7.
Em 04 de outubro de 2005 era lançado oficialmente o Cena às 7, na presença de várias presenças ilustres de nossa sociedade, além dos bailarinos do Abambaé e atores do Máschara. Em 9 de outubro subiu ao palco o primeiro Cena às 7 com o espetáculo Tartufo prelúdio artístico apresentado por jovens bailarinas. Nesse primeiro ano foram três espetáculos teatrais e dois espetáculos de dança.
2006 iniciou com mais dois espetáculos teatrais e três de dança. Logo depois, infelizmente a dança retirou-se do Cena às 7, o motivo era simples, criar e produzir espetáculos no interior não é tarefa fácil. O Máschara forçou-se a continuar mas as coisas não foram fáceis, sem apoio e somente com o dinheiro dos ingressos o projeto parecia com os dias contados.
Em 2007 nascia a produtora Script produções e começavam a surgir os primeiros patrocinadores e apoiadores. Ponto do Livro, Vencal Calçados, Lojas Becker, Espaço do Corpo, Cooplantio, Linke Supermercados, Sultec Celulares, Grafit, Café de Minas, Postos 2001, Lorena e Alcides Cabeleireiros, Clube Um, Viapex, Ópticas Orion, Xôck’s, Tejedor, Pampa Turismo e Casa das Linhas.  Durante os sete anos de Cenas às 7, foram apresentados treze espetáculos teatrais e três espetáculos de dança e um de dança e teatro(Romeu e Julieta) em 46 edições de cena ás 7. Envolvendo mais de oitenta artistas, entre bailarinos, atores, técnicos, cenógrafos e etc...
Ontem, dia 21 de abril de 2012, Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge e Ricardo Fenner ousaram dar mais um paço em direção as melhorias do teatro na cidade, aumentado o programa de teatro para dois dias no mês. Talvez por isso mesmo a  noite tinha cara de estreia. No palco A Maldição do Vale Negro, já apresentada no Cena às 7 em maio e junho de 2009, em junho de 2010, em julho de 2011 e agora. 
Sob direção de Cléber Lorenzoni com direção de elenco de Dulce Jorge e direção de palco de Angélica Ertel, tendo como técnicos de som e luz, a novata Gabriela Varone(**) e o já conhecido Luis Fernando Lara(*). No palco Cléber Lorenzoni (**), Gabriel Wink(**) e Ricardo Fenner(***), e contra-regragem afiadíssima de Alessandra Souza(*) e Renato Casagrande(**).
A Maldição do Vale Negro é um dos cinco espetáculos mais importantes da Cia. Um exercício perfeito para os atores em cena, uma comédia divertidíssima que envolve crianças e adultos. Na noite de sábado embora não estivesse totalmente afiada, a peça arrancou boas risadas da plateia que no final aplaudiu em pé os quase noventa minutos de espetáculo. Ricardo Fenner deu um show de interpretação com O velho conde Mauricio de Belmont e a cigana Jezebel, pode ainda controlar um pouco mais sua energia, lembrando sempre que energia não quer dizer gritaria e ritmo não quer dizer velocidade.  Gabriel Wink jogou impecavelmente nas cenas de Vassili, um de seus melhores personagens certamente. A governanta Ágatha que para mim é o segundo papel do espetáculo poderia estar mais afinada, cortante, bem acabada. Faltou provavelmente ensaio. Aconselho ao ator não esquecer que apesar de ser uma bela estrela do palco, ainda é um ser humano, com corpo, e que o corpo é uma máquina que precisa de treino, de exercícios e de cuidados. Cléber Lorenzoni como protagonista pontua todas as cenas, ergue várias bolas e ajuda a marcar gols, como ator generoso que é, mas poderia deleitar-se mais em sua condessa, que aliás, é um divertimento a parte para as crianças.
A noite definitivamente não foi da equipe de apoio. Algumas pessoas não compreendem que iluminadores e sonoplastas são figuras de extrema importância e que eles dão o tom do espetáculo com sonoplastia e iluminação apuradas.  Nesse tipo de espetáculo boa parte das impressões cômicas são dadas através de pequenas e rápidas inserções sonoras que se não entrarem no momento exato podem destruir a sequencia da narrativa. A Maldição do Vale Negro tem, pontuando a historia, um narrador, e quando partes da narração não são bem ouvidas, o público pode perder o interesse e em um espetáculo tudo tem que correr para prender o interesse do público e não o contrário. A iluminação confere beleza aos olhos, arte a mente e sinaliza cenas, narrações e piadas, como então deleitar-se quando blecautes confundem a compreensão dos códigos visuais?
Um espetáculo como A Maldição do Vale Negro tem que ser cuidado para que depois de anos ainda possa render lucros, aplausos e prazeres. Então nada de relaxamento, nada de atores esticando cenas, acrescentando piadas que formam barrigas, contra-regras relaxando em suas funções, palcos cheios de adereços e pedaços de figurinos, ou vozes baixas.
A Dulce Jorge um último elogio nessa página, não sei se as pessoas tem essa compreensão, mas graças a essa jovem outrora tímida que tanto quis criar um grupo de teatro há vinte anos atrás, temos agora o Máschara e o Cena às 7. Que essa jovem atriz não esqueça nunca que seu nome está para sempre marcado nas pedras da historia da nossa terra e nas linhas maravilhosas da arte.
Agora vou descansar pois hoje a noite tem teatro na terra da panelinha. Parabéns a todos os que fazem o Cena às 7 e coragem, dias difíceis virão! 


                                                                                                                     
                                                                      A Rainha