São nove horas da manhã, e estou
ansiosa, hoje tem teatro... Amo teatro e a mim agradaria que houvesse
espetáculos todos os dias, mas compreendo que aqui no interior isso é algo
utópico. No entanto não posso negar que as coisas vão muito bem, afinal esse mês
Cruz Alta foi presenteada com muitas inserções cênicas: Homens de Perto,
Hospício Pop Rock, Maldição do Vale Negro e ainda Teatro Biriba. À parte pontos
de vistas, méritos e talentos, quem ganha é a cidade, o público! Quem disser
que Cruz Alta não oferece divertimentos e opções de lazer é deveras
impertinente.
De todas essas opções vou me ater
àquela que me cabe nesse espaço. O Cena às 7. Primeiro por que conheço
profundamente o trabalho desse grupo, segundo por que de todos os citados são
os únicos naturalmente “crias” da cidade. O Cena às 7 agora passa a ser em dois
dias por mês, mais uma opção para o público de teatro de nossa cidade, público
esse que vem crescendo a cada dia. A historia do Cena às 7 é a historia de um
sonho, por isso não se sabe bem quando começou. Cléber Lorenzoni e Thiago
Amorim (Abambaé) viveram esse sonho, idealizaram-no em 2005. Desse momento em
diante o sonho passou a ser de várias pessoas que amam o público, amam as
artes, amam o que fazem sem saber por que, sem demagogias pode-se dizer que
apenas por um ideal. Se na verdade não são sete como diante de Tebas, nem por
isso deixam de ter uma historia. É um pouco da historia desse ideal que é
contada nesse texto. Historia essa que possui os ingredientes de esperança e os
atos de coragem sem os quais qualquer ideal fica comprometido.

Em 04 de outubro de 2005 era
lançado oficialmente o Cena às 7, na presença de várias presenças ilustres de
nossa sociedade, além dos bailarinos do Abambaé e atores do Máschara. Em 9 de
outubro subiu ao palco o primeiro Cena às 7 com o espetáculo Tartufo prelúdio
artístico apresentado por jovens bailarinas. Nesse primeiro ano foram três
espetáculos teatrais e dois espetáculos de dança.
2006 iniciou com mais dois espetáculos
teatrais e três de dança. Logo depois, infelizmente a dança retirou-se do Cena
às 7, o motivo era simples, criar e produzir espetáculos no interior não é
tarefa fácil. O Máschara forçou-se a continuar mas as coisas não foram fáceis,
sem apoio e somente com o dinheiro dos ingressos o projeto parecia com os dias
contados.
Em 2007 nascia a produtora Script
produções e começavam a surgir os primeiros patrocinadores e apoiadores. Ponto
do Livro, Vencal Calçados, Lojas Becker, Espaço do Corpo, Cooplantio, Linke
Supermercados, Sultec Celulares, Grafit, Café de Minas, Postos 2001, Lorena e
Alcides Cabeleireiros, Clube Um, Viapex, Ópticas Orion, Xôck’s, Tejedor, Pampa
Turismo e Casa das Linhas. Durante os
sete anos de Cenas às 7, foram apresentados treze espetáculos teatrais e três
espetáculos de dança e um de dança e teatro(Romeu e Julieta) em 46 edições de
cena ás 7. Envolvendo mais de oitenta artistas, entre bailarinos, atores,
técnicos, cenógrafos e etc...
Ontem, dia 21 de abril de 2012,
Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge e Ricardo Fenner ousaram dar mais um paço em
direção as melhorias do teatro na cidade, aumentado o programa de teatro para
dois dias no mês. Talvez por isso mesmo a
noite tinha cara de estreia. No palco A Maldição do Vale Negro, já
apresentada no Cena às 7 em maio e junho de 2009, em junho de 2010, em julho de
2011 e agora.
Sob direção de Cléber Lorenzoni
com direção de elenco de Dulce Jorge e direção de palco de Angélica Ertel,
tendo como técnicos de som e luz, a novata Gabriela Varone(**) e o já conhecido
Luis Fernando Lara(*). No palco Cléber Lorenzoni (**), Gabriel Wink(**) e
Ricardo Fenner(***), e contra-regragem afiadíssima de Alessandra Souza(*) e
Renato Casagrande(**).

A noite definitivamente não foi
da equipe de apoio. Algumas pessoas não compreendem que iluminadores e
sonoplastas são figuras de extrema importância e que eles dão o tom do
espetáculo com sonoplastia e iluminação apuradas. Nesse tipo de espetáculo boa parte das
impressões cômicas são dadas através de pequenas e rápidas inserções sonoras
que se não entrarem no momento exato podem destruir a sequencia da narrativa. A
Maldição do Vale Negro tem, pontuando a historia, um narrador, e quando partes
da narração não são bem ouvidas, o público pode perder o interesse e em um
espetáculo tudo tem que correr para prender o interesse do público e não o
contrário. A iluminação confere beleza aos olhos, arte a mente e sinaliza
cenas, narrações e piadas, como então deleitar-se quando blecautes confundem a
compreensão dos códigos visuais?
A
Dulce Jorge um último elogio nessa página, não sei se as pessoas tem essa
compreensão, mas graças a essa jovem outrora tímida que tanto quis criar um
grupo de teatro há vinte anos atrás, temos agora o Máschara e o Cena às 7. Que
essa jovem atriz não esqueça nunca que seu nome está para sempre marcado nas
pedras da historia da nossa terra e nas linhas maravilhosas da arte.
Agora
vou descansar pois hoje a noite tem teatro na terra da panelinha. Parabéns a
todos os que fazem o Cena às 7 e coragem, dias difíceis virão!
A Rainha
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