Cléber Lorenzoni como Mario Quintana
segunda-feira, 26 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
Diário de Bordo IX - Esconderijos do Tempo em Ijuí
Mas veio um vento de desesperança...
O que pode o ator sobre o palco durante um espetáculo? Alguém dirá, pode tudo, se for bom ator, terá domínio da cena, terá gana e vigor; sua voz potente se estenderá até a ultima fileira do teatro, seu trabalho corporal será polivalente; Sua compreensão do texto será verdadeira, será senhor do ato. Mas que pode um ator em cena, se tudo ao seu redor é caos?
Se os técnicos não estiverem afinados, se o foco marcado não iluminar seu rosto e ele tiver que correr pelo palco em “busca da luz”, se o som for alto o suficiente para abafar sua potente mas “humana” voz, ou se o som for tão imperceptível ou mudo que sua dança pelo palco terá a graça de uma ópera bufa. Ou ainda, se o colega de cena não trouxer o jogo; se os adereços não tiverem sido dispostos corretamente pelo cenário, ou ainda se sua composição visual for aleatória à personagem. Mas e se na platéia houver mais da metade de cadeiras vazias, se ele não tiver no que se apegar, se ele olhar ao redor e seus colegas não compreenderem sua dor humana ou seu desespero na cena que cai, e se ele olhar para o técnicos e eles não se conectarem dando-lhe alento, ou ainda se ele der sua melhor entonação, sua melhor inflexão de voz, e o público devolver-lhe na triangulação apenas o silêncio apático? Que fará então o ator. Atuar é ciência e é matemática, é emoção e é técnica, é tantas coisas que aquela pobre criaturinha no centro do palco quase enlouquece e dentro de seu peito e mente, enquanto a platéia vê “uma” emoção, percorrem milhares. E em um instante a “moral” da apresentação ficou muito clara... Era desafiá-los. Baco, ao lado de Thalía e Melpômene, ria-se no Olímpo, esperando seu melhor.
Esconderijos do Tempo é um espetáculo de 2006, já ouve três Glorinhas, três anjos, três mortes, três Gouvarinhos e quatro Lilis, apenas Mario e Dona Glorinha se mantém. Lá no princípio havia um objetivo artístico, hoje há outros tantos. E me pergunto se algum deles ainda é o mesmo de 2006? Uma obra de arte advém de um momento de inspiração, de algo que um diretor ou uma companhia quer dizer em dado momento, mas as pessoas mudam, as platéias mudam, a vida muda, e por tanto os objetivos mudam, a forma de querer propagá-los muda. Por isso um artista se sente incomodado quando vê uma antiga obra sua sendo exposta, pois aquilo passou, aquela mensagem tem agora outro sentido, e ainda, em mãos erradas uma mensagem pode ser destrutiva. Sendo assim, o objetivo inicial devia ser revisto e buscado, afinal bons espetáculos podem ficar em cartaz por anos. Mas caso ele vá sendo adaptado a pessoas, a platéias, e épocas, ele perderá sua identidade, será como uma pintura que é constantemente repincelada, até que vira uma confusão de idéias. Nisso Dulce Jorge está de parabéns, há nela uma percepção total de sua função, de sua participação dentro de um espetáculo. Gosto de atores voluntariosos, criativos, mas quando um ator torna-se por demais palpiteiro em um espetáculo, é hora de seu diretor chamar-lhe a atenção, atores são atores, não são diretores. A Rainha.
sábado, 24 de abril de 2010
Diário de Bordo VIII - Lili Inventa o Mundo em Três de Maio
Quantas crianças ficam embasbacadas pelos palhaços, pelo artista, pelas formas e cores da arte. Quantos meninos gostariam de ser bailarinos, mas não podem por convenções prosaicas de seus pais. Quantas jovens gostariam de ser atrizes, mas se aquetam em seus deveres de esposas e mães. Quantos jovens talentosos músicos, abriram mão de suas ideologias e se frustraram em suas profissões rentosas... Quantas donas de casas assistem televisão nostalgicamente lembrando de quando sonhavam em brilhar, não sob o aplauso, mas sobre a arte em si mesmas...
Hoje fiquei “só analisando” o elenco de Lili Inventa o Mundo, o público infantil e o público de professores. E “me desliguei”. Havia no olhas dos “pimpolhos”, um brilho, uma melodiosa confusão entre, o que viam e o que pensavam. Havia pontos de interrogação no ar.
A arte é realmente mágica... Uma cortina, alguns atores maquiados e faz-se todo um universo, de sonho, de magia.
Mas o que queriam todas aquelas pessoas¿
Quantos daqueles jovens nunca haviam assistido teatro, como puderam viver até ali sem aquele milagre¿ E como os adultos, seus tutores naturais, permitiram que eles vivessem sem aquele milagre¿ Após o espetáculo, crianças e atores reuniram-se no refeitório e havia tanta curiosidade, tanta ansiedade, tanto brilho, causado por 50 minutinhos de espetáculo.Oh Deus! Como podem algumas pessoas serem privadas disso?Uma vida não é apenas para ser vivida, ela precisa ser sonhada. Mas de que adianta sonhar se os que estão a nossa volta não nos permitem...
Hoje fez-se a luz. Sob o palco, gana, ritmo, cadencia motora, musicalidade... Som e Fúria e o silêncio.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Diário de Bordo VI - A Maldição do Vale Negro em Itaqui
"Se eu fosse poeta, afirmaria que o segredo da origem do teatro nos é revelado pelo fogo em torno do qual se forma o círculo silencioso da comunidade familiar. Nem todo o teatro está aí, mas a sua armadilha irresistível aí se mostra: o prestígio do ato. Esta chama que dança sem cessar, este ato puro, gratuito, sem fim reconhecível, basta para reter e cativar a atenção da criança, do homem e do velho. Um jogo colorido, misterioso e sempre em constante mutação: nada mais é preciso para que fiquemos fascinados. Eis-nos ao redor da cena do fogo, retendo a respiração, aproximando nossas poltronas, umas das outras, na obscuridade mágica e fraternal."
Pierre-Aimé Touchard
O Milagre chamado Teatro...
Parada no centro do palco, com a imponência do teatro melodramático do fim do século XIX, a jovem Rosalinda era observada pelo olhar atento de quase 500 pessoas. Os camarotes jaziam abarrotados, o público não dava um pio, queria ouvir cada gag das personagens, cada palavra de seu precioso texto escrito por Caio Fernando Abreu. O silêncio era cortado apenas pela voz potente dos três atores em cena, e pelas constantes gargalhadas de uma platéia muito satisfeita com o que via.
Mas essa platéia não fazía idéia do quão difícil fora chegar até alí. Há menos de 24 horas antes, um diretor sempre preocupado em fazer o melhor sobre o palco, inquiria os atores quanto a desistir da apresentação. Sim, o teatro é feito por pessoas, para pessoas. E havia sobre o palco do teatro Prezewodowski, no sábado à noite, oito pessoas decididas a fazer o melhor, ainda que pela última vez.
Na arte não há certo e errado, mas há o bom senso. Existem textos que foram escritos com finalidas, textos que tinham sentido e não tem mais, e ainda textos que tornaram-se clássicos por que seu apelo se presta há qualquer época. O sonho de montar A Maldição do Vale Negro, acompanha o grupo Máschara há mais de dez anos, e somente agora com Ricardo Fenner, Cléber Lorenzoni e Gabriel Wink se pode concretizar.O Jogo em cena é brilhante, a versatilidade corporal que muitos pensam ter vindo da dança vem na verdade dos ensaios exaustivos e contínuos do grupo.
mas quem pensa que o espetáculo nasceu unicamente da vontade fazer comédia está enganado. Dar ao público a possibilidade do rkiso é algo que qualquer um pode fazer. Há no Máschara uma nescessidade de desafio, de buscar mais fundo linguagens novas, técnicas e desdobramentos que somente com muito esforço pode dar certo.
A Farsa, o Besteirol, a chanchada, e o melodrama em cena, vem de anos de pesquisa, de disposição a essa arte encantadora. Vem da imaginação de Cléber Lorenzoni, da direção de atores feita por Dulce Jorge e ainda da assistência de Angelica Ertel. Enfim, um novo brilhante espetáculo para rodar os palcos levando o que há de melhor em comédia.
A Rainha
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