domingo, 1 de outubro de 2017

Erico vive em sua obra- O Incidente

Foto: Alexandre Giacomini

Douglas Maldaner, Pirofagia na Fenatrigo

Foto: Adriel Dalla Vecchia

Renato Casagrande brilhando na FENATRIGO como super-heróis


Performance com os super-heróis do Máschara na Fenatrigo


Teatro na FENATRIGO -2017


Os Saltimbancos 781 (32)

Espetáculo com cara de Performance

                            Eu implico com apresentações teatrais em palcos de feiras, em locais onde todos se movimentam o tempo todo como formigas loucas sem saber o que buscam em verdade. Uma praça de alimentação então, é a visão do inferno. Pessoas comendo, comprando, conversando, ouvindo musicas, acessando celulares, e o pior, escapes de luz. Muita luz!
                            Não digo que em uma praça de alimentação não haja alguém interessado em ver teatro. Há com certeza, no entanto são todos prejudicados por aqueles que estão passando sem o minimo interesse na arte cênica. Um espetáculo de rua, com o intuito de chocar, ou de surpreender, com alguma temática especifica, talvez casasse com a situação. Ou uma performance, como as que o Máschara fez em anos interiores. 
                              Sobre um palco de concreto, péssimo para os tendões dos atores que dançam durante o espetáculo, aconteceu um resumo da obra de Chico Buarque. Não teve efeito catarseano, aliás, certamente os presentes imaginaram se tratar de um divertido momento em que quatro bichinhos vinham divertir a "criançada". Ok, essa também é a função do artista, mas essa não é de forma alguma a função do teatro. Pensemos então que naquela situação extremamente contraditória, talvez, alguma criança tenha tido seu coração flechado pelo cupido e se apaixonado pelo teatro. Difícil...
                             Mas o Máschara está lá, está sempre lá. Não importa o que aconteça. Está lá desde 1992, cumprindo sua função de troca com a comunidade na qual está inserido. O Máschara recebe da comunidade, do público, abraços carinhosos, aplausos, doações para seu acervo, apoio financeiro, gentilezas... Em troca devolve a cidade um sem número de performances (sem e não cem numérico). Cléber Lorenzoni, diretor artístico da companhia se esmera em colocar seu elenco sempre perfeito frente ao público. Para isso conta com o apoio imensurável de Renato Casagrande. São caracterizações, coreografias, esquetes... Enfim tudo o que um ser artístico é capaz de bolar com sua capacidade de muitas vezes por em risco seus atores, sacrificá-los, expô-los. No entanto tudo feito com consentimento, desprendimento,por que não dizer, amor!
                             Ora, o Máschara é uma instituição já com mais de vinte e cinco anos. Muitos talentos cruzaram e continuam cruzando por ele. Alguns visitaram, outros deixaram um pouquinho de si e levaram consigo um pouco da arte desse grupo. Alguns criaram raízes, foram amados, odiados, aplaudidos. Dentre as paredes do Máschara debate-se, julga-se, anima-se, motiva-se, libera-se... Oh Deus! Como fazer um leigo entender? O paradoxo está exatamente na barreira entre a mente de um leigo e a mente dos seres que nascem com esse jugo, marcados para serem criaturas do palco. Criaturas diferentes, corajosas, marcadas. Os seres do palco, entregam-se a ele com volúpia, força. Jogam-se como trapezistas de olhos vendados. Lá no final recebem tão pouco, por que nada paga o preço de sua alma, e é a alma que está ali.
                                   Os quatro animaizinhos, frágeis perante a humanidade, os "saltimbancos", procurando um espaço para fazer sua arte. Com medo dos perigos da cidade que não os compreende ou respeita. Ingênuos por sua natureza, unindo forças. Descobrindo suas diferenças. Aprendendo com elas. E ao final, apesar de serem ou terem tão pouco, ainda dando seu melhor na canção final. Assim vi Os Saltimbancos na ultima quinta-feira.
                                    Havia no palco da praça de alimentação da Fenatrigo, vários membros dessa equipe. Atores, diretores, contra-regras, estagiários. A pergunta que deve ficar, é: quais desses todos compreendem o que acontecia ali? Quais compreendem que podem fazer teatro em qualquer lugar do mundo, mas que no Máschara estão "trabalhando". Para durar vinte e cinco anos, em meio há tantos leigos que não frequentam teatro. Que são "interioranos" e que não aceitam muito bem o "diferente". É preciso convencer a todos a cada instante que o que se faz é sagrado e digno de respeito. Para durar vinte e cinco anos, é preciso ser quase perfeito, sem erros, sem sombras de dúvidas. Não da para expor-se nas redes sociais com figurinos, não da para levantar dúvida quanto a moral, não dá para não ser ético. Eu sei, teatro é a gangrena! Ah, tão fácil para Nelson Rodrigues propagar isso do todo de sua carreira já solidificada. Vá fazer gangrena e veja quantas pessoas terás em uma cidade do interior sentadas em seu teatro. O Teatro deve estar a frente, deve romper barreiras, deve chocar. mas não pode usar a seu favor a bandeira da incompetência, da vagabundagem ou do descaso. Infelizmente se queres ser ator, deves trabalhar duas vezes mais que os outros. E no final sorrir e tirar fotos.
                                        Fiquei muito feliz ao ver como a Máschara está abrindo espaço para novos integrantes, preparando-os, mas aconselho a direção a observar muito bem os que vão chegando. A de se merecer, para fazer parte de um grupo tão esforçado! Um conselho: Durante os espetáculos, observem os atores mais velhos, observem as cenas, aprende-se muito observando, olhando. Sejam humildes e não julguem, apenas estejam abertos, orgulho não torna ninguém ator. Orgulho apenas afasta o público e ator sem público é como professor sem aluno... Vocês passarão, o Máschara ficará, se querem fazer parte por um tempo, aprender, construírem uma bela historia e serem sempre lembrados, façam por merecer.
                                     Durante o espetáculo alguns descuidos e essa mania de algumas pessoas de teatro não perceberem que o sonoplasta é figura tão importante quanto qualquer ator, as vezes até mais. Pensei que isso teria sido aprendido com a participação de Gabriel Giacomini interpretando a sonoplastia sobre o palco em O Castelo Encantado. Cléber Lorenzoni como sempre socorreu o colega Evaldo Goulart e roubou a cena com a Gata. Interessante analisar que não fez isso para se exibir, mas por que era isso que a platéia queria. Prova disso foi a forma como mergulharam no mundo da gatinha. É preciso  observar o que a platéia quer e dar isso a eles, são como abelhas em busca do mel.
Alessandra Souza e Renato Casagrande fizeram o esperado, mas as vezes pareciam um pouco perdidos, talvez por causa dos microfones. Evaldo Goulart é tão talentoso, espero que não faça como outros grandes talentos que passaram pelo Máschara, e que por preguiça, acomodação deixaram seu talento de lado e ao curvar-se a vida dita "normal", mergulharam em uma vida triste e vazia. "Quem sou eu" para dizer o que é uma vida triste e vazia. Mas a gente vê nos olhos de alguém que se acomodou, o quanto abandonar a arte é triste e devastador. 
                                        
                                           Para Lembrar: Sou uma senhora idosa, por isso demoro a postar as críticas. Tenham calma, ocupem esse tempo para ler sobre teatro...
                                           Para esquecer: Não esqueçam nada, esquecer é péssimo, principalmente malas com adereços.


                                  Cléber Lorenzoni: (***)
                                  Alessandra Souza (*)
                                  Evaldo Goulart (*)
                                  Renato Casagrande (**)
                                  Stalim Ciotti (*)
                                  Gabriel Giacomini (*)
                                  Laura Hoover (*)

                                               A Rainha
       

sábado, 30 de setembro de 2017

Os Saltimbancos - Sucesso na quinta-feira de FENATRIGO


Um bicho só é só um bicho, mas todos juntos somos fortes


O Castelo Encantado - 780 (tomo 128)

Desejar e os olhos fechar...

A imagem mais antiga que vem em mente de uma peça teatro, é uma cena do espetáculo "Emília Emília", acredito que tivesse uns quatro anos e o que guardei foi a magia, a capacidade de criar. A minha frente havia apenas uma pilha de carteiras (classes), cobertas por um tecido rustico. A boneca Emília surgiu falava coisas que me pareciam estranhas e então desaparecia. Mágica! A ideia que me percorreu durante dias era a de que existiam muitas outras coisas no mundo além das que meus pais me ensinavam, do que eu conseguia compreender. Mais tarde, na adolescência, assisti diversos outros espetáculos, mas sempre mantive viva em mim a lembrança daquele primeiro espetáculo.
O primeiro contato com o teatro é fascinante e em São Luis Gonzaga, muitas crianças devem ter tido seu primeiro contato, e certamente as figuras descritas por Erico Verissimo e que receberam vida pelas mãos dos atores do Máschara cumpriram sua função mágica... 
Uma pena espetáculo tão lindo ser apresentado sob uma lona com tanta interferência sonora. Há todo o tipo de teatro, para todo o tipo de público, para ser apreciado em todo o tipo de espaço. Mas uma coisa é certa, o teatro infantil deveria ter um cuidado para que os primeiros contatos da criança oferecessem uma proximidade lúdica e propiciassem silêncio e concentração.
O Castelo Encantado foi apresentado em um grande palco, onde os atores Renato Casagrande, Cléber Lorenzoni, e Alessandra Souza, puderam se esparramar. Dominaram e solucionaram diversas situações, mesmo a queda de luz ao fim do espetáculo. Não há como amante do teatro como eu não amá-los, respeitá-los enquanto interpretes. Mas hoje não quero falar dos grandes atores do Máschara, quero falar dos jovens, dos iniciantes, dos que tem uma curta caminhada nesse grupo, mas que já marcam presença.
Raquel Arigony por exemplo, sem duvida uma atriz ambiciosa pelo conhecimento, curiosa, disposta  a aprender e a ajudar. Isso aparece em cena. Um Grupo como o Máschara, que para sempre carregará o teatro amador em suas raízes, precisa de humildade e vontade de aprender. A dona do circo por exemplo pode render muito mais, triangular com maior perfeição e para isso é necessário não mais ensaios, mas mais apresentações. Gabriel Giacomini vem se esforçando e aprendendo muitas coisas. Carrega com sigo o hiato da energia extrema. Está presente em cena e é lindo vê-lo compondo, cantando, mas assim como Raquel Arigony podem ter mais noção do palco, mais conhecimento espacial. Por exemplo, na cena em que ele foi ao meio do palco falar do ursinho, poderia ter ido até um dos microfones. Marcas são sempre bases, mas precisam estar vivas, o fluxo deve ser livre.
Quanto a Evaldo Goulart, quase não o vejo mais, pensei que estivesse se afastando e me orgulha vê-lo tão cheio de energia. Aliás essa é a maior qualidade do jovem ator. No entanto é importante pensar que o ator, artista, nasce do trabalho, do ensaio, do treino, da repetição, do estudo. As vezes Evaldo Goulart esquece tudo isso e parece esperar ser bom apenas com o pouco que vem colhendo quando está presente. Isso é engraçado, já que outros ali dedicam-se anos, horas para alcançar a prática, o exímio trabalho.
Na parte técnica, Stalin Ciotti dedicou-se muito, vem aprendendo, fazendo um maravilhoso curso intensivo, de profissionalismo, a meu ver, deve sugar cada instante, aprender o oficio em seu pior e seu melhor. Lembrando sempre que o que destaca os bons, é saber o que fazer antes de lhe ser pedido... Fabio Novello ergueu o cenário, correu de um lado para o outro como uma boa equipe técnica deve ser.
O teatro aconteceu, com pequenos percalços típicos de uma apresentação em local adaptado, mas diverti-me, ri, encantei-me. E ao final é importante lembrar que ser bom, é ser generoso e fazer sua parte!
São Luis Gonzaga assistiu a um lindo espetáculo infantil, e que lindo ver "casa" lotada.

Para Lembrar: A segurança de Alessandra Souza que segurou o final do espetáculo.
Para esquecer: A falta de domínio dos microfones por parte de alguns membros.


Arte é Vida

O Castelo Encantado
Texto: Cléber Lorenzoni (**)
Direção de Montagem: Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge
Direção:Cléber Lorenzoni
Elenco: Alessandra Souza(***)
Cléber Lorenzoni(**)
Renato Casagrande(**)
Evaldo Goulart (**)
Raquel Arigony (**)
Gabriel Giacomini (**)
Contra-Regragem: Stalin Ciotti  (**)
Figurinos e Adereços: Renato Casagrande
Direção Técnica: Fábio Novello (**)




A Rainha

Público de São Luis Gonzaga entregue à ludicidade de O Castelo Encantado


Em cena, Alessandra Souza, Renato Casagrande e Gabriel Giacomini