sexta-feira, 8 de julho de 2016

Clitemnestra e Oráculo em Complexo de Elecktra


Vem aí Olhai os lírios do campo em Ijuí - dia 29 de julho


2012


Complexo de Elecktra - 12ª Edição

Vem aí 25 anos


                     Em 2017 o Máschara completará vinte e cinco anos de historia. De altos e baixos. De conquistas e perdas. De sucessos e fracassos. Parece algo simples, afinal, é só um grupo de" jovens montando historinhas sobre o palco com a cara rebocada de sombras coloridas". Mas se você aproximar bem o olhar do mosaico, verá detalhes incríveis. Vinte e cinco anos, foi o tempo de ir embora uma linda escola de Ballet de Cruz Alta. Foi o ápice e o acalmar do grupo Chaleira Preta. Foi o surgimento da escola de danças Aline Bucco, foi o surgimento do grupo de danças Continente de São Pedro e depois sua extinção. Surgiram grupo Teatral GR produções, grupo teatral Chaplin. Surgiram grandes artistas. Roger Castro, A bruxa da hora do conto, o palhaço chevrolet. Inaugurou-se e depois extinguiu-se o curso superior de danças da UNICRUZ. Nasceu o grupo de danças ABAMBAÉ, que depois mudou-se para outra cidade. Em meio a isso muitos outros artistas, escritores surgiram, perderam-se, desistiram, fracassaram, partiram. No ramo do teatro, dezenas de jovens se embrenharam pelos caminhos da interpretação. Alguns vingaram nesse caminho,  Alexandre Dill, Lauanda Varone, Nádia Régia, Angelica Ertel, Geltom Quadros, Simone De Dordi, Leonardo oliveira e talvez outros que eu nem me recorde. Para alguns o teatro foi um porto seguro, para outros um porto de passagem muito rápido. Para outros um lar. Mas de qualquer forma, um lugar onde penso, cada um deveria se orgulhar. 
                           O Máschara já não pertence a um ou dois. O Grupo Máschara não pode acabar, pois já passou a ser um patrimônio de nossa cidade. Pois vidas passaram ali e acresceram emoção, alegria, pensares, diversão e uma gama de outras benesses para nossas vidas. 
                        Triste é quem não aprendeu nada, não absorveu nada em todos esses anos. O Máschara já teve, Giane Ries a sua frente. Depois, de certa forma Jorge e Dione Silva. Depois Janaíne Peroti e Dulce Jorge E agora Cléber Lorenzoni. 
                           E pergunto-lhes, sabeis todos qual é a função de quem dirige esse grupo? 
                           Mantê-lo, reunir as pessoas, auxiliá-las na descoberta do que é fazer teatro, ajudá-las a desenvolver seus talentos, aprimorar suas técnicas e principalmente: não deixar o teatro morrer, pelo contrário, fincá-lo no chão dessa cidade, para que o valor de tantos que por aqui passaram e lutaram, e se dedicaram, não tenha sido em vão. 
                             Ninguém dura para sempre, mas um baluarte da arte como esse, precisa ficar. 
                       Mas não é tarefa fácil conviver com artistas, prepará-los, até educá-los em alguns casos. Pois há em meio a eles, seus orgulhos, seus brios, seus árduos desejos, seus preconceitos. E infelizmente no que diz respeito aos jovens: a prepotência e a competição. E ambas podem destruir a caminhada de um artista. Talvez seja uma ilusão minha, uma visão poética das coisas, mas a arte deve ser melhor que nós seres humanos, ela é a fonte de nossa almejada perfeição. Nela encontramos a fraternidade, a filosofia, e até Deus. Nela encontramos o homem!
                            Em algum momento Cléber Lorenzoni não mais estará a frente do Máschara, será que de todos aqueles jovens que tentam brilhar nos palcos, algum continuará com esse grupo? Talvez isso seja questão para daqui há muito tempo. Mas muito triste seria ver tantos figurinos, cenários, vidas, energias, historias, indo parar em lixeiras, sendo dividido e acabando em brechós relaxados e de quinta categoria... 
                            Ontem foi um dia de distribuir louros em Complexo de Elecktra. Foi um outro tom, foram outras interpretações. Mas tudo graças a um clima estabelecido bem antes... Um clima de desentendimento, desacorçoamento, insatisfação, preocupação. Sim, pois o teatro é reflexo do clima a sua volta. O teatro é termômetro do conviver humano. Os desentendimentos de alguns artistas, a falta de público, o frio, a preocupação em errar ou acertar, o descaso de alguns colegas, a agonia com o horário. Tudo isso junto e mais mil idiossincrasias, vão resultar no espetáculo sobre o palco. 
                              Foi verdadeiro, intenso, sussurrado, valoroso. Que agradável sensação ver Douglas Maldaner esparramado em seu jogo. A surra cheia de ódio que Ulrica jogou sobre Ereda. O crescimento de Evaldo Goulart. 
                               Complexo de Elecktra na noite de quinta feira, foi um tanto melodramática. Bem como gosto. Não sei se algum dos leitores desse texto já leu Senhora dos Afogados de Nelson Rodrigues, escrita em 1947, e inspirada em O luto cai bem em Electra (1931) de Eugene O'neill e por conseguinte em Oréstia de Ésquilo.  O fato é que Nelson foi a fundo no melodrama em sua Senhora dos Afogados, e isso percebi na sessão de hoje. Revelações, segredos, interpretação dolorosa na mãe. Vilania, voz exaltada. Algumas pessoas diriam, mas melodrama na tragédia? Não sabemos. As tragédias foram interpretadas muito antes do jovem cristo nazareno cruzar pela terra. Então pouco se sabe quanto a forma que as tragédias eram interpretadas, apenas tentamos supô-las à partir de seu texto. De fato há alguns paradigmas e dogmas quanto a tragédia. Mas cada um tenta chegar a um lugar que julga próximo ao que se espera. Para mim, ontem foi a melhor noite de Complexo. 
                             Poderia elencar vários momentos da tragédia.  Mas meu preferido foi a cena final entre Ulrica e Ereda, embora a interprete da filha demonstrasse já esperar o tapa dado por Ulrica. Arigony e Lorenzoni também estiveram muito bem em sua cena. Renato Casagrande sabe ouvir em cena, sabe pontuar e isso me envolve demasiado. 
                                Hoje não vou fazer minha explanação final, a qual sei que todos ficam esperando. Acredito que cada um tem noção de seu esforço, sair de casa para atucanar os outros. Não se preocupar se vai desestabilizar os colegas com colocações pouco ortodoxas. Fazer paulatinamente seu trabalho. Duvidar da ética e da lisura de seus diretores. Brincar no horário de trabalhar. Não conseguir ficar parado em sua função. Fazer pouco para sua capacidade e achar que fez muito. Dissimular cansaço. Querer criar e opinar a tudo antes de concluir com louvor suas próprias funções. Valorizar tanto o material quando se deveria valorizar mais o fazer artístico...
                                Façamos teatro senhores de coração aberto. Isso sim é vida!


                           Para recordar: A presença da aluna da ESMATE na platéia Sandra Lazzari
                                                   Dulce Jorge conduzindo de forma ágil o público
                 


  
                          

Depoimento de Thagner Marcelo. Platéia de nossa 12ª Sessão Maldita


744- Complexo de Elecktra (tomo 12) Quinta-feira 8 de julho


terça-feira, 5 de julho de 2016

VIIIº Corpo em Ação - São João


744 - Sessão Maldita - Complexo de Elecktra (tomo 12)
841 - Performance - Corpo em Ação (tomo 9)
745 - Sessão Maldita - Complexo de Elecktra  (tomo 13)
842 - Performance - Corpo em Ação (tomo 10)
746 - Olhai Os Lírios do Campo - Catuípe (tomo 3)
747 - Olhai Os Lírios do Campo - Ijuí (tomo 4)

Vem aí em Catuípe, Olhai os Lírios do Campo


Fernanda Peres sendo preparada pelo diretor e colega Cléber Lorenzoni


Casa cheia na 11ª Sessão de Complexo de Elecktra


11ª Noite de Sessão Maldita - Complexo de Elecktra 743

           Questões de Justiça

                         Ser justo é uma talante que todas as pessoas deveriam buscar. No entanto o senso de justiça é algo por vezes muito complexo. O que pode parecer justo para mim, pode por outro olhar, visto por outro angulo, ter outra percepção. A questão de justiça em Complexo perpassa por essas dúvidas...
                         O ferimento atual se dá quando você percebe que todas as personagens serão feridas pelo ato dito de justiça de uma personagem. Ocorreram uma morte no passado e duas no presente, e após isso, Ereda e o irmão estão condenados. Pagarão um preço e nós na platéia ficamos sim esperando por mais essa catarse. Ereda conseguiu limpar a memória do pai, acabando com os dois assassinos. Mas não deve haver um castigo para quem mata a própria mãe? Talvez nas plateias até o século XVIII, o senso de vingança e a justiça feita com as próprias mãos fossem toleradas e admiradas, no entanto eu exijo dentro de mim castigo para quem mata, não aceitaria nem a pena de morte para quem matasse um ente de minha família.                 
                           Cléber constrói uma Ulrica que as vezes é má, as vezes é boa, e essa dúvida quando nos chega é maravilhosa. O Henrique de Evaldo é um homem fraco, se parece aliás muito com o homem criado por Bertold. Será que não seria filho do mesmo? O fato é que precisa de muito esforço por parte de Ereda para matar a mãe. Mas mata! Bertold é fraco, covarde, tanto que esbanja coragem para livrar-se dos filhos de Ulrica, mas na noite do assassinato do rival, fraqueja várias vezes. Sabemos que não é assassino. Werner tem dois lados. Fraco, reto, mas forte ao expor o ódio desencadeado pela rejeição de Ereda. O oráculo de Raquel também parece forte e fraco. Mas e Ereda? Alessandra cria uma personagem forte, cheia de certezas, coesa. No entanto sua fraqueza não me convence. Sim, ela mostra uma Ereda frágil em algumas cenas. Mas de tão forte não convence como frágil. E nem sei se precisa ser. Mas quando diz: -Sozinha não posso, preciso de ti! - pergunto-me, será? E isso se daria com criações que a atriz (se quiser), poderá buscar.
                              O teatro vive sobre uma linha tênue do que queremos/podemos fazer e o que deve ser feito. Mas o que deve ser feito? Se estou em um dia bom e faço meu melhor o público aplaude maravilhosamente. Mas qual será o termômetro que me dirá quanto há menos daquilo que fiz, deixa de ser bom e passa a ser razoável? Ou ruim?
                              Nessa noite da 11ª apresentação de Complexo, o público aplaudiu inebriado, os atores saíram cansados, desfigurados, mas não tenho certeza de seu melhor... Cléber Lorenzoni, embora seja um grande ator, não me pareceu muito bem em cena, não sei se foi a presença de membros familiares, ou suas queixosas dores nas costas. O fato é que se desconcentrou muito. Os textos também sofreram demasiado, Douglas Maldaner gaguejando, Evaldo Goulart e Alessandra Souza com certas sonoridades equivocadas. Gabriel Giacomini tem altos e baixos, tem dias que está ótimo na contra-regragem, tem dias que parece aéreo. Raquel Arygoni esteve muito bem. Renato Casagrande entregou-se mas também se perdeu no jogo algumas vezes. Sua melhor cena foi a pré banheira.
                                  Complexo de Elecktra tem sido uma incrível iniciativa do Máschara, assim como Corpo em Ação, Cena às 7, Matinê do Máschara e etc... Mas acho que esses jovens dedicam-se demais e ganham em troca muito pouco. Há riscos, tapas, agressões, exposições, aquela carne cheia de bactérias que pode causar "n"problemas. Só façam se tiverem muito tesão pela proposta e se tiverem todas as noites dez pessoas na platéia no mínimo.
                                     Caso continuem, corrijam, treinem o português. Caso continuem, não chamem de doação e nem digam que o público pode se quiser dar uma contribuição. Não é contribuição! É o pagamento pelo seu trabalho! Existe uma organização para que as coisas aconteçam que depende de funções, e elas precisam ser bem executadas por cada integrante. Não é preciso esperar que o diretor diga o que cada um deve fazer, se cada um já sabe sua função.

***

   Para guardar na memória: Uma platéia de 15 pessoas que nada perderam do espetáculo e aplaudiram satisfeitas.                            
                              A gentileza da atriz Raquel Arigony em desejar um bom espetáculo aos colegas com chocolates e cartõezinhos.
                                                                              ***
                            Obrigado à Ricardo Fenner, cicerone da noite, que conseguiu guiar rapidamente o púbico pelas salas, sem atrasar o andamento do espetáculo.
                                   

Alessandra Souza (**)
Cléber Lorenzoni (*)
Evaldo Goulart (**)
Renato Casagrande (**)
Douglas Maldaner (*)
Raquel Arygoni (**)
Gabriel Giacomini (*)
                                     

                                  Arte é vida
                                                                                 A Rainha