domingo, 3 de julho de 2016

Performance 840ª

Parabéns ao ator Cléber Lorenzoni, que na performance 840ª, interpretou o Coronel Firmino de Paula, por ocasião do lançamento da segunda edição do Livro Os olhos do General

Dulce jorge ao lado do Coronel Firmino de Paula, Interpretado pelo atoe Cléber Lorenzoni


O Escritor Rossano Cavalari e os atores Cléber Lorenzoni e Alessandra Souza


Esconderijos do Tempo 742 (tomo 86)

A Figura do Diretor

                       Até a metade do século XIX, a figura do diretor era mais conhecida como "Encenador". Aquele que lia o texto e dizia: "-Você sai pela direita. Você pela esquerda. Segundo a rubrica, aqui você se abaixa... O texto indica um figurino preto." - Enfim, dirigir um espetáculo era colocar sobre o palco o que o dramaturgo decidiu. Somente mais tarde foi se percebendo que assim todas as obras ficavam parecidas demais. Um Romeu e Julieta montado aqui ou na Rússia, seriam praticamente iguais. A Arte ficaria assim muitas vezes, restrita a uma função quase histórica. Primeiramente era preciso atualizar, falar de uma obra com o olhar de nossos dias. Também foi se percebendo que o dramaturgo tinha a visão do texto no papel, e que o ator tinha a visão de sua personagem. Mas quem transporia aquilo que foi escrito para a complexidade de um palco? A figura do diretor foi crescendo. O Diretor vem falar de algo que percebeu no texto e que com aquele grupo de interpretes tentará dar vida.
                        É preciso as vezes, alguns atores se darem conta que pouco ou nada seriam no palco sem um bom diretor ou diretora. O artista e principalmente artista jovem, pensa que o palco é uma terra sem lei, e que na desculpa de ser "artista" pode fazer o que quiser e como bem entender. Isso afasta o público. É como em uma orquestra, sem a figura do maestro, as coisas simplesmente não acontecem. Algumas atrizes perdem as vezes a oportunidade de ficarem caladas, quando na verdade deveriam pensar no todo e atuar sem melindres. Algo como, se não sabe fazer algo melhor, faça o que lhe foi pedido! Pode parecer um pouco de autoritarismo o que estou aqui declarando, no entanto como um razoável diretor pode colocar sobre o palco um bom espetáculo se os atores acham-se no direito de querer erguer sua voz acima do todo? Impondo seus maneirismos, reclamando de tudo? 
                           Atores não são seres insubstituíveis, assim como um diretor sentou frente a um texto e criou em uma historia de vinte personagens uma versão de dez, pode rapidamente reduzi-la à cinco, à três, à dois, a monólogo. A Arte é grandiosa por ser mutável. Construível. A arte é um jogo, e nesse jogo há de se mostrar disposto!
                           Um exemplo disso? Esconderijos do Tempo já foi feito com anjo, sem anjo. com uma atriz interpretando musa e Lili e depois com duas atrizes interpretando musa e Lili. Quem faz Glorinha jovem, pode fazer a Glorinha já na madura idade. Uma atriz pode fazer Lili, Glorinha e Glorinha mais velha. Um Ator pode fazer anjo e Gouvarinho. Mario pode sentar-se sob o lampião e ir contando causos de sua vida. Imita Glorinha, corre como lili para lá e para cá, com um catavento nas mãos. Na cena final pode ir falando da morte até o lampião, dizer o ultimo texto e despedir-se lindamente da janelinha de acetilene. Ela seria apagada e mario caminharia para a escuridão. O Teatro é uma compilação de vontades, é o lugar para os gestos humanos e bons, pois é sagrado e vem dos Deuses. Quem é humano e humilde para outro ser humano é recompensado. A arte sem entrega, sem queda, sem generosidade, é violência. E violência é o contrário de arte!
***
                         Esconderijos na UNIJUÍ foi um exemplo do que é um trabalho pronto. Embora seja estranho chamar no teatro um trabalho de "pronto", no entanto quero dizer que Esconderijos é perfeito, redondo. O que o público leva é o máximo que se espera. sente-se na platéia, como se estivéssemos no palco. Cléber, Dulce, Fabio, Alessandra, Fernanda e Renato são perfeitos em cada detalhe de suas composições. Cléber está em seu melhor momento como ator. Para mim, Mario é sua melhor construção. Mario vive em cena e Cléber se retira. Fabio encontrou uma nova forma de dizer o soneto de Gouvarinho, uma maneira muito coesa com seu interpretar. Alessandra é belíssima em Lili, uma pena que tenha tantos quês com a musa/morte. Renato entra em cena com uma presença grande, vistosa. Fernanda segura a platéia na primeira cena, arranca deliciosos risos o que contrapõe-se com as lágrimas de Glorinha adulta. Dulce jorge fecha com chave de ouro nosso emocional. 
                             Em um espaço tão grande uma sonoplastia tão bem executada precisa ser elogiada, bem como um cenário e uma impostação vocal muito perfeitos. Diria apenas à Alessandra Souza para ser mais plástica em uma de suas personagens e infelizmente o espetáculo perde muito sem uma belíssima iluminação como já vi em outras ocasiões.
                                                                      
Cléber Lorenzoni (**)
Dulce Jorge (**)
Fernanda Peres (***)
Alessandra Souza (*)
Fabio Novello (***)
Renato Casagrande (**)
Evaldo Goulart (***)
Ricardo Fenner (**)
Gabriel Giacomini (**)
Raquel Arygoni (**)

                                                    Arte é vida????
  

                                                                                     A Rainha



         

Elenco de Esconderijos ao lado de alunos do EFA


O Talentoso Fabio Novello em sua releitura de O Chapeleiro Maluco


No Camarim da UNIJUÌ para apresentação de Esconderijos do Tempo


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Ultima da Temporada. Tomo 9

Sem a arte a vida fica tão monótona e chata como se eu estivesse em um filme de ficção cientifica. Tudo é cinza, cibernético e o rosto das pessoas não tem expressão!

             Subimos mais uma vez as escadarias do sobrado de Santa Fé. A família Terra Cambará continua aquartelada, cercada pelos soldados caramurus. Há quase quarenta dias estão ali. Não há muito o que comer, e duvida-se que continuem por mais tempo. Dentro do sobrado a velha Bibiana e o neto Bolívar continuam com pé firme.
            Engraçado que como amante de O Tempo e o vento. Hoje enquanto esperava a seção começar, me recordava desse trecho de O Continente.
            Subimos mais uma vez as escadarias do prédio da Unicruz Centro. A família Máschara continua decidida, cercada por muita gente que não vê necessidade nenhuma de termos teatro em Cruz Alta. Há quase quarenta dias estão em cartaz com a Sessão Maldita. Dentro do prédio Dulce Jorge nos recepciona e Cléber Lorenzoni continua decidido a continuar sempre. Ah, Erico, tua obra é antológica!
             E o embate continua, de um lado atores e público que gosta de teatro. Do outro, pessoas que vêem a arte como mera perda de tempo. Na cena, a complexa Ereda, interpretada lindamente por Alessandra Souza, nela não há problemas de dicção, sua presença é forte e o ritmo bem conduzido. Aliás ela e todo o elenco passeiam pela mesma vertente. No entanto há erros de concordância na pessoa do verbo. "Nem a você deveria assustar", "tudo ficastes parado enquanto estiveste fora". Cuidado interprete. A língua pátria, o português deve ser perfeito, sois comunicadores. Não podeis desleixar da língua. A protagonista do espetáculo precisa buscar a perfeição do texto. Em Werner também se nota um escape: "Você volta a aprender, eu te ensino"-Tu voltas a aprender, eu te
 ensino!
            Tirando as gafes no português, o restante do espetáculo brilha. Se posiciona de forma partiturada e com virtuosismo. A cena do envenenamento de bertold foi prejudicada pela atriz condutora. Talvez ela quisesse muito ser vista, ou foram desequilíbrios corpóreos, mas foi uma pena, a ultima apresentação da temporada ter a plástica dirigida pelo diretor tão prejudicada na cena.
             Para quem gosta de bom teatro é um dever assistir Complexo de Elecktra.
             Evaldo Goulart é muito interessante em cena, precisa desenvolver mais macetes, no futuro, com mais maturidade, dissimular menos e interpretar mais. Embora eu seja muito fã de seu trabalho. Raquel Arygoni esteve maravilhosa nesta quinta e Douglas Maldaner vem amadurecendo muito. Gabriel Giacomini é muito jovem, e talvez algumas vezes não perceba o peso das coisas que estão acontecendo. Mas acredito que leve bem a serio tudo o que seus colegas lhe pedem. É importante aprender o oficio. Os valores das coisas, as dificuldades de uma vida dedicada a arte.
              Um espetáculo concebido para 10 lugares, pode ser prejudicado quando a hiper lotação acontece. Atropelos, pessoas chegando atrasadas nas cenas...
              Que Complexo não pare. É um dos melhores espetáculos do Máschara.



Alessandra Souza. Deveria descer devido a cena tão problemática na morte do tio e os problemas de concordância. Mas por equilibrar com belíssima atuação técnica, lhe darei  (**).
Renato Casagrande. Merece subir pela contraregragem do espetáculo, mas sua interpretação hoje foi boa mas um tanto descuidada, principalmente quando virou o banco em cena (*)
Evaldo Goulart . Disposto, esforçado, fez sua parte. (**)
Gabriel Giacomini. Um jovem promissor. As vezes vai para um mundo paralelo. Precisa manter os pés no chão quando é responsável por coisas tão importantes quanto os fazeres teatrais. (**)
Cléber Lorenzoni. Não estava em um bom dia, disseram que estava com dores nas costas, não seria desculpa para não estar brilhante em cena. A voz ficou um pouco rouca, há de se ter mais cuidado com o colega corpo. (**)
Douglas Maldaner . Vem se modificando. Precisa, como qualquer outro, da repetição incansável para alcançar o sucesso.  (**)
Raquel Arygony. Encantadora nesta noite. Raquel é carta forte em Complexo. (***)


        Momentos Memoráveis.--  O Trabalho brilhante de Cléber e Renato na cena da morte do pai.
                       A presença dos membros da Academia Cruzaltense de letras.

Nona apresentação de Complexo de elecktra. Fim de temporada