terça-feira, 15 de dezembro de 2015
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
domingo, 29 de novembro de 2015
O Santo e a Porca (tomo 10) 727
O teatro é um lugar sagrado, um templo. As pessoas vão ao teatro buscar algo, assim como vão a igreja, mas as pessoas tem ido pouco a igreja... O teatro não é como o cinema, o cinema quer divertir, o teatro deve questionar, chocar! O teatro não é como ir ao futebol, o futebol é para relaxar, berrar, torcer, far tapinhas nos ombros dos amigos, e beber e esquecer a vida... O teatro é para provocar impressões. É para se assistir concentrado. Mas muita gente inda não sabe o que é teatro, muita gente não quer ir ao teatro.
Os atores não devem se afligir tanto, se o público não quer teatro, o azar é deles. Mas o teatro precisa ser feito e precisa estar de acordo com o mundo ao seu redor. Deem um tempo, reflitam, esperem o universo dar o caminho. Apoiem-se. Mas não desistam. O trabalho que assisti ontem estava repleto de falhas técnicas, no entanto o jogo, o "timing", estava soberbo. Foi delicioso ver cada cena, mesmo as que caíram um pouco.
Cléber Lorenzoni fechou a curva de forma perfeita. e os coadjuvantes colaboraram e muito para tanto. Deveria haver mais ensaios. Entre algumas réplicas, percebeu-se uma dispersão do atores, uma certa insegurança.
Evaldo Goulart estava muito desconcentrado e Ricardo Fenner podia estar mais triangular. Dulce Jorge trouxe sua divertida Caroba, mas em alguns momentos também parecia dispersa. Alessandra Souza pode mergulhar ainda mais fundo em sua Margarida, esparramar-se na trama. Falta algumas vezes, mais embrolhos, mais gente espionando, mais confusão. Aquele ritmo que o Máschara conseguia dar à Tartufo (2001). Renato Casagrande se adapta rápido e soluciona pequenos problemas com muita tarimba.
Mas de que realmente fala O Santo e a Porca? Fé? Sinto falta de fé em cena. Fé no público, fé no teatro. E ainda fé em cena. O Santo em cena não é utilizado quase nunca. Será que Tia Benona não se ajoelharia para pedir ao Santo um bom casamento? Será que a menina Margarida não estaria sempre rezando. Será que Caroba não falaria mais com o Santo? O próprio Euricão Árabe deveria realçar mais essa fé. Caso contrário quem sai ganhando é a porca que da uma lição em Eurico, mas quem deve dar essa lição é sua própria fé ligada ao Santo.
A trilha sonora pode ser melhor executada e ouvi silêncios onde deveria ter ouvido musicas... Gabriel Giacomini pode se dedicar mais.
O interessante é o quanto a historia vai nos envolvendo. As maquinações de Caroba e das personagens mais ativas da casa. Caroba, Margarida e Dodó são a força motriz que representa de certa forma o bem. Benona é estagnada demais para fazer qualquer coisa. Eudoro é truculento e pensa apenas em si próprio. A historia realmente toma jeito apenas quando Caroba desafia os princípios éticos e pega para si algo que não lhe pertence. Mas Eurico não é um vilão, É uma vitima da estranha organização da natureza representada pelo Santo. Talvez a divindade tenha se ofendido pelo amor maior de Eurico pela porca. Mas talvez cada um de nós seja um pouco da divindade e aí Eurico seja traído por si mesmo, pelo seu lado bom que tenta pregar-lhe uma lição e assim melhorá-lo. Eurico termina sozinho e mereço, é o preço que se paga por ter passado a vida inteira dando mais valor aos bens materiais.
O Santo e a Porca está cheio de lições, mas a maior lição a ser dada é a de que o teatro vai continuar, ainda que haja uma única pessoa interessada.
Para a próxima incursão, aconselho a realçarem que Eurico é sonâmbulo, dar mais importância a fé no espetáculo e principalmente não haver álcool nos camarins.
Dulce Jorge (*)
Cléber Lorenzoni (***)
Alessandra Souza (**)
Renato Casagrande (***)
Ricardo Fenner (**)
Gabriel Giacomini (*)
Evaldo Goulart (*)
Fernanda Peres (**)
Fabio Novello (**)
A Rainha
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Zah Zuuu - Ultima inserção na Matinê do Máschara
As coisas acontecem quando as pessoas remangam as mangas e fazem algo juntas. Zah Zuuu não lotou a sala de espetáculos adaptada, e nem mesmo parece ter agradado muito. Mas satisfez o elenco e isso em uma luta tão árdua pelo teatro, é luz dentro de uma casa. Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande desafiaram-se e criaram um libelo ao prazer em fazer teatro. O ator deve ter prazer naquilo que faz. Mas nunca deve parar ou estagnar. Faltou a Zah Zuuu a perfeição técnica, a entrega desmedida, o desafio de equipe.
Renato Casagrande precisa de mais ensaios, até para formalizar cada marca e cada improviso. Mas não precisa ficar tão nervoso, pois possui um talento nato para o contato com o público. Cléber consegue salvar várias piadas e isso é muito importante. O Ator não pode se deixar desmotivar se uma cena ou piada não funciona. Precisa pelo contrário, respirar fundo e estar pronto para com o apoio do elan, salvar uma cena, recomeçar no parâmetro da energia.
Zah Zuuu passa voando, sinal de que não possui barrigas, é rápido, ágil e leve. A mensagem passada é principalmente a da diversão e ainda a da paciência, não leve a vida tão estressadamente.
Os balões na cena final de Zah Zuuu surpreendem, causam definitivamente um agradável efeito. É engraçado que sempre tive um pé atrás com palhaços, Durante a encenação no entanto, vai ficando clara a tênue linha entre palhaço e clown. O clown possui uma existência muito própria, muito vivaz e sarcástica no bom sentido. A gag da almofada é a da porta, funcionam muito bem. A cena da mamadeira precisa ser melhor resolvida. E o final não foi preciso como deveria. Mas a humildade e a delicadeza do tema tocam a adultos e crianças.
Ser bons atores, essa é a busca, penso eu, de um grupo tão tradicional. As vezes tradicional demais. Mas nessa caminhada, humildade e generosidade devem ser constantes. Pendurar um holofote, ou instalar um aparelho de som não torna ninguém melhor que ninguém. É útil, necessário e valorizado, mas é apenas trabalho. As vezes alguns artistas se enchem de orgulho por aquilo que sabem fazer, mas esquecem que desde que o mundo é mundo, as pessoas são substituíveis.
O Grupo Máschara vem fazendo teatro bom há 23 anos, não foi o orgulho, a prepotência e a arrogância que o trouxeram até aqui.
A Rainha
Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (*)
Alessandra Souza (**)
Evaldo Goulart (**)
Ricardo Fenner (**)
Douglas Maldaner (**)
Gabriel Araujo (*)
domingo, 22 de novembro de 2015
sábado, 21 de novembro de 2015
Thriller em Clube Arranca
Renato Casagrande, Cléber Lorenzoni, A cantora Fabiana Lamaisom, Alessandra Souza, Douglas Maldaner e Evaldo Goulart
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