segunda-feira, 28 de julho de 2014
domingo, 27 de julho de 2014
quinta-feira, 24 de julho de 2014
A Maldição do Vale Negro -663/664 - Marau
O Melodrama é caracterizado pelo exagero das interpretações, o gênero que se espalhou durante o século XIX, foi aos poucos dando espaço ao teatro moderno e outras tantas vertentes da arte. O que nos restou do melodrama foram os textos escritos, e várias formas de tentar explicá-lo. Caio Fernando Abreu tentou fazer uma piada, uma brincadeira em cima do tema, o que causa uma certa confusão junto à atores principiantes. O melodrama enquanto gênero deve e precisa ser encarado com verdade, com fé cênica e com respeito. Sua relação com o público está, é verdade, ultrapassada, mas nem por isso jaz sob o manto do esquecimento. Floresce ainda nas novelas, em alguns filmes e pelos palcos de alguns ousados artistas.
A platéia de Marau/RS foi surpreendida por A Maldição do Vale Negro, um texto ágil, repleto de revelações e momentos farsescos. Tecnicamente falando, o Máschara compilou aí várias linguagens criando uma obra exclusiva e difícil de ser "classificada". Há na peça, recursos do "besteirol", do "pastelão", da "farsa" e etc... Assim sendo, crianças e adultos conseguem se divertir, e prova disso foi o aplauso cheio de energia ao final das duas sessões do espetáculo.
Na 21º os atores estavam mais ágeis, rápidos como a farsa pede. CLÉBER LORENZONI parecia querer acelerar o espetáculo. Criou e improvisou muito. O que não se repetiu na segunda inserção, quando talvez tomado pelo cansaço, parecia pesado, lento... (***)(*)Algumas ideias acrescentaram muito, como o buquê de flores, os cortes precisos, e a piada final: "Você me adiciona no Facebook?"
RICARDO FENNER não esteve muito bem na primeira seção, já na segunda sua cigana estava engraçadíssima, embora, por um problema de operação nos volumes dos microfones, tivemos o tom de voz de suas personagens, um pouco acima do que o necessário. Sendo, o intérprete de Jezebel parecia estar sempre agredindo seu texto. (**)(***)
RENATO CASAGRANDE tem um vocação para o palco, joga de forma muito agradável e divertida, mas as vezes não percebe o ritmo caindo ou a narrativa se arrastando. (***)(**) É preciso que um ator desenvolva seu cronômetro pessoal, que aprenda a sentir ritmos, energias, tempos... para que em situações complexas posso solucionar, controlar ou apurar um espetáculo no seu decorrer.
A Maldição do Vale Negro foi apresentada em um palco grandioso, com uma iluminação razoável afinada por CLÉBER LORENZONI e ANGÉLICA ERTEL e operada por FÁBIO NOVELLO (**)(***).Que embora tenha assistido ao espetáculo apenas uma vez, conseguiu efetuar um bom trabalho. ALESSANDRA SOUZA atuou junto brilhantemente atras das cortinas, conseguindo sozinha arrumar os três atores em cena. (***)(**) EVALDO GOULLART tem se mostrado a cada dia mais esforçado, mais competente e cuidadoso com suas funções, o que é motivo de orgulho, afinal ele faz parte da nova geração e muito se espera dele para o futuro do Máschara. (***)(***)
O Teatro do Máschara impera por sua versatilidade, consegue chegar ao público de forma facilitada ainda que sem subestimá-lo.
Teatro é um sacerdócio! Poucos são os vocacionados.
A Rainha
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Esconderijos do Tempo 78/79 - Marau
"O teatro não é arte estagnada, o teatro não fica concentrado atrás da quarta parede; o teatro deve e precisa escorrer pelas tábuas do palco e envolver o público, entrar em sua mente, em sua derme e modificar o ser humano."
Na linda Casa de Cultura de Marau/RS, Esconderijos do Tempo penou para adaptar-se a um público praticamente infantil. Na apresentação da manhã, o público além de infantil, não parecia interessado em prestar atenção. Pelo contrário, internet e conversas paralelas ceifavam o silêncio que a Cia. tentava estabelecer.
Em cena atores lutaram com seus microfones e sofreram por sua vontade de ser claros para os ouvintes. CLÉBER LORENZONI parecia desconcentrado, avoado em cena, tentando obviamente organizar o espetáculo, dirigi-lo em cena o que para o ator/diretor pode ser o fracasso. Algumas cenas foram extremamente monótonas, sem ritmo. FERNANDA PERES lutava para acompanhar as propostas mas algo seguia fora do prumo. Essa cena mais tarde, na segunda apresentação foi ao contrário vivaz, segura, pouco formal é verdade, mas não se pode ser formal com um público tão jovem e tão pouco acostumado a teatro. Enquanto vimos uma Glorinha confusa na primeira inserção, na segunda ela veio com um trabalho corporal digno, um texto muito melhor pronunciado e olhar brilhante.
O teatro depende muito do estado de espirito do ator, alguns podem dizer que o ator precisa desligar-se de si mesmo para estar inteiro em cena. Mas aí questiono, será que não exatamente o estado de espirito do dia, que faz com que amemos tanto o teatro? Que o compare a um jogo de tabuleiro, onde cada dia é um novo embate. Onde os próprios colegas de cena não sabem qual será o jogo do outro.
ALESSANDRA SOUZA esteve inteira em cena, sua Lili cumpre-se cada vez melhor, no entanto não há um porquê especifico para a interprete da Musa e de Lili serem a mesma. A proposta pode até ser bonita, mas confunde o público. Uma vez na cena, tudo o que se vê em cena deve ter um sentido, real ou mesmo simbólico.
A canção inicial foi prejudicada pelos microfones. já expliquei isso aos atores, e até mesmo a meus alunos; não basta enfiar um microfone na boca e achar que se está sendo audível. É preciso dominar o microfone, vencê-lo, usá-lo a seu favor. Todos cantando juntos no microfone causa um excesso de gritos e desafinações que enfeiam o começo de Esconderijos. o que não se repetiu na segunda inserção do espetáculo. É preciso sentir a canção inicial, interpretá-la. Perguntem-se o que ela fala de cada um dos personagens. CLÉBER LORENZONI tentou tornar tudo mais facilitado. Palmas para o cometa Halley somado a explicação de que cruzou o céu no dia em que Mario nasceu. O teatro não deve ser formal ou corre o risco de tornar-se obra morta, fria perante a platéia. FABIO NOVELLO preenche muito bem as necessidades cômicas do espetáculo, mas pode acrescentar mais efeito em seu soneto. DULCE JORGE teve a cena encurtada, nem por isso menos efetiva. Mas sua participação na apresentação da tarde foi memorável. EVALDO GOULLART aprimora a cada dia sua ação na técnica do espetáculo. RENATO CASAGRANDE tem se tornado muito mais plástico o que certamente orgulha a direção.
Uma dica aos atores é lembrarem que por um lado, o que mais importa é a interpretação e não as "muletas", por outro lado não deixar de perceber o quanto a "perfumaria", deve estar bem afinada. A arte invade a platéia através de todos os sentidos. Mario Quintana foi oferecido em grandes taças, mas a platéia nem sempre está preparada para tanto e por isso bebe pequenos goles. Os atores não devem se revoltar, façamos nossa parte, o resto cabe ao público.
O dia contou ainda, com a presença da atriz Angelica Ertel, em visita ao Grupo Teatral Máschara. Relembrando os tempos de Máschara ela operou a iluminação acrescendo muito ao espetáculo. Às 14 e 27 desta segunda feira, o Grupo Máschara recebeu uma calorosa ovação, não importa a idade ou o local, os atores da Cia. de Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni sempre emocionam.
Cléber Lorenzoni (*) (**)
Fernanda Peres (*) (***)
Alessandra Souza (**)(**)
Fabio Novello (*) (**)
Dulce Jorge (**)(***)
Renato Casagrande (**)(**)
Evaldo Goullart (**)(**)
A Rainha
ALESSANDRA SOUZA esteve inteira em cena, sua Lili cumpre-se cada vez melhor, no entanto não há um porquê especifico para a interprete da Musa e de Lili serem a mesma. A proposta pode até ser bonita, mas confunde o público. Uma vez na cena, tudo o que se vê em cena deve ter um sentido, real ou mesmo simbólico.
A canção inicial foi prejudicada pelos microfones. já expliquei isso aos atores, e até mesmo a meus alunos; não basta enfiar um microfone na boca e achar que se está sendo audível. É preciso dominar o microfone, vencê-lo, usá-lo a seu favor. Todos cantando juntos no microfone causa um excesso de gritos e desafinações que enfeiam o começo de Esconderijos. o que não se repetiu na segunda inserção do espetáculo. É preciso sentir a canção inicial, interpretá-la. Perguntem-se o que ela fala de cada um dos personagens. CLÉBER LORENZONI tentou tornar tudo mais facilitado. Palmas para o cometa Halley somado a explicação de que cruzou o céu no dia em que Mario nasceu. O teatro não deve ser formal ou corre o risco de tornar-se obra morta, fria perante a platéia. FABIO NOVELLO preenche muito bem as necessidades cômicas do espetáculo, mas pode acrescentar mais efeito em seu soneto. DULCE JORGE teve a cena encurtada, nem por isso menos efetiva. Mas sua participação na apresentação da tarde foi memorável. EVALDO GOULLART aprimora a cada dia sua ação na técnica do espetáculo. RENATO CASAGRANDE tem se tornado muito mais plástico o que certamente orgulha a direção.
Uma dica aos atores é lembrarem que por um lado, o que mais importa é a interpretação e não as "muletas", por outro lado não deixar de perceber o quanto a "perfumaria", deve estar bem afinada. A arte invade a platéia através de todos os sentidos. Mario Quintana foi oferecido em grandes taças, mas a platéia nem sempre está preparada para tanto e por isso bebe pequenos goles. Os atores não devem se revoltar, façamos nossa parte, o resto cabe ao público.
O dia contou ainda, com a presença da atriz Angelica Ertel, em visita ao Grupo Teatral Máschara. Relembrando os tempos de Máschara ela operou a iluminação acrescendo muito ao espetáculo. Às 14 e 27 desta segunda feira, o Grupo Máschara recebeu uma calorosa ovação, não importa a idade ou o local, os atores da Cia. de Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni sempre emocionam.
Cléber Lorenzoni (*) (**)
Fernanda Peres (*) (***)
Alessandra Souza (**)(**)
Fabio Novello (*) (**)
Dulce Jorge (**)(***)
Renato Casagrande (**)(**)
Evaldo Goullart (**)(**)
A Rainha
Dez anos de O Incidente
O espetáculo O Incidente, inspirado na obra Incidente em Antares de Erico Verissimo, está prestes a completar 10 anos. Parabéns a todos os atores que levaram essa linda historia a todos os públicos. Que o teatro continue sempre em todos os lugares.
Formação dos mortos.
1.Dr.Cícero 2.Quitéria Campolargo 3.Menandro Olinda 4.Erotildes 5.Barcelona 6.Pudim de Cachaça 7.João Paz
2005
1Alexandre Dill 2.Dulce Jorge 3.Cléber Lorenzoni 4.Lauanda Varone 5.Rafael Aranha 6.Cristiano Albuquerque 7.Gelton Quadros
2006
1. Cleber Lorenzoni 2.Miriam Kempfer 3.Gabriel Wink 4. Thaty Quadros 5.Nando Lara 6. Jhow D'mandynne 7.Gelton Quadros
2007
1.Gabriel Wink 2.Dulce Jorge 3.Cléber Lorenzoni 4.Thaty Quadros 5.Nando Lara 6.Jhow D.mandynne 7.Gelton Quadros
2008
1.Cléber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3.Jhow D.mandynne 4.Thaty Quadros 5.Nando Lara 6. Gabriel Wink 7. Renato Casagrande
2009
1.Cléber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3. Gabriel Wink 4.Thaty Quadros 5.Nando Lara 6.Renato Casagrande 7.Gelton Quadros
2010
1.Cléber Lorenzoni 2.Angelica Ertel 3.Gabriel Wink 4Alessandra Souza5.Ricardo Fenner 6.Diego Pedroso 7.Renato Casagrande
2011
1.Cléber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3. Gabriel Wink 4. Alessandra Souza 5.Ricardo Fenner 6.Cristiano Albuquerque 7.Renato Casagrande
2012
1.Cleber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3. Gabriel Wink 4. Alessandra Souza 5. Nando Lara 6.Cristiano Albuquerque 7.Renato Casagrande
2013
1.Cléber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3.Ricardo Fenner 4.Alessandra Souza 5.Diego Pedroso 6.Cristiano Albuquerque 7.Gelton Quadros
2014
1.Cléber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3. (?) 4.Alessandra Souza 5.Ricardo Fenner 6.Cristiano Albuquerque 7. Renato Casagrande
Obrigado à todos que colocaram o teatro acima de tudo e fizeram seu melhor para contar essa historia e porque acreditam no teatro!
Formação dos mortos.
1.Dr.Cícero 2.Quitéria Campolargo 3.Menandro Olinda 4.Erotildes 5.Barcelona 6.Pudim de Cachaça 7.João Paz
2005
1Alexandre Dill 2.Dulce Jorge 3.Cléber Lorenzoni 4.Lauanda Varone 5.Rafael Aranha 6.Cristiano Albuquerque 7.Gelton Quadros
2006
1. Cleber Lorenzoni 2.Miriam Kempfer 3.Gabriel Wink 4. Thaty Quadros 5.Nando Lara 6. Jhow D'mandynne 7.Gelton Quadros
2007
1.Gabriel Wink 2.Dulce Jorge 3.Cléber Lorenzoni 4.Thaty Quadros 5.Nando Lara 6.Jhow D.mandynne 7.Gelton Quadros
2008
1.Cléber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3.Jhow D.mandynne 4.Thaty Quadros 5.Nando Lara 6. Gabriel Wink 7. Renato Casagrande
2009
1.Cléber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3. Gabriel Wink 4.Thaty Quadros 5.Nando Lara 6.Renato Casagrande 7.Gelton Quadros
2010
1.Cléber Lorenzoni 2.Angelica Ertel 3.Gabriel Wink 4Alessandra Souza5.Ricardo Fenner 6.Diego Pedroso 7.Renato Casagrande
2011
1.Cléber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3. Gabriel Wink 4. Alessandra Souza 5.Ricardo Fenner 6.Cristiano Albuquerque 7.Renato Casagrande
2012
1.Cleber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3. Gabriel Wink 4. Alessandra Souza 5. Nando Lara 6.Cristiano Albuquerque 7.Renato Casagrande
2013
1.Cléber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3.Ricardo Fenner 4.Alessandra Souza 5.Diego Pedroso 6.Cristiano Albuquerque 7.Gelton Quadros
2014
1.Cléber Lorenzoni 2.Dulce Jorge 3. (?) 4.Alessandra Souza 5.Ricardo Fenner 6.Cristiano Albuquerque 7. Renato Casagrande
Obrigado à todos que colocaram o teatro acima de tudo e fizeram seu melhor para contar essa historia e porque acreditam no teatro!
domingo, 20 de julho de 2014
Lista de elenco
Atores Tempo Status
2- Giane Ries
3- Claudia
5- Cezar Dors
6- Thire
7- Marli
8- Wilson
10- Eduardo Gonçalves (1992/1995) II
11- Janaína Peroti (1992/1996)
12- Dão Dill (1992/1995) III
14- Fernandra Strainbrenerr (1996)
15- Altiva Soares (1993/1997) IV + 2009
16- Katiússia (1996)
17- Claudia Cavalheiro (
18- Odacir Pena (1996/1997) II
19- Carolina Monteiro (1996/1997) III
20- Evandro Silva (1992/1994) IV
21- Cléber Lorenzoni (membro remido) I A
22- Fábio Branco (1996)
23- Bibiana Monteiro (1996/1997) IV
25- João Paulo Perez (1996/1997) IV
26- Maiara
27- Paulo César Perez (1996/1997) IV
28- Alexandre Dill (1996/2006) I
29- Janiele Peroti (1996/1997) IV
31- Adilson Sattes (1997) IV
32- Naiara (1996/1997) IV
33- Simone De Dordi (1997/2002) I --->
34- Luciano
35- Maria Amélia
36- Ariane Pedroti (1998/2003) III
36- Ariane Pedroti (1998/2003) III
37- Fernanda Garrido (1998/2001) V
39- Leonardo Mattos (1999/2002) IV
40- Matheus da Rosa (1999) IV
41- Úrsula Macke (1999/2000) V
42- Guilherme Macke
43- Eduardo
44- Rosimere
45- Marcele Franco (1998/2010) III
46- Fábio Novelo (2001) IV (2014_____)Honorário
47- Diego Barcellos (2001) IV
48- Ricardo Fenner (2001/____) III A
49- Yanna Monge
50- Suzzete Siqueira
52- Lauanda Varone (2002/2006) II
53- Pothira
54- Rafael Aranha (2003/2006) III
55- Daiane Albuquerque (2002/2006) III
56- Ana Paula (2002) V
57- Jorge Pittan (2002) IV
58- Guto Baugrathz (2002) V
63- Gelton Quadros (2005/2010 ) III
64- Kellen Padilha (2005/2007) II
65- Mirian Almeida (2005/2006) II
66- Ezequiel Mattos (2005)IV
67- Tatiana Almeida (2005/2014) II Honorário
68- Fabiúla
71- Marciele Benittes
72- Angélica Ertel (2006/___)II Honorário
73- Luiz Henrique Da Costa (2006/2008) IV
74- Jéssica Martins (2006/2007) V
75- Kauane Leite Linassi (2006/2007) IV
76- Alessandra Souza (2008/____) II
77- Roberta Corrêa (2008/2010-2012/2013) III (2014)
77- Roberta Corrêa (2008/2010-2012/2013) III (2014)
78- Renato Casagrande (2008/____)II
79-Pamêla Canciani
81-Michele da Rosa
sábado, 12 de julho de 2014
quarta-feira, 25 de junho de 2014
5ª Matinê do Máschara
Os Saltimbancos
O dia em que o teatro desaparecer da face da terra, e espero que isso não aconteça, as pessoas possivelmente nem percebam, não sintam falta, não compreendam em um primeiro momento o quão ele faz falta. E diretamente realmente ele não faz falta, assim como os museus, as orquestras, e toda uma serie de ações artísticas que parecem privilégios de elites. Não parecem fazer diferença, mas foi a arte que contou através tempos a historia do mundo, as complexidades das nações e as emoções do homem. Não foi a historia que contou a existência do homem, mas sim a arte nas paredes das cavernas, no poder dos povos antigos em suas pirâmides. Foi a arte através das telas que representaram o homem e o olhar do homem sobre si mesmo. O Teatro é o braço direito da filosofia, é versão leiga da psicologia e as vezes seu principal mote.
Em Cruz Alta, vou contar mais uma vez, o teatro foi sendo emparedado, e isso revolta artistas e amantes da arte. O teatro alcançou um espaço invejável, conquistou um bom público e repentinamente perdeu quase toda a sua batalha. Agora os atores cruzaltenses se espremem em espaços que tentam adequar a arte do mise en scene.
Algum desconhecedor do trabalho do Máschara deve pensar em um primeiro momento que seu trabalho é muito amador, pois caiu por terra o trabalho de luz em um local onde não há urdimento ou maquinaria. O som passou a ser simplório, e mesmo o espaço da assistência é desconfortável e sem a agradável inclinação necessária para a visualização da cena.
Os atores estavam alí, inteiros? Talvez. Intensos? Alguns. Verdadeiros? Todos.
Os Saltimbancos é um espetáculo difícil, gessado, comprometido. Ou você é muito ousado e modifica extremamente algo que já tem uma longa historia, uma tradição mesmo, correndo o risco de comprometê-la. Ou você segue a proposta. O Máschara teve como objetivo principal compor quatro animais, o fez, cumpriu seu objetivo. Mas o teatro impõe ao ator objetivos novos a cada representação. Do contrário seria algo repetitivo, robótico, decorado. Seria circo e este definitivamente não aprecio. Sendo assim o espetáculo parece ter cumprido sua função inicial, mas está condenado a se repetir na mente dos atores. Ainda que com pequenos improvisos vivazes. O espetáculo peca no ritmo principalmente nas primeiras cenas, onde o mesmo é vital. Com a entrada dos outros animais parece corrigir-se. A historia é bonitinha, diverte, envolve principalmente nas rixas entre cão e gata. No entanto o conflito, base do teatro ocidental, foi prejudicado. Há claro os conflitos pequenos, paralelos, mas não se bastam. Da para perceber que algo importante foi suturado, e assim Os Saltimbancos acaba-se repentinamente. Ele envolve pois é feito com o cuidado típico dos trabalhos do Máschara, mas ainda é escravo das velhas formulas. É hora do Máschara buscar novas formulas. Os atores precisam disso para se auto conhecerem melhor.
Os saltimbancos foram apresentados 22 vezes, cumpriram sua função corporal, acrescentaram versatilidade aos atores e principalmente, divertiram centenas de crianças. Mas aconselho ao Máschara algo novo, algo desafiador para seu atual momento. Algo que una e aproxime "TODO" seu elenco.
Sentada na primeira fila da platéia, ouvia-se apenas a voz de um dos atores, depois uma variante de hora um, hora outro. Isso em um musical é fatídico!!!
O teatro é o grito de alegria, de torpor, de dor ou de ódio, que grito foi os saltimbancos? Que grito os atores de Cruz Alta querem gritar?
Alessandra Souza (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (**)
Ricardo Fenner (**)
Evandro Amorim (***)
Fernanda Peres (**)
Evaldo Goullart (***)
A Rainha
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