sexta-feira, 21 de agosto de 2026

1348 - O Grande Circo Mágico (tomo 19)

                           Se o público soubesse o que ocorre por trás das cortinas, no tal bastidor. Bastidores, aliás, são sempre tema de curiosidade de quem não é da área. Acreditam possivelmente que ali há algum tipo de perniciosidade, de regalias, de diversão. Na verdade o que há ali, em grande quantidade, é muito estresse, correria, e gente quebrando a cuca, tentando solucionar problemas de última hora.  O teatro (seja qual for o espaço, e quase nunca é um teatro de verdade), que recebe o espetáculo, dificilmente está preparado apra todas as questões internas da promoção da arte cênica. Um palco liso, confortável aos pés do artista. Um banheiro com espelhos, privativo ao elenco, onde atrizes e atores possam interagir (maquiar-se, passar texto, etc...) sem serem importunados. Um espaço com urdimento, para pendurar-se maquinários, adereços, e outras tantas possibilidades imaginativas. Banheiros e chuveiros. Araras para que as camareiras do teatro possam cuidar com delicadeza de figurinos e adereços de cena. 

                            O palco é um lugar sagrado, o ato deve ser respeitoso para com atores, atrizes e público. Todos estão ali a serviço de algo grandioso, maior do que todos nós. O teatro nasce de algo intrínseco ao ser humano. Algo que brota de uma necessidade quase inexplicável de revelar aquilo que, muitas vezes, não conseguimos dizer de outra maneira. O teatro nasce desse lugar sensível onde moram nossas inquietações, nossas memórias, nossos medos, nossos sonhos e nossas contradições. Está conectado aos Deuses, e aos que vieram antes de nós. Por isso mesmo, ele deve ser encarado com um profissionalismo, um senso de ética e de responsabilidade. A vida de todos está em jogo quando se estabelece o ato cênico: Público, atores, contra-regras, iluminadores, sonoplastas, produtores, contratantes e público.

                              Na década de noventa, uma Cia. de teatro paulista, da qual não me recordo o nome, estreou um espetáculo que ficou em cartaz por dois meses, sendo rapidamente tirado de temporada, pois não agradou o público. No entanto, o diretor percebeu que nos "bastidores", em meio a trocas de figurinos, e as escadarias cênicas no cenário de três andares, havia algo que poderia ser interessante. E assim remodelou o espetáculo e por mais de um ano, fez sucesso. Na cidade de Boa Vista do Cadeado, o espetáculo "circo mágico", caso fosse visto pelo outro lado, daria certamente uma adorável peça de teatro. Os dramas, teriam a ver com atrasos, esquecimento de figurinos, improvisações rápidas e perdas de adereços. Todas, situações que poderiam ser contornadas, todas situações que colocam em risco o trabalho do Máschara.

                              O elenco não estava afinado como nas apresentações anteriores. Palmas para Giovana Santos e Antonia Serquevitio que estiveram inteiras em suas funções. Renato Casagrande e Junior Lemes também foram responsáveis por carregar o espetáculo, no entanto o segundo precisa tomar cuidado apra que sua personagem nãos e torna uma versão semelhante ao outro palhaço. É preciso encontrar os pontos diferentes de cada um, para que haja triangulação. O restante do elenco necessita de mais ensaio, para compreender ritmos, para lembrar das cenas e para auxiliar na energia do espetáculo. O Máschara tem grandes méritos, prende a atenção, chega no público, por sua presença e por detalhes, mas em dias como o da ultima apresentação do circo, infelizmente deixa a desejar. O número árabe funciona, e Roberta Teixeira cresceu muito como Ísis. Ana Kraemer parecia tensa na cena e sua bonequinha não ficou delicada como poderia. Embora Didy FLores conduza bem a narrativa, precisa de mais ensaios para que o jogo com os palhaços cresça. Douglas Maldaner dá vida a um Carlitos que precisa de sutileza. Ou seja, ensaios. 

                                     Para encerrar, lembrar que existem três tipos de atores: O que criam, os que repetem e os que cumprem... O Grande Circo Mágico, tentou cumprir com repetições. A historia porém ficou de banda, não foi possível compreender que tratava-se da historia de um casal que se perde pelo circo. Ao final, não compreendemos se Carlitos abandonou e por que abandonou sua amiga. Foi sem dúvidas um bom ensaio. 

                              O Melhor: A garra dos atores e atrizes tentando dar conta de cada detalhe, com poucos ensaios.

                                   O Pior: A falta de ritmo e de uma historia sendo contada.


O Grande Circo Mágico: Autores Cléber Lorenzoni, Fabio Novello

Elenco:Didy Flores - (**) 

             Renato Casagrande (***)

             Junior Lemes (**)

            Clara Devi (*)

             Douglas MAldaner (*)

             Antonia Serquevitio (**)

             Ana Clara Kraemer (*)

             Cléber Lorenzoni - (**)

             Roberta Teixeira (**)

             GIovana Santos (***)

             Kleberson Ben (**)


Contra-regras: Priscila Chiesa

                        Valentina Lemes

                        Felipe Brandão

Operadora de Som: Carol Guma

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