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terça-feira, 9 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O CONTO DA CARROCINHA - 1999
AUTOR- Andersen (Adaptado do conto O Patinho Feio)DIREÇÃO- Dulce Jorge
ASSISTÊNCIA-Cléber Lorenzoni
ELENCO- Cléber Lorenzoni, Alexandre Dill, Simone De Dordi, Marcele Franco, Ariane Pedrotti, Úrsula Macke, Matheus.
TRILHA SONORA- Cléber Lorenzoni
ILUMINAÇÃO- Dulce Jorge
FIGURINOS- O Grupo
CENÁRIO- Jorge Silva e Cléber Lorenzoni
PRODUÇÃO- O Grupo
ELENCO EM SUBSTITUIÇÃO- Cristiane
Sinopse
Uma trupe de palhacinhos escolhe um lugar para fazer seu número circense. São surpreendidos pelo nascimento de um novo palhacinho, mas ele tem algo diferente...
domingo, 31 de maio de 2009
DOROTÉIA - 1998/1999
AUTOR - Nelson RodriguesDIREÇÃO- Helquer Paez
ELENCO- Dulce Jorge(dorotéia) Cléber Lorenzoni(dona flávia) Alexandre Dill(maura) Vera Porto (carmelita) Adriane Fiuza(assunta da abadia) Simone De Dordi(das dores)
TRILHA SONORA- Helquer Paez
ILUMINAÇÃO- Daniel Plá
FIGURINO- Helquer Paez
CENARIO - Helquer Paez e Jorge Silva
PRUDUÇÃO- O Grupo
INTERPRETES EM SUBSTITUIÇÃO- Ariane Pedroti, Marcele Franco
Sinopse
Em Dorotéia Nelson Rodrigues atinge um de seus ápices quanto à consisão formal: apenas seis personagens - todas mulheres, duas protagonistas principais - em um único cenário e uma única unidade aristotélica de tempo e espaço ( Aristóteles, 1992 ). A divisão em três atos, neste caso, é mero cacoete de teatro, a peça pode ser perfeitamente encenada em um único ato, o que acentua ainda mais sua proximidade com a Tragédia Grega. O autor inicia por uma descrição das personagens e do cenário extremamente condensada, imagística, plena de metáforas - todas as características que a tornam mais que uma indicação para montagem teatral, um verdadeiro poema:Casa de três viúvas - d. Flávia, Carmelita e Maura. Todas de luto, num vestido longo e castíssimo, que esconde qualquer curva feminina. De rosto erguido, hieráticas, conservam-se em obstinada vigília, através dos anos. Cada uma das três jamais dormiu, para jamais sonhar. Sabem que, no sonho, rompem volúpias secretas e abomináveis. Ao fundo, também de pé, a adolescente Maria das Dores, a quem chamam por costume, de abreviação, Das Dores. d. Flávia, Carmelita e Maura são primas. Batem na porta. Sobressalto das viúvas. D. Flávia vai atender; as três mulheres e Das Dores usam máscaras. D. Flávia assinala tratar-se de uma casa onde não há quartos, mas apenas salas, remete ao recalque e a tudo que possa relacionar-se com intimidade e sexualidade: Por que é no quarto que a carne e alma se perdem! Direto da temática mítica grega: três figuras femininas, de negro e máscaras, aterrorizantes, hieráticas, lembrando as Fúrias da Mitologia Grega, personagens da Oréstia de Ésquilo. Também conhecidas por Erínias - perseguidoras com furor - as três Fúrias possuíam os sugestivos nomes de: Aleto, a que não pára, a incessante, a implacável; Tisífone, a que avalia o homicídio, a vingadora do crime; e Megera, a que tem inveja, a que tem aversão por ( Brandão, 1991 ). Aumenta o caráter sobrenatural e a analogia com as Fúrias, das quais nem os deuses podem se esconder ou escapar de punição, o fato das três primas possuírem o dom de saber, imediatamente, por uma voz, toda vez que alguém da família “dá um mau passo” ou morre.O corpo magro, sem atrativos sexuais, é atributo mostrado pelas viúvas como marca de castidade e de beatitude. Mas as mulheres de Dorotéia, como se percebe ao longo de todo texto, são obcecadas pelo sexo. Já no início da peça há o paradoxo da censura ao sonho, onde dominam as imagens, ser descrita pelo autor por meio da intensa imagem que caracteriza a Poesia. Paradoxo que é realçado por Nelson Rodrigues com a indicação cênica de que sempre que algo considerado vergonhoso é dito, as primas de negro devem esconder o rosto com um leque multicolor.A peça tem início com a chegada de outra prima - Dorotéia - que em contraste com a soturna castidade das mulheres de luto veste-se de vermelho, como as profissionais do amor e não usa máscara. Mas a família possuía duas Dorotéias, a que perdeu-se e outra que se afogou, por não suportar o conhecimento que por dentro de seu vestido estava seu corpo nu... A dúvida diretamente formulada pelas três primas de qual seja a Dorotéia presente no palco, permite a hipótese de que estamos diante de uma metáfora da cisão em dois de um mesmo eu, e que a atual Doroteía-viva precisa reencontrar a Dorotéia-morta. De fato, ao longo de todo o texto Dorotéia define-se como um ser extremo, de contrastes brutais.Ainda neste início da peça a protagonista-título narra o que tanto pode ser um sintoma histérico, quanto a hamartia ( falta cometida ) desencadeadora da trama de uma tragédia grega, originada da hybris ( desmedida, excesso ), ousada pelo antepassado de um genos ( Brandão, 1992 ); paralelo, por exemplo, com os infortúnios que há gerações assolam a dinastia dos Labdácidas, família de Édipo :Eu sabia o que aconteceu com nossa bisavó... Sabia que ela amou um homem e se casou com outro... Na noite do casamento, nossa bisavó teve a náusea...(desesperada) do amor, do homem!...(...)Desde então há uma fatalidade em nossa família: a náusea de uma mulher passa a outra mulher, assim como o som passa de um grito a outro grito... Aspecto pouco conhecido da obra teatral rodrigueana, o romantismo negado aparece em toda sua força: o pecado contra o amor é tão grande para Nelson, que não se volta apenas contra quem o comete, mas se transmite de geração em geração. Pecado que está bem de acordo com o aforisma de que não há solidão mais vil que a do sexo sem amor ( Rodrigues, 1997 ). O enigma-problema de Dorotéia, cuja confissão é arrancada pelas primas, é que até então jamais sentira a náusea familiar, sintomática e histérica antítese do orgasmo.D. Flávia completa a narrativa da maldição acrescentando à náusea outro sintoma que acomete todas mulheres da família, exceto Dorotéia:Isso aconteceu não contigo, mas com as outras mulheres da família... com a Dorotéia que morreu...com Maura e Carmelita... (grave e lenta) e comigo... Te conto a minha primeira noite e única... As mulheres de nossa família têm um defeito visual que as impede de ver homem... (frenética) E aquela que não tiver esse defeito será para sempre maldita... e terá todas as insônias... (novo tom) Nós nos casamos com um marido invisível...(violenta). Invisível ele, invisível o pijama, os pés, os chinelos...Dorotéia procura sentir a náusea, identificar-se com as mulheres da família, razão pela qual dirigiu-se à casa das primas. Estas impõe-lhe sua exigência fundamental: terá de sacrificar todos seus atrativos sexuais, transformar-se em uma criatura repugnante. Em seguida Dorotéia relata um dos principais motivos subjacente desta autoflagelação ardentemente desejada: a culpa. Seu filho, fruto de uma relação a qual não se vendera, adoeceu ainda criança de colo. O médico chamado exigiu como pagamento o corpo de Dorotéia, logo após o que, acusa D. Flávia: Quando espiaste, de novo, teu filho estava morto!Para lembrar Dorotéia sempre de sua culpa, cada vez que vacila em seu propósito de autoflagelação, um jarro misteriosamente aparece e desaparece de cena. Dorotéia queixa-se que seu perseguidor não lhe dá sossego, embora pessoalmente não tenha nada contra ele, até que é bonito. Comenta o psicanalista Martuscello ( 1993 ): Objetos utilizados para a higiene íntima da mulher em alguns prostíbulos, a bacia e o jarro aparecem aqui como evidência da culpa sexual de Dorotéia.Entretanto, não concordamos com este autor quando interpreta o jarro como símbolo fálico, pelo contrário, mostra-se como clara evidência da sexualidade feminina: um símbolo uterino. Ao final da peça, tendo se metamorfoseado em uma criatura repugnante que nem as primas, o jarro finalmente deixará de persegui-la.A destruição da beleza provoca em Dorotéia grande ambivalência, que permanece quase até o final da peça. Mas acaba por predominar um super-eu sádico, reforçado pela identificação com as primas, que permite a expiação parcial de sua culpa. Para que possa ocorrer tal processo deve submeter-se a um sacrifício físico: transformar-se de bonita em feia, adquirindo chagas por todo o corpo através do contágio com um misterioso homem doente, que vive isolado do mundo, chamado Nepomuceno ( nome de um leproso que também aparece em Bonitinha Mas Ordinária ). Deste modo, todas esperam que ela passe a ter a náusea, prova irrefutável que se purificou e igualou às parentas. Resume o psicanalista Martuscello ( 1993 ):Nelson utiliza esta inversão de valores para remarcar a repressão sexual em todos âmbitos ou possibilidades de aparecimento da sexualidade, ressaltando a feiúra, a doença, os sacrifícios e todos sofrimentos em geral como valores sempre perseguidos por elas como meio de exegese e ascese espiritual purificadora dos pecados do sexo.Mais que uma denúncia contra a cultura e a religião que enaltecem a doença e o sofrimento, a peça traz, por meio de seu sarcasmo brutal, uma denúncia contra a culpabilização da sexualidade e contra o culto da apologia da morte. Acometido de uma fúria verdadeiramente báquica - unindo por meio da sátira o trágico e o cômico - Nelson expõe até a medula a violência dos paradigmas do patriarcado em sua vertente católica e mediterrânea transplantada para o Brasil.A quinta personagem do núcleo familiar, Das Dores, filha de D. Flávia, nasceu morta, mas ninguém a avisou e foi crescendo! Justifica sua mãe que Das Dores não podia ser enterrada antes de sentir a náusea. Para tanto, está de casamento marcado e se supõe que, após sentir a náusea, regressará a seu nada, satisfeita, feliz. Só que seu noivo vem, de modo extremamente bizarro como se verá, e Das Dores não sente a náusea. Pior, entra em idílio, recusa ativamente a náusea e se encanta com uma história contada pelo noivo.Para conter tal rebeldia, D. Flávia utiliza-se ao extremo de seu poder: amaldiçoa a filha. Das Dores responde que só não podem tirar-lhe o amor que já é seu. Ao que mãe retruca que pode, e mais que isso, possui o poder de reduzi-la a um nada, incapaz de amar ou odiar. D. Flávia usa a revelação de que Das Dores nascera natimorta para agora tentar aniquilá-la de vez. Das Dores responde que não retornará ao nada, mas para dentro de sua mãe, que viverá dentro de D. Flávia e dela renascerá. Em um gesto de teatro expressionista ou surrealista ( Fraga, 1998 ) - o teatro do absurdo só surgiria com Beckett e Ionesco alguns anos após - Das Dores pega sua máscara, coloca-a no peito de sua mãe e desaparece de cena. Horrorizada, D. Flávia nunca mais conseguirá retirar do peito a máscara que pertencera a sua filha, apesar de ser ela mesma, a própria D. Flávia, quem agora continua apertando firmemente a máscara contra o próprio peito.Repressora-mor, D. Flávia reconhece que falhou mas, executora de implacável pulsão de morte, segue feroz por um novo assassinato; junto com Dorotéia conjetura várias possibilidades até que esta lhe sugere a principal: Você vai dar a luz duas vezes, pode soprar essa luz, cegar essa luz... Ninguém melhor que uma mãe, com mais autoridade, para sufocar aquilo que ela mesmo gerou... A mãe pode pegar uma filha e lhe abrir o rosto ao meio, sendo que um perfil para cada lado...
BULUNGA, O REI AZUL - 1996/1998

AUTOR- Pedro Bloch
DIREÇÃO - Dulce Jorge
ELENCO - Dyulio Penna(bulunga) Dulce Jorge(bruxa magnólia) Cléber Lorenzoni(fada morgana) Zenaide Perez(mimi) João Paulo(tudo azul) Gogo(gatinho verde)
CORO - Altiva Soares, Adriane Fiuza, Janiele Perotti, Carolina Monteiro, Bibiana Monteiro, Najara, Taciara, Simone De Dordi, Simone Sattes, Paulo Vargas, Paulo Oliveira.
TRILHA SONORA- Leonardo Diaz
ILIMINAÇÃO- Janine Perotti
FIGURINO- Dulce Jorge
CENARIO- Jorge Silva
PRODUÇÃO- Jorge e Dione Silva
ELENCO EM SUBSTITUIÇÃO- Alexandre Dill, Ariane Pedroti, Adilson Sattes.
Sinopse
Uma fábula que faz pensar sobre um assunto muito sério: o preconceito."Bulunga era um gato azul que detestava todas as outras cores. Imagine, então, o que acontece quando Bulunga passa a ter o poder de um rei! Nessa história, o bom é mau e o mau é bom, veja só! Mas, no meio de tanto absurdo, este livro mostra o verdadeiro absurdo: o preconceito racial.
CORDÉLIA BRASIL - 1995/1996

AUTOR - Antonio Bivar
DIREÇÃO - Cesar Dors
ELENCO - Dulce Jorge(cordélia) Gederson Dill(leônidas) Dudu Gonçalves(rico) Diva(vizinha)
TRILHA SONORA-Leonardo Diaz
ILUMINAÇÃO- Janaíne Perotti
CENÁRIO- Jorge Silva
FIGURINO- O Grupo
PRODULÇÃO - Jorge e Dione Silva
INTERPRETES EM SUBSTITUIÇÃO-
Dyulio Penna, Cléber Lorenzoni.
Sinopse
Para sustentar seu companheiro Leônidas, que sonha em ser escritor de histórias em quadrinhos, Cordélia, além de trabalhar como auxiliar de escritório, começa a se prostituir. Ela traz para casa um jovem de 16 anos, Rico, que acaba morando com eles. Forma-se então um triângulo, em que se insinua a cumplicidade entre os dois homens, já que Rico se identifica com o comportamento de Leônidas para com Cordélia. A relação torna-se cada vez mais conflituosa, acabando por precipitar um desfecho trágico que, paradoxalmente, é tratado de forma poética e absurda.
O texto, cujo título original é O Começo É Sempre Difícil, Cordélia Brasil, Vamos Tentar Outra Vez, é premiado no 1º Seminário de Dramaturgia do Rio de Janeiro, em 1967. No ano seguinte, a montagem é interditada pela Censura durante o período de ensaios, juntamente com Barrela, de Plínio Marcos, e Santidade, de José Vicente. Uma leitura dramática é organizada na cobertura de Danusa Leão para que os intelectuais cariocas conheçam a obra. O evento é bem-sucedido e os críticos vão aos jornais interceder pela liberação do texto, que consegue subir à cena ainda em 1968, com o título de Cordélia Brasil, no Teatro Mesbla.
Enfatizando aspectos da construção do texto, analisa Yan Michalski: "À medida que o desfecho se aproxima, Bivar introduz no tom de realismo, até então característico da peça, um surpreendente elemento de fantasia, que cresce e se expande com enorme rapidez, a ponto de acabar por sobrepor-se, inexoravelmente, ao realismo. A saída final de Leônidas se desenrola num clima de alucinada lógica sem lógica, que me faz pensar, toda vez que releio a peça, em Pierrot le Fou, de Godard; e o suicídio de Cordélia é, ao mesmo tempo, comovente e engraçado na sua cafonice: as últimas palavras da heroína, que se referem à marca que ela deixará da sua passagem pela Terra - uma fotografia para a qual posou nua, na praia, a pedido de um fotógrafo americano -, constituem uma das mais poéticas contribuições para a antologia de nosso florescente tropicalismo. A facilidade com a qual Bivar conseguiu passar do realismo para a fantasia me pareceu constituir a mais evidente prova do seu talento".
Enfatizando aspectos da construção do texto, analisa Yan Michalski: "À medida que o desfecho se aproxima, Bivar introduz no tom de realismo, até então característico da peça, um surpreendente elemento de fantasia, que cresce e se expande com enorme rapidez, a ponto de acabar por sobrepor-se, inexoravelmente, ao realismo. A saída final de Leônidas se desenrola num clima de alucinada lógica sem lógica, que me faz pensar, toda vez que releio a peça, em Pierrot le Fou, de Godard; e o suicídio de Cordélia é, ao mesmo tempo, comovente e engraçado na sua cafonice: as últimas palavras da heroína, que se referem à marca que ela deixará da sua passagem pela Terra - uma fotografia para a qual posou nua, na praia, a pedido de um fotógrafo americano -, constituem uma das mais poéticas contribuições para a antologia de nosso florescente tropicalismo. A facilidade com a qual Bivar conseguiu passar do realismo para a fantasia me pareceu constituir a mais evidente prova do seu talento".
sábado, 30 de maio de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
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