sábado, 20 de agosto de 2022
1046 - A Hora da Estrela - (tomo V) .
Apresentação para quem importa...
Todas as apresentações importam e muito, mas quando voltamos nossos olhos para os adolescentes, e principalmente, quando conseguimos de alguma forma toca-los, então devemos nos alegrar pelo dever cumprido, É definitivamente o público mais exigente, mais difícil de alcançar. É preciso reinventar-se, estar na moda, falar de assuntos no ponto certo, ser sincero e um pouco impositor, não dá para enfeitar muito se isso não tiver consistencia. Pois bem, a apresentação de A Hora da Estrela teve tudo isso e muito mais. Não sei se devido a apresentação do Mäschara na noite anterior que deixou os atores "a ponto de bala", ou se a substituição de elenco que aconteceu, ou o horário da apresentação, ou ainda por se tratar da ultima apresentação de uma temporada mista que se estendeu entre quinta e segunda-feira.
O preludio de Cléber Lorenzoni no inicio do espetáculo foi assaz contundente, embora quase o tenha perdido. A porta do auditório manteve-se fechada e tive que fazer toda a volta por dentro da escola, o que foi bom, já que assim relembrei o tempo de normalista. Minha neta mais nova estava entre as turmas e foi por ela que tirei a temperatura da conversa "reta"de Lorenzoni. Teatro as vezes é muito chato(...), dignidade aos artistas (...), respeito (...), arte (...). Só aquela conversa serviria como uma oficina sobre artes, uma aula!
No palco um elenco talhado a dedo, como se com um formão, o "ENCENADOR" tivesse moldado suas outrora peças de madeira bruta e lapidando-as, criado as obras de arte sobre o palco. Se as atrizes de primeiro escalão estiveram poderosas, as de segundo não deixaram a desejar. Carol Guma perdeu algumas piadas, como "mulher que não se ajeita, termina sozinha". Eliani Aléssio é uma explosão assim como Laura Hoover que brilha sozinha no topo da piramide.
Alessandra Souza esteve bem na cena, mas não deve esquecer que tem grandes escadas ao seu redor, como Clara Devi, a propria Eliani Aléssio e hoje o colossal Cléber Lorenzoni. É interessante o trabalho de boas duplas. Quanto mais poderoso ficava o Olimpico na cena, quanto mais o público ria de si, mais Macabéa ficava pequena, desprotegida e frágil. Não sei como é para Alessandra Souza contracenar com o diretor assim, de repente, mas imagino que seja um desafio estimulante e assustador. Diretores veem coisas que os atores não enchergam, pois estão contando uma historia que habita em suas mentes e la ela já está contada. Então mil possibildiades se abrem. Houve um certo virtuosismo exagerado, mas que no fim das contas estimulou e atraiu a plateia.
A iluminação somente nesta ultima apresentação da temporada, pareceu firme e decidida, mas ainda acontecerem penunbras e atores sem foco. Uma lástima para uma historia tão bem contada e um Grupo tão tradicional.
Soube que alguns artistas quando leem as criticas, não se importam muito com minha contribuição enquanto crítica, e sim com a "nota"no final da resenha. Uma pena, é talvez nas entrelinhas dessa analise muito simples e carinhosa que faço, que podem estar respostas para encenações que ainda poderiam crescer e muito. A nota, vocês mesmos ja tem capacidade para se dar. Basta olhar o semblante do diretor, o respeito dos colegas ou ouvir o calor do püblico na hora do aplauso. Cada ator sabe quando deu apenas cinquenta por cento, quando atrapalhou nos camarins os colegas com seus pontos de vistas egoístas ou espertalhões. Quando poderia ter ajudado, mas em seu centrismo, acha que já fas muito por estar ali. Quando ganha um troféu ou uma indicação e pensa ter alcansado o Olympo dos Deuses da arte. Quando ganha um pouco mais de funções e aje com tirania. Quando é razoavelmente bom ator e pensa que o mundo assina embaixo, mas o mundo é grande e nem sabe de sua existência. O palco é imenso, a coxia é bem pequena, nela só há espaço para o trabalho. O Camarim é grande, sabem por que? Para "EQUIPES" trabalharem la dentro. O teatro é muito mais feito para dentro do que para fora. O que se cria no teatro são grandes comunicadores, lideranças, carreiras... Pergunte-se qual a semente que você está plantando e o que irá colher. Como diz um amigo meu: -Teatro qualquer um faz! Agora porpagar uma mensagem, melhorar o mundo, isso é tarefa de poucos.
O melhor: Aqueles que geraram assunto durante dias, que ficaram na mente da spessoas, que foram para casa em seus corações. Que se sacrificaram na técnica ou no palco sem precisar se gabar por isso, bomt rabalho aparece sem que se precise falar.
O pior: Os que frustraram outros ou se frustraram por seu olhar equivocado do teatro que o Máschara faz.
Arte é Vida
terça-feira, 16 de agosto de 2022
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
1045 - A hora da Estrela -(tomo IV)
O espelho tem duas faces.
Assistindo o espetáculo A Hora da Estrela e nostalgicamente recordando o projeto cena às 7, que foi sucesso durante quase 15 anos, eu devo parabenizar os artistas do Máschara pela iniciativa de retornar ao palco com espetáculo de teatro. Ora, já estávamos suficientemente servidos de grandes espetáculos a céu aberto como A Paixão de Cristo e o Auto de Natal mas espetáculos como este, em palco italiano, espaço concentrado, faz uma falta demasiada. Nós queremos nos emocionar no escuro da sala de espetáculos, queremos chorar baixinho ou rir até nos desfigurarmos, sem que estejamos sendo vistos ao ar livre. Precisamos nos exorcizar, nos catarzear...
A Hora da Estrela, um texto de determinada complexidade, escrito no século passado por uma autora na iminência de sua morte, e essa mesma escritora se coloca na obra como um anjo maligno muitas vezes que judia e maltrata sua heroína. Porém, a obra literária é uma, e a obra teatral outra. É preciso ter lapidação artistica para compreender essa máxima. O palco tem direção de Kleber lorenzoni! Sua Macaéa, e quando digo sua é pelo fato de que tudo sobre o palco perpassa a mente do diretor, ainda que haja o trabalho de atriz,é a visão do diretor que ergue das folhas do livro e triangula o esquema humano sobre o palco. Como dizia,a Macabéa do espetáculo tem um destino digamos, poético, distante da realidade nua e crua por assim dizer: nascer, viver, morrer, em Kleber lorenzoni tudo é mais dramático mis onírico: viver nascer sonhar arriscar morrer e transcender. Praticamente o destino do herói grego.
Durante pouco mais de 60 minutos, quase nos chocamos com tamanha malvadeza gratuita direcionada a jovem mulher que veio do nordeste tentar a sorte (embora nem esse objetivo a pobre Macabéa parece carregar). Kleber Lorenzoni nos dá dois seres iguais: o feminino e o masculino, que se completam. Macabéa e Olímpico; se observá-los de perto, ambos tem o mesmo corte de cabelo e penteado, carregam a mesma simplicidade e buscam sem saber a mesma coisa: um lugar ao sol no sistema patriarcal em que vivemos. Já era de se esperar ver Macabéa sucumbir, mas a cena consegue emocionar até os mais frios. Brinca-se muito em cima "daquilo", embora não seja comedia, nem drama, o que é A Hora da Estrela? Se não vejo ali comédia de costumes? Tragicomédia? Melodrama? Podemos ficar horas debatendo.
Sem sombra de dúvidas um grande elenco, com grandes atuações. Laura Hoover está divina, e Alessandra Souza cumpre sua tarefa com postura de grande atriz. Aliás, a voz mais potente e bem pronunciada sobre o palco. A iluminação cresceu, amadureceu e o final foi só emoção!
Alguns atores estão enredados em volumes baixos e interpretações voltadas para o palco. É preciso quebrar a caixa preta. Ricardo Fenner está por exemplo com um hiato muito curto. Me parece que sua cena era mais recheada na ultima vez em que assisti ao espetáculo. Também acho que não convém se emocionar tanto, afinal ele não conhece a historia de Macabéa. Quem deve emocionar-se é a plateia. Maria da Penha, quando responde à Graça, equivocou0se e passou a informação de que é casada, o que destoa da ideia e do livro. Nãos ei qual o objetivo. As meninas radialistas precisam usar mais as "ancas" na proposta do diretor. O radialista parece mais vedete do que elas.
Linda a cena das cartas do tarô, resumindo e unindo mitos, magias e crenças em um único espetáculo. Parabéns ao diretor que consegue orquestrar tudo em cena.
Para encerrar, eu convido todos, a se jogar, o palco deve ser o trapézio do ator. Precisa ser bom, doer um pouco e gelar a barriguinha!
O Melhor: A interprete de Merlym Monroe
O pior: Os volumes baixos.
Eliani Aléssio: (**)
Romeu Waiser (***)
Carol Guma (**)
Antonia Serquevittio (**)
Laura Hoover (***)
Douglas MAldaner (***)
Clara Devi (*)
Raquel Arigony (**)
Ellen Faccin (**)
Nicolas Miranda (**)
Vitoria Ramos (***)

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