sexta-feira, 17 de junho de 2016
Olhai os Lírios do Campo no Cena Viva (tomo 2) 737
“Sucesso
é quando alguém faz o que sempre fez e
alguém percebe”.
Em Santa Rosa o teatro do sesc
é razoavelmente pequeno, uma sala bastante aconchegante. O palco de tamanho
pequeno não chega a ser um problema, no entanto , atrás da rotunda, atores e
contra regras sofreram para executar um bom trabalho. O espetáculo iniciou com
um atraso de quase uma hora, e percebia-se uma tensão, uma insegurança que
colocou em risco o trabalho.
Por outro lado, viu-se sobre o
palco um respeito ao público. Uma técnica vocal valorosa, e um melodrama com
toques modernos muito eloquentes. Passo
a passo, minuto a minuto o espetáculo foi sendo construído. Alessandra Souza,
Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge transformaram-se em cena, e outros atores também
se destacaram muito.
Olhai os Lirios do Campo é um
espetáculo de grandes proporções e dimensões. Texto longo, muito atores,
cenário espaçoso e etc... Isso tudo repercute no ritmo, devido aos tempos de
entradas e saídas. A trilha sonora com canções de várias matizes e a complexa
simbologia que perpassa por cenários e figurinos precisam ser muito bem
compreendidos e executados. O Erico que
vemos representado no palco, urbano e romântico, não é muito conhecido, mas o
espetáculo acaba por cumprir sua função.
As cenas de Lirios ganharam mais
ritmo desde a ultima vez em que assisti o espetáculo, e a interprete de Eunice
parece ter encontrado um caminho mais acertado para sua personagem. Douglas
Maldaner se sai muito bem em seu Alcebíades mas seu Jango poderia soar mais
natural na cena com Alzira e Angelo.
Lirios não ficou tão dramático
quanto ficava nos ensaios e isso é bom, já que é um texto que pode facilmente
passar do ponto.
No que diz respeito as questões
técnicas, houve pequenos desajustes que foram claramente resolvidos: Cama
virada, sombrinha emperrada, vestido aberto, atraso do ator Douglas Maldaner na
cena da festa, maleta caída no palco, mesa abandonada no cenário, maleta caída
atrás de cenário, Enfim, detalhes que saem do controle, mas que não devem sair.
Lírios precisa de mais
apresentações e prática.
Aqui alguns comentários falados
no debate do espetáculo.
*As namoradas, mulheres de
Eugênio (Dulce e Alessandra) se saem muito bem.
*O tom nas cenas da família
Fontes, destoam do restante do elenco.
*Rever figurinos.
*Trilha bem escolhida, porém deve
ser executada com maior delicadeza.
*Melodrama feito com muito
respeito
*Adaptação muito bem feita
*Mesas do cenário precisam de um
cuidado mais apurado.
*Maquiagem dos pais muito
exagerada em cena.
*Espetáculo de muito bom gosto.
*Cléber passando muito sua
verdade em cena, muito lindo de se ver.
*Apesar do aperto e problemas técnicos o espetáculo flui.
*Fernanda Peres da muito bem o
tom do hospital
Enfim, uma noite de erros e
acertos como o teatro sempre foi e sempre será. Uma sensação de dever cumprido
por parte do elenco e que Olhai os Lirios do Campo sigam sempre, assim como o
Máschara.
Arte é vida
A Rainha
Alessandra Souza (***)
Evaldo Goulart (***)
Fernanda Peres (***)
Gabriel Araújo (**)
Fabio Novelo (**)
Raquel Prates (***)
Dulce Jorge (***)
Cléber Lorenxoni (***)
Renato Casagrande (***)
Douglas Maldaner (**)
Ricardo Fenner (***)
quarta-feira, 15 de junho de 2016
terça-feira, 14 de junho de 2016
Complexo de Elecktra - (tomo 5) 736
Noite de insegurança
O ator esparrama-se pelo
palco com todo o seu potencial, quando pode entrar em cena despreocupado, livre
para criar, sem preocupar-se com nada que não seja a sua ação cênica. Nesta
quinta noite de Complexo de Elecktra, atores e equipe técnica estavam tensos,
preocupados e isso vazava até a plateia. A Sessão Maldita tem um clima denso,
que precisa do mergulho dos atores em profundidades obscuras de seus
interiores. Concentração. Silêncios. Pausas. E isso tudo é matemático. Uma
matemática que vem do raciocínio e da sensibilidade em ouvir o outro e ouvir a plateia.
Mas como fazer tudo isso se os atores precisam fazer andar toda a maquinaria
teatral por traz das cortinas?
Sentada na platéia me vi muitas vezes incomodada, chocada as vezes e
isso é maravilhoso. No dia em que o público fica em dúvida entre continuar
assistindo ou se retirar, devido a um constrangimento, a produção de sessão
maldita pode sentir-se realizada. Pois o teatro e principalmente este tipo de
teatro vem para nos tirar da zona de conforto. Balançar nossos valores. A cena
de nudez de Ereda, a tentativa do coito entre Werner e Ereda, a masturbação da
mãe que pode ser muito mais aprofundada e uma outra gama de cenas. Não é teatro
para qualquer um, não é Olhai os Lírios do Campo, não é Esconderijos do Tempo e
não é Ed Mort. É preciso que os atores tenham compreensão de qual é seu produto.
No plano das construções e composições, não desgosto do penteado de
Ulrica. Lembra muito “tragédia-grega”, uma mulher com nome de Ulrica, (colônia
alemã), no campo, pendurando roupas em um varal, com porte de rainha... Se
pensarmos isso tridimensionalmente, uau, um grande acerto. Somos o que somos,
mesmo que estejamos varrendo uma rua, ou sentados no banquete de uma rainha. E
o que importa em Complexo, é o que está dentro! Por outro lado as
“tranças-familia-Adams” da protagonista, tiram sua força, tiram sua
sensualidade, e me lembram muito o universo rodriguiano. Como se Ereda fosse
uma ninfeta. Não é uma visão errada, mas não resume demais toda a sua
complexidade? Isso sem falar que pela lógica cronológica, Ereda usa tranças
todos os dias, mas para matar o tio ela o solta. Quando decidiu? O cabelo solto
tem a ver com a sensualidade? Por que então está preso durante a cena da nudez?
Tem a ver com assassinatos? Então por que está preso quando a mãe vai morrer?
Confuso...
As vezes a direção de um espetáculo nos dá espaço, para ver até onde vai
nossa logica criativa.
O trabalho vocal de parte do elenco é uma
aula a parte, mas precisa se estender por todos. Propulsão, força, interação,
ritmo, melodia, sonoridade, falsete, potencia, respiração... Vamos buscar?
Me
incomoda as vezes ficar presa, a espera
que me conduzam, quando quero seguir os personagens...
As
cenas tão bem escritas por Ivo Bender e que são representadas atrás do painel
da lembrança, foram as melhores nesta sessão. A agressividade de Werner ao
jogar o cenário para o chão pode ser um pouco mais cênica, ou os vidros da sala
podem estar condenados. Quando Ereda traz a cadeira de rodas com o tio, falta
plástica, aliás o elenco jovem de Complexo de elecktra precisa buscar a arte
dentro de si. Assistam mais filmes, leiam mais livros, ouçam outras musicas.
Nada tem a ver com gostar, ou com quais livros gostam de ler, e sim com
alimentar-se de códigos. Estar atenta como a Marquesa de Merteuil em Relações
Perigosas.
O
trágico deve ser buscado, mas o trágico passa por outros ramos e gêneros para
se compor. Isso quer dizer que as vezes dentro de um espetáculo trágico, minha
função é não ser trágico, para despertar o trágico em outros personagens...
Estranho paradoxo, mas interessante. Henrique por exemplo deve guardar todo o
trágico para o final do espetáculo, quando termina de matar a mãe. No decorrer
ele precisa investir em algo meio sinistro, confuso, pois é um menino confuso
na historia.
O
mundo de Ereda prestes a ensolarar-se deve ser buscado, pois simboliza a
necessidade que a natureza colabore com os planos humanos, no entanto a
natureza está possessa, os deuses querem justiça pois o homem que fazia a terra
produzir (pai), foi morto e os dois que a possuem agora, são dois incapazes.
Todo homem incapaz de fazer a terra produzir, não é digno de possuí-la. Bertold
e Ulrica nunca falam da terra, são egoístas demais. Werner, Henrique e Ereda
tem seus momentos de ode à terra. E esses momentos precisam ser honrados. O
melhor discurso que honra a mãe terra, fica até agora por conta de Evaldo
Goulart.
A sonoplastia do Complexo se confunde com a movimentação e muitas vezes
nem chega a plateia, mas precisa ser bem executada.
Desgosto totalmente do prólogo e da primeira cena.
Por outro lado reconheço o esforço e a garra da equipe. Que os Deuses
lhes deem forças para continuar e os
recompensem no final da caminhada.
Arte é vida
Atuação
Contra-Regragem
Renato Casagrande (**) Renato
Casagrande (*)
Alessandra Souza
(**) Alessandra Souza (**)
Evaldo Goulart (**) Evaldo
Goulart (***)
Gabriel Giacomini (**) Gabriel
Giacomini (***)
Cléber Lorenzoni (**) Cléber
Lorenzoni (***)
Raquel Prates (**) Raquel
Prates (**)
Douglas Maldaner
(**) Douglas
maldaner (*)
segunda-feira, 13 de junho de 2016
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