terça-feira, 28 de julho de 2015

12ª Matinê - Os Saltimbancos

A louca tentativa em tentar compreender a mente da platéia.

MUITO BEM, QUAL É SUA IDADE E O QUE A TROUXE AO TEATRO?

Tenho trinta e dois anos, e o que me trouxe ao teatro foram dois motivos, sou amiga de alguns atores do teatro no face e achei legal ter um programa diferente para fazer em um domingo a tarde com meus dois filhos.

INTERESSANTE, QUAL A IDADE DELES E COMO TOMASTE CONHECIMENTO DO ESPETÁCULO?

Tenho uma menina de nove e um menino de cinco. Meu filho recebeu uma propaganda na escolinha dele, e a minha guria viu a propaganda na tv, depois também tomei conhecimento pela rede social (facebook).

TU JÁ TINHAS VINDO EM OUTRA OCASIÃO, À MATINÊ DO MÁSCHARA?

Sim, sim, já tinha vindo no teatro da Lili, e já fui em vários teatros na Casa de Cultura. A gente sabe da luta do pessoal do teatro...

E O QUE TU ACHAS DO LOCAL ONDE A MATINÊ SE DÁ?

Ah! eu gosto, é perto da minha casa, a gente fica bem pertinho dos personagens e eles (crianças) adoram. Parece meio apertado, mas pelo que a gente vê, entrou bastante gente...

E O ESPETÁCULO? O QUE TU ACHOU DE OS SALTIMBANCOS?

Muito bom, muito bom mesmo, Eles(os atores) são maravilhosos, eu gostei muito do cachorrinho e da galinhazinha, o Eduardo e a Prí (filhos) gostaram da gatinha, mas todos estão de parabéns, o burrinho também... É o Ricardo né... As maquiagens são muito bem feitas, perfeitas, parecem os bichinhos de verdade...

TU CONSEGUES COMPREENDER BEM A HISTORIA E OS MENINOS TAMBÉM?

Sim, claro, eles vão se encontrando, até que encontram a gatinha exibida, aí vira uma confusão né... Eles querem morar naquela casinha, mas primeiro não dá, depois da certo, né... E no final a gatinha vira uma... uma estrela né...

E ELES DANÇAM E CANTAM...

Pois é, a gente vê depois que só a gatinha que cantava né, por que ela queria ser a cantora... Mas eles dançam bastante, nossa, eu ri tanto quando o cachorrinho tentava pegar o osso, quando a galinha pôs os ovos... (risos)

TU ACHAS QUE FICOU MEIO LONGO, OU O TEMPO TE AGRADOU?

Nem vimos o tempo passar, teve umas partes lá no meio que ficou meio enrolado, mas acho que não, acho que foi bem bom o tempo. A gente vai se divertindo e quando vê já está no final. Só que eu sentei do lado deles, daí não vi direito umas coisas...

O LANCHE COMERCIALIZADO NA PORTA ATRAPALHA OU TU ACHAS QUE É LEGAL?

Não, é bem bom, por que daí eles comem enquanto vêem o teatro, o ruim é que o Eduardo ficou querendo pipoca na hora da peça por que viu as crianças do lado comendo, aí tive que sair com ele um pouco para buscar.

ENTÃO FOI UM BOM DOMINGO COM TEATRO

Foi, nossa, foi mesmo, e a Prí agora só me dizia: - Mãe, nós não podemos comer frango lá no vô. - Por que o vô dela faz galinha assada todo os domingos, (risos) Aí eu disse para ela: Não, isso é só teatro, é só faz de conta. Mas... mas eles adoraram, eu ri mais que eles até. E eles já me perguntaram, se dá para vir de novo.

MUITO OBRIGADA E VENHA SEMPRE AO TEATRO, TEATRO É VIDA!

                         *                          *                             *                           *

                   A percepção do público é muito diferente do que a que os atores esperam, o que chega, não é o mesmo que é proposto. É como um telefone sem fio, uma mensagem visual é enviada, mas quando chega no seu objetivo, está transformada. O elenco parecia meio nervoso, afobado. A proposta em fazer o espetáculo em arena, acaba por agitar as crianças e a preocupação em contê-las acaba por atrapalhando a interpretação. Ricardo Fenner não repetiu o feito da apresentação anterior e por diversos momentos perdeu a platéia. Souza e Casagrande exageravam nos volumes as vezes, a ponto de virar uma balburdia confusa. O público posicionado em "U" acabava fazendo um efeito prejudicial ao elenco. O som que as crianças da lateral emanava, acabava por bagunçar o som, e o público do fundo da sala recebia som do público misturado com voz dos atores. Uma dica: quando a platéia começa a falar, elenco não deve medir forças gritando mais alto e sim, conter seu próprio som. O que se dará, será o público buscando em meio ao silêncio, o som do espetáculo. 
                    Saltimbancos não tem a ludicidade de Lili inventa o mundo, por exemplo, mas a partitura dos quatro animais nos convida a mergulhar em um mundo de faz de conta. Todos nós, adultos conhecemos os sons propostos por Chico Buarque e Sergio Bardotti, na verdade, muitos dos pais estavam mais mergulhados do que as crianças. E riram muito com as gags propostas pela Gata que antagonizavam o Cão. O trabalho físico de Souza e Fenner está muito mais interessante, e sinto falta de Lorenzoni ficar mais tempo no plano rasteiro. 
                  Acho que seria muito interessante se em um dos lados da carroça, o pano tivesse a imagem de uma casa, que fosse mostrada somente na cena em que a gata encontra a pousada, as vezes o cenário fica muito estanque, apesar de auxiliar ele não faz parte da historia.
                         Ao final do espetáculo me deu até uma certa melancolia em sair da sala, levei para casa mais do que as sete notas musicais, levei as tantas versatilidades do Grupo Máschara.

Alessandra Souza (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Ricardo Fenner (*)
Renato Casagrande (**)
Bruna Malheiros (**)
Evaldo Goulart (**)
Fabio Novello (**)
Douglas Maldaner (**)
Bárbara Santos (**)
Dulce Jorge (**)


                OBS: Parabéns a Cléber Lorenzoni pela maquiagem muito bem feita nessa apresentação. E a Evaldo Goulart pela disposição em tentar cumprir tudo o que lhe é atribuído.


                               A Rainha
                         







segunda-feira, 20 de julho de 2015

Alessandra Souza com seu público em Matinê


11ª Matinê - Os Saltimbancos tomo 25

Alguém ainda não conhece o Máschara?

                             Não é o tempo que faz o Máschara ser tão conhecido, mas sim o trabalho, não são os vinte  e três anos de historia, mas as mais de seiscentas apresentações. O grupo Máschara não luta pelo reconhecimento ao nome, mas pelo apreço a arte. O público que na década de noventa assistiu a O Bulunga o Rei Azul, hoje leva os filhos para assistir Os Saltimbancos. E leva mesmo. o público da Matinê do Máschara vem crescendo muito, o hábito está se solidificando. É difícil fazer? É difícil colocar um espetáculo no palco? Sim. Mas deve sempre ser apresentado. O teatro deve sempre acontecer. Deveria estar exposto de segunda à domingo, nas ruas, nos clubes, nos palcos. 
                          O Máschara sempre teve uma preocupação em oferecer ao público o seu melhor, preocupado sempre com o conforto, modificou o palco e apresentou Os saltimbancos em arena. Um arrojo tanto para a equipe quanto para o público. Crianças e adultos riram muito, e certamente serão motivadores do fazer teatral amanhã.
                              O teatro em arena surte na platéia um clima de intimidade, tanto entre eles como que para com os atores. Na arena tanto fechada como aberta (público em três lados) o ator faz as vezes de um gladiador romano. Por isso mesmo não precisa preocupar-se tanto em voltar-se para um ou outro lado como se existisse uma frente do palco. O intérprete em arena, pode, e por isso é tão agradável, esquecer os meio-perfis, ele pode embarcar na historia tridimensionalmente. Nesse quesito Cléber Lorenzoni se sai muito bem e é seguido por Renato Casagrande, ator bastante instintivo. Alessandra Souza e Ricardo Fenner se saem bem, mas podem e devem estudar muito quanto a interpretação em arena. O público embarcou na historia, tão incoerente as vezes, e riu muito, se sensibilizou com os quatro animaizinhos e até torceu por eles. 
                                 O mais interessante do projeto Matinê, é podermos ver o crescimento de cada ator, isso logicamente se tivermos paciência em assistir quatro vezes o mesmo espetáculo. Ricardo Fenner esteve muito melhor em cena, pena ele e Alessandra Souza não cantarem em cena. Por que então a escolha de um  musical? O trabalho corporal dos quatro é muito intenso, mas galinha, cachorro e gata parecem ir mais fundo na construção partiturada. O personagem Jumento parece mais preso em uma fórmula. Renato Casagrande as vezes se deixa levar muito pela platéia, e disso surgem improvisos que as vezes podem colocar o andamento do espetáculo em risco.
                                 A estética do espetáculo fica restrita em um espaço tão pequeno e sem urdimento. E pergunto, o que afinal é um espetáculo teatral? São bons atores contando uma historia? Ou a soma de um figurino bem cuidado, uma luz bem pensada e uma trilha coerente? Ambos, dependendo da proposta, do objetivo. Por exemplo, há alguns dias a Cia. apresentou O castelo Encantado na área social de uma escolinha, luz ambiente, ausência de cenário, etc... mas essa era a proposta. a proposta da matinê me parece, é outra.
                                       Cléber Lorenzoni, apesar de desafinar as vezes, canta muito em cena e uma dica aos outros é que encontrem o momento da respiração correta para não parecerem tão cansados após cada coreografia.
                                    Teatro é trabalho de equipe e é muito gratificante ver Maldaner, Malheiros,  Giacomini,  Goullart, e Novello se dedicando tanto para que o espetáculo fique de pé. Para quem não viu, há ainda duas opções, dois domingos para que os atores amadureçam ainda mais em seus papéis, e a contra-regragem exerça melhor ainda sua função.


Dulce Jorge (**)
Cléber Lorenzoni ( *** )
Ricardo Fenner ( **)
Alessandra Souza (**)
Evaldo Goulart ( **)
Bruna Malheiros   (**)
Douglas Maldaner (**)  
Fábio Novello (**)
Renato Casagrande (**)
                       


Obrigado Gabriel Araújo, Lucas Chalita e Bárbara Santos pelo esforço em prol dos colegas e da arte...



Teatro é vida




                     A Rainha

crianças viajando com as personagens do teatro


O grupo Máschara formando plateias