sexta-feira, 17 de julho de 2009

Crítica do 31º Cena às 7 - 12 de julho de 2009

Depois de alguns anos de batalha exaustiva por parte dos admiradores e entusiastas do teatro, Cruz Alta tornou-se uma cidade repleta da arte de representar, um pólo das artes-cênicas; Não sei se é certo usar o termo pólo, mas afinal espetáculos abarrotam a casa de cultura nos fins de semana disputando o pouco espaço que temos. Um público culturalizado reúne-se no palácio das artes, antiga capoeira, lá onde estão imortalizados Prudêncio, Gioconda, Teresa e outros tantos artistas do passado.No último domingo, 12 de julho subiu ao palco “todo o teatro cruzaltense” , Esconderijos do Tempo, um libelo a Mario Quintana, regido pela mão firme de Cléber Lorenzoni. O Teatro cresceu, o público cresceu, os patrocinadores surgiram, mas será que Cruz Alta está preparada para receber essa arte? O que vejo? É pouquíssimos artistas sentados nas cadeiras do teatro, muito bem eles são artistas, não público?! Carrinhos de pipoca e de churrasquinho. A sala Prudêncio Rocha tornou-se um parquinho onde só falta a fumaça de cigarro para que o templo de Dionísio vire um bar de 5ª categoria. Há alguns dias soube que certos “artistas” pretendem fixar ventiladores nas paredes do palco, um arrojo descabido que só mesmo nossa sucupira poderia permitir.
Mas os atores continuam inquebrantáveis, mártires que dependem da sagacidade e gentileza de espaços como o auditório do Instituto Annes Dias, ali alguns mestres, compreendem a importância da arte para o crescimento de um povo. Compreendem a necessidade da repetição e da continuidade do trabalho artístico que sem espaço para o treino incansável está condenado.Mas há muito que fazer, talvez o surgimento de uma nova geração, talvez a união do público e dos artistas, talvez a construção de um teatro, talvez o esforço de pessoas frias ou de coração insensível em compreender que a arte é um bem para todos e que os filho de um povo que da as costas para a cultura está fadado ao esquecimento e as feridas da droga, da violência e da intolerância.
Apoiemos o teatro cruzaltense.
A Rainha

sexta-feira, 3 de julho de 2009

sinopse do incidente

Sinopse


Em uma montagem ousada para homenagear a obra do escritor Erico Veríssimo, o Grupo Máschara traz ao palco os sete mortos da fictícia cidade de Antares. Em uma sexta feira 13 de dezembro de 1964, O advogado Cícero Branco, A beata Quitéria Campolargo, O pianista Menandro Olinda, A prostituta Erotildes, o sapateiro Barcelona, o Bêbado Pudim de Cachaça e o jovem João Paz são deixados insepultos na porta do cemitério, após uma greve geral que assola o município. Revoltados com o descaso dos coveiros e das autoridades locais, os defuntos rebelam-se e vão em marcha  para o centro da cidade reivindicar seu funeral. Incidente em Antares é uma assombrosa crítica a uma sociedade corrompida, cheia de falsas moralidades, que mistura humor à magia do realismo fantástico. Em uma época em que as pessoas não podiam falar, Erico Veríssimo deu a chance dos mortos alardearem a corrupção e falta de humanismo de uma população que bem pode ser o reflexo de toda a sociedade. O Grupo Máschara montou o espetáculo O Incidente em 2005, ano do centenário do escritor gaúcho e continua despertando no público o interesse por uma das obras mais importantes do contexto literário brasileiro O Incidente em Antares.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Interpretes substitutos em Esconderijos do Tempo


Alessandra Souza




















Renato Casagrande Roberta Correa

Antígona 2000/2001


Ficha Técnica


TEXTO- Sófocles

DIREÇÃO- Cléber Lorenzoni

ELENCO-Dulce Jorge(antigona), Cléber Lorenzoni(creonte), Ariane Pedroti(corifeu), Marcele Franco(ismene), Alexandre Dill(hêmon), Simone De Dordi(euridice,tirésias), Leonardo(polinices).

TRILHA SONORA-Fernanda Garrido

ILUMINAÇÃO- Úrsula Macke

CENÁRIO- Cléber Lorenzoni

MAQUIAGEM- Cléber Lorenzoni

FIGURINOS- Dulce Joge


Sinopse


Numa das mais belas e dramáticas tragédias já escritas, Sófocles devassa em toda a sua profundidade o amor, a lealdade, a dignidade. A historia conta a historia de Antígona, que deseja enterrar enterrar seu irmão Polinice, que atentou contra a cidade de Tebas, mas o tirano da cidade,Creonte, promulgou uma lei impedindo que os mortos que atentaram contra a lei da cidade fossem enterrados, o que era uma grande ofensa para o morto e sua família, pois a alma do morto não faria a transição adequada ao mundo dos mortos. Antígona, enfurecida, vai então sozinha contra a lei de uma cidade e enterra o irmão, desafiando todas as leis da cidade, Antígona é então capturada e levada até Creonte, que sentencia Antígona a morte, não adiantando nem os apelos de Hemon, filho de Creonte e noivo de Antígona, que clama ao pai pelo bom senso e pela vida de Antígona, pois ela apenas queria dar um enterro justo ao irmão.Hemon briga com Creonte e então Antígona é levada a morte, uma tumba aonde Antígona ficará até morrer. Aparece então Tirésias, o adivinho, que avisa a Creonte que sua sorte está acabando, pois o orgulho em não enterrar Polinice acabará destruindo seu governo. Antes de poder fazer algo, Creonte descobre que Hemon, seu filho, se matou, desgostoso com a pena de morte de Antígona.Aparece Eurídice e conta que, ao abrir a tumba onde Antígona estava presa, encontram-na enforcada e Hemon a seus Creonte se aproxima e então Hemon se mata, após tentar acertar o pai.Eurídice, desiludida pela morte do filho também se mata, para desespero de Creonte, que ao ver toda sua família morta se lamenta por todos os seus atos, mas principalmente pelo ato de não ter atendido o desígnio dos deuses, o que lhe custou a vida de todos aqueles que lhe eram queridos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

31º Cena às 7


O Teatro na vida das pessoas

As Artes Cênicas se distinguem por acontecer ao vivo e em tempo real. Tais atributos lhe trazem ônus típicos do fazer artesanal, numa época regida por números da escala regional e pela reprodutibilidade dos meios de comunicação de massa. Num contexto em que os valores e as práticas da industria cultural tendem à hegemonia e em que a arte se confunde com entretenimento, as artes cênicas se impõem por sua singularidade.
São também elementos indutores de um novo pacto social. Como as artes cênicas começam no corpo e dele não podem prescindir, sua prática constrói um comportamento social agregador, tanto na presença de quem faz, quanto na de quem assiste. Com velocidade dos avanços tecnológicos, difundindo a virtualidade como forma de comunicação, essas artes se instalam na contramão de tais cenários, inclusive porque desafiam o índice crescente de violência das cidades ao propor o desfrute dos seus espaços sócias.
Além desses fatores, a relevância das artes cênicas ganha mais evidência por representar uma zona de conjunção de diferentes manifestações culturais, entre as quais estão, por exemplo, a música, as artes visuais, a arquitetura, a tecnologia, a literatura e a moda, resultando em práticas interdisciplinares transformadoras. O Grupo Teatral Máschara, reconhecido por sua atuação em todo o estado e principalmente no crescimento cultural da comunidade e região, integra-se no panorama do município há dezesseis anos. Desde a fundação o grupo caminhou graças ao seu esforço próprio, no início sem fins lucrativos, buscando conhecimento, aperfeiçoamento, embasamento teórico e solidificação junto ao espaço cênico do estado. Mais de 100 jovens artistas tiveram espaço para aprender e expressar o ofício. O contato com o teatro lhes propiciou auto-conhecimento, amadurecimento, interesse pela literatura, dança e música.
Por ser o teatro a arte máxima que agrega todas as outras formas de expressão, munindo-se delas para desenvolver ao público em emoção e reflexão. Os jovens que passaram pelo Máschara obtiveram paralelo a sua formação, o contato direto com elementos qualificativos necessários para a melhor formação dos cidadãos. Alguns desses jovens estão hoje espalhados em faculdades onde haja o curso de artes cênicas, cientes de sua vocação e em busca de profissionalização valorizada apenas em grandes centros.
O Grupo Teatral Máschara obtém hoje as mais significativas críticas quanto ao seu trabalho. Excursiona por todos os municípios do estado levando a arte por onde os outros artistas ainda não chegaram. Dos festivais que freqüenta traz na bagagem troféus, e mais importante, reconhecimento por parte do público e da crítica. Nos grandes centros o grupo Máschara está ao lado dos grandes nomes do teatro brasileiro, apresentando-se em Porto Alegre, Caxias do Sul, Bagé, Uruguaiana entre outras.
O Grupo Máschara sempre teve como características de seu trabalho, a pesquisa, a inovação e a crítica junto a questões sociais.