sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Elenco de Lili Inventa o Mundo na 22ª Feira de Livros de Cruz Alta


Minutos antes de adentrar ao palco


Elenco de O Castelo Encantado com equipe de Catuípe


831- O Castelo Encantado (tomo 135)

Personalidade


                     Depois de tantas apresentações do espetáculo O Castelo Encantado, fica difícil analisar o espetáculo por algum angulo novo, por isso vou me ater a questões mais específicas quanto as atuações. Um espetáculo pode me segurar, me interessar por sua historia, ou pela capacidade dos atores. Quando alguém é convidado a ingressar no Máschara, é por que de alguma forma a direção do grupo viu nessa pessoa, criatividade, algo a dizer. Todos temos possivelmente muito a dizer, porém, algumas pessoas preferem passar a vida inteira omissas. Ou por medo de se pronunciarem e serem mal interpretadas, ou por medo de destacar-se dentre o grande grupo. Algumas pessoas nunca dizem o que pensam e acabam seguindo os pontos de vistas de outrem por ignorância. 
                        O teatro é um espaço democrático para todo tipo de gente, onde as pessoas podem desenvolver todo o tipo de talentos, buscar e praticar as mais variadas técnicas. Encontrar em si mesmas outras vertentes. As  vezes alguns jovens aparecem para atuar, mas acabam descobrindo seus talentos na área da pintura, da musica, da dança. Mas respeitarão e amarão o teatro sempre. 
                 Logo após ingressar no Máschara, o que fazer para evoluir? Desenvolver sua personalidade. Seu estilo. Aprimorá-lo. Conquistar o respeito dos colegas. Buscar o conhecimento. Estar atento e disposto. O teatro é uma busca. Aprender a dominar as plateias. Tornar-se um conhecedor da alma humana. Construir em si mesmo um contador de tantas historias. 
                      Para tanto é necessário observação, observação, observação. É preciso raciocínio, leitura. Do contrário o grau de exigência, a capacidade de persuasão, a análise dos mais distintos assuntos decairá, tornando o que seria um grande grupo de artistas, em um raso grupo de animadores fuleiros. 
                      O que sempre me fez admirar essa trupe. Foi sua capacidade de se reinventar, sua versatilidade. O estudo da arte. O que é o teatro? Atores ignorantes me entristecem, ajudam a perpetrar a ideia de que artistas são vagabundos. 
                        O teatrinho de Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge auxiliou no desenvolvimento e na descoberta de talentos poderosos, como Angelica Ertel, Alexandre Dill, Simone De Dordi e outros tantos.  Não há espaço e tempo para incompetências, ou para preguiça. Há de se criar grandes artistas.  
                          O Castelo Encantado por exemplo já teve em seu elenco Lauanda Varone e Angelica Ertel como Rosa Maria. Teve também Alexandre Dill e Gelton Quadros em grandes papéis. Todos eles ajudaram a compor o que o espetáculo é hoje. Um Espetáculo lúdico, com uma singeleza louvável. As mascaras tão bem utilizadas, a musica ao vivo, as interpretações de Lorenzoni, Casagrande e Souza, maduras e redondas. A direção do Grupo deve, precisa continuar com esse espetáculo por muito tempo, as crianças merecem. 
                           Fabio Novello, Douglas Maldaner e Evaldo Goulart que alternam-se no espetáculo em suas personagens. Fábio no papel de Dono do Circo pode e deve ousar mais, nessas duas ultimas apresentações vi muito pouco de seu jogo coo o anão. Talvez pelo cansaço, mas a cena foi rápida e perdeu muito do que era. Já falei em outras análises, que a cena do elefante é minha preferida. Evaldo Goualrt traz uma energia muito boa ao espetáculo. E infelizmente Douglas Maldaner não se fez presente. 
                             Gabriel Giacomini é uma luz no espetáculo e ajuda a dar um tom leve. Acredito que deva rever sua ação na cena em que Rosa Maria exclama: -Mas uma festa sem musica? - Ali a piada refere-se ao Ursinho e quando Gabriel aponta para o teclado, nós somos mandados para longe do universo proposto por aquela almofada amarrada na barriga do "com musica na barriga". Outro ponto importante é Gabriel cantar na entrada e na saída, as vezes parece apenas assustado tentando acertar.
                          Na equipe técnica falta dedicação, o que vejo é Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande e Alessandra Souza, terem que além de carregar os espetáculos, montarem praticamente tudo. A situação ainda piora quando Fabio está em cena como em Escondrijos e Castelo.  Stalin Ciotti precisa desenvolver-se rapidamente. Buscar. Kauane Silva e Clara Devi estão aprendendo e isso agrada a todos. Gabriel Giacomini é esforçado, mas pode render mais. Laura Hoover também deve aperfeiçoar-se. Aprender a fazer sonoplastias, aprender a iluminar. Há muito mercado no ramo, mas mercado para os bons. Se Alessandra Souza e Renato Casagrande são bons, é por que com eles há todo o teatro. Ser bom no teatro é compreender um pouco de tudo o que acontece no palco.
                                    Alessandra Souza carrega o espetáculo, não chega a mostrar grandes talentos, até por que a personagem não lhe da muita abertura. Talvez se ela se afastasse da herança das antigas Rosas Maria, ela conseguisse alcançar novos horizontes. Ela cumpre sua função, de observadora, condutora do público. Renato Casagrande precisa relaxar as vezes, querer ser sempre o melhor em cena, as vezes o prejudica. Quando cair, não deve ficar tão irritado, deve levantar e continuar... Alessandra Souza e Renato Casagrande estão se tornando grandes, e isso nos enche de orgulho. Mas é preciso estar atentos, compreender as plateias. Não se julgar capazes de tudo...
                                    O Castelo Encantado em Catuípe foi mais um dia de sucesso como outros bons sucessos das ultimas incursões. 


                                Arte é Vida

      


Kauane Silva (***) (**)
Stalin Ciotti (**)(*)
Gabriel Giacomini (**)(**)
Cléber Lorenzoni (***)(**)
Renato Casagrande (**)(**)
Alessandra Souza (**)(**)
Fabio Novello (**) (**)
Evaldo GOulart (***)(**)

                               

             
                       

Melhor Artista em performance -2018


Elenco de O santo e a Porca - 2018

Renato Casagrande (Dodó) Alessandra Souza ( Bennona )  Ricardo Fenner (Eudoro Vicente)  Dulce Jorge  (Caróba)  Cléber Lorenzoni (Eurico) Laura Hoover ( Margarida)

A atriz Laura Hoover, em sua estréia como Mariana em O Santo e a Porca


Renato Casagrande, Gabriel Giacomini e Alessandra Souza em cena no palco de Catuípe


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

830 - O Santo e a Porca -(tomo 13)

Noite de estreias e amadurecimentos...

                      Quando contrato os serviços de algum trabalhador autônimo, costureira, doceira, marceneiro, etc... Sempre pago exatamente o que o trabalhador cobra, clara mediante prévio acordo. Vejo outras pessoas comentarem: -Nossa! Como essa costureira cobra caro. - Ou: - Que absurdo cem reais um cento de salgado...A questão é que quem contrata os serviços desses profissionais raramente para para analisar, que está contratando além do material, a mão de obra, ou como se dizia em meu tempo de escola, a "mais valia". Está contratando um reconhecido trabalho que levou anos para ser aprimorado. Está esquecendo que no valor vem incluído o nome, que equivale a uma marca, que precisou ser estabelecido. Esquece que aquele profissional autônomo é um diferencial, que ele luta quase sempre com muito sacrifício para se manter como profissional liberal, e que se eu não fizer minha parte, pagando talvez um pouquinho mais, nossa sociedade poderá perdê-lo. Quando uma cidade, uma secretaria contrata um grupo de teatro, esquece de tudo isso, esquece que não está pagando uma peça que foi ensaiada um dia antes, com atores que surgiram um dia antes. Contrata na verdade, no caso do Máschara, vinte e tantos anos de luta, de batalha, de trincheiramento. Contrata estudo, anos de estudo. Contrata busca de tecidos, criatividade. Enfim, um caminhão de questões estão embutidas. O que você vê no palco é reflexo de muita historia, de uma longa trajetória para chegar até o palco.
                              Na noite da última terça-feira, o Máschara levou ao palco de Catuípe, cidade onde já estivera com O Incidente (2005) Esconderijos do Tempo (2006) Tartufo (2007) e Olhai os Lírios do CAmpo (2017). No espaço não muito adequado para espetáculos teatrais o Máschara esparramou sua caravana. Cenários erguidos sob o olhar severo de Cléber Lorenzoni e figurinos distribuídos sob a fiscalização de Renato Casagrande. Aliás Cléber tem feito distribuições alternadas de seus contra-regras para descobrir capacidades, para desenvolver personalidades cênicas. Percebe-se aí muitas coisas. Devi por exemplo se esmera, se divide em mil braços para cumprir funções. Ela faz algo que admiro muito, ela pensa o que precisarão dela antes de as pessoas pedirem. Silva por exemplo é mais discreta, sutil nas ações, mas silenciosamente observa e resolve situações. Ciotti precisa atuar mais, solucionar mais, destacar-se. A trilha de Gabriel Giacomini é  eficaz, mas em alguns momentos poderia ser mais pontual, perde-se ali algumas piadas, ou seja ela está apenas sublinhando. A não ser nas cenas de Eudoro, ali percebe-se uma tentativa de criar gags sonoras. Fábio Novello não pode mostrar suas capacidades brilhantes de iluminador, mas como sempre é um grande braço direito do Máschara. 
                                O cenário foi muito bem distribuído e ainda que apertados sobre o palco, o espetáculo não perde nesse sentido. Outro grande mérito do Máschara, coxias, cenários, acabamentos, quase uma caixa preta erguida. A platéia, depois de uma premiação demorada de uma hora e meia, estava exausta na hora de assistir O Santo e a Porca. O texto de Suassuna é incrível, divertido, e de longe percebemos aqui as mesmas características de penetração crítica às fraquezas humanas que o autor já demonstrara anteriormente em textos como o Auto da Compadecida. Claro que naquele, há uma disciplina maior de idéias, no sentido por exemplo da condenação de vícios e etc... Não há é claro em nenhuma de suas peças moralizações desnecessárias, no entanto aconteceu por exemplo que lá na compadecida aconteceu um equilíbrio exato entre forma e conteúdo. Sendo assim alguns chatos de carteirinha, que só assistiram, nem sequer leram, O autor, parecem querer julgar toda a obra de Suassuna por aquele trabalho.  Em O santo, o autor parece ter sido traído por sua genialidade inventiva, assim me parece que os verdadeiros objetivos ficam diluídos ou perdidos na exuberância de incidentes e na prodigalidade de formas variantes de uma mesma ideia nas falas. 
                                          A habilidade do autor mantém-se através de gênero nada fácil que é a farsa. Ela de forma bem colocada prende o espectador, e quando esse se percebe enrolado pela trama, não quer desprender-se até a exata solução. Eis aí o mérito do autor, do diretor e da atriz principal, Dulce Jorge que com assistência de seu Dodó-Pinhão consegue nos enredar. Cléber Lorenzoni é um diretor maduro e ao mesmo tempo jovem, quando o comparamos com os diretores de sua época. Uma época em que há menos apelo aos clássicos, menos estudo, menos apuro. Cléber Lorenzoni criou um estilo de direção que sobressai-se, cativa e surpreende. O Santo e a Porca é romântico, rítmico e apaixona a todos. 
                                         Dulce Jorge é uma grande atriz, e a reverencio novamente, corre de um lado para o outro, mantém volumes, mantém a cena intensa e vivaz. 
                                          Foi noite também de muito orgulho ao ver Alessandra Souza e LAura Hoover em novos papéis. A primeira divertida, transformada, forte. Uma grande atriz. Aliás nos dois últimos anos Souza alcançou um novo patamar como interprete. Sua percepção de Benona e sua presença cênica, fizeram o público apreciar muito seu trabalho e por conseguinte a dupla com Ricardo Fenner. Até mesmo o coronel Eudoro ficou mais agradável com a mudança de par. 
                                        O elenco maduro e coeso de O santo e a Porca, praticamente todo composto pela velha guarda do Máschara preenche o palco com maturidade e responsabilidade, ainda assim percebi em seu Eurico uma preocupação, como conheço muito bem o diretor, analiso como tensão ao ver suas crias. Cléber Lorenzoni dirige muito durante o espetáculo e isso o prejudica e as vezes prejudica também o elenco. Precisa lembrar que no dia faz-se o que dá! A hora de estudos já acabou. Sobre o palco o reflexo de um trabalho. Lorenzoni parecia querer sair logo de cena, não estava inteiro.
                                        Laura Hoover foi um doce achado. claro que para quem acompanha o trabalho há tempos, ou tem o costume de ir ao teatro, percebia-se que Laura era estreante. Mas ela está calcando um bom caminho. Espero que haja novas apresentações logo do espetáculo, para que a atriz possa praticar, melhorar, crescer. O contraponto com sua Glorinha é percebível. Mais uma vez um trabalho de equipe. A direção de Cléber, a partitura bem pontuada de Alessandra Souza e a disponibilidade da própria Laura Hoover.
                                           Para o público foi uma noite de diversão. Para mim uma noite de reflexão e para o Máschara uma noite de estudo. 
                                          Noite de bom teatro. Alguns pequenos erros aqui e ali, poucos equívocos. Muita luta, disputa pela atenção do público. Cortes, jogo, estratégias. Noite de bom teatro.

                                            Arte é vida!




                                         O melhor: O talento e a maturidade dos anciãos do Máschara
                                     O pior: O local perigoso, despreparado e sujo onde os atores se apresentaram.
                                          

Rainha

Stalin Ciotti- (**)
Clara Devi (**)
Kauane Silva (**)
Gabriel Giacomini (**)
Laura Hoover (**)