Grupo Teatral Máschara
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quarta-feira, 29 de abril de 2026
Texto - A Paixão de Cristo Me dê sua mão 2026
A PAIXÃO DE CRISTO 2026 – Me Dê a Sua Mão (Alegrete)
PRÓLOGO
Mulher 1: Há dois mil anos, um povo caminhava. Caminhava
sob o peso do Império, da fome, do medo e da injustiça.
Homem 1 e 2: Havia feridas abertas nas ruas poeirentas da
Galileia,
assim como hoje há feridas abertas
nas ruas de nossas cidades.
Homem 3, Mulher 2 e 3: Há dois mil anos, também se esperava
um Salvador. Um libertador que viesse romper correntes, curar corpos, restaurar
a dignidade, reacender a esperança em corações cansados.
Mulher 4 e 5: E hoje…dois mil anos depois, ainda
caminhamos. Ainda esperamos.
Homem 4, 5 e 6: : O mundo de Jesus conhecia a
exclusão, conhecia o abandono dos pobres, conhecia o choro das mães, conhecia a
violência, a opressão, a indiferença.
Outros: E o nosso
mundo conhece tudo isso também.
Todos: Conhece a fome que humilha, a
desigualdade que mata,
a solidão que adoece, a pressa que
nos faz esquecer do outro.
Mulher 6: Mas se ainda caminhamos… é porque a
fé não morreu.
Outros: Ela pulsa. Pulsa nos que acreditam, mesmo em
meio às lágrimas. Nos que partilham o
pão. Pulsa nos que estendem a mão. Pulsa
nos que não se acostumaram com a injustiça.
Homem 7 e mulher 7: A fé pulsa porque, há dois mil
anos, Deus escolheu caminhar conosco. Não veio como rei poderoso, mas como
homem entre homens. Não escolheu palácios, mas as estradas poeirentas da vida
real.
Homem 8, mulher 8 e 9: Nesta noite, não viemos apenas
assistir a uma história antiga. Viemos
reconhecer a nossa própria história.
Todos: Mantemos a fé pulsante. O amor vivo.
E a esperança acesa.
João Batista: Ouçam, o mesmo Cristo que caminhou há
dois mil anos, continua caminhando hoje.
E caminhará conosco até que toda dor
seja transformada em vida.
Há dois mil anos nasceu uma criança
chamada Jesus, logo todos perceberam que se tratava de uma criança muito
especial e por isso foi tentada pelas forças do mal.
1340 -A Paixão de Cristo - COARTE (TOMO 01) Me dê sua mão - GRUPO MÁSCHARA (TOMO 05)
Dirigir a COARTE, tem sido um processo de mergulho nas tantas possibilidades de compreensão resiliente do artista. A COARTE não é meu grupo, eu no entanto sou seu diretor. Isso me coloca em um lugar muito interessante de receptor, ou seja, o que a COARTE tem para me dar como ser criativo, minha função não é impor, mas sim coletar, lapidar e levar ao público. Principalmente por que o grupo tem artistas de vários lugares da arte, diferentes entre si, vários olhares, várias escolas e caminhadas muito distintas. Há também o fator, faixa etária, que interfere de forma positiva, pois promove troca de vivências entre as gerações.
Kléber Lorenzoni
O espetáculo atrasou em demasia e de alguma forma, eu pressenti que algo estava a colocar a apresentação em risco. Uma cena tangencial abriu a cena, e logo depois um elenco cheio de "fogo e fome". A sensação para quem assistia, era a de que um vendaval balançava cenários, roupas e árvores. Algo estava intensamente conectado às energias naturais, Paulo Amaral desceu as escadas do praticável, como um Moisés com as tábuas das leis. Renato Casagrande ascendeu ao palco com uma plenitude muito bonita, parecendo inclusive mais alto que todo o restante do elenco. Conhecendo o teatro de Lorenzoni, percebi alguns percalços que me deixaram tensa, situações pequenas que o público presente nem deve ter percebido, a não ser os mais observadores.
O teatro não deve jamais ser filmado, transmitido ou aprisionado, pois quando se filma uma peça, se capta apenas um fragmento empobrecido dele. A câmera escolhe um olhar único, enquanto o teatro oferece infinitos. Filmar é reduzir o que é essencialmente vivo, à algo estático. Há também uma questão de respeito à criação artística. O teatro é pensado para o espaço, para a luz específica, para o tempo real. A filmagem, por melhor que seja, altera enquadramentos, corta nuances e pode distorcer intenções do diretor e dos atores. É como tentar guardar um pôr do sol dentro de uma caixa: o que se leva é apenas uma lembrança pálida daquilo que realmente foi. É importante os atores da COARTE aprenderem a desapegar-se de sua imagem, ela se torna pública e não precisa mais de sua validação. Ao terminar um espetáculo, não queira tanto, fotos e vídeos, queira já pensar no próximo processo, com a consciência de que deu seu melhor.
Kléber Lorenzoni
O largo do Adão Ortiz, mais parece a encosta de uma montanha,
semelhante ao Teatro de Epidauro, local onde doentes peregrinavam em busca da
cura. O teatro da COARTE é cura, me parece, cura para uma sociedade inteira. É
luz dos Deuses, é o soltar-se dos grilhões e enxergar novas perspectivas, novos
caminhos a se seguir, vendo o mundo mais colorido, mais diverso, mais
democrático. O Palco é púlpito de perguntas e respostas, é plataforma de
desenvolvimento pessoal, é troca entre gerações, é aceitação do novo e purgação
do que está ultrapassado. Dentre grandes surpresas, o olhar feminino da direção
do espetáculo gritou em alto e "bom som": -Jamais erga a mão para uma
mulher. -Também colocou sobre o palco mulheres na santa ceia. Foi uma atriz (Lisiele Tronco) quem teve a prerrogativa de carregar o papel de Anáz, o inimigo número
1 de Jesus. Fabiana Torrens saltou aos olhos, com uma força que imagino ser semelhante a da primeira discípula de Jesus. Vários artistas se destacaram, romperam barreiras, adentraram o palco como artistas maduros. Suas narrativas foram funcionais. Lorenzoni separou a dedo as personagens, baseado em dedicação, espontaneidade, perfil humano e capacidades técnicas. Uma verdadeira dança humana, com um corpo de atores em construção, em um palco de mais de trinta metros de largura. A união entre talentos tão distintos, produziu uma massa amorfa, com momentos de formação escultural cristalina. Palmas para o cortejo e a ousada entrega da atriz interprete da rainha Herodiaze.
Enquanto diretor, meu objetivo é ajudar a COARTE a desenvolver personalidade cênica própria, as vezes essa construção leva tempo, ela depende de um grupo caminhar junto, trocar, se observar, se ouvir, compreender sua cidade, sua cultura, seu jeito. É preciso entender sua cultura, o que uma cidade precisa, busca. Entender sobre o que e de que forma se quer usar o púlpito. O teatro é a mãe de todas as artes, por que une, sem barreiras todos e todas, une dança, musica, literatura e artes plásticas para compor uma frase, uma ideia, um olhar. Qual o olhar da COARTE?
Kléber Lorenzoni
Com quase duas horas de espetáculo, Me dê sua mão, tocou, toca, porque promove o movimento, eu sempre digo que sirvo muito mais para assistir teatro e analisá-lo do que para pisar no palco, mas senti uma vontade de entrar na tv e participar daquela energia que pendia do aparelho. O Jesus de Renato Casagrande por sobre o palco, apoiado em algum estrado, ou altar, não sei, mas o texto final realmente emocionou quem saiu de casa, não para um evento de páscoa, mas para uma noite de teatro, ao ar livre, gratuito. Um arrojo de cores, de ideias. Talvez as cenas à esquerda do palco tenham ficado escuras. Talvez alguns atores tenham atropelado sua própria dublagem, talvez algumas cenas tenham ficado enroladas ao fazer sua transposição para um palco bem maior que o espaço ensaiado. O cortejo de Jesus merecia mais ensaios! É preciso fazer para valer, levar a serio, ou sair da frente. Deixar o caminho para quem veio para valer, para quem veio de verdade. Há espaço, deve haver espaço para todos, mas aqueles que vem pelo teatro, merecem estar um passo à frente. Teatro pode ser brincadeira, pode ser hobby, pode ser uma forma de fazer amigos, pode ser um pouco de tudo, mas acredito que a COARTE quer mais. Quer fogo e luz, quer gana e ferida aberta.
A curva dramática aconteceu.
Iniciou-se na cena dos demônios, muito bem desenhada, e se seguiu até o final,
visível, firme. Parabéns ao jogo de cena dos três "corvos" do templo.
Parabéns a energia do Herodes de Didy Flores. E parabéns ao conjunto de
artistas e não artistas que ao pisar no palco, ergue a bandeira da arte cênica
e defende sua importância para pessoas. Defende nossa ancestralidade. Ainda
preciso parabenizar a força das dublagens e a contemporaneidade do texto,
brilhante.
Parabéns ainda à força do
intérprete de Pilatos, Maico Carricio, que tem a força de mordida em cena, tão
necessária para quem quer crescer no teatro, e à Andriele Dall Agnol, que mesmo
sem dizer uma única palavra em cena, disse muito com sua desfiguração
cênica.
Unir minhas duas famílias, tem sido o maior presente que tive como diretor e agradeço profundamente aos diretores da COARTE: Sissy, Paulo, Andriele, Ju e Didi. Além da disponibilidade de Tina, Lully e Rose, fazendo de tudo sempre para me auxiliar em todo o processo. Vida longa à COARTE.
Kléber Lorenzoni
O Melhor: A grandiosidade de um espetáculo criado em menos de dois meses, e preparado com um amor que chega até nós.
O Pior: O atraso, colocando em risco o interesse do público. A deficiência do processo de sonorização e iluminação do espetáculo.
A Rainha





