As Balzaquianas marca a passada de Angelica Ertel pelo Máschara, pois foi o ultimo espetáculo a ser montado com a participação de Angelica Ertel, e que participação. A Atriz que fez parte do Máschara por tantos anos, codirigiu e atuou como uma "diva" ao lado de Cléber Lorenzoni. Enquanto a atriz esteve na Cia. dedicou-se memoravelmente e é impossível aos contemporâneos assistirem esse espetáculo sem lembrarem dessa atriz. Por outro lado quem assistiu As Balzaquianas nesse domingo de Cena às 7 possivelmente imaginou que Dulce Jorge fosse mesmo a primeira interprete de Leninha, tal sua desenvoltura, segurança e força em cena.
Os dois monstros enfrentaram família, enfrentaram partidos políticos, enfrentaram auditórios vazios, invernos gelados, crises politicas, falta de verba, intrigas, mas não caíram. O Máschara se reinventou e assim deve ser para uma instituição que dure, reinventar-se, descobrir o melhor a dar ao público, sair as ruas, aproximar-se da platéia, agradecer o amor do público. Humildade, generosidade, trabalho e sensibilidade. Esse certamente é o lema do Máschara.
Sobre o palco diretor e diretora, profundidade, constância, um texto bem pronunciado, pausas, intenções, triangulação. Bons exemplos para quem está começando. Ambos se entregam passionalmente, Cléber Lorenzoni como a radialista Adelaide Fontana e Dulce Jorge como Dona Leninha. Ela é a água, passional, impulsiva, geniosa, intensa, Ele a terra, a segurança, o razão, a lógica. Juntos ambos formam uma unidade emocionante e louvável.
A direção de Angelica Ertel e Cléber Lorenzoni valorizou cada trecho do texto e vai conduzindo a trama para um desfecho apoteótico, onde Adelaide Fontana chega ao extremo de sua capacidade de suportar a vida que a destruiu. A curva acentua-se com a revelação das dores das duas mulheres que permitiram amar e acabaram por se amargurar devido ao peso de um jugo machista. A narrativa da radialista foi tirada da obra A rainha do Rádio de José Saffioti Filho, e direciona por tanto todo o espetáculo. Dona Leninha representa uma das ouvintes e nos mostra o lado de lá, onde em meio a solidão apenas a voz de Adelaide consegue chegar. Ambas estão solitárias, ambas cantam, bebem, fumam, falam de seus dias perdidos, produzem o ritual do enterro...
A iluminação de Gabriel Wink e a trilha de Angelica Ertel cumprem-se de forma exemplar nas mãos de Renato Casagrande e Alessandra Souza e oferecem ao espectador o ambiente perfeito para delirar nas asas do teatro. É preciso ainda mencionar a dedicação do jovem Stalin Ciotti que torcemos que um dia seja um dos atores do primeiro escalão do Máschara, pois a cada dia se mostra mais esforçado e digno de admiração.
Em alta: A capacidade do Máschara de levar ao palco espetáculos de nível profissional mesmo com produção do próprio bolso.
Em baixa: Os desentendimentos internos, os orgulhos, as vaidades que colocam em risco um trabalho incrível.
Espetáculo ; A Rainha do Rádio Direção Cléber Lorenzoni e Angelica Ertel Elenco Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni Assistência Renato Casagrande Trilha Sonora Angelica Ertel Iluminação Gabriel Wink Contra-regragem Stalin Ciotti e Evaldo Goulart Portaria Sandra Lazzari Ricardo Fenner Operadores Técnicos Alessandra Souza e Renato Casagrande Figurino: Cléber Lorenzoni Fotografia Alexandre Giacomini Cenário Angelica Ertel e o Grupo Arte Gráfica Renato Casagrande Produção Cléber Lorenzoni e Ricardo Fenner Divulgação Ricardo Fenner Realização Grupo Máschara
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