Sempre que assisto a um espetáculo, tento observá-lo como obra estanque, nova, como se fosse uma estréia, ainda que eu a tenha assistido 74 outras vezes. Surpreendentemente, três atores estreavam, o que certamente tomava proporção de circo de horrores na mente dos diretores e produtores do espetáculo. Mas vamos observar lá pelo principio. Os sete mortos adentraram a cena pelo fundo do palco, entre a fumaça do gelo seco. Logo de inicio, problemas técnicos, mais luz!!!! A frente do palco estava mergulhada na penumbra, falha do espaço que não tinha varas fora do palco. Aliás, nem dentro. Cléber Lorenzoni iniciou com toda a força, espasmo, coluna intensa, desequilíbrios equilibrados, energia, enfim, tudo o que a montagem pede dentro de sua concepção. Os cadáveres Antarenses foram sendo apresentados ao público um a um. No todo, o impacto foi grande, e causaram logicamente a reação esperada na platéia. Diego Pedroso compôs uma bela figura, mas parecia inseguro, sua fronte ficou quase sempre obscurecida pelo chapéu de sapateiro. Será que o ator foi avisado? Alessandra Souza esteve muito mais viva, se é que um trocadilho desses casa com uma peça onde a maioria "está morto". A atriz veio sensual, inteira, melhorou as pausas, apenas sua voz deixou a desejar. Cristiano Albuquerque, compõe um ótimo Pudim criado lá em 2005. Muito gostoso vê-lo verdadeiro em cena e arrancando boas risadas do público.

Para encerrar a cena, a entrada de Renato Casagrande como Menandro Olinda. Um papel complexo, para um grande ator. O público é claro, consegue uma boa compreensão da trama pelo olhar do intérprete, mas muito se perdeu. É preciso ensaio, e muita maturidade. Menandro Olinda é um personagem sutil, introspectivo e jovens atores tendem a confundir exageros e ritmos acelerados com energia e força.
A grande pergunta que me faço após assistir os espetáculos do Máschara é como se consegue fazer tantas substituições, e o que os atores que substituem procuram. Existem sempre dois lados quando entramos em um espetáculo, o primeiro é aquele em que eu crio algo, interpreto, dou vida a algo que eu quero dizer. O segundo é aquele em que a serviço de um trabalho consolidado, reconstruo algo pronto. Pode ser muito laureável essa ultima opção, mas a pergunta é, como se sentem os atores? Sabem qual sua função?
O teatro de certa forma é simples, por outro lado é extremamente complexo. O ator no palco não está a serviço de alguém, mas faz algo devotado para seu público e precisa saber que está sujeito a criticas e a análises. Existe aquilo que o ator exala para a platéia, sua arte, sua criação, e existe a base, a técnica teatral, que deve sempre estar presente.
As pessoas passam, mas o Máschara e o teatro sempre estarão aí!
A Rainha
Cléber Lorenzoni , Renato Casagrande, Evaldo Goulart, Geltom Quadros, Cristiano Albuquerque
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Dulce Jorge, Fernanda Peres, Ricardo Fenner, Alessandra Souza (***)
Diego Pedroso (*)
Diego Pedroso (*)
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