Feriadão
Quando me sento para assistir um espetáculo teatral, sempre fico tentando me identificar com a personagem, e penso que assim seja com toda a platéia... Nas comédias principalmente sempre tentamos encontrar nos amigos as personagens mais tresloucadas que os atores nos dão. E há sempre em nosso circulo de amigos, alguma mocinha sonhadora e apaixonada, uma megera indomável, um tio avarento, uma senhora hipocondríaca...Afinal a vida é por demais irônica e tem por vezes um senso de humor macabro.
Nos dramas, tentamos não nos identificar, na verdade muitas vezes nem vamos ao teatro quando o objetivo é ser tocado de forma emocional. A vida é tão árdua que preferimos esconder os sentimentos. Chorar perante outros hoje em dia é considerado fraqueza.
Nas tragédias é mais fácil se distanciar e por isso mesmo até gostar de assistir. Toda aquela matança e ódio despudorados parecem não nos tocar, afinal a platéia não é formada por um grupo de maníacos assassinos.
Nos espetáculos a lógica da assemelhação fica em segundo plano. Sim as crianças também se identificam com as princesas e os super heróis. Mas há no teatro infantil uma maior gama de focos, crianças de várias idades, amadurecendo rápido demais.
O que amavam hoje, amanhã talvez sequer admirem. Assim os atores do teatro infantil carregam a dúvida ainda maior do que no teatro adulto, de como, quando e quem tocar na platéia.

Ah! Que agradável aquele auditório depois que o Máschara encapou as paredes, adicionou coxias e toda a maquinaria teatral de um espetáculo. Até os atores devem ter se sentido acarinhados, protegidos pela caixa preta do teatro...Soube de fonte segura que ensaios extenuantes precederam o espetáculo. Bons atores amam ensaiar. O tearo nasce da exaustão.
O elenco era conhecido, Cléber Lorenzoni, Gabriel Wink, ambos de A Maldição do Vale Negro que tanto adoro. Alessandra Souza, a produtora de "Deu a Louca" , Renato Casagrande o Mathias de Lili Inventa o Mundo e por fim a "Balzaquianas" Angélica Ertel. Todos muito afinados, sob a batuta invisível de Cléber Lorenzoni. O público não é subestimado e crianças e adultos se divertem juntos. O Luisinho de Renato poderia ser mais tímido, talvez isso diferencia-se melhor as crianças. A Serenita é maravilhosa, uma pequena neurótica, dessas que quer tudo certinho e do seu jeito. Cléber e Alessandra encontram no jogo muitas soluções que chegam ao público. Mas para mim quem roubou a cena nessa Cena às 7, foi mesmo Gabriel Wink. Engraçadíssimo, pontuador, gracioso. Todos com muito corpo e um figurino de dar inveja a muitas Cias.
No inicio ouvi o começo do musical, mas os atores não estavam em cena, isso me perturbou, detalhe que deve ser cuidado pela equipe técnica... Sim o espetáculo era um musical temático, "trânsito", mas em apenas um único momento, - primeira cena- pareceu-me um tanto educativo. Depois foi lúdico, a troca de roupinha das crianças é deliciosa, e a revelação de Felipinho se mostra uma verdadeira carta na manga. Alessandra Souza pode sim trabalhar mais o corpo, é só se deixar pelo restante da equipe que se movimenta como em uma dança. As letras foram muito bem feitas e dispostas na melodia, me agrada ouvir os atores cantando e eu os ouvi, alguns poderiam carregar mais volume e não esperar pela sonoridade do diretor, serem mais confiantes.
Foi sem dúvida uma noite agradabilíssima, aproveitada por poucas crianças, já que a direção deveria certamente ter optado por uma outra data.
Dedico o céu para Gabriel e Alessandra. Para Angélica, Marcele e Cléber a terra e finalmente para Lucas e Renato aconselho que desçam ao xeol e busquem melhor na sonoplastia e a ser menos complicador em dias de cena às 7 respectivamente.
A Rainha
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